Montfort Associação Cultural

10 de janeiro de 2005

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Rock n’Roll, Idade Média, nazismo e socialismo

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Arthur L.A.
  • Localizaçao: Porto Alegre – RS – Brasil

Muito interessante, se não risível, a matéria publicada neste site sob o nome “Rock e Revolução”. Infelizmente, a reportagem mostra algo que todas as pessoas com meio cérebro deveriam se entristecer: a tentativa da Igreja Católica (ou setores dela) de impor o pensamento único, que perdurou durante todo período conhecido por nós como Idade Média. Qual seria este pensamento único? Muito simples de responder: “ou vc é a favor de nós ou é contra nós! Se vc é contra nós, vc é um enviado do demônio e não merece nenhum pingo de respeito ou piedade!” Pensamento parecido com o daquela instituição deplorável chamada Santa Inquisição…

Continuando com a análise do texto, um fato que me chamou atenção, foi a menção a Bob Larson. Quem é ele? Bob Larson é um pastor evangélico norte-americano, racista, pró-censura e a favor da construção de um estado teocrático cristão nos EUA. Muito oportuno a menção de seu nome, não? Mais além. a reportagem cita a maior banda de Metal de todos os tempos, o Maiden, e diz que um de seus discos possui uma mensagem numa língua desconhecida. Desconhecida para eles que nunca foram para a Jamaica. Sim, a língua “desconhecida” que se ouve nada mais é do que o dialeto rasta falado na Jamaica e outras ilhas próximas. Ignorância ou manipulação da verdade? Acho que a mistura dos dois…

Continuando com a comédia, a reportagem cita jovens que mataram seus pais, amigos ou se suicidaram escutando Rock? O que é isso? Se uma pessoa é louca ou insana, de forma alguma a música que escuta, os livros que lê ou os filmes que vê o influenciarão… e se o fizerem, a culpa não é deles, mas da pessoa que não sabe discernir realidade e fantasia…e acaba cometendo estes atos escabrosos. A matéria cita ainda que o Rock incita revolta contra a igreja, a família, a escola, enfim, contra a sociedade. Se estes “intelectuais brilhantes” tivessem lido a Bíblia, veriam que o seu própria messias incitou a revolta contra a família e o sistema vigente daquela época e que o seus primitivos amigos foram uma das causas da derrocada de um dos maiores, melhores e bem organizados sistema de governo que a história já conheceu: o Império Romano, e com isso, jogando o mundo num período de fanatismo chamado Idade Média.

Continuando, que disco do Black Sabbath se chama “Reflection”? Que música do Kiss se chama “Demoníaca” (ou qualquer coisa que o valha..)? Desde quando “beijo” significa “Cavaleiros à Serviço de Satã”? Será que eles são tão estúpidos para não entenderem a letra de “”Sympathy for the Devil”? Será que eles nunca ouviram falar em white metal ou grupos que não são satanistas? Mas, não, na cabeça deles, tudo aquilo que não é católico (ou cristão) é demoníaco… talvez uma segunda “Noite de São Bartolomeu”desse conta destes infiéis!

Para encerrar, gostaria de dizer a estas pessoas que sou ateu e ouço heavy metal desde os 10 anos de idade. Atualmente curso História na UFRGS e tenho um relacionamento maravilhoso com meus pais, amigos e professores. Mas, de acordo com eles, eu não poderia ter nada disso… rídiculo, para não dizer outra coisa. Mas, tudo bem, estes imbecis que se auto intitulam católicos não irão enfraquecer o Metal, o Rock, ou que for… o bom senso e a inteligência perdurarão sempre. É dever de todos lutar contra o obscurantismo, o fanatismo, a ignorância e sempre fazer prevalecer a democracia e a liberdade de escolha, religião, sexual, de pensamento ou do que quer que seja! Ou então fazer o que Martin Walkyer fala na música “On with Their Heads” : enforcar os fascistas, de qualquer tipo…

                                    Um abraço a todos da Whiplash!

                                                        Arthur

L.A.

P.S.: Será que “Laudate Dominum” do Helloween é satânica? Ou o Stryper? Ou o Bloogood? Ou “Step out of Hell” dos já citados deuses germânicos? Burrice ou falta de pesquisa séria? Mais uma vez… os dois!

