Montfort Associação Cultural

6 de janeiro de 2005

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São Jorge

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Antônio
  • Localizaçao: – Brasil

Prezado Sr. André Melo,

lendo o seu artigo “A paixão (ou o ódio) segundo Boff” deparei-me com uma afirmação de que São Jorge não seria mais santo. Lembro-me de rumores semelhantes a alguns anos atrás.

Gostaria de perguntar se tal afirmação é verdadeira, pois São Jorge esteve sempre presente na espiritualidade católica, sobretudo a oriental, inclusive com uma Igreja Bizantina dedicada a ele em nossa cidade (Juiz de Fora).

Obrigado,
Antônio

Prezado sr. Antônio, Salve Maria!

Agradecemos seu acesso a nosso site e também a pergunta sobre a história de São Jorge.
Gostaria de me desculpar pela demora em responder-lhe. Muitos trabalhos acabaram por me forçar a adiar sua resposta.

Antes ainda de iniciar nossa resposta gostaria de observar que o artigo a que o Sr. se referiu não afirma que São Jorge não é mais santo. Note que se trata de uma citação, entre parenteses. A afirmação é do jornalista autor do artigo da Folha.

A história de São Jorge é muito antiga e envolta em certa bruma lendária. Por essa razão, sua veracidade foi recentemente contestada. Ele teria sido um soldado do Império Romano que, convertido ao cristianismo, se recusou a queimar incenso aos deuses pagãos, sendo então martirizado de forma mais cruel que o comum dentre outros cristãos. Isso ocorreu na época do imperador Décio.
O Papa Paulo VI, seguindo política ecumenista, para agradar aos protestantes que são contra o culto dos santos, retirou do calendário litúrgico as comemorações dos santos dos quais não havia documentação histórica, mas apenas relatos tradicionais.

Daí ter-se falado, naquele tempo, em “cassação de santos”. A imprensa considerou que os santos que haviam caído sob a foice do ecumenismo “histórico-científico”, não haviam nunca existido. Era como se alguém dissesse que uma pessoa cuja certidão de nascimento foi perdida nunca tenha existido. O que é um absurdo.

São Jorge, como outros santos “cassados”, certamente existiu e está no céu. O que não não pode ser afirmado é que tudo o que se conta dele tenha valor histórico comprovado documentalmente. Apenas isso.

Também não se tem a “certidão de nascimento” de Átila. Mas seria absurdo que alguém negasse sua existência. Aliás, os padres modernistas, que facilmente contestam o que diz a tradição sobre inúmeros santos dos primeiros séculos da Igreja aceitam, de pés juntos, o que as lendas dizem de Buda.

Portanto, pode rezar para São Jorge. E não creia em Buda. E muito menos nos que são movidos pelo espírito “histórico” pseudo-científico.

In Corde Jesu, semper,

Orlando Fedeli.

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