Montfort Associação Cultural

21 de janeiro de 2005

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Saudades dos padres de outrora: crítica ao Pe. Zezinho

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Fábio
  • Localizaçao: São José dos Campos – SP – Brasil
  • Religião: Católica

Prof. Orlando

Professor, leia o que fala esse Padre.

Pe. Zezinho, scj – Católico e Ecumênico

São Paulo (SP), 20/8/2002-09:12

Leitores desta coluna que discordam de minha atitude ecumênica, perguntam se ainda serei ecumênico após a notícia de que Roma, mais precisamente o cardeal Ratzinger, através do documento Christus Dominus teria afirmado a superioridade da Igreja Católica e as limitações e insuficiências das outras Igrejas Cristãs.

Em primeiro lugar sugiro que primeiro leiam o documento. Nunca se esqueçam que estão discutindo em cima do que um jornalista disse que o cardeal Ratzinger disse. Seria melhor comentarem em base ao que realmente foi dito . Jornalistas nem sempre são isentos. E eles sabem disso. Isso serve em primeiro lugar para os católicos que, às vezes, dão mais peso ao que o jornal disse em manchete do que ao que sua Igreja disse em mais de 50 parágrafos. Vão discutir meses a fio sobre o que seu jornal diário disse, mas nunca lerão o documento, mesmo tendo Internet em casa.

Quanto a mim, continuarei tranqüilamente dialogando e vendo o valores das outras Igrejas como sempre fiz, da mesma maneira que achava e ainda acho minha mãe uma linda e excelente senhora ; o que não me dá o direito de dizer que a mãe dos outros não é linda nem excelente. É perfeitamente possível afirmar que minha mãe tem mais a me oferecer e achar que a mãe do outro tem mais a oferecer a ele. Fiz a minha escolha que acho certa , mas não me julgo em nome de livro algum, no direito de dizer aos meus irmãos de outras igrejas cristãs que eles conhecem e amam a Jesus menos do que eu . Creio que o sol que brilha no telhado de minha igreja e ilumina nossos altares e púlpitos também brilha no deles e ilumina os púlpitos e altares deles. Nós, pregadores, é que às vezes escurecemos um pouco as nossa igrejas. Lá e cá.

Ecumênico é o sujeito que consegue ser fiel à sua visão de fé, e mesmo assim, consegue ouvir o outro e aprender com ele. A primeira tentação e maldade dos anti-ecumênicos é espalhar o boato de que você está traindo sua Igreja ao elogiar as outras. E daí ? Cristão não pode elogiar os outros? Jesus elogiou a mulher cananéia e o centurião romano, que não eram do grupo dele. Quem ataca o ecumenismo é como o irmão que fica ressentido porque seu irmão elogiou a mãe do outro. Se continuo católico é porque acho que encontrei aqui, apesar de todos os limites de minha Igreja o que preciso para ser feliz e anunciar Jesus Cristo. Eu duvido que o Papa nos mandasse tratar outras igrejas com ar de superioridade. Suas atitudes mostram o contrário.

Minha Igreja já disse com suficiente clareza em mais de 12 declarações, que devemos respeitar a graça de Deus que está nas outras igrejas. Não pretendo mudar de atitude. Continuo muito católico e muito ecumênico. Deus está conosco e está com eles. Eu trairia minha Igreja se dissesse o contrário. Quem é contra o ecumenismo é que não é cristão. Sou radical a este ponto. Quanto ao documento, que primeiro ele seja lido!

Fonte: Pe. Zezinho, scj

Muito prezado Fábio,
salve Maria!

Li o artigo que você me mandou de um sacerdote que, muito trivialmente, o assina com um apelido infantil: Padre Zezinho, scj.

Já o uso do apelido, Zezinho, indica um sacerdote que, infelizmente, e como tantos outros, perdeu o “sentido do sagrado”.

Evidentemente, com o uso do apelido próprio de um garotinho, ele quer passar por jovem, por um homem comum, igual aos outros. O que o sacerdote não é.

Um sacerdote é um ministro de Cristo, que tem o poder de falar em lugar de Cristo– “in persona Christi” — na Missa, e que, no confessionário, ao absolver, fala em nome de Deus, Uno e Trino.

