Montfort Associação Cultural

13 de outubro de 2005

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Roteiro de viagem para Portugal e Espanha

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Paulo Renato Ghetti Frade
  • Idade: 27
  • Localizaçao: Boston – MA – USA
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Profissão: Financas e Contabilidade
  • Religião: Católica

Muito Prezado Professor Orlando,
salve Maria!
 

Gostaria de pedir algumas dicas para o senhor de lugares para visitar na região de Madrid e Lisboa. Estamos indo para visitar Ávila e Fátima.  Gostaria de saber se o senhor pode nos ajudar com algumas dicas de igrejas, museus e outros lugares que não devemos deixar de visitar. 
 
In Christ,
Paulo

Muito prezado Paulo,
salve Maria
 
    Em Portugal, vocês devem visitar muitos monumentos.
    Em Lisboa: a Torre de Belém, os Jerônimos – que está situado bem perto da Torre, assim como o Museu dos Coches. Visitem a Catedral, a velha Sé e o castelo de São Jorge.
    Saindo de Lisboa, mas bem perto, devem visitar Cintra. Depois devem ir a Alcobaça, visitar o Mosteiro e Óbidos onde há restos do castelo e muralhas lindíssimas.
    A seguir — é tudo muito perto, — devem ir ao Mosteiro da Batalha, que é sensacional, e é perto de Fátima. Visitem Fátima para rezar a Nossa Senhora. As igrejas em Fátima são horríveis. Retornem por Tomar a Lisboa. Em Tomar, há restos do castelo dos Templários.
    Em Madrid, devem ver o Palácio Real e o Museu do Prado, que é enorme. Levarão uma tarde inteira para ver um pedaço mais importante, que é o dos pintores barrocos.
    Fora de Madrid, devem ir a Manzanaresver o castelo de Manzanares el Real, que é espetacular (está a uns 30 km de Madrid).
    Devem ir também ao Escorial (palácio de Felipe II) e Segóvia, onde há um castelo espetacular e uma linda Catedral.
    Para o sul de Madrid, visitem sem faltar de jeito nenhum a cidade de Toledo, a 76 km de Madrid. Lá devem ver:
 
1 – A Catedral gótica.
2 - O Alcazar. Não percam. Se não forem ver o Alcazar não vale a pena ir à Espanha.
3 – A Porta del Sol, a Porta e a ponte de Alcantara.
4 – A Igreja de Santa Maria, la Blanca.
5 – O mosterio de San Juan de los Reyes
6 - E as ruas de Toledo que são uma maravilha.
 
    Toledo exige um dia de visita inteirinho, pelo menos.
    Recomendo-lhes que comprem um carro em leasing. Sai bem barato.
    Havendo mais alguma coisa que os interesse, escrevam-me, que lhes explico.
    Um abraço bem amigo a todos, desejando-lhes uma boa viagem
 
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli
 
Abaixo lhes envio duas poesais que fiz há muito tempo, para que compreendam melhor e amem muito a Torre de Portugal e a cidade de Toledo. OF.
 

 
Torre de Belém
 
Quem é essa que à beira mar se levanta
com a beleza e a graça de uma Infanta,
que, com a bravura das caravelas,
desafia o mar, os ventos e as procelas ?
 
         Que torre é essa de porte de raínha,
         com a elegância de uma nau marinha ?
         Que torre é essa de alma forte e guerreira,
         viva e desafiante qual bandeira ?
 
Torre de Belém, torre da proeza !
Oh alma de pedra e de fortaleza
de Portugal, para sempre encarnada
nesta nau na foz do Tejo ancorada,
quantas glórias tu fazes recordar:
façanhas e triunfos no além-mar !
 
        Tu lembras, oh caravela lendária,
        a vocação cruzada e missionária
        de Portugal, marujo de olhar fito
        no horizonte, perscrutando o infinito.
 
Quem? Quem te deu essa brancura de garça,
espalhando-se na onda que se esgarça ?
Quem te deu a leve graça da gaivota
que esvoaça em busca de nova rota ?
 
