Montfort Associação Cultural

28 de janeiro de 2005

Download PDF

Santo Agostinho e o Livre Arbitrio

Autor: Emerson Chenta

  • Consulente: Janaina Christine A. Uchôa Braga
  • Idade: 28
  • Localizaçao: Caicó – RN – Brasil
  • Escolaridade: Superior em andamento
  • Profissão: assistente administrativo
  • Religião: Católica

Gostaria de obter materiais que obtenha temas do Livre Arbitrio em Santo Agostinho pois estou concluindo o curso de Filosofia e minha monografia será o referido tema.
Se vocês ajudarem-me agradecerei bastante.
Obrigado………

Muito Prezada Janaina, salve Maria!

Ao tratar do livre-arbítrio, Sto. Agostinho discorre sobre muitos outros assuntos extremamente relacionados a este, por exemplo, sobre a natureza de Deus, sobre a individualidade e unidade das criaturas e etc. Isso porque a noção de livre-arbítrio está intimamente relacionada com a concepção de Deus e com a individualidade e unidade do ser.

Para os gregos, que consideravam o homem como uma parte de um todo e não um ser individual na sua essência, não havia livre-arbítrio, mas sim destino, pois era a natureza, o Pan, que condicionava o futuro dos homens, partes desse Todo. Eram panteístas e, em decorrência disso também, acreditavam na astrologia.

Para os maniqueus, que afirmavam a existência de duas almas no homem, de dois princípios opostos, um bom e outro mau, que as ações humanas eram boas ou más conforme a ação dessas almas, os atos humanos eram determinados pela natureza do próprio homem, como, por exemplo, sentir fome. Para eles, portanto, não havia livre-arbítrio. Santo Agostinho:

“…aqueles que, observando em todas as decisões a existência de duas vontades, afirmam a existência de duas almas com naturezas diversas, uma boa e outra má.” (Confissões, VIII, 10)

Sto. Agostinho, por outro lado, com provas racionais em harmonia com a doutrina da Igreja Católica, considerava o homem como um ser individual, e Deus transcendente ao mundo. Com isso, não caiu no erro dos gregos, panteístas, nem no dos maniqueus, dualistas; erros que levam à anulação do livre-arbítrio. 

Portanto, esses dois assuntos (a concepção de Deus e a individualidade e unidade do ser) são de extrema importância para falar sobre o livre-arbítrio em Sto. Agostinho. Recomendo, além de “O Livre-Arbítrio”, o “Contra os Maniqueus” e o capítulo 10, do livro VIII das Confissões.

Sobre a astrologia, tema também relacionado ao livre-arbítrio e determinismo, há refutações da astrologia nas “Confissões” e no livro V de “A Cidade de Deus”.

O problema é encontrar comentários sobre “O Livre-Arbítrio”. Por se tratar de um tema extremamente espinhoso e fonte de inúmeras discussões, poucos se colocaram a estudá-lo e a explicá-lo; e os poucos comentários que existem sobre esse livro, não são recomendáveis, porque não são fiéis, como por exemplo, o comentário de Lutero.

É interessante, e mesmo importante para boa compreensão dos textos de Sto.Agostinho, alguns livros que tratam do livre-arbítrio baseados em Santo Agostinho ou pelo menos em harmonia com seu pensamento, como por exemplo, a questão LXXXIII, da primeira parte da Suma Teológica de São Tomás; o livro “Para a Inteligência do Dogma da Providência” do Pe.Garrrigou-Lagrange e o “Liberdade e Determinismo”, do Pe. Leonel Franca. São livros que servem como guias para esse assunto.

Há diversos sites na internet que podem ajudar em alguns dados, mas não têm nada de mais profundo. 

Pro Ecclesia Sancta Catolica,

Emerson C.

TAGS

Para comentar esta publicação

O site Montfort não permite a inclusão de comentarios diretamente em suas publicacões.

Para enviar comentários, sanar dúvidas, obter informações, ou entrar em debate conosco, envie-nos sua carta.

Saiba mais