Desgraçadamente, a laicização, o igualitarismo e o democratismo penetraram tanto nos meios clericais, que muitos padres se julgam “homens como os outros”. O que eles não são, repito.

Que saudades dos padres de outros tempos! Dos padres anteriores ao modernismo do Vaticano II. Padres que eram verdadeiramente Padres, isto é, pais.

O apelido usado por esse sacerdote é infantil.

O artigo é velho: é de 20 de Setembro de 2002, e se intitula Católico e Ecumênico.

(Cfr. Site Oficial do Padre Zezinho, artigo Católico e Ecumênico : in http://www.catolicanet.com.br/gf/conteudo.asp?pagina=573).

A foto do Padre, que aparece na página da catolicanet, mostra um homem já maduro, laicalmente desgravatado.

Já Platão, no República, dizia que no regime democrático todos querem ser iguais, e que até os velhos querem parecer jovens…

Você já leu, meu caro Fábio, o diálogo República de Platão?

Pois leia.

É muito interessante… Especialmente quando trata do igualitarismo nas democracias, igualitarismo que prepara e conduz à tirania.

No artigo que você me mandou, Padre José (isto é, o Padre Zezinho, só para que ele seja identificado pelo apelido pelo qual é conhecido) trata da acusação que lhe fizeram os seus leitores por sua defesa do ecumenismo.

Escreveu, nesse artigo, Padre José (ou Zezinho):

Leitores desta coluna que discordam de minha atitude ecumênica, perguntam se ainda serei ecumênico após a notícia de que Roma, mais precisamente o cardeal Ratzinger, através do documento Christus Dominus teria afirmado a superioridade da Igreja Católica e as limitações e insuficiências das outras Igrejas Cristãs”.
(O negrito e o sublinhado são meus. O erro é do Padre Zezinho).

Epa!

Aí há uma grave confusão!

O documento escrito pelo Cardeal Ratzinger é a Declaração Dominus Jesus, que trata da Unicidade da Igreja contra os abusos do ecumenismo pós conciliar.

O Decreto Christus Dominus é documento oficial do Concílio Vaticano II, aprovado por Paulo VI, em 28 de outubro de 1965, e trata dos deveres e direitos dos Bispos, e não do Ecumenismo. Esse decreto do Vaticano II não fala nada sobre a superioridade da Igreja católica sobre as seitas, contra a qual protesta esse Padre moderninho e modernista.

São dois documentos totalmente distintos.

Padre José se equivocou de documento. Por causa do Dominus.

Ele se equivocou de Dominus.

Na ânsia de defender o ecumenismo do Vaticano II, Padre Zezinho criticou, pelo menos materialmente, um Decreto do Vaticano II, e o atribuiu a Ratzinger que nada teve a ver com ele.

Nem os documentos do Vaticano II esses Padres moderninhos e defensores do Vaticano II conhecem.

Um equívoco tão grande, sobre dois documentos que tratam de temas tão diversos, é quase impossível, embora os nomes desses documentos possam levar a equívocos.

Será que Padre José, (ou Zezinho, como ele quer) confundiu dois documentos distintos?

É possível.

Ou será que ele não leu nenhum dos dois documentos?

Falando francamente, duvido que ele os tenha lido. Acho bem mais provável que ele nem leu a Dominus Jesus, que ele cita e critica de oitiva, nem leu o Decreto Conciliar Christus Dominus, cujo nome ele guardou vagamente na memória

Isto é bem possível que tenha ocorrido, pois os novos padres moderninhos e modernistas, em geral, nem lêem o que vem de Roma. Limitam-se a ouvir, e a repetir, o comentário que alguém lhes faça: o de algum Padre que leu, por alto e em diagonal, os títulos e sub títulos dos documentos, e que lhes passa a posição a manter face ao rebanho dos fiéis sobre o que o Papa disse ou mandou.

Que saudades dos Padres sábios de outrora!

Os moderninhos ouvem e repetem o que a CNBB manda ouvir e repetir, e basta.

Muito provavelmente foi o que aconteceu com Padre José, ou Zezinho: ele ouviu falar mal do Documento escrito pelo Cardeal Ratzinger — a Dominus Jesus – ouviu dizer que Dom Ivo Lorscheider, junto com pastores protestantes, assinara um manifesto contra essa Declaração Dominus Jesus, e pronto. Lá ficou ele de posição tomada: deve-se ser contra a Dominus Jesus.

