Montfort Associação Cultural

27 de agosto de 2004

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Rock: um debate construtivo (1)

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Bruno C. S.
  • Localizaçao: – Brasil


Caro prof. Dr. Orlando Fedeli,

Venho atraves deste email citar alguns trechos interessantes que encontrei no seu artigo “Rock e Revolucao”. Gostaria de deixar claro que respeito sua opiniao politica, religiosa e musical, mas acredito ser interessante lhe apresentar algumas pequenas criticas construtivas a ideias presentes no seu artigo. Para facilitar nosso “debate” eletronico pediria encarecidamente que o sr. comentasse trecho por trecho, e nao todas as partes que eu citei como um todo, pois assim poderei entender mais claramente sua importante opiniao, assim como esclarecer algumas duvidas sobre o seu raciocinio. Os trechos que eu selecionei e comentei estao separados sempre por tres sinais de hifen (—). Se sua argumentacao for feita individualmente a cada um deles poderemos debater com muito mais clareza o texto. Se for facilitar para o sr., dependendo do software de email que o sr. utiliza, uma opcao como Include Original Message in Reply poderah facilitar a organizacao de seus argumentos na resposta. Desculpe-me desde jah por nao poder utilizar a acentuacao correta neste email (subtituirei, como eh de praxe na internet, o acento agudo pela letra “h” no final das palavras). Espero que isso nao dificulte demasiadamente sua leitura.

Aih vao os trechos do artigo e meus comentarios, respectivamente..


“Por isso, conclui Platão, não se deveria permitir que os artistas exibam “as formas do vício, da intemperança, da vileza ou da indecência, na escultura, na edificação e nas outras artes
criadoras…” “

Essa eh uma afirmacao altamente nao-democratica, pois propoe a censura de artistas baseado no tipo de arte que produzem; alem disso, a maior parte das pessoas que de um modo ou outro revolucionaram o mundo da arte, inclusive muitos musicos classicos, nao foram reconhecidos como “adequados” na sua epoca.


“Por isso, os pais liberais permitem que os filhos tudo ouçam, sem qualquer restrição. Ora, à força de tudo ouvir, acaba-se por tudo aceitar, à força de tudo aceitar, acaba-se por tudo aprovar”. (in Walter Matt, op. cit., pag. 22-23, nota 17 do tradutor, parodiando palavras de Santo Agostinho).”

Essa afirmacao nao eh valida, e sua falsidade pode ser provada usando-se Logica Proposicional. Se eu permito uma coisa especifica (ouvir qualquer tipo de musica), nao podemos deduzir que isso implica eu permitir e aprovar QUALQUER COISA. Se isso fosse verdade, o fato de “eu” permitir que o sr. ouca musica militar automaticamente faria com que eu aceitasse e aprovasse todas suas opinioes, o que obviamente nao eh verdadeiro.


“Ora, todo símbolo, embora objetivo, é ambíguo”

Isso inclui as letras de rock que o sr. considera satanicas; se elas tambem sao simbolos, e tambem sao ambiguas, podem muito bem ser satanicas somente a partir do seu ponto de vista, e nada garante que ele seja verdadeiro.


Dois trechos que se contradizem:
“A música é, pois, a mais subjetiva das artes”
“O belo dependeria do gosto de cada um e, por isso, algo poderia ser, ao mesmo tempo, belo e feio. É belo para um, é feio para outro.
Evidentemente essas loucuras contrariam tudo o que a filosofia e o bom senso afirmam” (criticando o liberalismo e afirmando a objetividade no julgamente de beleza)

No 1o trecho o sr. concorda com o fato da musica ser a mais subjetiva das artes. No 2o o sr., ao criticar o liberalismo, afirma que a beleza (inclusiva, pois, da musica), nao eh algo relativo e nao depende do gosto de cada um, sendo algo objetivo assim como “uma proporcao matematica”. Logo, a interpretacao da beleza musical nao pode ser ao mesmo tempo subjetiva e objetiva.


“Foram os gregos os primeiros a demonstrar que a beleza material é matemática, pois depende de medidas proporcionais. Uma coisa é materialmente bela quando suas várias medidas formam uma proporção a/b=c/d.”

