Montfort Associação Cultural

12 de janeiro de 2005

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Seminarista modernista

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: seminarista D.
  • Localizaçao: – Brasil
  • Profissão: seminarista
  • Religião: Católica

Olá, que a paz de Cristo esteja sempre com todos nós! Meu nome é D., tenho 19 anos de idade e sou estudante de Teologia, no instituto de Teologia de …, Diocese de …, participo da Comunidade …, Diocese de …. Meu Padre   viaja, e estamos em férias no curso!!! Por recorri minha dúvida à vós.

Seguinte:

Em umas das matérias das várias que temos, estudamos Sagrada Escritura. Estudando Sagrada Escritura, vemos por todos os lados, históricos, econômico, lingüístico, literário etc… Estamos em determinado momento em que o povo de Israel (mais necessáriamente Judá) volta do Exílio da Babilônia. Estamos estudando o livro de Neemias e Esdras, e tudo aquilo que o senhor já sabe…

Sabemos que o cativeiro não foi uma coisa tão legal assim para o povo de Israel, já que caíram numa profunda depressão e conflito religioso basta conhecermos as lamentações de Jeremias. Em determinado momento, faço algumas reflxões e penso: Acabou-se a monarquia “Davídica”. Talvez eles (o povo judeu) pensassem assim: Nosso Deus foi derrotado pelo Deus dos Caldeus! Pecamos e Deus está nos castigando por isso!

Talvez, nem levavam em conta que tudo o que aconteciam com eles, era fruto de uma coisa que já vinha errado lá de trás! O pedido de um Rei! A divisão do Reino! Os guerras entre os dois Reinos etc…

Nesse momento da história do povo uma pessoa que é muito importante é o Profeta! Eta cara arretado! Ele, que anteriormente ao episódio, denunciava as regalias do Rei e anunciava uma coisa boa ao povo, agora incita no povo a esperança de um Reino eterno, ou pelo menos um reino que não terá fim conforme a promessa feita a Davi! (não tenho o costume de ficar enchendo de citações meus textos para justificá-los, pois acho que é coisa de pessoas que usam a Bíblia somente para fundamentar [às vezes] as suas idéias errôenas, ou a usam como simples instrumento de justificação de suas palavras, para provar alguma coisa, e sabemos a Sagrada Escritura não é para isso, o Senhor me entende né!

Dentro desses parâmetros, vimos que o anuncio do Profeta e bem puxado para o ânimo dos judeus postos em cativeiro que agora voltam de certa forma de “mãos abanando” para a sua terra e que ainda por cima, haviam já, gente vivendo lá!!! é de desanimar mesmo né!

Bom, o que quero dizer e que os profetas começaram a anunciar o Messias, aquele que havia de vir, aquele que restauraria a Monarquia Dávidica, aquele que viria e libertaria o povo da sua marginalidade!!

ei-lo, Jesus Cristo!!! de uma forma e figurada bem diferentemente dos que eles pensavam, já que pensavam ser um Messias lutador, montado num cavalo branco e toda essa parafernália toda…

O problema de minha dúvida está: Evangelho, Figuras e Simbolos Autor: Juan Mateos e Fernando Camacho Edições Paulinas.

Revista Vida Pastoral distribuida pela PIA Sociedade de São Paulo (Paulinos)…

O livro é interessante, a revista somente para liturgia, até aí, tudo bem!!!

Lendo o livro, pude perceber uma riqueza interminável de coisas que até então quando lia os evangelhos, não percebia!!! Incongruências nas leituras… os sinóticos, enquanto marcos fala de alguma coisa, Mateus fala da mesma coisa só que em outro ambiente, coisas assim!!! Tendo em base a função do Evangelho (escrito destinado a determinada comunidade), vemos que é necessário entende-los de uma forma NÃO FUNDAMENTALISTA. O que quero dizer é que quando o autor diz que O fulano cego ou a hemorroíza não são personagens físicas que viveram realmente, mas que, para a catequese das comunidades as quais destinavam o Evangelho eram figuras representativas, vemos a riqueza dessa leitura!!! O problema está que se não existiram, Jesus não realizava milagres!! Se isso é verdade, (essa é a minha dúvida) não me escandaliza, já que Jesus se assemelhou totalmente ao homem, exceto no pecado, não porque era de origem divina mas porque conseguiu vence-lo!!!

Minha dúvida então é a seguinte!!! Jesus realizava aqueles milagres de forma física e visível ou é meramente uma linguagem catequética dos autores!!!