        Tu, como Portugal, pequena embora,
        revelas a alma grandiosa que em ti mora,
        tão pequena e grandiosa és, que, talvez,
        tua grandeza venha de tua pequenez.
 
Do alto de tua plataforma guerreira,
bem se vê tua humildade altaneira.
Quem te vê tão só, te vê tão pequena,
quem te vê tão grandiosa, tão serena,
oh caravela de pedra no Tejo,
compreende tua alma ardente de desejo
de ultrapassar verdes mares e montes,
a sede lusa de vencer horizontes,
a ânsia de ir sempre mais além,
até plantar a Cruz em Jerusalém !
 
        Portugal, em tuas noites de veludo,
        em tua torre, cada ameia é um escudo,
        na aurora, toda banhada de luz,
        em tua torre, cada escudo, uma cruz.
 
Torre de Belém, nau petrificada,
em ti vive o espírito da cruzada.
Como não te faria assim teu artista
a ti, oh filha e flor da Reconquista ?
 
        Dos cavaleiros, tu tens a ousadia,
        tens sua nobreza, sua leal valentia,
        a dureza de suas brancas couraças,
        tens a sua honra, sua grandeza e suas graças.
 
Que fortaleza nessa torre quadrada,
firme no convés de pedra lavrada !
Como flutuas graciosa sobre as vagas
que te trazem saudades de outras plagas,
gratos e castos beijos do oceano,
por tua renúncia ao solo lusitano.
Recebe das ondas, com suas carícias,
da Índia, tesouros, do Brasil primícias.
 
       E como tu és amena !
       E como tu és serena !
       E que simplicidade e formosura
       em teu severo claustro de verdura !
 
Como revela bem lusa confiança,
do Bom Sucesso, a Virgem da Esperança,
em teu convés, Rainha e Capitã
de tua epopéia intrépida e cristã !
 
       Que graça delicada em teus arcos
       enlevados com as velas dos barcos,
       deslumbrados, olhando para o mar,
       e jamais cansados de o contemplar.
 
Como lanças tua proa com ousadia,
cortando o mar que em vão te desafia !
E a Vigilância, alerta sentinela,
espreita a mourisca inimiga vela,
nas torretas altivas do convés,
indiferente às ondas a seus pés.
 
       De tuas salas austeras de convento
       já não mais são levados pelo vento
       cantos de guerra e cantos de mosteiros,
       vozes de monges, vozes de guerreiros !
       Já não mais se ouvem cruzados em prece,
       ora que em Portugal a noite desce.
 
Oh Torre de Belém, oh caravela,
que grandeza tua vocação revela !
Junto de ti, tudo é tão pequeno,
menos Portugal, a teus pés sereno
e imenso, na imensa epopéia das ondas,
vencidas por suas velas e suas sondas.
 
                   Torre de Belém, como estás solitária,
                   meditando em tua história lendária !
 
Onde estão os teus cruzados da vela ?
Onde, teus marinheiros, caravela ?
Onde, os bravos por quem o Tejo chora ?
Onde estão eles? Onde estão, agora ?
 
                   Torre de Belém, tu já não me escutas ?
                   A que estás atenta ? O que perscrutas ?
                   — “Revejo meus portugueses de joelho,
                   cantando o Credo, em pleno Mar Vermelho !
                   Já não atento a nada que me acerque:
                   tenho saudades do Grande Albuquerque !”
 
Ah !…Em vão, em vão o vento os procura
na noite de Portugal, triste e escura.
Em vão percorre as ameias desertas,
o convés vazio, as janelas abertas…
Em vão por teu mastro o vento perpassa,
desejando as brancas velas e a graça
de oscular nelas a cruz de sangue,
onde, por amor, Cristo morreu exangue.
Quer arrancar-te desse ancoradouro,
levar-te p’ra o heroísmo imorredouro,
levar-te sobre as ondas do oceano,
em cruzada contra mouro e otomano.
 