Em 1o lugar, acredito que a beleza musical nao pode ser julgada como algo material, e sim como algo subjetivo. Entretanto, se o sr. acreditar que a beleza musical, como os gregos provavelmente pensavam, eh algo material, por favor prove matematicamente que o rock nao eh uma musica bela (visto que, sendo material, pode-se ter uma proporcao associada a ele)


“Quando alguém afirma – como no caso do Rock – que aprecia uma canção mas que não dá importância a letra, até mesmo porque não a entende, a pessoa não fica eximida dos efeitos das idéias expressas pela letra da canção”

Se isso fosse verdade eu, ao ouvir uma musica cantada em alemao, lingua da qual nao conheco nada, serei influenciado pela letra. Isso nao faz sentido, pois nada em mim permite fisica ou psicologicamente que eu compreenda o alemao sem nunca te-lo estudado. De mesmo modo, eu gostaria de lhe apresentar a minha mais recente musica, com cifra inclusive, caso o senhor queira toca-la. Por razoes pessoais quis escrever a letra em binario, mas de acordo com o seu raciocionio o sr. serah influenciado de qualquer maneira. Gostaria depois que o sr. me descrevesse de que modo essa cancao foi capaz de influencia-lo.

0100100101001 (por Bruno Castro)
F#5 C#5 G#5
10100100100101
G5 Dm5 F(7b)5
010010010? 100101…
F#5 C#5 (solo)
001010100101


“Assim também quem escuta o Rock apenas pela “melodia” ou pelo ritmo, acaba tendo sua mentalidade transformada, e, sem ter entendido ou aprovado as letras das canções de Rock, acaba tendo exatamente as idéias que elas expressam”

Isso significa que eu poderia escrever um rock cuja letra eh formada por palavras randomicamente retiradas do dicionario e organizadas em estruturas gramaticamente aceitaveis (sujeito, verbo, predicado, etc..) e, ainda assim, meus ouvintes seriam influenciados e acabariam por absorver minhas ideias aleatorias e provavelmente sem sentido.
Obviamente isso nao eh verdade.


“Uma canção triste tem que ter uma letra triste”

Segundo o sr., pois nada me impede de utilizar um poema melancolico de Casimiro de Abreu e canta-lo ao som do instrumental do Sepultura. A letra de uma musica pode ser independente de seu instrumental.


“Por isso uma música rebelde tornará o jovem rebelde, ainda que ele não compreenda que a letra da canção mande que ele se revolte contra os pais, professores e autoridades”

Se o jovem for bastante influenciavel talvez, mas isso nao eh regra e, mesmo que fosse, o fato poderia ser encontrado em todos os estilos musicais, artisticos e religiosos. Eu ouco varias musicas que o sr. considera “rebeldes” e tenho um otimo relacionamento com meus pais e com todos aqueles com quem convivo.


“No século XX – como nos hospícios – cada um é livre de pensar o que quiser de si, dos outros e de tudo. Pode achar que é Napoleão, que o sol é escuro, que o fogo não queima, que a verdade não existe, ou que o Rock é belo”

Ainda bem que somos todos livres para pensar o que quisermos, pois senao eu poderia querer censurar os seus textos por nao concordar com suas ideias, e, se nao fossemos livres para termos as ideias que queremos, nao poderiamos estar tendo essa agradavel discussao construtiva.


“Sara Davidson confessa: “A sexualidade, eis o fundo da língua e da gíria do Rock”. ( idem, op. cit. pag. 16)”

Ateh onde eu sei a sexualidade eh algo natural, e, se pregada pelo rock, nao faz com que ele seja satanico. Consulte o dicionario (do mesmo modo que fez para explicar o sentido de “Wonder”, na musica Stairway to Heaven): “sexualidade eh o conjunto de fenomenos da vida sexual”. Se os seus pais nao tivessem tido uma vida sexual, se nao tivesse feito sexo em algum momento, o sr. nao estaria aqui, nessa agradavel discussao. Alem disso, a sexualidade eh tratada em livros de biologia e medicina, e nem por isso faz desses topicos de estudo algo satanico ou ligados ao rock.