Eu formulei três respostas!!! 1. Sim, realmente ele fazia os milagres!!! (sendo assim perde-se toda a riqueza do ensinamento catequético, do autor evangélico).

2. Não, é meramente simbólico, já que Jesus era humano, era como humano, em condição humana, não poderia fazer isso,!

3. Ou então, jutei as duas!!! Sim ele fazia os milagres mas foram escritos com a intenções catequética que nós entendemos somente ao pé da letra, já que não vivemos na época!!!

Na opção 1 – vi que é uma forma totalmente fundamentalista de ler os evangelhos, em outras palavras, cubro Jesus com papel celofane, e faço-o glorioso, já, sem mesmo nem ressuscitar, e esqueço-me que teve fome, sede, chorou, dormiu, ficou nervoso…

Na Opção 2 – vi que é uma opção razoavel já que os Profetas do A.T. testamento, foram ungidos para abrir os olhos aos cegos, devolver aos surdos a audição, tudo no tocante em leva-los plenamente, ou até, ainda ao conhecimento da fé!!! Nada físico!!! Acho também a opção mais viável, tendo em base tudo o que escrevi na opção 1, e toda a simbologia! e tendo em vista que: Deus nos cria e nos dá uma inteligencia: Louvo a Deus, usando e aperfeiçoando a minha inteligência, pensando… não seria correto e viável, Deus, em sua Palavra, dar-me tudo mastigadinho, devo pensar um pouco e descobrir realmente o que quer de mim, e o que está escrito nas entre linhas… O problema é que pensando assim, é uma que escandaliza! Jesus não fazia milagres, e então não faz: Peraí, após sua Ressurreição a coisa muda de figura, é o que penso!!!

Na opção 3. Na falta de opção, existe ainda a opção 3.

Bem, acho que tagarelei demais!!! gostaria de saber se estou indo por lados corretos em minha fé!!! Percebi que estudando a Teologia comecei a entender muito melhor as mensagem contidas na Sagrada Escritura!!!

Um forte abraço…. Espero não ter incomodado!!!

Desde já agradeço e envio saudações em Cristo Jesus!!!

Prezado D.,
salve Maria.

Perdoe-me se lhe respondo decepcionado e bastante triste. Li sua carta com estupefação e amargura, com muita pena de você. Mas compreenda que a crítica que vou lhe fazer é dirigida muito menos a você do que aos responsáveis pela formação dos estudantes, atualmente. Especialmente pelos responsáveis pela decadência incrível dos seminários atuais.

Você é mais vítima do que culpado, pelo que escreve, pois fica patente que você não compreende bem a gravidade do que afirma. É difícil imaginar que um seminarista, estudante de Teologia, escreva as coisas que você, infelizmente redigiu.

Como gostaria de ajudá-lo!

Como não lhe ensinaram a redigir uma simples carta? Desculpe-me corrigi-lo, mas como foi possível que jamais o tenham corrigiram por escrever um “né” grosseiro e vulgar, na conclusão de suas frases, “né” que o rebaixa intelectualmente e lhe traz humilhação, ainda que você não a sinta nem a compreenda como tal? Como não o advertiram a abandonar um estilo caseiro e vulgar, cheio de tics e vezos de linguagem, estilo absolutamente impróprio, não só de um clérigo, mas de um simples estudante universitário?

Não adverti-lo e não corrigi-lo foi uma grande falta de caridade de seus professores.

Se esse estilo de sua carta é lamentável, muito pior é a falta de conhecimento doutrinário que sua missiva manifesta!

E essa falta de conhecimento da doutrina católica chega a ser desastrosa, quando se examina o que você diz de Nosso Senhor Jesus Cristo, repetindo, sem o saber, as heresias modernistas de Loisy.

Meu caro, sinto dizê-lo — mas é meu dever adverti-lo: o que você escreve é absolutamente contrário à fé, sem a qual ninguém pode se salvar.

Sua visão dos Evangelhos não é católica e sim Modernista. Você me escreve:


“os sinóticos, enquanto marcos fala de alguma coisa, Mateus fala da mesma coisa só que em outro ambiente, coisas assim!!!
Tendo em base a função do Evangelho (escrito destinado a determinada comunidade), vemos que é necessário entende-los de uma forma NÃO FUNDAMENTALISTA.”

1- É falso que os Evangelhos foram escritos visando apenas “determinada comunidade”.

Os Evangelhos foram escritos visando toda a Igreja, em todos os tempos.

O que você afirma é contrário à ‘Fé.

E não havia “comunidade”, coisa nenhuma. Essa palavra não expressa o que é uma paróquia ou uma diocese. Comunidade há num convento, onde tudo é comum, pelo voto de pobreza. Numa paróquia não há nada em comum.