                   Em teu convés de pedra o vento chora,
                   porque já não sais pelo mar afora,
                   as velas do heroísmo e da proeza
                   enfunadas ao vento da grandeza,
                   a combater contra o novo Baal,
                   branca caravela de Portugal !
 
Ah !… Em vão o vento
sopra o seu lamento,
no Tejo saudoso,
triste e silencioso,
já sem caravelas…
Onde estarão elas ?
 
                   E vai nos Jerônimos soluçar
                   com o Gama e Camões a rogar
                   a ressurreição gloriosa e imortal
                   da alma-caravela de Portugal !
 
“Não mais, musa…” Caravela, jamais ?
Terás naufragado ? Não tornarás mais ?
 
                   Oh Torre de  Belém, tu não vês que o vento,
                   buscando as velas, por um momento,
                   de ti se afasta, deixa o Mar de Palha,
                   e vai pelas serras até a Batalha ?
                   Quem sabe lá, quem sabe lá, talvez,
                   exista inda um coração português,
                   um coração digno do Condestável,
                   e capaz de, intrépido e indomável,
                   desafiar a terra, o mar e o mundo,
                   desprezando tudo o que é vil e imundo.
                   Torre de Portugal, em vão, em vão…
                   Já não há mais portugueses então ?
 
Já não há mais cristãos atrevimentos ?
E para que o mar ? E para que o vento ?
Para que brilham as estrelas belas,
se já não há mais brancas caravelas ?
 
                   Se os portugueses não vão mais vencê-las,
                   por que, no mar, as ondas e as procelas ?
                   Se há verdades, não almas para crê-las,
                   como singrariam ousadas caravelas ?
                   Portugal, tuas glórias como esquecê-las ?
                   Como olvidar, oh Torre, o que revelas ?
 
E não haverá mais quem ame a glória ?
Não há mais quem ouça o vento da História,
trazendo aos bons filhos de Afonso Henrique
a voz das ondas e os brados de Ourique,
e bem alto proclamando: “Real ! Real !
Por Afonso, alto Rei de Portugal “?
 
                   Não há mais senão almas sem grandeza,
                   almas vis, insensíveis à proeza ?
                   Não haverá senão homens incréus,
                   que olham só p’ra a lama e não para os céus ?
 
Terra de Portugal, geme e chora;
geme com o vento, com o Tejo chora.
Ajoelha-te aos pés da Virgem e implora.
Ela só pode te valer agora,
que a ralé infame renega em tuas praças,
tua Fé, tua glória e tuas graças.
Chora, oh terra de Santa Maria,
que dos teus sofres a tirania !
 
                   Chora por tua queda e apostasia,
                   porque em ti, Portugal, reina a baixeza.
                   São teus ídolos número e torpeza.
                   Amastes a chulice e a vulgaridade,
                   sofismas e mentiras da impiedade.
                   Chora a tua surdez pelo heroísmo,
                   e teu repúdio ao Catolicismo.
                   Chora, sim, Portugal, os teus muros
                   cheios de lemas imbecís e impuros:
                   Viva o MAF ! Viva a Demagogia !
                   Viva Marx ! Viva a Pornografia !
 
Torre de Belém, que desolação !
Que vergonhosa capitulação !
Portugal, que crepúsculo de lama,
que noite suja abafou tua chama !
 
                   Torre de Belém, oh alma imortal,
                   coração épico de Portugal,
                   inflama-te, pulsa, pulsa de novo,
                   e faz correr nas veias de teu povo
                   o sangue heróico que enrubesce a face,
                   pelo amor da proeza que renasce.
 
Oh Torre de Belém, torre imortal,
desperta, ressuscita Portugal !
Dá-lhe sede de horizontes distantes,
desprezo pelas coisas infamantes.
 
                   Caravela de Portugal, “Plus Ultra !”
                   Leva a rubra cruz das velas Plus Ultra !
                   Retorna a ser o que foste em Ourique,
                   de joelhos com Dom Afonso Henrique !
                   Repudia as trinta moedas do teu escudo,
                   que só na cruz de Cristo terás tudo !
 