“De fato, o que se vê nos festivais e concertos de Rock é um espetáculo orgiástico, com atos sexuais e libidinosos, nudismo, frenesi, taras, tudo explícita e cinicamente praticado em público”

Acredito que o sr. nunca foi em um concerto de rock. Eu ja fui em varios (inclusive alguns com mais de 40.000 pessoas), de varios estilos de rock e, sinceramente, nunca presenciei atos sexuais e libidinosos (talvez namorados se beijando?) nem nudismo. O sr. provavelmente se refere a alguns concertos isolados, mas atos “libidinosos” podem ocorrer em qualquer lugar.


“As letras das canções de Rock são cinicamente pornográficas. Nelas se encontram palavrões brutais, imagens obscenas, incitamento ao pecado” “Não só se excita ao sexo, mas se prega descaradamente o uso de tóxicos.

Essa generalizacao nao eh verdadeira. Eu posso citar centenas de musicas de rock que nao sao em nenhum sentido pornograficas ou contem “palavroes brutais, imagens obscenas, incitamento ao pecado”, assim como letras de grupos de rock que nao tem nenhuma ligacao com o uso de toxicos


“Por isso ele se constitui numa verdadeira ação revolucionária que alcançou um efeito mais profundo do que o de qualquer ideologia totalitária, do nazismo ao comunismo”

O sr., como Doutor em Historia, deveria saber que o comunismo nao eh uma ideologia totalitaria; leia marx com mais atencao.


“Políticos do erotismo, arautos da desordem e do caos, propugnadores da ação sem qualquer sentido. Rebeldes contra a sabedoria e a lei. Apóstolos da irracionalidade e do desespero. Tais se confessam os líderes do movimento Rock”

Mais uma generalizacao invalida. Eu faco parte de duas bandas de rock e nao me confesso “politico do erotismo, arauto da desordem e dos caos”, etc…. Justamente pelo contrario.


“Ela quer a libertação de todas as leis, regulamentos e normas sociais. Ela se impõe à sociedade liberal, querendo que ela se torne libertária. Ela exige o permissivismo. Contra tudo o que é refinado e aristocrático, ela ostenta a preferência pelo que é sujo, prosaico, baixo, vulgar ou grosseiro. Ela faz apanágio da obcenidade e da depravação. Radicalmente imoral, exige a liberação das drogas, além de sexo livre e público”

Mais uma vez o sr., atraves de adjetivos como “sujo, vulgar, grosseiro, obsceno e imoral” generalizou as caracteristicas de um genero musical. Caso o sr. nunca tenha estuda Logica Proposicional, ou nao esteja acompanhando meu raciocionio, para que possamos dizer que toda uma classe (no caso o rock) possua certo atributo, eh necessario provar que suas instancias (bandas de rock) tambem o possuem. Atraves de uma simples cancao (Jornais, do grupo Nenhum de Nos) e apresento a contra-prova a sua afirmacao.


Quantos pais democratas liberais permitem que seus filhos ouçam as canções dos Beatles, porque “elas não tem nada demais”! Entretanto, espantar-se-iam eles, se atentassem para o que diz a letra da canção “Only People” : “Somente o povo sabe como falar com o povo. Somente o povo sabe como mudar o mundo. Somente o povo percebe o poder do povo. Um milhão de cabeças é melhor do que uma Então vamos, participe.”

O sr. nao concorda com o que a cancao diz, que o povo deve governar, que devemos saber a opiniao de todos, ao inves de termos o poder centralizado em um unico grupo totalitario?


