Montfort Associação Cultural

26 de agosto de 2004

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Santa Missa, renovação do sacrifício da Cruz

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Fernando
  • Localizaçao: São José dos Campos – SP – Brasil

Caro Sr. Orlando Fedeli

Você acha correto católicos criticando católicos? Não somos uma mesma igreja?

O caro irmão dispara críticas ´mais críticas a um movimento eclesial reconhecido pelo Vaticano e reconhecido pelo Papa, como se você você o Dono de toda verdade e Juiz da igeja católica.

E o que é mais grave ainda o amigo dispara Críticas a uma sacerdote da igreja católica como se este fosse o pior dos pecadores….

Parece que se esquece que ele é um representante de Deus aqui na terra e que tem o poder de perdoar nossos pecados (inclusive os seus)…

Deus tenha piedade de Você meu amigo…

Muito prezado Fernando, salve Maria.

Agradeço bastante suas ponderações, porque elas me permitem esclarecer alguns pontos bem importantes.

Em primeiro lugar, quero ressaltar que não sou, e nem me considero, de modo nenhum, nem “o dono da verdade”, nem o “Juiz da Igreja”, como você colocou.

Não sou, não me considero, não posso ser, não quero ser, “Juiz da Igreja”.

Que Deus antes me tire a vida do que pensar eu tal loucura.

A Igreja Católica Apostólica Romana, que quero sempre servir, Ela é quem me julga e por quem quero ser julgado.

Também não me considero o “Dono da Verdade”, no sentido de que seria eu uma pessoa que é fonte da verdade. Isso é loucura de hospício. Não me julgo o dono da verdade, assim como não me julgo Napoleão ou Nabucodonosor.

Meu caro, a Verdade é que é nossa dona.

Mas todo católico, possuindo as verdades do credo, possui a verdade.

A Igreja é a fonte da Verdade.

O que ensina o Papa, como Vigário de Cristo, com o poder das chaves, isso é a verdade.

Nenhum homem, na terra, pode se colocar no lugar do Papa. E, se alguma pessoa, ainda que sacerdote ou mesmo Bispo — e até um anjo do céu — disser algo contrário ao que ensinou a Igreja, diz São Paulo, que ele seja anátema, que ela seja condenada pelo que diz ou escreveu contra a doutrina católica.

Por isso, tenho sempre feito afirmações repetindo o que os Papas têm ensinado, infalivelmente, no decorrer dos séculos.

Minha opinião pessoal não vale nada.

Aprendi que, assim como nos terrenos baldios, normalmente, só nascem ervas daninhas, embora possa nascer ocasionalmente uma árvore frutífera, assim também, no homem — e sou um de bem pouco valor — normalmente costumam normalmente nascer opiniões errôneas, embora possam nascer, ocasionalmente, idéias boas e certas.

Por isso, desconfio de minha opinião, e procuro sempre apenas repetir o que aprendi nas encíclicas papais, nos Concílios infalíveis, na Sagrada Escritura, na tradição e no Catecismo.

E quando encontro alguém que ensina o oposto do que é ensinado pela Igreja, procuro mostrar que aquilo é contra o que a Igreja ensinou.

Foi o que fiz — quando uma freira me perguntou — com dois livros do padre Jonas Abib.

Não é porque uma pessoa é sacerdote — e enquanto tal, merece respeito especial — que ela pode dizer algo contrário ao que a Igreja ensina.

E só porque essa pessoa é um sacerdote, os leigos não têm que engolir o erro, sem pestanejar nem reclamar.

Lutero, Ario, Nestório, Jansenio, St. Cyran, Munzer, Eutiques, e tantos outros hereges foram padres e alguns até foram Bispos. Mas se tornaram hereges e, enquanto hereges, deviam e podiam ser atacados pelos fiéis, ainda que leigos.

Mais recentemente, Alfred Loisy, Tyrrell, Turmel, Buonaiuti, Turchi, foram todos padres e eram hereges modernistas. Os leigos que os atacaram, ainda antes de eles serem excomungados, agiram bem.

Então, é lícito criticar um erro ou uma heresia, mesmo expressa por um sacerdote.

No caso do Padre Jonas, ressalvei que ele poderia ter errado simplesmente por ignorância, e não por ser herege contumaz, coisa de que não o acusei.

Mostrei, analisando o que ele escreveu, que esse sacerdote parece ter sido vítima de uma formação intelectual precária. Não o acusei de agir por má fé, mas de errar por não conhecer bem a doutrina católica, coisa que ele tem a obrigação de bem conhecer.

Na História da Igreja se encontram, em todas as suas páginas, relatos de polêmicas entre leigos e sacerdotes. Só no Brasil — devido à ignorância da história da Igreja, e pelo nosso sentimentalismo, se pensa que criticar — “atacar”, como você diz — outros católicos, é um absurdo.

A história da Igreja é uma contínua história de polêmicas doutrinárias.

Esclarecidos estes pontos, subscrevo-me atenciosamente, e me coloco à sua disposição,

in Corde Jesu, semper,

Orlando Fedeli.

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