Branca Torre, conta, conta o segredo
de tua grandeza heróica e sem medo!
Diz para Portugal o que te disseram
o vento e o mar, que teus bravos venceram.
Portugal, escuta o vento da História !
Escuta a Torre cantar tua glória !
 
                   Quando o vento sopra, vindo do mar,
                   fala das almas a cristianizar,
                   de povos rudes a civilizar .
                   E quando o vento vem da velha terra,
                   fala de bravura de alma e de guerra,
                   do Condestável, da Virgem Maria
                   que disse que tua Fé não morreria.
                   Fé que te deu  grandes alentos
                   p’ra sempre mais cristãos atrevimentos !
                   E se a Fé em ti não perecerá,
                   então, Portugal jamais morrerá !
 
Promessa de Fátima, garantia
do triunfo do Coração de Maria !
 
Garantia que a branca caravela
de novo singrará o mar, e mais bela,
velas brancas ao vento da proeza.
Promessa que é, de vitória e certeza
de que o triunfo de Maria profetiza,
e o século vinte anatematiza !
Promessa de Fátima que anuncia
aos pastores lá na Cova da Iria,
vibrante, qual trombeta triunfal:
Real ! Real ! Por Deus ! Por Portugal !
 
                   Portugal, terra de Santa Maria,
                   ouve a mensagem da Cova da Iria !
 
Oh Torre, oh caravela sacral,
roga, roga à Virgem por Portugal !
Oh Torre de Belém, se estás de pé,
vive a alma de Portugal pela Fé !
 
                   Torre de Belém,  querer resoluto,
                   a Portugal heróico em ti revejo.
                   Oh caravela ancorada no Tejo,
                   que desejo do Bem absoluto !
                   De Deus infinito, ah!  que  desejo !
 
Torre de Belém,
branca flor, alma de glória imortal !
Torre de Belém,
branca caravela de Portugal !
 
                            Orlando Fedeli.
 
                                           


 
    Toledo
 
                                   Vielas estreitas,
                                   tortuosa, direitas.
                                   Sol. Sombra. Segredos.
                                   Escadarias. Lajedos.
                                   Janelas antigas,
                                   portais, cantigas.
                                   Arcos mouriscos,
                                   desafios, riscos.
                                   Praças ensolaradas.
                                   Lentas badaladas
                                   dos sinos da torre.
                                   Nas tardes calmas,
                                   ardem as almas.
                                   No dia que morre,
                                   preces murmurantes.
                                   Monjas, frades, infantes.
                                   Silêncio na Catedral,
                                   esplendor de vitral.
                                   Crepúsculos de ouro.
                                   Na capital do mouro,
                                   um imperador triunfando.
                                   O Tejo espumando,
                                   bravio nos rochedos,
                                   abraçando Toledo,
                                   cheia de contos e tesouros…
                                   Corrida de touros.
                                   Sol. Sangue. Bravura.
                                   A Espanha de armadura.
                                   Escudos e espadas,
                                   claustros e cruzadas.
                                   Águias de glória.
                                   Em cada pedra, uma história,
                                   em cada recanto uma lenda,
                                   nas muralhas sem fenda
                                   da cidadela de outrora,
                                   nas ruínas de agora.
                                   Estocadas, banderilhas,
                                   damas de mantilhas,
                                   cavaleiros de escol,
                                   Ponte de Alcântara. Porta do Sol.
                                   Ousadia que arranca
                                   dos infiéis, de Maomé,
                                   Santa Maria, la Blanca.
 
                                   Nas torres queimadas,
                                   almas cruzadas.
                                   Nas muralhas destruídas,
                                   sacrifícios de vidas.
 
                                   Ao sol, um heroísmo sem medo.
                                   Ao sol, o Alcazar de Toledo.
                       
                                               Orlando Fedeli

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