Montfort Associação Cultural

27 de outubro de 2005

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Sínodo dos bispos e a missa

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Luiz
  • Localizaçao: Rio Grande – RS – Brasil
  • Religião: Católica

Caro Sr. Orlando Fedelli, espero encontrá-lo bem e gozando da paz do Senhor. Sempre leio o site Montfort, desde o MM ano, e me vejo cada vez mais romano católico desde então. Tenho buscado ler as obras de doutrina desde a patrística até santo Tomás, cuja obra tem sido para mim de grande valia. Nunca lí em tempo algum raciocínio tão claro e tão consolador. E muito devo ao Sr., pois suas cartas prepararam o caminho para que este simples morador de um distante rincão sul-riograndense pudesse tomar o gosto pelo grande doutor nosso.
A questão, contudo, que trago ao Sr. é outra; quero saber se a liberação da Missa da tradição dependeria de alguma forma deste Sínodo que se está encerrando ou se tal pode se dar a partir da decisão do Romano Pontífice tão somente. Pergunto isto porque acabei de ler no site www.seattlecatholic.com que tão questão sequer foi posta em discussão pelos bispos lá presentes. De acordo com o Cardel Arinze, diz a notícia, isto não tem relevância no atual momento (!). Sabe-se que notícias nem sempre são verdadeiras, ou pelo menos, não dizem toda a verdade, mas se tal realmente ocorreu é muito triste, é mais uma decepção que muitos católicos terão. Se a liberação da Missa não vir logo eu penso que ficará mais difícil no futuro, pois cada vez mais as nossas paróquias se comprometem com coisas muito duras de aceitar. Vê-se horrores verdadeiros na celebração, coisas que deveriam ser rechaçados por todos os fiéis. Eu tenho muita dificuldade de aceitar erros grosseiros nas homilias que tenho ouvido, pois lendo esse site – e outros, mas este em primeiro lugar – além do conhecimento obtido pelas leituras que faço, já consigo identificar os absurdos. Gostaria que tudo isso passasse, pois quero entrar numa igreja onde se respeite a presença ali de Cristo, e eu, na verdade nunca estive numa Missa da tradição pois já me criei neste chamado Novo Ordo Missae. Espero que o Sr. possa tirar minhas dúvidas e desde já agradeço, que Deus e a Virgem Maria o guardem ao Sr. e seus colaboradores.

Muito prezado Luiz,
salve Maria!
 
    Fico muito contente por ter ajudado a você se interessar pela doutrina católica, especialmente quando exposta por São Tomás. Nele, você encontrará o mestre de Filosofia — o mestre apenas humano — por excelência.
    A liberação explícita da Missa depende apenas de uma decisão do Papa. Sublinhei o explicita, porque, a Missa nunca foi proibida, e nem poderia ser proibida pois foi instituída por Cristo.
    O Papa é o supremo pastor, e possui — só ele — o supremo poder na Igreja.
    O Concílio Vaticano II com a doutrina da Colegialidade da Lumenn Gentium é que estabeleceu a falsa idéia de que os Bispos têm, eles também, o supremo poder na Igreja, doutrina errada que favoreceu um espírito de independênia tal, que as Conferências episcopais, de fato, em concreto, se julga autônomas e com direito de só obedecerem se elas aprovam algo por maioria.
    Democratizou-se a Igreja.
    O resulatdo foi a anarquia.
    Mesmo com essa doutrina admitida pelos modernistas, o Papa tem o direito de repelir tudo o que foi decidido num Sínodo, pois mesmo pela lei atual, o Sínodo é meramente consultivo. Entretanto, o democratismo de Bispos e Cardeais chegou a tal ponto, que se o Papa decidir sozinho, e contra o Sínodo, é de se temer que haja uma revolta geral.
    O Sínodo, na proposição 22 chegou a propor a doutrina herética de que a consagração transforma o que eles chamam hoje de “comunidade” no corpo de Cristo. O Papa não pode aceitar e nem acatar tal proposta. O Cardeal Kasper insiste de modo absurdo na concessão da comunhão a amasiados. O cardeal Trujillo declarou, com toda a razão, que isso é inaceitável. Porque, se os amasiados podem comungar, que pecado impediria de receber a sagrada hóstia?
    O Papa deverá decidir isso sozinho.
    Caso o Papa contrarie o Sínodo, coibindo os abusos que ele expressou que deveriam ser combatidos, haverá duas vantagens:
 
1 – a defesa da Fé, da Moral e da disciplina;
2 – o repúdio da Colegialidade.
 
    Quanto à liberação da Missa de sempre, creio que, ela poderá muito bem ser liberada.
    Não estava na pauta do Sínodo isso, mas poderia muito bem ter sido aproveitada a ocasião para liberá-la.
    Caso o Papa fiça isso, seria como um novo Edito de Milão.
    Pessoalmente, eu acho que isso está para acontecer, apesar da oposição feroz do episcopado modernista que disputa herética e cismaticamente, com o Papa, o supremo poder na Igreja.
    Rezemos pelo Papa, que, segundo se noticia, está bastabnte isolado, tendo o apoio de alguns Cardeais mais fiéis.
 
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli.

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