Montfort Associação Cultural

27 de agosto de 2004

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Rocks evangélicos

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Alice
  • Idade: 17
  • Localizaçao: Fortaleza – CE – Brasil
  • Escolaridade: 2.o grau incompleto
  • Religião: Evangélica

Presado amigo.

Admito ter ficado um pouco surpresa ao ver sua opinião (sobre todos os tipos de rock) .Me admira uma instituição católica , geralmente tão coni- ventes com o “mundo”, com essa opinião tão rígi- da.

Qual a sua opinião então sobre rocks evangélicos ? conhecendo ,a fundo , a vida dos cantores ,observamos pessoas fieis a cristo , que buscam um maior comprometimento c/ Senhor , passando isso em letras cheias de amor e unsão O rock é uma ferramenta estremamente útil para ganhar almas .Não, me refiro a barulho,mas a uma melodia .

Com relação ao que o senhor falou sobre revolução , descordo totalmente .Gostaria de lembrar-lhe o impacto que teve a sociedade com o surgimento do cristianismo.Uma “religião”(coloco entre aspas pois para mim cristianismo não é religião mas sim modo de vida) de minorias , de ex protitutas ,ladões ,pobres e principalmente pecadores (porque Ele ñ veio para os sãos mas sim para os doentes).

Negar o caráter revolucionário do verdadeiro cristianismo é fechar os olhos para toda represália que sentimos até hoje ,para a morte de Cristo (que não foi em vão ),para todas as perseguições que sofreram os apostolos etc.

No mínimo é cuspir em toda a história e esquecer as trasnformações causadas por essa ideologia .

(Até o termo “cristão” era algo depreciativo) Ser Cristão sempre foi carregar a mensagem da cruz , viver a cruz e esta cruz significa RENUNCIA ,morte e tudo mais que choca e causa revulução , é impossívelser cristão sem mudar sem fazer a diferênça (ser luz nas trevas ) , sem chocar uma sociedade que jaz no malígno.

Sem dúvida , ser cristão é chocar, como Cristo chocou, é símbulo de trnsformação , de revolução Termino esse (longo) comentário agradecendo a oprtunidade e a liberdade que temos aqui de dar nossa opinião ,mesmo que contrária.gostaria de deichar como meditação uma frase de um grande pensador.

“Toda unanimidade é burra.”
(no mínimo ) A PAZ DE CRISTO!!!

Amem.

Prezada Alice, Salve Maria.

Você começa seu arrazoado crítico dizendo que se admira com o fato de que tenhamos uma “opinião tão rígida” contra o rock, quando as instituições católicas, hoje, são tão “coniventes com o mundo”.

Foi exatamente essa “conivência com o mundo” que levou à decadência atual da religião, pois o mundo odeia Cristo, e Cristo não rogou pelo mundo: “O mundo não pode odiar-vos, mas odeia a mim, porque faço ver que suas obras são más” (Jo VII, 7).

“É por eles [os Apóstolos] que Eu rogo, não rogo pelo mundo” (Jo. XVII, 9).

E São Paulo nos recomendou: “Não vos conformeis com este mundo” (Rom XII, 2).

Muito obrigado, pois, por sua constatação — que é um elogio — de que nós não somos coniventes com o mundo.

Foi essa conivência com o mundo que levou a admitir o rock até na Missa, isto é, na renovação do sacrifício da cruz. Enquanto Cristo morre misticamente no altar, os padres permitem que se toque rock no Calvário da Missa.

Você me perguntará com que autoridade digo isso.

Primeiro, com o direito que todo católico tem de defender a honra de Deus e a dignidade do culto.

Segundo, com base na autoridade do Cardeal Secretário da Congregação da Doutrina da Fé, o Cardeal Joseph Ratzinger, que, em seu último livro, ao tratar da música na Missa, escreveu: “Com respeito a isto [o culto da banalidade], a música “rock” é expressão de paixões elementares, que nos grandes festivais de música rock assumiram caracteres cultuais, isto é, de um contra culto que se opõe ao culto cristão. Esse culto quer libertar o homem de si mesmo no evento de massa e na reviravolta (sconvolgimento) mediante o ritmo, o rumor e os efeitos luminosos, fazendo precipitar quem participa deles no poder primitivo do Todo, mediante o extase da laceração dos próprios limites” (Cardeal Joseph Ratzinger, Introduzione allo Spirito della Liturgia, ed. San Paolo,Torino, 2.001, p.144. O negrito é meu).

Foi então a conivência com o mundo, a “conformiddae com o mundo”, que levou a admitir essa música do anticulto na Missa. E o resultado é o que se está vendo.

Você imagina que aceitando um estilo de música essencialmente anticristão se pode atrair as pessoas para Cristo. É uma ilusão. Jogando água, não se faz nada pegar fogo. Incitando as “paixões elementares”– como o Cardeal Ratzinger lembra que o rock faz — é impossível levar à verdadeira prática da moral cristã.

Você me dá um novo argumento dizendo que o cristianismo foi “revolucionário”. Pois você escreve: [O cristianismo foi] “Uma “religião” (coloco entre aspas, pois para mim cristianismo não é religião mas sim modo de vida) de minorias, de ex-prostitutas, ladrões, pobres e principalmente pecadores”.

Esse é um pensamento retirado da Teologia da Libertação, que foi condenada pelo Papa João Paulo II. O Cristianismo nunca foi revolucionário.

Cristo mandou pagar o tributo a César, ao dizer: “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Marcos, XII, 17).

Cristo reconheceu a autoridade e o poder de Pilatos: “Tu não terias poder algum sobre mim, se não te fosse dado pelo alto” (Jo. XIX, 11).

E não é absolutamente verdade que o cristianismo tenha sido, a princípio, uma religião de ladrões e prostitutas. Foi a religião da Virgem Maria, do Apóstolo João, que era virgem, e de tantos outros judeus virtuosos. E em Roma, o cristianismo penetrou antes nas classes mais altas, o que é provado pelos nomes nobres de inúmeros mártires, como Santa Cecília, por exemplo. Se o Evangelho cita ladrões e prostitutas convertidos, é para mostrar o poder da graça, que convertia os piores pecadores. O Cristianismo nunca foi revolucionário, pois prega a obediência e não a revolta.

Cuspir — foi você que usou esse termo prosaico — na doutrina católica é reduzi-la a mera “ideologia”.

Leia o livro de Hanna Harendt sobre as ideologias modernas e verá como é uma blasfêmia classificar a verdade católica ensinada por Crisro como “ideologia”.

Você diz bem que ser cristão é ser luz nas trevas. Muito bem. Seja então luz, opondo-se às trevas da música rock, e às trevas das mentiras das ideologias revolucionárias — inclusive à Teologia da Libertação — que são essencialmente anticristãs.

In Corde Jesu, semper, Orlando Fedeli

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