Segunda carta:

Ainda sob o torpor de ter lido tantos absurdos numa mesma “reportagem” (“Rock, Revolução e Satanismo”), resolvi acessar outros textos presentes no site desta, assim chamada, Associação Cultural. O que eu vi e li me deixou cada vez mais embasbacado… com o fanatismo e preconceito (ou pós-conceitos errôneos).

A primeira “reportagem” que me chamou atenção foi a intitulada “Mas que gente ignorante…”. Tudo aquilo apresentado na reportagem não passa de justificações baratas para defender o período de dominação católica conhecido por Idade Média. Realmente, durante este período, já se tinha conhecimento da esfericidade da Terra (herdado da antiga ciência grega e romana) e da existência de pólos antípodas. Mas, como sabemos também, este conhecimento estava confinado somente aos mosteiros medievais e ao Vaticano, nos chamados “livros proibidos”. A população normal ou até mesmo os poderosos senhores feudais não tinham notícia destas constatações científicas. Aliás, a própria Igreja fazia questão que estes conhecimentos científicos não vissem a luz do dia, pois sabiam que conhecimento sempre traz indagações e nem sempre estas indagações estariam a favor da Madre de Roma. No decorrer do texto, no entanto, não vi nada que justificasse esta negação de conceder o conhecimento para as esferas mais baixas da sociedade medieval (usar o termo “classe” é coisa de comunista e comunista come criancinha…). Talvez num próximo texto, o Sr. Fedelli tente justificar este fato. Reitero que não nego que a sociedade contemporânea deve muito do seu conhecimento aos monges medievais (principalmente os irlandeses), por terem guardado em seus mosteiros páginas e páginas dos antigos conhecimentos gregos, romanos, celtas e nórdicos. Mas, ainda sim, somente o fato da Igreja ter ocultado estes conhecimentos do “populacho” durante tanto tempo, já é algo sem justificação nenhuma. Ou talvez apenas uma: o conhecimento afasta da fé… e quem tem fé tem medo… e quem tem medo se subjuga mais facilmente.

Resolvi então continuar minha odisséia pelo site, altamente cultural e informativo, e deparei-me com um “artigo” chamado “Direitas e Esquerdas”. Interessante, muito interessante… principalmente a parte em que o nosso amigo, Sr. Fedelli (que figura!), diz que o nazi-fascismo é “de esquerda, por ser socialista e igualitário”. Quando Hitler se propôs a construir uma Alemanha igualitária? Quando Mussolini estabeleceu um regime socialista na Itália? Se a estrutura nazi-fascista é toda baseada na disciplina e na hierarquização da sociedade, como pode ser chamada de “socialista”? Como, ainda, chamar de igualitário, regimes que em momento algum impuseram empecilhos à propriedade privada ou à entrada de capital estrangeiro e ao lucro excessivo de empresas multinacionais? Ou um regime que não realizou a chamada “reforma agrária”? Um regime que teve apoio da Igreja e da burguesia, por ser anti-bolchevique? O que há de “igualitário e socialista” nestes regimes? Lembro ao senhor Fedelli, que o comunismo e o socialismo são internacionalistas (com a ascensão do stalinismo, bem diferente do pensamento real de Marx, é que o comunismo tornou-se nacionalista, mas não xenófobo) e que o nazi-fascismo é altamente nacionalista e xenófobo. Mas, o mais estranho, foi o termo “pagão” utilizado para descrever o nazi-fascismo. Mussolini e Hitler eram CRISTÃOS. Católicos, mais precisamente. Utilizavam símbolos antigos, ou pagãos, de sua cultura, é verdade, não por serem pagãos, mas sim, porque estes símbolos causavam uma “certa catarse psicológica nas massas, acordando os sentimentos mais íntimos de patriotismo, glória e honra” (palavras do próprio Adolf…).