“Nós vemos o sexo, o Rock”n Roll e a droga, como fazendo parte de uma conspiração comunista para conquistar a América… Nós combinamos a juventude, a música, o sexo, as drogas e a revolta, tudo isto fazemos coincidir com a traição, de modo a formar um todo coerente, uma frente inexpugnável”. (Apud. Mons. R. Williamson, revista Semper no. 2, pag. 23)

Essa citacao possui alguns problemas logicos. Primeiramente, Williamson coloca a revolucao comunista ligada ao rock, o que o sr. jah havia dito nao ser verdade (“o Rock é sintoma e espelho da mentalidade que nasceu do liberalismo”). Liberalismo (politico) e comunismo nao sao compativeis. Alem disso, Williamson fala sobre “musica” e “sexo” como fatores de traicao. Bom, se ele acredita que a “musica” faz parte de uma conspiracao comunista, entao talvez os padres e suas cancoes religiosas sejam comunistas. E se ele acredita que o “sexo” tambem faz parte dessa conspiracao comunista e “traidora”, entao talvez devessemos parar de faze-lo e comprovarmos na pratica que isso nao seria bom para a continuidade da existencia da humanidade.


“Na escola (prisão), subvertem toda a ordem, desacatando professores e diretores” (sobre os roqueiros)

Eu sou um roqueiro e nao desacato professores nem considero a escola uma prisao. Se o sr. duvida posso pedir que o sr. consulte meus professores e indague sobre meu comportamento, ou eu posso remeter o meu historico escolar do ensino secundario e superior para que o sr. aponte onde estao minhas atitudes subversivas.


“Primeiramente, ainda que considerando tudo o mais, quanto mais o movimento ultrapassa em velocidade o ritmo do pulso e sobe além do ordinário, mais também se acresce a tensão emotiva”. (W. Matt, op. cit., pag. 5)

Poucas sao as musicas, inclusive as classicas, cujo movimento nao ultrapassa a velocidade e o ritmo do pulso, inclusive algumas tem a mesma velocidade de varias cancoes de rock. Isso nao as torna musicas melhores ou piores.


“Além disso, o “beat”, estimulando a secreção do hormônio epinefrina, faz diminuir no sangue o cálcio de grande importância para dirigir os sistema nervoso, e o açúcar, único alimento do cérebro. Daí os nervos ficarem esgotados e o cérebro desarranjado, após um concerto de Rock” (Mons. R. Willianson, op. cit., pag. 28-29)

Gostaria de fontes mais confiaveis sobre esse fato, talvez de revistas medico/cientificas, e nao um monsenhor. Nunca ouvi falar, e consultei diversos amigos medicos, que o “beat” de uma musica possa diminuir o nivel de calcio e acucar no sangue. Isso implicaria que eu, ao ouvir rock por muito tempo, eventualmente poderia ter problemas osseos e talvez ateh sequelas cerebrais (pela falta de glicose)? Nao conheco nenhum caso que comprove essa citacao.


“O padre Regimbal afirma que o “beat” pode produzir uma aceleração da pulsação cardíaca e um aumento da taxa de adrenalina; ele pode provocar não só um bem estar sexual, mas também uma excitação que pode ir até o orgasmo”

Ouco rock e conheco dezenas de pessoas que tambem ouvem. Nenhuma teve orgasmos ouvindo rock. O padre Regimbal talvez possa nos explicar sua citacao contando sua estranha experiencia com o rock e orgasmos.


“Impulsos irrestíveis de destruição e vandalismo” (sobre uma das consequencias do rock)

Costumo ouvir rock em casa, assim como varios amigos e pessoas do pais inteiro, eu nao tenho “impulsos de destruicao”; caso o sr. queira comprovar que eu nao sou um vandalo pode visitar minha casa, onde sera bem recebido.


“Em suma, os efeitos fisiológicos e psicológicos do ritmo do Rock levam os jovens, como é de conhecimento público, a atitudes imorais que os cantores de Rock preconizam pelas letras de suas canções e pelos exemplos de suas vidas, tais como: – Perversões sexuais e pornografia – Uso de droga – Revolta contra toda lei, contra toda autoridade – Violência – Suicídio – Crime e parricídio”
Mais uma vez o sr. generaliza algumas cancoes especificas e culpa o rock.


“Num disco do grupo Iron Maiden, há uma pequena faixa com poucos sulcos gravados. Tocado em sentido normal, ouvem-se sons sem sentido, como de algo que foi gravado ao contrário. Invertendo-se o sentido do disco ouvem-se nitidamente palavras estranhas, numa língua que desconhecemos”

O grupo Iron Maiden varias vezes gravava citacoes biblicas em ingles arcaico ou em dialeto rasta. O fato do sr. nao conhecer ou dominar as linguas nao as define como “desconhecidas” nem torna seu conteudo satanico, principalmente se o conteudo tiver sido retirado da biblia!