Em defesa do ecumenismo.

Contra Roma.

E lá saiu ele criticando o Decreto Christus Dominus documento do Vaticano II.

Porque é a Declaração Dominus Jesus que afirma que as seitas protestantes não são igrejas, e que só a Igreja Católica é verdadeiramente Igreja, e não o Decreto Christus Dominus que trata do munus episcopal.

Para defender-se das críticas de alguns leitores, Padre José — ou Zezinho para os mais íntimos e mais conhecidos – os acusa de não terem lido o … “Christus Dominus”!!! ( Sic!!!).

Escreveu então Padre José, o famoso Padre cantador:

Em primeiro lugar sugiro que primeiro leiam o documento. Nunca se esqueçam que estão discutindo em cima do que um jornalista disse que o cardeal Ratzinger disse. Seria melhor comentarem em base ao que realmente foi dito. Jornalistas nem sempre são isentos. E eles sabem disso. Isso serve em primeiro lugar para os católicos que, às vezes, dão mais peso ao que o jornal disse em manchete do que ao que sua Igreja disse em mais de 50 parágrafos. Vão discutir meses a fio sobre o que seu jornal diário disse, mas nunca lerão o documento, mesmo tendo Internet em casa“.( Padre Zezinho, csj. artigo Católico e Ecumênico, 20-IX – 2002, in CatolicaNet .Os negritos são meus).

Para dar a entender que conhece o assunto, Padre José diz que o documento em foco –a Declaração Dominus Jesus ou o Decreto Christus Dominus — tem mais de 50 parágrafos. Ora, a Dominus Jesus tem 23 itens enumerados, distribuídos em 183 parágrafos…E o Decreto Christus Dominus do Vaticano II tem enumerados 44 itens, em 123 parágrafos. Padre José “chutou” um número qualquer de parágrafos, indeterminadamente — “mais de 50″– sem tê-los nem contado, nem verificado. Padre José não leu os documentos de que fala. O número de parágrafos que ele dá é para iludir o leitor.

Que coisa feia! …

Que saudades dos sábios e sérios padres de outrora!

Que saudades dos Padres-padres!

Padre José — (Refiro-me ao Padre Zezinho) não leu a Declaração Dominus Jesus de que trata o seu artigo, mas ele acusa seus leitores de criticarem-no sem terem lido a Dominus Jesus.

Acusa-os da falha que ele mesmo teve, e finge não ter tido.

Que feio!

“Jornalista”, cura-te a ti mesmo.

Padre Zezinho, cumpra o senhor o que o senhor sugere a outros: leia a Dominus Jesus, da qual o senhor nem sabe bem o nome. E leia também o Decreto Christus Dominus. Esse é do Vaticano II, que o senhor queria defender, e não atacar.

E essa gafe fica mais feia ainda, porque feita por um padre.

Ainda que Zezinho.

É o que dá um Padre querer ser Zezinho!…

Ao Padre José — vulgo Zezinho — cabem perfeitamente as palavras que ele disse para outros:

Jornalistas nem sempre são isentos. E eles sabem disso. Isso serve em primeiro lugar para os católicos que, às vezes, dão mais peso ao que o jornal disse em manchete do que ao que sua Igreja disse em mais de 50 parágrafos. Vão discutir meses a fio sobre o que seu jornal diário disse, mas nunca lerão o documento, mesmo tendo Internet em casa”.(Padre Zezinho, csj. artigo Católico e Ecumênico, 20-IX – 2002, revista Ir ao Povo. O negrito é meu).

Que feio!…

E como isso cabe perfeitamente a …Padre Zezinho!

Que feio!

***

A Declaração Dominus Jesus exigiu de todo católico– e muito mais ainda dos padres — que aderissem a dez verdades de fé, muito esquecidas, e até negadas, desde o Vaticano II.

Pois foi a Declaração Dominus Jesus que voltou a proclamar dez verdades de Fé, entre as quais que só a Igreja Católica é a Igreja de Cristo–aliás um dogma– contra o qual, Padre José se rebela.

Para desqualificar a Declaração – que ele erradamente chama de Christus Dominus – Padre José afirma que a citada declaração é de Roma, e “mais precisamente do cardeal Ratzinger”.