Depois de ter lido estes “textos” de alto nível intelectual, resolvi me aventurar novamente na “reportagem” sobre o Rock. Lendo-a com mais calma, achei mais alguns erros (ou apenas frutos da falta de uma pesquisa séria, coerente e livre de preconceitos). Por exemplo: “and it makes me wonder” (presente na letra de “Stairway to Heaven”) não significa “me deixa desejoso” ou “maravilhado” (isto seria “wonderED” em inglês). A tradução certa da frase significa “e isto me faz pensar”. Em relação ao Oeste, presente no texto da música, mais uma vez a informação é dada de forma errada. O Oeste era o lugar sagrado dos egípcios, celtas, nórdicos e outra infinidade de povos. O Oeste era “o lar dos deuses”, “terra dos mortos”, “terra da bonança” e “país da fartura”, de acordo com as mitologias dos povos já citados. Ou seja: nada a ver com “o Demônio ou Satã”, como a “reportagem” apresenta. Erro ou apenas omissão da verdade? Deixo as explicações para vocês. Continuando, “anthem” não significa “antífona”( que é “antiphon” em inglês), mas sim “hino”.Ou vocês acham que o “Star Spangled Banner, U.S.A. National Anthem” significa “Bandeira Coberta de Estrelas, antífona nacional americano”? O que significa “The Cath” ou “tot linh”? Vocês chegaram a usar algum professor de inglês ou um dicionário para fazer a correção final do texto?    

Em relação as mensagens invertidas, algumas são realmente intencionais (para efeito de marketing, não para “trazer almas perdidas a Lúcifer”…), só que a grande maioria é apenas coincidência (algumas palavras, quando faladas de traz para diante, tem fonéticas parecidas com palavras normais).

Em relação à música “Prince of Darkness”, ela apenas conta uma histórinha de fadas. Ou um padre que conta a história da queda de Lúcifer durante uma missa é satanista? Milton a contou de forma brilhante no “Paradise Lost”, e nem por isso adorava o Diabo. Interessante constatação, não? 

Continuando com a falácia:por acaso quem escreveu a música “A Chama do Anti-Cristo” foi Axl Rose? Acho que não. Se foi ele, me digam em qual disco. Ainda, a música “Possessed” é do grupo Venom e não do grupo Possessed.

O dito estudo continua com algumas frases supostamente ditas por astros do Rock. A fonte? Jornais e revistas cristãs. Estranho, muito estranho… Qual a fonte original destas revistas? Como afirmar que os astros do Rock disseram aquelas palavras (bem menos perigosa do que Pizarro, as orgias dos Borghia e da sede de sangue de Torquemada, todos católicos…)? Mais uma vez, o “estudo” falta com a verdade.

Para finalizar, gostaria mais uma vez de dizer que a grande maioria das bandas de Rock e Heavy Metal NÃO é satanista ou religiosa de qualquer tipo. Existem também um grande número de bandas cristãs, como a australiana Mortification (cujo líder Stephen Rowe diz ter sido curado de um câncer pela oração e fé em Cristo), cujo trabalho lírico é impressionante e totalmente voltado ao Catolicismo, a banda americana Tourniquet, que se empenha em campanhas anti-abortos e em defesa dos direitos dos animais, isto sem falar dos seus excelentes trabalhos comunitários, e por fim, as bandas brasileiras Eterna e Rosa de Saron, as duas ligadas à Igreja Católica e a centros comunitários. Poderia citar mais algumas, como Bride, Barren Cross, Seventh Angel, Stryper, Dynasty, Trouble, entre outras bandas existentes dentro de uma lista enorme. Mas, no entanto, o “estudo” se baseou em preconceitos e na falta de uma metodologia de pesquisa séria e se tornou nada mais do que um  “abstudo” (junção das palavras “absurdo” e “estudo”), faltando com  respeito com profissionais que trabalham com música, com o grande número de fãs do estilo (independente de religião), com a inteligência alheia e com a liberdade de expressão. São pessoas como as presentes nesta “Associação Cultural” que denigrem a imagem de pessoas sérias ligadas ao catolicismo. Reitero que não sou católico, sou ateu, mas mantenho contato com católicos e pessoas de outras religiões quase que diariamente, e tenho por todos respeito, carinho e admiração. Por isso, me entristeço e me revolto contra este tipo de preconceito, ignorância, arbitrariedade e obscurantismo presente no site da “Associação Cultural Montfort”.   

                                    Porto Alegre, 21 de Outubro de 1999

                                                                                Arthur L

.A.

P.S.: George Orwell era declaradamente comunista. Nem se preocupem em procurar “mensagens secretas” em seus livros.

