Montfort Associação Cultural

24 de janeiro de 2006

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Sacerdote sai em defesa do padre bailarino de Salvador

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Pe. Carlos André
  • Localizaçao: Salvador – BA – Brasil
  • Religião: Católica

REF.:

Quintanilha, Bruno – ibahia – “Comentário sobre a “nota” pífia divulgada pela Arquidiocese de Salvador sobre a lamentável missa na Igreja da Lapinha”
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/old/index.php?secao=imprensa&subsecao=igreja&artigo=20060107&lang=bra
Online, 22/01/2006 às 08:41h

Considerando a natureza educativa deste site, bem como a sua necessária atitude critica diante dos meios de comunicação, tomei a iniciativa de fazer este breve aceno ao comentário sopra indicado, presente na seção “Imprensa” do mesmo.
A nota da Arquidiocese me pareceu muito realista e respeitosa em relação aos fiéis da Paróquia da Lapinha, comunidade grande e rica de tradições culturais, e do seu pároco, o qual conheço desde há muitos anos. Conheço a sua alegria e entusiasmo pela vida do seu povo, unido ao zêlo pastoral que o faz amado pela comunidade que ajudou a construir com uma sólida participação e profunda comunhão com toda a Igreja de Salvador. O pe. Pinto, como é conhecido entre nós, foi provincial da sua congregação e já há alguns anos que a sua presença na vida diocesana do clero de Salvador se tornou marcante. Antes dos últimos episódios, a sua veia artística já se manifestava nas suas pinturas e nos “famosos” presépios que com muita criatividade chamava a atenção todos os anos inclusive da impresa local. A sua “conhecida irreverência” a que se refere o noticiário nacional nunca foi merecedora de censura e a nota da Arquidiocese implicitamente quiz espressar este parecer alegando o “estado de anormalidade” em que se encontra o religioso. A sua condição atual suscita surpresa e desconforto entre nós, mas ao mesmo tempo sabemos da sua história bonita de pastor e ministro honesto e por isso mesmo inspira o nosso respeito. Gostaríamos que católicos mais informados compreendessem melhor a posição dos pastores da Igreja diante dos seus ministros, que ao contrário do que ocorre no mundo do trabalho, há a responsabilidade de suas vidas e não os pode descartar quando suas fraquezas, seus pecados ou doença, mesmo aquela psicológica, os aflige. Nós do clero de Salvador também reprovamos as atitudes do padre Pinto pois ele extrapolou os limites da sua condição de pai e pastor. Quais atitudes desenvolverá Pe. Pinto depois do ocorrido não se pode ser seguro, somente ele mesmo poderá se dar conta do significado dos fatos e assumir as consequências, pois apesar de querermos para ele a sua saúde física e psíquica, a comunidade tem direito à paz espiritual e o sustento na fé de pastores sadios humana e espiritualmente. Creio que depois do natural e desejado juízo crítico nos resta interceder por pe. Pinto ao Senhor da messe para que venha em socorro dos seus operários. Sem Ele nada podemos.
Obrigado pela vossa atençao.
Pe. Carlos André

Muito Reverendo Padre Carlos André,
salve Maria!

 

    Lemos e relemos a missiva que V. Rev., teve o cuidado de nos enviar sobre a escandalosa profanação da Missa feita por Padre Pinto, na Igreja da Lapinha. Nós a lemos e relemos, porque ela nos pareceu muito contraditória.

    Na primeira parte da missiva, V. Rev. se dá o trabalho de dar seu testemunho a favor de Padre Pinto garantindo-nos:


“Conheço a sua alegria e entusiasmo pela vida do seu povo, unido ao zêlo pastoral que o faz amado pela comunidade que ajudou a construir com uma sólida participação e profunda comunhão com toda a Igreja de Salvador”.


    A seguir, o senhor nos diz que:


“A sua “conhecida irreverência” a que se refere o noticiário nacional nunca foi merecedora de censura e a nota da Arquidiocese implicitamente quiz espressar este parecer alegando o “estado de anormalidade” em que se encontra o religioso”.


    Portanto, para o senhor e para a Arquidiocese de Salvador, Padre Pinto era zeloso, e o que aconteceu foi causado por doença.

    Entretanto, e muito contraditoriamente, o senhor nos afirma depois que


“Nós do clero de Salvador também reprovamos as atitudes do padre Pinto pois ele extrapolou os limites da sua condição de pai e pastor”.

    Como?

    Por que reprovar Padre Pinto, se ele agiu fora de seu estado de normalidade?

    Se ele estava  momentaneamente doente, o senhor não deveria condená-lo. Se ele estava na plena posse de suas faculdaes, deveria condenálo.

    Ou ele não está psiquicamente doente?

    E como essa anormalidade apareceu tão de repente?

    Essa profanação escandalosa é fruto da “inculturação” que serve de pretexto para fomentar o sincretismo religioso que é condenável.

    E o que o senhor não condena claramente é a cerimônia sacrílega em si mesma.

    Mais ainda, o senhor insinua que Padre Pinto poderá tomar atitudes não corretas, pois pergunta:


“Quais atitudes desenvolverá Pe. Pinto depois do ocorrido não se pode ser seguro, somente ele mesmo poderá se dar conta do significado dos fatos e assumir as consequências”.


    Se o senhor não pode estar seguro das atitudes que Padre Pinto virá a tomar como o elogiou tanto?

    Mais que defender Padre Pinto o senhor tem a obrigação de condenar a profanação ocorrida. E isto o senhor infelizmente não faz com o zelo que seria de esperar.

    Lamentamos sua contradição.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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