Montfort Associação Cultural

1 de setembro de 2004

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Sobre o Rock Cristão

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Rodrigo
  • Idade: 18
  • Localizaçao: Joinville – SC – Brasil
  • Escolaridade: Superior em andamento
  • Religião: Católica


Li seu comentário feito a um jovem que defendia o rock Cristão e lendo-o percebi seu ar de ironia nas palavras, garanto q sua indignação com certeza não demostra um bom samaritanismo, mas tudo bem enquanto ouverem pessoas q só pensam em si e e nos tradicionalistas velhos veremos a igreja morrer aos poucos, pois os velhos um dia morrem e se não trouxermos os jovens para a igreja, quem restará? Por experiencia própria e com testemunho de muitos lhe garanto que pela graça de Deus muitos e muitos Rockeiros puderam se converter pois encontraram na igreja uma opção para o seu gosto músical e hoje tornaram-se Rockeiros de Cristo, tb sou ministro da música e se não conheces o que é um ministério de música deverias se aprofundar mais na Renovação Carismárica aliás acho q vc realmente precisa de renovação e atualização,pois teus conceitos ainda beseados no orgãozinho de igreja afasta os jovens que estão tão sedentos de Deus mas quando procuram na igreja encontram pessoas assim com os olhos emparanhados.
Espero q Deus lhe abençõe e possa encher teu coração com um NOVO ardor missionário, para que nossa amada Igreja Católica Apostólica Romana possa crescer mais e mais, juntamente com o nosso querido Papa João Paulo Segundo que graças a Deus apoia de coração os Jovens e a RCC. Amém
 

Prezado Rodrigo, salve Maria !

Meu caro, rock cristão não existe. E você nem sabe o que significa conversão.

Conversão é mudança total de vida.

Quando São Rémy batizou Clóvis, o rei dos francos, ordenou-lhe: “Abaixa a cabeça, sicambro altivo. Queima o que adoraste, e adora o que queimavas”. Aquele que se converte tem que queimar todos os seus ídolos, para adorar apenas a Deus Nosso Senhor.

Os tais jovens roqueiros de quem você fala, dizendo deles: “Por experiência própria e com testemunho de muitos lhe garanto que pela graça de Deus muitos e muitos Roqueiros puderam se converter pois encontraram na igreja uma opção para o seu gosto musical e hoje tornaram-se Roqueiros de Cristo”, eles não se converteram de verdade, porque colocaram o rock acima de Deus.

Encontraram não a Cristo, mas uma “opção musical”.

Só aceitaram a Igreja, porque se lhes permitiu o rock. O que demonstra que eles não amam a Deus sobre todas as coisas. Amam mais ao rock do que a Deus. Eles não se converteram. E se você está incluído nesse número, você não se converteu também.

Saiba você que São Jerônimo, que vivia como monge no deserto, por gostar demais de Cícero, o grande orador romano, Cristo o fez fustigar por anjos. E quando São Jerônimo disse a Nosso Senhor que era cristão, o próprio Cristo o refutou dizendo-lhe: “Tu és ciceroniano, e não cristão”.

E Cícero nada tinha de satânico, nem de imoral.

O que diria Cristo dos roqueiros “cristãos”?

Você me diz ainda, sem me conhecer pessoalmente, nem a meu trabalho de apostolado de cinqüenta anos já: “garanto q sua indignação com certeza não demonstra um bom samaritanismo, mas tudo bem enquanto houverem pessoas q só pensam em si e nos tradicionalistas velhos veremos a igreja morrer aos poucos, pois os velhos um dia morrem e se não trouxermos os jovens para a igreja, quem restará?”
Meu caro, sua frase está cheia de erros, e de enganos.

Em primeiro lugar, um erro teológico bem grave: a Igreja nunca perecerá, porque Nosso Senhor prometeu que as portas do inferno não prevalecerão contra ela: (Mt. XVI 16-20).

Segundo, você faz um juízo temerário sobre minha pessoa: ao garantir que não sou bom samaritano”.

Como você sabe disso?

É certo que não sou tão bom samaritano como deveria ser, e como quereria ser. Mas…

Pelo menos você deveria ter percebido que me dou um trabalho razoável, atendendo e procurando socorrer a todos os que me aparecem nessa estrada de Jericó, que é a Internet, feridos ou quase mortos pelo demônio da ignorância e dos preconceitos contra a Igreja.

E saiba, meu caro, que vivo cercado por jovens. Por jovens que Deus me permitiu reconduzir da estrada de Jericó até Roma.

É difícil encontrar, hoje, tantos jovens como na Montfort. E jovens que queimaram tudo o que adoravam antes, todos os seus ídolos– inclusive os discos de rock– para servirem a Cristo e viverem só para Deus e para a Igreja.

E jovens que cantam, sorriem e riem.

Cantam velhas canções que lhes ensinei, ou que fiz para eles cantarem comigo. Sorriem de felicidade, porque Deus enche seus corações e suas almas, e brilha nos olhos deles.

E riem.

Riem do mundo moderno, e de sua tola pretensão de destruir a Igreja. Riem do demônio e de seus asseclas. Riem porque não têm medo.

Dou-lhe, enfim, razão num ponto: você está certo ao dizer que os jovens estão sedentos de Deus. Mas não do Rock.

E Você me fala de nosso querido Papa João Paulo II.

Que significa para você o “querido Papa João Paulo II”?

Por acaso você o apóia por ter decretado que as confissões voltem a ser feitas em confessionário?

Você espera com expectativa a publicação do Novo Ordo da Missa de João Paulo II, corrigindo os erros atuais na liturgia, inclusive o rock na Missa, conforme escreveu o Cardeal Ratzinger?

Que significa, para você, o “querido Papa João Paulo II”? Que você aceita a condenação que ele faz do aborto, do homossexualismo, a condenação da pretensão de ordenar mulheres?

Você acha que eu preciso de atualização… Como se a verdade evoluísse, pois que defendo a verdade imutável.

Meu caro, a verdade não precisa jamais de atualização. Isso é relativismo e historicismo que o nosso querido Papa João Paulo II condenou na encíclica “Veritatis Splendor”. Que muito provavelmente você nem leu, e nem se dará ao trabalho de ler. E você ainda fala de “Nosso querido Papa João Paulo II” sem dar a mínima importância para o que ele ensinou e ensina.

E já que você — fazendo juízo temerário — me recomenda um curso de atualização, permita-me devolver-lhe a moeda, sem fazer juízo temerário, mas tendo diante de meus olhos sua carta cheia de erros de religião e de português.

Vá fazer um bom curso do velho Catecismo, como também um bom curso de gramática e de redação.

E antes de me despedir, vendo-o também a você caído na estrada de Jericó, digo-lhe: que Deus lhe dê muitas graças neste próximo Natal. Só lamento não estar junto a você, para rezar consigo diante do presépio, e dar-lhe, depois, uma boa lição de Catecismo.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli.

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