 

A… Arthur L.A.

Suas duas mensagens me deixaram em um certo embaraço, extremamente honrado e, por fim, muito satisfeito e até bem alegre.
Explico primeiro o meu embaraço: que forma de tratamento dar a uma pessoa que se declara igualitário com a fúria com que Arthur Ávila o faz?
Certamente não chamá-lo de “nobre”, ou mesmo “Ilustríssimo senhor”, como é de praxe. Seu estilo não revela uma alma nobre, mas apenas grosseira e debochada, e de ilustre você tem apenas a presunção. Também não posso chamar de “Prezado senhor” quem declara que deseja enforcar-me e me chama de fascista apesar de eu ter atacado o “Duce” e Hitler.
Deveria eu chamar no apelativo de minha carta de “Muito grosseiro senhor Arthur” a quem me chama de “imbecíl” e  me acusa de usar só ”meio cérebro”?
Não! Seria descer a seu nível de educação e de “carinho”. Porque seu estilo e nível de educação o levam a berrar ofensas gratuitamente, sem nenhuma relação com a realidade.
Como então dirigir-me a um tal furibundo Arthur?
Se não quero descer a seu nível de educação, entretanto, sou obrigado a lutar com você, usando a mesma arma que você escolheu: o tacape. Se você tivesse escolhido um educado e respeitoso florete, o debate seria mais cerimonioso e respeitoso. Como roqueiro selvagem, você escolheu o tacape.
Sou obrigado a fazer o mesmo. Não se queixe, então, se levar umas boas tacapadas na sua dura, socialista e universitária cabeça.
Relendo suas duas cartas estrebuchantes de ódio, acabei concluindo que o melhor seria dirigir-me a  você como “Extre-buchante Arthur”. Depois, fazendo a sesta, lembrei-me de outra pessoa que tinha o mesmo ódio que você pela Igreja Católica, e que estre-buchava furioso, exatamente como você, ao ser contrariado: Adolf Hitler, o Führer do Nazismo. É com fanatismos incoerentes e ilógicos como o seu que se gestam os Führers, e é com ódios contra Deus extre-buchantes, como o seu, que se formam as mentes que constróem Auschwitzes.
E porque você é, política e intelectualmente, nanico; e porque ainda não teve ocasião de praticar sua intolerância em escala estatal, você só merece o apodo de Führer no diminutivo: führerzinho.

Pois então meu  desembaraço está resolvido. Lá vai minha carta resposta:

Estre-buchante “führerzinho”  Arthur,

Divertidas saudações.

Permita-me, agora, explicar porque suas cartas me deixaram extremamente honrado. Você, como ateu, revela um tal ódio a Deus e à Igreja Católica, que votar à minha pessoa esse mesmo ódio só pode me honrar. Desonra, para mim, seria ser louvado por uma pessoa tão contraditória e estrebuchantemente odienta de Deus, como você.
Você, estrebuchante Arthur, afirma que está entre os que querem “fazer prevalecer a democracia” e a liberdade de consciência de quem quer que seja”. Como então demonstra tanto ódio contra a Igreja e contra o que penso?
Contraditório Arthur, onde está sua lógica e seu democratismo? Você vê que não adianta usar o cérebro inteiro, quando quem o usa é um “Estudante de História” de seu quilate e de seu primarismo intelectual.
Você ataca a Inquisição e, depois, como todo anti-inquisidor, manifesta o desejo de “Enforcar os fascistas, de qualquer tipo”. E considera que fazer esses enforcamentos “é dever de todos”.
Imagine-se o estrebuchante Arthur chefiando uma Tcheka tupiniquim – forma justiceira de inquisição socialista! Quantos mataria ele como fascistas, se até uma pessoa como eu — que sou anti-fascista e ataquei o fascismo e o nazismo – ele quer enforcar! É também estrebuchante de carinho e de coerência, o “democráticamente” socialista Arthur…
Portanto, seu ódio e sua raiva contra mim, por ser eu católico, me honram extremamente.
E por que suas cartas me deixaram muito satisfeito? Simplesmente porque, quando o inimigo estrebucha é porque foi atingido. Se dou um golpe, e o adversário ruge de ódio, é porque o golpe acertou o alvo.

