Montfort Associação Cultural

16 de junho de 2015

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Simpósio pro Missa antiga, sábado e domingo passado, em Roma, marca convergência entre defensores do Magistério sobre Moral e Liturgia

Autor: Vini Ganimara, do blog Osservatore Vaticano

Publicado em 16 de junho de 2015, no site Riposte Catholique

Tradução Montfort

Momento “restauracionista” em Roma

 

 

Domingo, 14 de junho, na Basílica de São Pedro, em Roma, na Capela do Santíssimo Sacramento, o Cardeal Velasio De Paolis, um dos cardeais signatários do livro Permanecer na verdade, publicado no ano passado contra as manobras do clã Kasper, celebrou Missa Pontifical para os participantes do Simpósio Summorum Pontificum. Pode-se perceber,  neste pequeno evento, a convergência significativa que se estabelece hoje entre a defesa do magistério moral e da difusão da Missa tradicional.

 

Esta Missa foi o ato de encerramento do simpósio realizado em 13 de junho em Roma, na Pontifícia Universidade Dominicana Angelicum. Foi o quarto simpósio sobre o tema do Motu Proprio Summorum Pontificum de Bento XVI, cujo oitavo aniversário será comemorado em 7 de julho próximo. O organizador foi o P. Vincenzo Nuara, OP, da Comissão Ecclesia Dei, assistido por Don Marino Neri.

 

Trezentos participantes acompanharam assim uma série de conferências, proferidas pelo Cardeal Burke (acerca da tradição como o fundamento da liturgia católica), Giovanni Turco, da Universidade de Udine (sobre a virtude da religião e o verdadeiro culto em São Tomás), Dom Schneider (sobre a relação entre comunhão e sacrifício), Monsenhor Marco Agostini, cerimoniário pontifício (sobre o altar na história do culto), etc.

 

Particularmente notável foi a intervenção de Dom Cassian Folsom, professor da Pontifícia Universidade de Santo Anselmo, prior beneditino de Núrsia, um mosteiro dedicado à celebração das duas formas do rito romano. É preciso saber que Dom Folsom, especialista em livros litúrgicos romanos, era frequentemente consultado pelo Cardeal Ratzinger, quando este meditava para estabelecer a coexistência da Missa Tradicional e da Nova Missa. É provável que  Dom Folsom tenha sido o inventor do engenhoso conceito de forma do rito. Sua conferência no simpósio se dedicou especificamente a refletir sobre as noções de ritos e formas no problema das relações entre a lex orandi e a lex credendi no Motu Proprio. O grande problema é explicar como uma e outra forma possam ser ambas expressões equivalentes da lex credendi. Esta apresentação acadêmica nos parece ter mostrado, antes de tudo, a extrema dificuldade de resolver a questão nodal, ou seja, a do valor magisterial da nova liturgia. Exceto se se disser que o texto de Bento XVI deva, antes, ser considerado um genial arranjo para permitir estabelecer, do jeito que fosse, uma situação de coexistência pacífica e que a afirmação de equivalência doutrinária das formas não deva ser levada ao pé da letra.

 

Ainda mais marcante foi a breve intervenção do Cardeal Müller sobre “a tradição como  princípio próprio da teologia católica.” Ela obviamente continha alusões à atualidade pré sinodal (“não é o número de bispos favoráveis a uma opinião que conta, mas sua qualidade doutrinária”). Mas, de fato, é principalmente a presença do Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé neste simpósio dedicado à missa tradicional que foi altamente significativa. Hoje se multiplicam as manifestações da união de todas as forças “restauradoras”, como um dos efeitos da nova etapa da crise magisterial em que entrou a Igreja desde a decisão do Papa Francisco de recolocar em discussão aspectos relacionados com a indissolubilidade do matrimônio.

 

Os cientistas políticos descreveriam esse fenômeno como “união das direitas” em preparação para uma “reconquista do poder.” Devemos lembrar que o que constituiu como tal o fenômeno Ratzinger foi a fusão de uma preocupação com a desintegração doutrinária na Igreja, preocupação dos “restauracionistas” por um lado, e de uma crítica da liturgia posterior ao  Concílio Vaticano II,  crítica dos tradicionalistas de outro lado. Entre os herdeiros de hoje (e atores de amanhã) de Joseph Ratzinger – os cardeais Sarah, Burke , Caffarra, Müller, etc. – se encontra essa junção entre as preocupações doutrinárias e preocupações litúrgicas. O vaticanista Sandro Magister, que participou do simpósio, nos fez notar que a intervenção de Gerhard Müller tinha, por esse fato, uma importância política.

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