Ora, o Decreto Christus Dominus é do Vaticano II e assinado por Paulo VI, e não é de Ratzinger, que naquele tempo, 1965, não era Cardeal e nem era Secretário da Congregação da Doutrina da Fé.

Com isso Padre Zezinho comprova que não leu os Documentos de que fala. E que não sabe do que fala e escreve.

Que feio, Padre Zezinho!…

Com isso, assinalando que o documento Dominus Jesus é do Cardeal Ratzinger, Padre José (Zezinho) quer dizer que o documento não é papal, para começar a explicar a sua desobediência a Roma, e às declarações oficiais da Congregação da Doutrina da Fé.

Veja agora, meu caro Fábio, o modo vulgar com que se expressa esse sacerdote:

Em primeiro lugar sugiro que primeiro leiam o documento. Nunca se esqueçam que estão discutindo em cima do que um jornalista disse que o cardeal Ratzinger disse”.

Repare como esse jornalista- padre-cantor redige mal: ele quer, “em primeiro lugar”, que “primeiro”, … é muito primeiro numa só frase.

Permita-me notar ainda, meu caro Fábio, o mau gosto desse Padre ao usar a expressão vulgar e errada: “discutindo em cima do que um jornalista disse”.

Como se os leitores que o criticaram, estivessem sentados “em cima” do texto de um jornalista, enquanto lhe escreviam.

Ninguém discute “em cima do que um jornalista disse”. Discute-se sobre, a respeito do que alguém disse. Quem discute em cima de algo é quem está trepado em cima desse algo. Por exemplo, se um garotinho– talvez chamado Zezinho– discutisse futebol com um colega, estando os dois trepados num galho de árvore, comendo frutas, aí, sim, eles poderiam dizer que discutiam em cima do galho da árvore, mas sobre futebol.

Parece que nos seminários atuais não se ensina nem português. Não se sabe a diferença entre “em cima” e “sobre”.

Que saudades dos grandes vultos eclesiásticos do passado que eram mestres do falar e do escrever, e cujos sermões alimentavam as almas e agradavam pela arte!

Teologia e Filosofia, de verdade, é sabido que seminarista atual não estuda. Agora, sei que nem estudam português. Aliás, isso é bem perceptível nos sermões — ou nos artigos — que esses padres moderninhos gaguejam.

Tenho umas apostilas de Filosofia e de Teologia de seminários brasileiros — paulistanos — que são escandalosas pelas heresias, e pelas verdadeiras tolices que apresentam. Talvez, logo mais eu as critique, no site Montfort.

Padre José — o Padre Zezinho — para justificar o seu ecumenismo e sua desobediência à doutrina e ao documento de Roma, que ele nem leu, dá dois argumentos:

 

1) Ele compara a Igreja Católica com a mãe dele, e, subjetivamente diz que é normal uma pessoa considerar a sua própria mãe mais bela do que a mãe dos outros.

(Lindo, não? Carinhosamente filial, não? Mas falso).

Logo, os católicos podem considerar a Igreja Católica mais verdadeira que as demais religiões. Mas não poderiam negar que as outras religiões fossem também verdadeiras. Nem se espantar que os sequazes de seitas as considerem também como verdadeiras.

Para esse sacerdote, então, a veracidade da Igreja seria meramente subjetiva. Cada um poderia considerar a sua propria religião a religião verdadeira.

O que significa negar que a Igreja Católica Apostólica Romana seja, de fato, objetiva e realmente, a única Igreja de Cristo, e negar que haja provas disso.

Padre Zezinho afirma o relativismo mais bruto, o mesmo relativismo que João Paulo II condenou na encíclica Veritatis Splendor, que muito provavelmente Padre José também não leu.

É uma encíclica muito grossa… Não tem figuras… diria um garoto chamado Zezinho.

No Credo, confessamos a fé, dizendo:

“Creio na Igreja Una, Santa, Católica e Apóstolica”.

Padre Zezinho não crê na Igreja Una e Única.

Pois então, a tese defendida por Padre José é herética, já que vai contra o Credo.

E, como disse eu antes, Padre Zezinho é quem não leu a Dominus Jesus pois que essa Declaração — aprovada pelo Papa — trata da unicidade e da universalidade da Igreja, isto é, que a Igreja é Única e católica (universal).