Você já viu o que acontece com uma lesma , quando cai sal sobre ela?
Parece-se com o seu estrebuchar de raiva impotente: ela se contorce e se esvai, transformando-se num como que escarro. Pois foi isso o que aconteceu com suas idéias quando o sal da verdade caiu sobre seu “famoso “cérebro inteiro”.
Estrebuche, Arthur, estrebuche. É uma satisfação vê-lo estrebuchante e impotente. É uma alegria constatar que, contra argumentos verdadeiros, um rockeiro socialista — e universitário !–  só pode vomitar ódio, contradições, incoerências e grosseiras ofensas.
Estrebuche, Arthur, estrebuche.
Derreta-se de “carinhoso” ódio. E pode ir preparando sua democrática e tolerante forca para meu pescoço anti-fascista. Seria uma honra ser enforcado por um tal carrasco, defensor da “Liberdade de pensamento”. Você já teve precursores na contradição e no ódio: Robespierre, Lenin, Stalin, Djerjinski, Fidel, etc. Muitos etc.


Passo agora  a analisar sua “argumentação”, suas tolices e contradições.  E elas são tantas, e expressas em tal confusão de temas, que é difícil escolher por onde começar.
Comecemos pelas questões históricas, já que você é um estudante de História em uma Universidade do Rio Grande do Sul.

Você afirma que na Idade Média a Igreja impedia que o povo, e até “os poderosos senhores feudais”, conhecessem a verdade científica sobre a esfericidade da terra, que estaria “confinada apenas aos mosteiros medievais e ao Vaticano”. Isto é, seria um privilégio apenas dos monges e membros da Cúria Romana, a quem você um tanto anacronicamente chama de Vaticano.
E você afirma que a Igreja fazia questão de que esse conhecimento não viesse “à luz do dia”.
Ó “analfabeto” Arthur, você leu meu trabalho intitulado “Que gente ignorante”, mas você não entendeu que em qualquer igreja medieval, em qualquer Catedral gótica ou românica, havia imagens de Cristo e da Virgem segurando na mão o globo da Terra? O povo não via as imagens dos soberanos segurando uma bola na mão? Ou você pensa que a Igreja explicava ao povo que a terra era plana, e que aquelas imagens citadas, colocadas nas portas e nos altares das igrejas, para todo mundo ver, significavam que os reis e imperadores eram jogadores de boliche?
Cego Arthur, o ódio o faz não usar convenientemente o seu famoso  inteiro cérebro. Que pena ! Assim, vou acabar desconfiando do próprio valor de seu universitário e esclarecido cérebro… Que pena ! Que cérebro fica inutilizado ! Que gênio o mundo vai perder ! Pobre estudante de História ! Quanta bobagem e quanto preconceito em tão poucas linhas ! O ódio contra a Igreja o cega, ó tolerante Arthur.
Por exemplo, você diz que a Igreja não permitia que o conhecimento científico chegasse ao povo, porque o conhecimento gera indagações, e estas acabam por destruir a fé. Que este conhecimento ficava guardado “nos livros proibidos”.
Certamente, ao falar de “livros proibidos”, você estava pensando No Index Librorum Prohibitorum, que de fato a Igreja Católica sabiamente instituiu.
Só que isso foi no Concílio de Trento, no século XVI, e não na Idade Média, ò sapientíssimo Arthur. Veja a que gafe anacrológica seu ódio cego o levou.
E ignora você – apesar de seu privilegiado cérebro inteiro, e apesar de seus profundos estudos históricos — que foi a Igreja quem fundou as Universidades? E ignora você que qualquer pessoa podia estudar nelas, tendo pelo menos um décimo de seu famoso cérebro inteiro? E ignora você que muitos dos grandes sábios, filósofos e doutores da Idade Média vieram do povinho mais miúdo?  Você já ouviu falar de Suger? E do Papa Gregório VII? Ignora você que a Suma Teológica de São Tomás de Aquino é um conjunto imenso de perguntas dos alunos medievais a que São Tomás responde metodicamente?
Você ignora que as multidões do povo, que hoje vão assistir “concertos” de Rock e droga, na Idade Média iam assistir ao debate entre São Bernardo e Abelardo, por exemplo?
Que gente fanática e ignorante a medieval ! Imagine? Iam assistir debates filosóficos e teológicos … Hoje, não há mais disso: o povo instruído vai assistir o Maguila dar socos num outro brutamontes, ou vai ver Mike Tyson morder a orelha do adversário.
E, em matéria de música, em vez do canto gregoriano, admirado e invejado por Mozart, ou das canções populares medievais, se é fã – sem fanatismo – de Mike Jaeger ou do Grupo Iron Maiden.
Ó estrebuchante Arthur, o ódio cega, mas o ódio ignorante faz o cego dizer asneiras. Faz até quem tem cérebro inteiro relinchar… Não relinche tanto, pois isso comprometerá seu prestígio de estudante ateu genial.