Hoje em dia, nem a fé — desgraçadamente — é comum, numa paróquia. Cada um pensa de um modo. Caiu-se no subjetivismo e no relativismo mais completo, como nas seitas protestantes. Desgraçadamente, de novo.

2 – E o que significa FUNDAMENTALISMO para você?

Garanto que se você tivesse lido o que escreveram os santos e o que ensinaram os Papas sobre esse tema, você os classificaria como FUNDAMENTALITAS. O que, mais uma vez, prova que lhe ensinaram Modernismo e não Catolicismo.

3 – Outra prova de que lhe ensinaram uma doutrina Modernista e não a Católica, está na negação — ou mesmo dúvida — que você levanta sobre os milagres do Evangelho. Houve, sim, aqueles milagres todos.

Crer neles como fatos históricos realmente ocorridos não é FUNDAMENTALISMO . É obrigação de Fé Católica. Colocar em dúvida a historicidade desses milagres é prova de mentalidade ou de heresia Modernista.

E prova de que você põe em dúvida os milagres de Cristo está no que você ingenuamente escreveu:

“Minha dúvida então é a seguinte!!!


“Jesus realizava aqueles milagres de forma física e visível ou é meramente uma linguagem catequética dos autores!!!”.

Como é possível que um seminarista — que dentro em breve vai ser ordenado padre — diga tal heresia, e tenha tal dúvida?

Se não possuísse sua carta, não creria possível que um católico analfabeto pudesse formular tal dúvida inacreditável.

É como se, numa escola militar, um aspirante a oficial tivesse dúvida se é dever defender a pátria.

Disso você parte para formular suas três hipóteses absurdas — perdoe-me a franqueza– verdadeiramente “malucas” na pena de um seminarista:

“Eu formulei três respostas!!!


1. Sim, realmente ele fazia os milagres!!! (sendo assim perde-se toda a riqueza do ensinamento catequético, do autor evangélico).
2. Não, é meramente simbólico, já que Jesus era humano, era como humano, em condição humana, não poderia fazer isso,!
3. Ou então, jutei as duas!!! Sim ele fazia os milagres mas foram escritos com a intenções catequética que nós entendemos somente ao pé da letra, já que não vivemos na época!!!”

Pelo amor de Deus !!!

Como é possível um estudante de teologia escrever tais estapafúrdios?

E sobre suas três hipóteses exegéticas absurdas você escreve o fruto de suas “considerações”.

Sobre a primeira, você me diz:

1. Sim, realmente ele fazia os milagres!!! (sendo assim perde-se toda a riqueza do ensinamento catequético, do autor evangélico)”

Isto significa que você julga preferível admitir que Cristo não fez, de fato, milagre algum, para que não se “perca a riqueza do ensinamento catequético’

Mas, meu caro, se os Evangelhos não contaram fatos históricos, Cristo não ressuscitou e, portanto, nesse caso, como diz São Paulo, “vã é nossa fé”.

Se Cristo não é Deus, que vale o “ensinamento catequético”?

Tal ensinamento – se Cristo não é Deus –, tal catequese, é um amontoado de mentiras, e seu seminário estaria formando charlatães.

Ainda sobre esta sua primeira “hipótese” ou “opção”, você comenta:

“Na opção 1 – vi que é uma forma totalmente fundamentalista de ler os evangelhos, em outras palavras, cubro Jesus com papel celofane, e faço-o glorioso, já, sem mesmo nem ressuscitar, e esqueço-me que teve fome, sede, chorou, dormiu, ficou nervoso…”.

Este seu comentário acima é tão lamentável, tão desrespeitoso para com Nosso Senhor, que raia a blasfêmia.

Sua segunda “hipótese ” consegue a proeza de superar o absurdo da primeira: Escreveu-me você:

“2. Não, é meramente simbólico, já que Jesus era humano, era como humano, em condição humana, não poderia fazer isso,!”.

Você percebeu que, nessa “opção”, você deixa implícita a negação de que Nosso Senhor Jesus Cristo era Deus e homem , ao mesmo tempo?

O que você aí escreveu cheira a arianismo.

