Montfort Associação Cultural

2 de fevereiro de 2007

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Santo Irineu e o Milenarismo – II

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Cléber Eduardo dos Santos Dias
  • Idade: 30
  • Localizaçao: Porto – Portugal
  • Escolaridade: Pós-graduação concluída
  • Profissão: Professor-pesquisador
  • Religião: Católica

Meu prezado Prof. Orlando,
Salve Maria!

    Li com atenção a dúvida de um leitor do site sobre o possível milenarismo de S. Irineu. Gostaria de colaborar com algo.
    Reli todo o livro V do livro Contra as Heresias (na realidade o título correto é: Élencos kai anatropè tês pseudonúmou gnóseos, ou seja, Elenco e refutação da falsa gnose). A obra é apresentada na edição da Paulus como um “livro milenarista” e confesso-lhe que   S. Irineu pode ser tomado como milenarista somente se aceitarmos que S. João no Apocalipse e o profeta Daniel são milenaristas.
    Aliás, quem acena para um “milenarismo” (entre aspas!) é o próprio editor-tradutor da obra. Aponta para o milenarismo presente nos parágrafos 32 a 35 do livro V. Na realidade, naquelas passagens, S. Irineu apenas comenta literalmente trechos do Apocalipse e do livro de Daniel. Mas não afirma nada sobre os mil nos nos quais os justos na rimeira ressuireição vão gozar com Cristo da abundância de bens na Jerusalem celeste descida à terra.
    O próprio editor-tradutor (Helcion Ribeiro) na Introdução afirma que noutra obra, intitulada “Demonstração”, S. Irineu deixa de lado a idéia de um milenarismo.
    A obra em questão é a Epideixis tou apostolokou kerygmatos (Demonstração da pregação apostólica) ainda não traduzida para o português.
    O que se pode dizer de uma análise do livro V é que S. Irineu, no livro V, 36, 3 afirma que no sétimo milênio acontecerá a ressurreição dos justos que vão viver paulatinamente com Deus para se “acostumarem” a viver com Ele, mas não que S. Irineu diga que aquela situação vá durar mil anos.
    O verbete “Milenarismo”, assinado por M. Simonetti, no Dicionário Patrístico e de Antigüidades Cristãs  documenta muito bem o milenarismo e afirma que o “milenarismo” de S. Irineu é de outro tipo, pois fala do sétimo milênio, milênio no qual o reino de Cristo será entre os justos na terra na abundância de bens, sobretudo os espirituais segundo o texto do Apocalipse 20-21.
    De tal forma que, vendo que a intenção explicitada do livro V, 32, 1, é a de instruir “…aqueles que se deixam induzir ao erro por causa de discurso herético e ignoram as disposições de Deus e o mistério da ressurreição dos justos…” e que S. Irineu foi fiel ao textos bíblicos de que dispunha, bem como o fato de não haver ainda uma condenação do milenarismo àquela época, já não se encontram muitos autores que considerem S. Ireneu errôneo neste ponto da escatologia.

    Somente para finalizar gostaria de citar uma frase de S. Irineu a respeito da ignorância dos hereges e da ignorância do homem pecador que não quer se converter: “Ora, a ignorância, mãe de todos esses males, é eliminada pelo conhecimento” (III, 5, 2).

    Desejando ter ajudado em algo, ofereço-lhe minhas orações e um forte abraço,

em Cristo,

Cléber

Muito prezado Cleber,
Salve Maria.

    Agradeço sua colaboração erudita a respeito de um suposto e não real milenarismo nas obras de Santo Irineu. Na realiddae, pelo que você mostra, Santo Irineu fala do Reino de Deus após a ressureição, portanto fala do reino de Deus na eternidade no céu, e não na terra.

    Deus lhe pague, e peço-lhe que sempre nos ajude com uma colaboração tão elevada.
 
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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