Você – que se diz democrático – vem defender os comunistas negando que eles comiam criancinhas. Pois leia o “Livro Negro do Comunismo” escrito por ex-comunistas denunciando não só os crimes de Stalin, mas também os de Lenin. Você ainda não leu esse livro? Não acredito ! Uma cabeça tão cheia por um cérebro inteiro ainda desconhece esse livro?
Você já leu o livro de Hugh Thomas sobre a Guerra civil espanhola de 1936? Claro que não. Você, como bom estudante de História, lê história do Rock e história marxista. E lê, só tendo sobre o seu nariz socialista os óculos vermelhos do ateísmo e do ódio.

E sobre o nazismo e o fascismo, quanta besteira você disse; quantas sandices em poucas linhas sobre essas ideologias realmente tão nefastas, criminosas e socialistas quanto o marxismo!
Então, a seu arquivo cerebral ainda não chegou a informação de que o Nacional Socialismo era socialista? E você não desconfiou que o adjetivo “socialista” no nome do maldito e criminoso Partido de Hitler era porque ele defendia o socialismo?
Não, urra-me você, o socialismo é internacionalista, enquanto nazismo e fascismo eram nacionalistas. Cego e ingênuo – ingênuo? – Arthur!
E como explica você que Lenin tenha estabelecido o socialismo num país, a Rússia, e não tenha feito a revolução do proletariado internacionalmente como preconizava Marx?
E seu saber estupendo ignora que Mussolini foi, durante 10 anos, o diretor do jornal oficial do Partido socialista, o Avanti? E você ignora que Mussolini proclamou a República Socialista de Saló? E você ignora que ele se chamava Benito em homenagem a Benito Juarez, que não foi propriamente um capitalista? E você ignora que o fascismo estatizou, isto é, socializou a economia?
E você ignora que Goebbles escreveu no Angriff que o nazismo e o comunismo tinham os mesmos ideais?  Você ignora que Hitler dizia que queria socializar as mentes? Você não leu pelo menos o primeiro volume do livro de William Schirer, Ascenção e Queda do terceiro Reich, no qual fica claro o socialismo do Nazismo? Você não leu o livro de Hermann Rauschnig, “Hitler me disse”?
Não, você nunca leu nada disso. Se leu, como nega o caráter socialista do Nazismo e do Fascismo? Se não leu e não conhece, como bazofia ter um conhecimento que não tem?
Você só repete slogans socialistóides, que o dispensam de usar seu famoso cérebro inteiro.
Se tiver ocasião, leia nesse interessante livro de Rauschnig, denunciador do nazismo, como esse partido era socialista. Você leria lá que Hitler afirmava: “Eu sou o realizador do marxismo” (H.Rauschnig, Hitler m”a dit, Coopération, Paris, 1939, p. 210).
Hitler disse ainda : “Eu aprendi muito do marxismo, e eu não procuro esconder isso”. “O que me interessou e instruiu nos marxistas, foram os seus métodos” (Idem p. 210). E mais: “o nacional socialismo é um socialismo em devir”, que não acaba jamais, porque seu ideal se desloca sem cessar” (idem p. 214). “Nós socializamos os homens” (idem p. 219).
E não vou dar mais citações porque haveria tantas que alongariam por demais esta carta. Então, se você quiser mais, procure-as você mesmo.