E cheira mal…

O pior de tudo, em sua incrível carta, é o que você então comenta dessa segunda “opção”:

“Na Opção 2 – vi que é uma opção razoavel já que os Profetas do A.T. testamento, foram ungidos para abrir os olhos aos cegos, devolver aos surdos a audição, tudo no tocante em leva-los plenamente, ou até, ainda ao conhecimento da fé!!! Nada físico!!! Acho também a opção mais viável, tendo em base tudo o que escrevi na opção 1, e toda a simbologia! e tendo em vista que:

Deus nos cria e nos dá uma inteligencia: Louvo a Deus, usando e aperfeiçoando a minha inteligência, pensando… não seria correto e viável, Deus, em sua Palavra, dar-me tudo mastigadinho, devo pensar um pouco e descobrir realmente o que quer de mim, e o que está escrito nas entre linhas… O problema é que pensando assim, é uma que escandaliza! Jesus não fazia milagres, e então não faz: Peraí, após sua Ressurreição a coisa muda de figura, é o que penso!!!”

Citei-o longamente, para que se conheça claramente seu “pensamento”, por suas próprias palavras.

No final de seu texto, você parece recusar a heresia de que Cristo não é Deus. E a recusa com um “Peraí” que não fica bem nem mesmo num texto de estudante de ginásio, quanto mais na pena de um futuro sacerdote. Certas coisas… “Non clericant”.

Infelizmente, depois do desastrado “Peraí”, voce deixa entender que só depois da Ressurreição seria possível a Cristo fazer milagres, o que é um outro absurdo.

Meu caro, aconselho-o a “pensar um pouco e descobrir realmente o que Deus quer de você, e o que está escrito nas entrelinhas…”: em vez de pretender “pensar” o que a Igreja sempre condenou, tenha a humildade de estudar o Segundo Catecismo Cristã, para as crianças.

Daí, você parte para a sua “opção 3″, que é também absurda e contrária à Fé, pois nega que os milagres narrados pelo Evangelho tenham realmente acontecido:

“3. Ou então, jutei as duas!!! Sim ele fazia os milagres mas foram escritos com a intenções catequética que nós entendemos somente ao pé da letra, já que não vivemos na época!!!”.

Mas que intenções catequéticas, meu caro.

Digo-lhe francamente isso porque você me pediu explicitamente que lhe desse minha opinião sobre o que você escreveu, e, se não lhe disser o que penso, estarei mentindo.

Veja o que me pediu:

Na opção 3. Na falta de opção, existe ainda a opção 3.

“Bem, acho que tagarelei demais!!! gostaria de saber se estou indo por lados corretos em minha fé!!!”.(Coloquei em negrito os eu pedido).

Vou então atendê-lo:

Se você quer saber realmente se está “indo pelos lados corretos em matéria de fé” devo dizer-lhe diante de Deus –e sem querer ofendê-lo, mas só ajudá-lo — que você está completamente desencaminhado.

Não. Você não está “indo pelos lados corretos” em matéria de Fé”. Você, infelizmente, perdeu de fato a Fé. Você, pelo que pensa, objetiva e materialmente, já não é católico. Tomara que sua ignorância doutrinária não permita que você não seja católico também subjetivamente !

Rezo para que isso não lhe aconteça. Que Deus tenha pena de você que lê livros tão maus, e que não tem oportunidade de conhecer a doutrina católica, mesmo estudando num seminário. Repito: você me parece mais vítima do que culpado.

Catequese de verdade, você é que precisa receber, e com urgência, porque você — repito — desgraçadamente, não tem Fé . Você não crê nos Evangelhos. Você — POR ISSO — não é, de fato, católico.

Lamento muito sua situação.

Poupo-lhe a crítica de seus comentários sobre a História dos reis judeus e do cativeiro de Babilônia, que também revela desencaminhamentos.

Quero dizer-lhe que, embora você tenha escrito para o site, pedirei que não coloquem seu nome , nem o de seu Seminário, e de seus mestres e autores que cita, para não humilhá-lo publicamente.

Não me queira mal por lhe ter dito a verdade com sinceridade. Quando a chaga é grande, a cauterização é maior e mais dolorosa. Mas não me pareceu haver outra forma de ajudá-lo.

Creia que não o desprezo e que gostaria de ajudá-lo, mesmo ensinando-lhe o catecismo, e depois História, e História das heresias, e tudo o mais que você necessita.

Não podendo fazê-lo, rogo a Nossa Senhora que leve em conta tantos atenuantes de sua culpa, e que pese Deus bem a ignorância em que o deixaram.

Tenha-me por seu amigo, e um amigo pronto a ajudá-lo.

Escreva-me com sinceridade e humildade.

Rezarei por você. Reze para que Nossa Senhora o socorra nessa crise terrível em que está.

Que Nosso Senhor lhe dê uma fé integra e uma caridade abrasada, é o que lhe desejo do fundo da alma,

in Corde Jesu, semper, Orlando Fedeli.

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