“Os Beatles, por exemplo, a princípio um grupo apresentado pela imprensa como simpaticamente jovem e inocente, na verdade, difundia o ateísmo”

Acredito que eh possivel ser ateu e ao mesmo tempo jovem e inocente. O fato de alguem nao possuir as mesmas inclinacoes religiosas que o sr. nao implica esse alguem nao ser “inocente”. Como o sr. nao pode provar que Deus existe (por meios cientificos ou matematicos), nao pode criticar quem nao acredita Nele. A discussao da qualidade do rock nao precisa incluir questoes religiosas, simplesmente porque elas nao podem ser debatidas cientificamente, jah que pregam varias “verdades absolutas”.


“A música Rock é anti-católica”

Posso citar varios grupos catolicos que escrevem rock e cujas letras nao sao nem um pouco satanicas. Se o sr. estiver interessado posso remeter uma pequena lista com as bandas de integrantes catolicos mais conhecidas.


“E esse cantor comunista e drogado fez jovens batizados cantarem seus verso ímpios”

O sr. une o adjetivo “comunista” ao “drogado”, como se um implicasse outro ou como se o primeiro pudesse ser usado de modo depreciativo.
Isso indicaria um grande desrespeito pela opiniao politica dos outros, mas acredito que o sr. nao seria capaz de desrespeitar a opiniao alheia, mesmo que nao concorde com ela, nao eh mesmo?


“A música com que se os canta é bruta e vulgar: gritos sincopados sem qualquer valor artístico”

O seu conceito de “falta de valor artistico”, alem de tratar de um tema bastante subjetivo, eh altamente preconceituoso. Musicas como “Unfinished Allegro”, da banda Angra, assim como “La Villa Strangiato”, do Rush, sao musicas com instumental altamente desenvolvido, como o sr. podera confirmar consultando professores de teoria teorial e mesmo de musica classica.


“Exemplo dessa mentalidade tendente à gnose se tem, por exemplo, na canção “Cobaias de Deus”, de um cantor que se vangloriava de seu homossexualismo (Cazuza)”

Espero que o sr. seja inteligente o suficiente para nao discriminar alguem por sua escolha sexual; acredito que ninguem tem o direito de criticar o modo como outra pessoa exprime o seu modo de amar. Caso o sr. acredite que isso estah relacionado com o rock, ou possa ser incitado por ele, por favor leia o artigo “Atracao entre iguais”, na Superinteressante de agosto de 1999. Ele relata que o homossexualismo nao eh exclusivo dos homens, e estah presente em 450 especies animais.
Existem girafas homossexuais; duvido bastante que o sr. possa me apontar uma girafas roqueiras ou satanicas; as girafas sao movidas por instinto animal e nao possuem nenhuma forma de raciocionio religioso ou filosofico, portanto duvido bastante que Deus tenha criado propositalmente animais cuja “escolha sexual” seja errada ou pecaminosa.


“Rock nos parece então um gênero musical intrinsicamente mau. Não é possível aceitá-lo. A Igreja teve censuras graves contra outros ritmos modernos como valsa e o tango”

Nao eh possivel aceita-lo? E porque a Igreja teria o poder de censurar um ritmo e declara-lo “intrinsicamente mau”? O sr. acredita que a valsa seja algo malefico ou que pregue o uso de toxicos e o suicidio, como o sr. afirma que o rock faz? Minha avo ouve valsa, e, sinceramente, acho que ela nao eh satanica, drogada ou suicida.


Agradeco desde jah sua resposta e seus comentarios, Dr. Fedeli.
Abracos,

Bruno C. S.


Prezado Bruno,
Seja louvado Nosso Senhor Jesus Cristo.