Para o Padre José –aquele que se faz chamar de Zezinho– a veracidade da Igreja é relativa : cada “igreja” é certa para seus membros. Por isso, seria legítimo e bom, haver pluralidade de religiões.

Ora isso é condenado na Declaração Dominus Jesus que diz:

“O perene anúncio missionário da Igreja é hoje posto em causa por teorias de índole relativista, que pretendem justificar o pluralismo religioso, não apenas de facto, mas também de iure (ou de principio)”

.(Declaração Dominus Jesus, no 4).

E mais:

7ª “Assim, e em relação com a unicidade e universalidade da mediação salvífica de Jesus Cristo, deve crer-se firmemente como verdade de fé católica a unicidade da Igreja por Ele fundada”. (Dominus Iesus n. 16).

“Como existe um só Cristo, também existe um só seu Corpo e uma só sua Esposa: “uma só Igreja católica e apostólica”. Por outro lado, as promessas do Senhor de nunca abandonar a sua Igreja ( Cfr. Mt. XVI, 18; XXVIII, 20 ss) e de guiá-la com o seu Espírito (cfr. Jo. XVI,13) comportam que, segundo a Fe católica, a unicidade e unidade, bem como o que concerne a integridade da Igreja, jamais virão a faltar” (Dominus Iesus, n. 16).

E agora, Padre José?
Sofisma acabou.
Enrrolação desenrolou.
Baião terminou.
Violão quebrou.
E agora, Padre José?
Desta vez, fracassou
O cantor desafinou.
E agora, Padre José?

Não seria bom que o senhor, como sacerdote, e também como jornalista, lesse os documentos de Roma, para conhecê-los bem, para aprendê-los de verdade, para amá-los sinceramente, para obedecê-los e ensiná-los fielmente aos fiéis católicos que o lêem e pensam que o senhor é um guia seguro?

Esse é seu dever, Padre.

Dever de estado.

E dever grave.

Curioso que um sacerdote se atreva a rasgar desse modo — tranqüilamente — a Fé católica, e nada ocorra.

E ele nem lê os documentos que rejeita. E nem mesmo os documentos que diz aceitar.

E fala como se os tivesse lido e estudado seriamente.

Haverá ódios e fúrias contra este meu artigo, por criticar um sacerdote.

Um sacerdote famoso! Famoso por suas cançõezinhas de péssimo gosto e dessacralizadoras da Liturgia.

Mas repare-se que critico um sacerdote por ser moderninho e modernista. Por pretender iludir seus leitores,e não o sacerdote enquanto tal.

Para os que se doem com essa crítica, o Papa e a Igreja, e o Credo podem ser desrespeitados, que nada acontece. Mas, criticar um simples sacerdote moderninho e modernista por um desafinamento escandaloso contra a doutrina católica é tido quase como um pecado contra o Espírito Santo!

E ainda mais criticando suas “musiquinhas”!

E ainda mais provando que ele não sabe o que diz e sobre o que escreve.

É de rasgar as vestes!

Não pode! Falar mal do Padre Zezinho!

Que atrevido! Que ousadia! Que falta de respeito!

Como se Padre Zezinho fosse superior ao Credo.

Dir-me-á Padre José — o conhecido Padre Zezinho — que defendendo o ecumenismo, ele está seguindo a doutrina do Vaticano II, que é ecumênica.

Dizendo isso, ele confessa que a doutrina do Vaticano II conduz à negação da unicidade da Igreja.

Habemus confitentem reum!

Obrigado pela confissão.

O ecumenismo de Padre Zezinho destrói a Fé.

Claro que Padre José protestará contra o que eu digo, acusando-me de ser contra o Vaticano II, e que, portanto, eu é que seria herege.

Mas, dir-lhe-ei, com todo o respeito pelo seu sacerdócio — que, se todas as posições religiosas são válidas, por que condenaria ele a minha posição religiosa? Serei o único condenável pelo ecumenismo de Padre Zezinho e pelo ecumenismo do Vaticano II?

Seria muita contradição.

Seria lícito negar a virgindade de nossa Senhora, a infalibilidade do Papa, a Santíssima Trindade etc. Só não seria lícito discordar e criticar Padre Zezinho, provando que ele não leu o documento que manda outros lerem?