Você já leu o Programa do Partido Nazista? Provavelmente não. Se tivesse lido, nunca teria dito que o nazismo não era socialista. Pois veja como o programa do partido dos Trabalhadores alemães se parece com o do PT brasileiro.
Esse Programa de 25 pontos do Partido Nazista foi feito por Drexler, Hitler e Feder em fevereiro de 1920. Veja o que diz Alan Bullock sobre o programa do Partido Nazista:
“O programa era nacionalista e anti-semita, voltando-se ao mesmo tempo severamente contra o capitalismo, os trusts, os grandes proprietários de terras e os grandes magnatas industriais. Todos os ganhos não oriundos do trabalho deveriam ser desapropriados (ponto 11), todos os rendimentos de guerra deveriam ser confiscados (ponto 12); o Estado deveria apropriar-se das companhias e tomar parte nos ganhos das grandes indústrias (ponto 13/14), as grandes lojas de departamentos deveriam ser apropriadas pela comunidade e divididas entre pequenos comerciantes (ponto 16). Estes deveriam ser privilegiados nos negócios públicos. Junto com isso caminhavam, mão na mão, não menos drásticas propostas em prol de uma reforma agrária: desapropriação não indenizada da terra, que seria usada para o bem da Nação, extinção das rendas da terra e proibição da especulação sobre terras (ponto 17)” (Alan Bullock, Hitler – Eine Studie der Tyrannei – 1 – Der Weg zur Macht, Fischer Bücherei, Frankfurt Am Main 1964, pág. 70).
Que tal, estrebuchante Arthur, não é um puro programa socialista? Lula o aprovaria, se não soubesse de onde veio este programa.
Que tal? Reconhece você sua ignorância sobre o socialismo do nazismo?
Claro que não reconhece. Seria esperar demais de alguém tão fanático como você.
E sabe de uma coisa, ó estrebuchante Arthur, estou começando a desconfiar de seu saber. Estou começando a pensar que você, de fato, é um ignorante presunçoso. Será?
Mais. Confesso que estou começando a ter dúvidas sobre o seu famoso cérebro inteiro (talvez, no fim desta mensagem, eu lhe confesse qual é a minha desconfiança… Por enquanto, ainda não!)

Você garante que a estrutura do nazismo e do fascismo – esses regimes socialistas e criminosos – era toda “baseada na disciplina e na hierarquização”.
Ó confuso e trapalhão Arthur, você chama a tirania de disciplina? Ou você não sabe o que é disciplina , ou você não sabe o que é tirania. Será que a “disciplina” stalinista dos Gulags, para você, não é tirânica? E a “disciplina” castrista  de Fidel, em Cuba, que inclui até o famoso “Paredón”? Essa você acha tolerante, democrática e respeitadora da liberdade de pensamento?
Contraditoriamente você condena a Cristo, por ter dito : “Quem não está comigo, está contra Mim “. E quem não gosta de Rock , quem prova que o Rock é satânico, este, por ser contra seu modo de ver o Rock, é ignorante, estúpido, imbecil, tem meio cérebro,  e outras amabilidades de seu trato costumeiro, que você garante ser “carinhoso”.
“Quem não é pelo Rock, é contra o Rock”. Este é seu berro. E, quem é contra Arthur e contra o Rock que ele ama fanaticamente, deveria ser enforcado como fascista intolerante, pelo tolerante Arthur, o respeitador de todas as opiniões, DESDE QUE NÃO CONTARIEM A DE ARTHUR, o ÚNICO, o grande historiador gaúcho que está nascendo. Arthur, o “Pacheco dos Pampas” (você já ouviu falar do talentoso Pacheco? Não? Procure conhecê-lo. Ele devia ser seu parente, pois que também tinha um cérebro inteiro, e tão famoso quanto o seu será).

Você estranha que eu chame o nazismo de “pagão”. Pois você ignora que a “filosofia” nazista se dizia pagã?  Você não sabe o que disse Rosenberg no seu livro “O Mito do Século XX”?
Você me diz, como “argumento” contra o que digo, que Hitler era “católico”. Que Mussolini também era católico, porque foi um dia batizado.
Você também, provavelmente foi batizado – e desconfio, só desconfio, que você freqüente alguma sacristia, ou tenha contato com algum padre roqueiro – mas nem por isso posso chamá-lo de católico. Nego-lhe essa honra.
Também Marx foi batizado, numa seita protestante, mas seria um abuso dizer que ele era protestante. Stalin foi até seminarista da Igreja “Ortodoxa” cismática (e você, não andou por algum seminário?), mas nem por isso posso dizer que Stalin era de religião cismática. E Fidel, que estudou com os Jesuítas e fazia seus guerrilheiros andarem com o terço ao pescoço na Sierra Maestra, era Fidel devoto da Virgem Maria?
Seu “argumento” então é um relincho ! (Agüente esta tacapada que seu estilo de polemizar e sua falta de educação – seus coices -  me constrangem a empregar e a devolver, em legítima defesa e a contragosto, mas bem merecidamente em sua cabeça dura).

