Montfort Associação Cultural

21 de outubro de 2005

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Secularização eclesiástica pós Vaticano II

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Nelson Henrique De Lima
  • Idade: 24
  • Localizaçao: Nova Serrana – MG – Brasil
  • Escolaridade: Superior incompleto
  • Profissão: Consultor De Informática
  • Religião: Católica

Prezado Professor,
Salve Maria, a Eva nossa!!!
Vinde Reino de Cristo!!!

Até minha infância que pela minha de 23 anos foi recente, era um católico com fé, vivia indo aos cultos já que morava em uma comunidade que não tinha Padre, quando uma vez por mês tinha uma Missa, todos lá estavam, vestiam as melhores roupas, enfeitavam a pobre igrejinha do lugar e recebíamos o Padre com honras de presidente. Via todos aqueles homens do interior tirando seu chapéu ao entrar na Igreja prestando respeito, as crianças em silêncio, as mulheres vestidas respeitosamente. Lembrava da minha 1ª comunhão, onde minha catequista andava cerca de 8km para nos ensinar, dos cantos do Rei Davi, das parábolas desenhadas em meu caderno de catecismo, lembro que ficava 30 minutos antes da comunhão sem comer nem beber nada e 30 minutos depois, todos faziam isto, minha Mãe me ensinava que era pelo respeito com o Corpo de Cristo. Lembrava da semana Santa a melhor semana que tinha no ano inteiro, da Igreja cheia, da caminhada dos Ramos, da procissão do Encontro, do Lava-pés, do padre chegando vestido com a linda “batina”, passeando pela comunidade, de ajudar minha mãe enfeitando a frente da casa com um lençol branco, uma vela e uma imagem do Sagrado Coração de Jesus, lembro de meu avô, (que ele esteja com Deus agora) chorando ao ouvir a Ave-Maria e muito mais. Te escrevo esta carta como um filho escreve a um pai que eu não tive, desabafando minha tristeza e chorando, chorando mesmo, pelo que ficou para trás, pela minha fé que ficou para trás, sinto uma vontade imensa de voltar aquela época em que a Igreja me confortava. Sinto saudades daqueles momentos de estar com Deus, das adorações ao Santíssimo, das conferências com todos aqueles velhinhos. Bom Professor, o que vejo hoje? Volto naquele lugar e vejo uma Igreja vazia, o povo sem fé. Vejo ministros da Eucaristia como uma minha parenta que nem sabe a metade do Rito Romano, vejo os protestantes se gloriar da sua fé e nos católicos nos calarmos por medo de sermos repreendidos, vejo a falta da batina dos Padres, teólogos que ensinam que “Judas não teve uma má intenção”, é mole?. Outros que o inferno é aqui. Outros que a Eucaristia é uma representação apenas. Vejo Padres que vão a festas e bebem, dançam contam piadas…. CHEGA, não agüento mais… e quem sou EU, para fazer algo… já perdi clientes no meu trabalho por causa da Cruz que levo no peito e pelo sinal que faço na fronte ao entrar e sair de algum lugar, mas e daí? Perco se preciso a vida pela minha Igreja, mas quero resultados. Chega de aceitar a vontade de todos. Nos católicos somos obrigados a agüentar todas as religiões dando palpites na nossa, mandando, fazendo. Somos moeda de troca em cultos protestantes. Chega Professor eu não quero mais esse mundo…
Estou magoado com o que os homens de má fé, filhos do demônio estão fazendo conosco.
Quero a fé Católica de antes….
Que Deus nos ajude e ao senhor Orlando nesse ministério.

Fique com Deus e me escreva se puder.

Muito prezado Nelson,
salve Maria!
 
    Li com atenção e com tristeza seu protesto. E, ao mesmo tempo, li com alegria a sua carta.
    Com tristeza pelo quadro verdadeiro e triste que você pintou descrevendo a situação terrível a que foi reduzida a Igreja Católica depois do Concílio Vaticano II.
     Li com alegria sua carta, porque ela demosntra que a Igreja não morre. Apesar da defecção de tantos Padres e Bispos modernistas da Teologia da Libertação comunista, ou das loucuras e profanações da Missa promovidas pelos padres carismáticos, a Fé católica continua vicejando em muitas almas, apesar de tudo. Apesar da sabotagem e das traições de membros do clero, desgraçadamente (Veja-se o que está acontecendo nas dioceses americanas e nos seminários brasileiros…). Felizmente, graças a posição tomada pelo Papa Bento XVI contra os abusos feitos na Missa, começa se perceber uma pequena reação e alguns sacerdotes começam a se manifestar contra tantros desmandos.
    Ainda ontem o Cardeal Schönborn de Viena fez um pronunciamento terrivel contra os frutos do Vaticano II. Isto é muito importante pois é um Cardeal quem fala contra o Vaticano II, e criticando a abertura das janelas da Igreja promovida por João XXIII.
    É a primeira vez, desde o Concílio Vaticano II que um Cardeal ousa fazer uma crítica tão contundente à esse Concílio confessando seus frutos danosos.
    Como comentou um aluno meu, eis que parece ter chegado, de novo, a primavera para a Igreja.
    Tomara que sim.
    Nosso Senhor nos mandou estar atentos aos indícios do tempo. A virtude da esperança nos exige esperar em Deus e rezar pela nova aurora.
 
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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