Tudo é válido em matéria religiosa, para os seguidores do Vaticano II, menos ser contra o Vaticano II.

Menos ser contra Padre Zezinho.

Eis aí a contradição absoluta do ecumenismo, proveniente do Vaticano II.

 

2) Padre José arrola um segundo “argumento” para justificar seu repúdio “tranqüilo” — o seu desconhecimento– do documento que ele atribui simplesmente ao Cardeal Ratzinger:

Creio que o sol que brilha no telhado de minha igreja e ilumina nossos altares e púlpitos também brilha no deles e ilumina os púlpitos e altares deles [os protestantes e outros hereges]“.

Parece que Padre Zezinho não estudou teologia, pois não sabe que os protestantes, pelo menos esses, não têm altares. Ou será que Padre Zezinho não sabe o que é um altar e o que é uma mesa?

Parece também que Padre José não estudou lógica.

Que será que Padre José estudou?

Tocar violão?

Cantar baião?

Padre José — ele se pensa poeta — compara, então. Deus e o sol. E isso é lindo! E bíblico até, pois assim como diz a Sagrada Escritura que “o pobre e o rico se encontraram; Deus ilumina a um e a outro” (Prov. XXIX, 13), assim também o sol ilumina a todos, aos bons e aos maus, aos católicos e aos hereges.

E lá vai Padre José, tranqüilamente cavalgando a linda analogia bíblica, enquanto silogiza: .

O sol ilumina todas as casas, sem distinção

Se o Sol ilumina e aquece todos os telhados, Deus também ilumina, com a sua verdade, todas as religiões.

Logo, todas as religiões são verdadeiras.

E aí Padre José caiu do cavalo!

O Verbo é a “luz verdadeira que ilumina todo homem que vem a este mundo” ( Jo., I, 9).

Mas, “os seus não o receberam”(Jo., I, 11).

O sofisma infantil de Padre José –agora compreendo porque ele gosta de ser chamado de Zezinho– equipara casas e homens.

Todas as casas são iluminadas pelo mesmo sol. Mas as casas não têm liberdade de não serem iluminadas pelo sol, de recusarem o sol, meu caro Padre José.

Os homens não são casas. Os homens são livres, e podem recusar o Sol da Verdade, que é Cristo, e fundarem igrejolas falsas, igrejas das trevas, da mentira e da morte.

As seitas heréticas, que dizem não ao Sol da Verdade, que é Cristo, essas seitas não podem ser equiparadas à Igreja Católica., como Padre Zezinho “bondosamente” — isto é, sofisticamente — faz.

Elas não podem ser comparadas à Igreja Católica, porque “O Sol da inteligência não nasceu para elas”.

“Et Sol inteligengiae non est ortus nobis” (Sab. V, 6) deveriam dizer elas.

Coloquei “bondosamente” entre aspas, porque quem pretende ser “bom” para com os homens, repudiando o que Deus revelou, age contra a Fé, contra Deus. Tal pessoa ama os homens mais que a Deus, desobedecendo ao Primeiro Mandamento, que ordena amar a Deus sobre todas as coisas. Amar a Deus e à Verdade acima das seitas heréticas, e acima dos hereges.

E, um tanto zangado com os que o criticam por ecumenicamente elogiar hereges e heresias, Padre José exclama desafiadoramente:

“E daí? Cristão não pode elogiar os outros? Jesus elogiou a mulher cananéia e o centurião romano, que não eram do grupo dele. Quem ataca o ecumenismo é como o irmão que fica ressentido porque seu irmão elogiou a mãe do outro.”

Novo sofisma. Elogiar a outros, mesmo de outras religiões, é possível.

Posso elogiar um protestante, porque ele é fiel à sua esposa.

Mas, não posso elogiá-lo por ser protestante. Não posso elogiá-lo por ele negar o Papa. Não posso elogiá-lo por negar a devoção a Nossa Senhora, por ridicularizar e blasfemar da Virgindade perpétua de Maria Santíssima.

Jesus elogiou a mulher cananéia e o centurião romano, porque acreditaram que Ele era Deus, e que Ele podia realizar a cura da filha da cananéia e do servo do centurião. Jesus não elogiou a cananéia e o centurião por seu paganismo, mas por terem Fé em Cristo, Filho de Deus feito homem.

