Montfort Associação Cultural

25 de agosto de 2004

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Seitas Neo-Pentecostais e Violência

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Salles
  • Idade: 38
  • Localizaçao: Rio de Janeiro – RJ – Brasil
  • Escolaridade: Pós-graduação concluída
  • Religião: Católica

Prezado prof. Orlando e equipe, Salve Maria.

Inicialmente desejo expressar meus sinceros agradecimentos a toda a equipe do site Montfort por manter este excelente produto no ar apesar de todas as adversidades.

Sou assíduo leitor e, hoje após alguma relutância, decidi enviar-lhe um e-mail, a fim de compartilhar convosco minha crescente decepção com o descaso que nós católico-fluminenses somos tratados pelo casal Garotinho.

Não vejo com nenhuma surpresa, nem a promiscudade que a nefasta dupla mescla as coisas de Estado com a pseudo-religião, nem a profileração irracional e descontrola das seitas neo-petencostais. Entretanto, me causa grande desconforto, quiçá asco a notícia reportada em anexo.

Inicialmente a violência dos bandidos, depois a barbárie do Governo em admitir a presença de um réles expulsa-demônios-atrai-incautos para negociar uma crise de segurança pública.

Como senão bastasse a ascenção dos abjetos políticos-evangélicos ao Palácio das Laranjeiras, a cada dia temos que presenciar a onda evangélica que inunda nossos bairros e favelas.

Gostaria de compartilhar minhas hipóteses com vocês, pois confesso que se tentar externar esta opinião na minha paróquia serei inicialmente ridicularizado pelos pelo “ecumênicos” depois, quem sabe, excomungado.

Minhas hipóteses estão exclusivamente calcadas nas observações da vida diária, nas minhas andanças e das leituras de periódicos.

Hipótese 1: O aumento da violência urbana no Brasil, e em especial no Rio de Janeiro, é diretamente proporcional a expansão Neo-Petencostal nos extratos mais carentes da sociedade?

Hipótese 2: Como a expansão Neo-Petencostal na sociedade brasileira influencia, incentiva e justifica através da “conversão” o aumento da criminalidade nas cidades?

Hipótese 3: A relação entre: ignorância, digo baixa-escolaridade da massa; deficiências e ausências de incisiva atuaçao da nossa Igreja aceleram a difusão da violência através do aumento da criminalidade?

Desejo intensamente buscar informações ou referências bibliográficas que possam comprovar ou refutar minhas hipóteses.

Se for de vosso conhecimento algum ensaio ou estudo mais aprofundado sobre os temas peço encarecidamente que, se possível, me enviem as referências.

Ora et labora,

Salles


01/06/2004 – 12h58m Benfica: o pastor e seus fiéis

Extra

RIO – Ex-maître de um restaurante na orla de Copacabana, o pastor Marcos Pereira da Silva, nome exigido pelos presos amotinados na Casa de Custódia de Benfica para negociar o fim da rebelião iniciada no sábado, costuma dizer que é capaz de expulsar demônios do corpo de um homem com uma oração e um toque em sua cabeça. Falante e carismático, o pastor se dedica há 13 anos a um trabalho assistencial em delegacias e presídios do Rio.

Esta não é a primeira vez que presos rebelados exigem seu nome para participar de negociações. Em 2002, Marcos Pereira da Silva ajudou a pôr fim à rebelião em Bangu 5. Fundador da Igreja Assembléia de Deus dos Últimos Dias, que abriga entre os fiéis as irmãs de Marcinho VP, do Complexo do Alemão, o pastor diz que sonha com a construção de um centro de auxílio a ex-criminosos e orgulha-se de ter acesso a locais “onde o policial não entra”.

Seita prega que fiéis se isolem do mundo

Marcos começou a sua carreira como fiel da igreja Assembléia de Deus que, apesar do nome semelhante, não tem nada a ver com a sua. O pastor diz que resolveu fundar a própria igreja quando deixou a Assembléia de Deus porque, segundo ele, havia mistérios que gostaria de esclarecer. A sede fica em Éden, São João de Meriti, e a seita tem templos no Paraná e até na Itália.

Ele calcula que tenha cerca de mil fiéis nos três templos da igreja.

Na seita, ninguém pode usar nada que desperte a inveja ou a cobiça dos outros irmãos. O pastor da igreja, porém, costuma usar carros caros para o seu transporte.

As mulheres seguidoras da seita têm nome, mas são chamadas apenas de varoas, não podem usar nada que provoque a cobiça e são obrigadas a vestir um roupão largo, mostrando apenas as mãos e os pés. Também não podem cortar o cabelo.

Não podem sair sem comunicar ao pastor. Não podem desobedecer aos homens.

Ninguém pode ler jornais, assistir à TV e nem mesmo ouvir o rádio. Só podem ler a Bíblia.

Os membros que moram na igreja abandonaram suas famílias e vivem só para a religião. À noite, quase todos dormem no terraço da igreja, em colchonetes.

Para não despertar a cobiça, renunciaram aos bens materiais. As proibições, que os adeptos chamam de dogmas, têm explicação com interpretações bíblicas.

A seita é vista com muitas reservas por outras igrejas evangélicas.

Os namoros são permitidos, mas os casais não podem sequer tocar as mãos enquanto não forem casados.

O rebanho do pastor Marcos Pereira da Silva cresce entre os desesperados. A maioria dos que moram no templo é gente que diz ter deixado para trás as drogas, os vícios e uma vida marginal.

Os fiéis saem todos os dias para pregações em favelas, delegacias e presídios. Marcos sabe que ali vai encontrar campo fértil para semear sua crença e conseguir novos adeptos. Há casos de presos que deixaram a cadeia e foram direto para o templo. Os fiéis fazem pregação nos presídios Milton Dias Moreira, Evaristo de Moraes e Talavera Bruce.

Muito prezado Professor Salles, salve Maria!

Muito obrigado por suas palavras de elogio e de incentivo ao nosso site Montfort.

Que Deus lhe pague por seu apoio. Pedimos que reze sempre por nós, para que Deus nos dê forças neste combate em prol da Igreja Católica Apostólica Romana, única verdadeira Igreja de Cristo, tão traída nos ecumênicos dias em que infelizmente vivemos.

Não é ignorado por ninguém que esse casal Garotinho é protestante.

Ninguém ignora também o fracasso completo desses governantes protestantes no combate à criminalidade, no Rio.

O massacre na prisão de Benfica é prova contundente disso.

Caro Professor Salles, você me pede se posso lhe indicar algum estudo que relacione propagação de seitas, com miséria e criminalidade.

Conheço um trabalho muito interessante sobre esses temas, demonstrando como o surgimento e o crescimento de seitas milenaristas se relaciona com a desestruturação de pessoas de seus ambientes naturais e familiares.

Trata-se da obra de Norman Cohnn intitulada The Porsuit of the Millenium. A tradução dessa obra em português é Nas Sendas do Milênio. Vale a pena ler esse livro, pois ele explica muito do que vemos hoje, em nossas megalópoles.

Agradeço-lhe o envio da notícia anexada que achei bem interessante. De vez em quando vou ao Rio dar palestras a um grupo de amigos. Seria para mim um prazer encontrá-lo, um dia, nessas reuniões.

Para isso, envie-me por favor o seu número de telefone para contato.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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