Montfort Associação Cultural

18 de janeiro de 2013

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Segundo Domingo após a Epifania: Leituras e comentário da Liturgia Tridentina

 

Giotto, As Bodas de Cana

2º DOMINGO APÓS A EPIFANIA

 2ª Classe – Paramentos Verdes

Epístola de São Paulo Apóstolo aos Romanos 12, 6-16.

Irmãos: Tendo dons diferentes, segundo a graça que nos foi dada, quem tem o dom da profecia, use-o segundo a norma da fé; quem tem o do ministério, exerça-o; quem tem o de ensinar, ensine; quem tem o de exortar, exorte; o que reparte, (faça-o) com simplicidade; o que preside, seja solícito; o que faz obras de misericórdia, (faça-as) com alegria. Que o amor seja sem fingimento. Aborrecei o mal e abraçai o bem. Amai-vos reciprocamente com amor fraternal, adiantando-vos em honrar uns aos outros. Na solicitude, não sejais negligentes; sede fervorosos de espírito, servindo ao Senhor; alegres na esperança; pacientes na tribulação; perseverantes na oração; socorrendo, como se fossem próprias, as necessidades dos santos, praticando a hospitalidade. Abençoai os que vos perseguem; abençoai-os, e não os amaldiçoeis; alegrai-vos com os que estão alegres; chorai com os que choram; tende entre vós os mesmos sentimentos; não aspireis a coisas altas, mas acomodai-vos às humildes.

Evangelho de Jesus Cristo segundo São João 2, 1-11.

Naquele tempo: Celebraram-se umas bodas em Caná de Galileia, e encontrava-se lá a Mãe de Jesus. Foi também convidado Jesus, com seus discípulos, para as bodas. Ora, faltando o vinho, a Mãe de Jesus disse-Lhe: Não têm vinho. Respondeu- lhe Jesus: Mulher, que nos importa isso, a Mim e a ti? Ainda não chegou a minha hora. Disse sua Mãe aos que serviam: Fazei tudo o que Ele vos disser. Ora, estavam ali seis talhas de pedra, preparadas para a purificação judaica, levando cada uma duas ou três medidas [cerca de 40 litros, n.d.r.]. Disse-lhes Jesus: Enchei as talhas de água. E encheram-nas até ao cimo. Então, disse-lhes Jesus: Tirai agora e levai ao arquitriclino[chefe do cerimonial, n.d.r.]. E eles levaram. E o arquitriclino, logo que provou a água convertida em vinho – como não sabia donde este lhe viera, ainda que o sabiam os serventes, porque tinham tirado a água – chamou o esposo, e disse-lhe: Todo homem põe primeiro o bom vinho, e quando já se bebeu bem, então lhes apresenta o inferior; tu, ao contrário, tiveste o bom vinho guardado até agora. Foi este, em Cana da Galileia, o primeiro milagre que Jesus fez, manifestando assim a Sua glória; e os seus discípulos creram nEle.

Traduções das leituras extraídas do Missal Quotidiano por Pe. Gaspar Lefebvre OSB (beneditino da Abadia de Santo André) – Bruges, Bélgica: Biblica, 1963 .

Comentário ao Evangelho do dia feito por 
Santo Efrém (c. 306-373), diácono da Síria, doutor da Igreja
Comentário ao Diatessaron, 5, 6ss.; SC 121 

(disponível em francês no site Per Ipsum, tradução a/c blog)

“Este foi o primeiro dos sinais que Jesus realizou”

Por que terá Nosso Senhor, como primeiro sinal, transformado a água em vinho? Foi para demonstrar como Deus, que transforma a natureza do interior das garrafas, opera também a Sua transformação no seio da Virgem. De igual modo, para coroar Seus milagres, Jesus abriu um túmulo a fim de manifestar a Sua independência em relação à morte, ávida por engolir tudo    .

Para autenticar e confirmar a dupla perturbação da natureza que são o Seu nascimento e a Sua ressurreição, Jesus transforma a água em vinho, sem em nada modificar as vasilhas de pedra. Eis aqui o símbolo do Seu próprio corpo, milagrosamente concebido e maravilhosamente criado numa virgem, sem intervenção de homem. [...] Contrariamente ao que lhes é usual, as vasilhas [...] deram ao mundo um vinho novo, sem que, posteriormente, houvesse de novo a repetição de tal maravilha. Assim também a Virgem concebeu e deu ao mundo a Emanuel (Is 7, 14), para não mais voltar a conceber. O milagre das vasilhas de pedra é que a pequenez torna-se grandeza, a parcimônia se muda em superabundância, a água da fonte em vinho doce. [...] Em Maria, ao contrário, a grandeza e a glória da divindade mudam de aspecto para tomar uma aparência de fragilidade e de ignomínia.

Aquelas vasilhas serviam para os ritos de purificação dos judeus; nelas, verte nosso Senhor a Sua doutrina: manifesta que veio segundo a Lei e os profetas, mas para tudo mudar através dos Seus ensinamentos, tal como a água se transformou em vinho. [...] “A Lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade nos vieram por Jesus” (Jo 1, 17). O esposo que morava em Caná convidou o Esposo vindo do céu; e o Senhor, preparado para estas núpcias, respondeu ao seu convite. Os que estavam sentados à mesa convidaram Aquele que instala os mundos sob Seu Reino, e Ele enviou-lhes um presente de núpcias que os fez exultar. [...] Eles não tinham vinho o suficiente, nem mesmo do de menor qualidade; Ele deu-lhes então um pouco da Sua riqueza: em resposta ao convite, Ele mesmo os convidou para as Suas núpcias.

Fonte: Missa Tridentina na Paróquia São Sebastião, em Campo Grande

Não deixe de ler também o interessantíssimo  comentário sobre as Bodas de Caná, baseado em São Tomás de Aquino e Hugo de São Vitor, publicado em 2004 pelo Professor Orlando Fedeli.

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