Padre José é uma prova, viva e escrita, do fracasso do ensino de lógica, nos seminários brasileiros.

Repito, a lógica de Padre José é infantil.

E ele ousa escrever esses sofismas “tranqüilamente” — como ele mesmo diz — e manda imprimi-los! Tão tranqüilamente quanto ele fala dos documentos que não leu.

E ele tem fama no catolicismo atual do Brasil!

Não é sem razão que a Igreja sofre um processo de auto demolição. São Padres desse tipo, infelizmente, os que a arruínam.

Que saudades dos Padres de outrora que aliavam santidade e sabedoria!

Padre Zezinho, provando que desconhece totalmente a doutrina católica — expressa por São Paulo — sobre o Matrimônio entre Deus e a sua única Igreja, diz:

“Quem ataca o ecumenismo é como o irmão que fica ressentido porque seu irmão elogiou a mãe do outro”.

(Quanto “irmão” numa só frase. Não disse que Padre José aprendeu a escrever mal e sofisticamente? ).

Sua afirmação é falsa, Padre.

A única verdadeira e legítima mãe das almas, filhas adotivas de Deus, é a Igreja Católica, porque ela é a única esposa de Cristo. Por isso, São Paulo explica, que Deus ordenou a Abraão que mandasse embora a escrava Agar, sua concubina, para guardar Sara, sua esposa.

Por isso, Adão só tinha uma esposa, que deu a ele os filhos da carne. Do mesmo modo, Cristo só tem uma esposa: a Igreja Católica Apostólica Romana, e só dela nascem os filhos de Deus.

Elogiar as seitas heréticas é pretender fazer das concubinas esposas.

Deus não é polígamo, Padre.

Ele só tem uma única esposa: a Igreja Católica Apostólica Romana.

Por isso, é bem lógico que os defensores do ecumenismo defendam também o divórcio… ou a anulação facílima e facilitadíssima– praticamente automática — do vínculo matrimonial…

E, concluindo o seu amontoado de sofismas, para justificar sua desobediência e revolta contra a Declaração Dominus Jesus, escreveu Padre José, muito zezinhamente, como garoto teimoso, batendo o pé ao desobedecer sua mãe, e uma vez na vida declarando-se radical (pelo menos na desobediência a Roma)!

” Continuo muito católico e muito ecumênico. Deus está conosco e está com eles. Eu trairia minha Igreja se dissesse o contrário. Quem é contra o ecumenismo é que não é cristão. Sou radical a este ponto”.

Padre Zezinho na defesa do erro é radical.

Nesse caso, ser radical seria virtude.

Cristo disse: “Ninguém pode servir a dois senhores”( Mt. VI, 24).

Mas, Padre Zezinho admite que se pode servir a Deus e a Buda, e que Deus está com as pessoas de qualquer religião. Portanto que em qualquer religião– mesmo sem levar em conta a ignorância vencível — a pessoa poderia possuir a graça santificante, isto é, a vida sobrenatural. O que, mais uma vez , é contra a Fé.

E, coroando seus sofismas, Padre Zezinho ousa escrever:

“Quanto ao documento, que primeiro ele seja lido!”

Que documento?

A Declaração Dominus Jesus?

Aquela que Padre Zezinho não leu, e da qual Padre Zezinho nem sabe bem o nome?

Ou o Decreto Christus Dominus, do Concílio Vaticano II?

Assim, meu caro Fábio, é que esses maus teólogos, e esses Padres mal formados e mal informados, desorientam e perdem as almas.

Tocando violão.

Tranqüilamente…

Assim é que eles misteriosamente demolem a Igreja e destroem a Fé.

“…E fieti manifesto

“l” error dei ciecchi che si fanno duci” (Dante Alighieri, Divina Commedia, Purgatorio, XVIII, 17-18)

(E seja-te manifesto o erro dos cegos que se fazem guias”).

Rezemos para que Deus tenha pena de tantas almas, mandando-nos santos e sábios sacerdotes que anunciem — “digne et competenter” — o seu Santo Evangelho.

Sem violão, nem baião.

Que saudades dos Padres santos e sábios de outrora!

In Corde Jesu, semper,

Orlando Fedeli

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