Em primeiro lugar quero agradecê-lo por suas críticas, feitas em geral muito polidamente, exceto, permita-me dize-lo com franqueza, quando trata de problemas de moral sexual, quando você, infelizmente, foge da linha bem correta e elevada de seu estilo e de seu nível de educação. São Paulo diz que certas coisas nem se mencionem entre vós. Faltou-lhe, ao tratar de certos problemas morais uma auto censura sempre conveniente.

Em particular, quero agradecer a você por ter encontrado um erro de digitação no meu trabalho sobre o rock.
Você cita uma frase minha, tal qual foi editada em nosso site:
“Quando alguém afirma – como no caso do Rock – que aprecia uma canção mas que não dá importância a letra, até mesmo porque não a entende, a pessoa não fica eximida dos efeitos das idéias expressas pela letra da canção”.
E me diz, então, com razão:
“Se isso fosse verdade eu, ao ouvir uma musica cantada em alemão, lingua da qual nao conheco nada, serei influenciado pela letra. Isso nao faz sentido, pois nada em mim permite fisica ou psicologicamente que eu compreenda o alemao sem nunca te-lo estudado”
A frase do meu trabalho, tal qual foi digitada e publicada, é meramente afirmativa. Faltou-lhe a oração explicativa, que o digitador comeu e a revisão engoliu. A frase original, tal qual a escrevi e está em minha apostila, publicada antes do site, era a seguinte:
“Quando alguém afirma – como no caso do Rock – que aprecia uma canção mas que não dá importância a letra, até mesmo porque não a entende, a pessoa não fica eximida dos efeitos das idéias expressas pela letra da canção, porque a melodia diz vagamente o que a letra expressa”.
Agradeço portanto a você, que me foi bom revisor, encontrando esta falha material, que já mandei corrigir.
Isso prova com que atenção você leu o meu texto.
Entretanto, a continuação do texto permitia compreender meu pensamento. “Do mesmo modo, quem toma um veneno, embora não conheça sua fórmula, morre do mesmo jeito. Morre sem ter compreendido, mas morre”.
O exemplo era elucidativo de meu pensamento, e por ele se poderia perceber que algo saira truncado. Assim como a fórmula química de um veneno expõe o que nele há, assim também a letra de uma canção, normalmente, expõe , de modo mais explícito, o que a melodia dissera mais vagamente.
Outro exemplo — que não coloquei no meu trabalho, mas que explica meu pensamento sobre a relação que normalmente deve haver entre música e letra — é o seguinte.
Um vitral visto sem a luz contra ele, é opaco. Visto contra a luz, fica iluminado e claramente se vê o que nele foi colocado.
Assim também entre a música e letra. Esta deve ser a luz daquela.
Evidentemente, pode ocorrer que um letrista não exprima corretamente o que uma música quer dizer, mas esse é um outro problema. Repito: normalmente a letra só expressa de modo mais explícito o que a música diz de modo mais brumoso.

Tenho que louvá-lo também, pelo bom nível de sua argumentação — rara entre roqueiros — que em geral me tem enviado ofensas e grunhidos (ainda esta semana recebi várias mensagens desse tipo, das quais mandei publicar algumas. Em geral, vão para a lixeira).
De bom grado aceito debater consigo, embora não espero convencê-lo, nem demovê-lo: nossas visões do mundo são absolutamente opostas. Eu sou católico, anti moderno e anti revolucionário.
Você, não sei qual a sua religião, mas é uma pessoa liberal, relativista e permissivista em moral, com uma certa simpatia para com o marxismo.
Evidentemente condeno todas essas posições.

Em todo caso, rsponderei a cada uma de suas críticas. Como elas são muitas, e complexas, e como não tenho tempo de respondê-las todas de uma vez, proponho-me a enviar mensagens à prestação, respondendo uma ou mais questões por vez.

Apressei-me a responder, explicando o erro de digitação, e dando-lhe razão na
crítica à frase incompleta de meu trabalho, porque já mandei corrigí-la, e não queria fazê-lo sem agradecer a você e dar-lhe esta explicação.

Logo mais lhe escrevo, principiando pela posição de Platão quanto à censura das obras de arte imorais.

Agradecendo sua atenção, despeço-me,
in Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli.

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