Você, pleno dos preconceitos socialistas contra a Igreja, acusa Cristo de ter incitado “a revolta contra a família e o sistema vigente naquela época”. Como ateu e socialista, você fala exatamente como um “Teólogo” da Libertação. Até parece que você andou lendo ou escutando o ex- Frei Boff.
Será que você, ainda que ateu, freqüenta paróquias, onde tocam bandas de Rock White Metal ou do Rock satânico cristão?
Como Cristo incitou a revolta contra Roma, ó sagaz exegeta? Por acaso mandando pagar o tributo a César? E como incitou contra a família, mandando amar o próximo? E como os primeiros Apóstolos de Cristo foram responsáveis pela queda do Império, se eles foram mortos pelo Império Romano, o qual só desapareceu mais de trezentos anos após a morte desses Apóstolos?
Pela influência do Cristianismo, me berrará você. O que seria uma simplificação absurda de um problema complexo que só um universitário ateu e socialista poderia fazer.

Passemos, afinal, a seu idolatrado Rock.
Para começar, vamos ao cerne de sua “argumentação” em defesa do Rock.
Você estre-bucha de raiva, como um diabo que recebeu algumas gotas de água benta, porque acuso o Rock de ser um gênero de música satânica. Acusa-me de ter feito um “abstudo” – mistura de absurdo com estudo – e de que sou um ignorante, que desconheço o autor verdadeiro de uma canção. Acusa-me ainda você de não conhecer o dialeto “rasta” da Jamaica e de não usar dicionário ao traduzir a letra de uma canção. Tudo isso misturado com escarrados, respeitosos, democráticos e tolerantes “carinhos”.
Sobre a argumentação baseada em Platão, em Dodds e em muitas citações sérias, você faz silêncio. Os textos de roqueiros famosos confessando o seu satanismo, você faz que não leu. Sobre as citações de muitas autoridades e especialistas que criticam o Rock, você, tão furibundo em seus ultrajes, fica quietinho.
Reclama que citei um tal Larson, que seria um pastor protestante e racista. É claro que não apoio nem o protestantismo, nem o racismo dele – se o que você diz dele é verdade. Citei apenas o que ele disse do Rock, porque até um ateu cego de ódio pode dizer ocasionalmente uma verdade. Por exemplo, você mesmo, em meio a tantas bobagens e ofensas, reconheceu que os monges copistas medievais guardaram o saber da Antigüidade em seus pergaminhos (arre ! Até você pode reconhecer uma verdade, assim como, por vezes, até o diabo pode dizer : Ai Jesus ! Ou um marxista comunista diz por vezes: “Minha
Nossa Senhora !” “Noossa ! . Ou : “Graças a Deus”).
Para provar que posso citar um autor pouco competente, e com o qual não concordo de modo algum, mas admitindo que ele tenha dito uma verdade, citarei você mesmo.

Você nega de patas juntas que o Rock é satânico, e garante, com toda a sua arthural competência universitária, que a canção Príncipe das Trevas não se refere a Lúcifer, mas conta uma “história de fadas” … (Pensa você que todo mundo é trouxa, é? Pensa você que as pessoas não entendem o que está escarrapachadamente dito nessa canção diabólica? Sua afirmação é um indicativo de sua honestidade intelectual e de sua capacidade hermenêutica.)
Entretanto, você mesmo, sem perceber, admite que há rocks satânicos. Cito você mesmo, uma autoridade em Rocklogia:
“A grande maioria das bandas de Rock não são satânicas”.
Eu até concordo com essa sua declaração, desde que acrescente o advérbio “declaradamente” ou “conscientemente” satânicas.
Mas, ao dizer isso, você confessou que bom número delas é satânico. “Habemus confitentem reum !” ( Você que insinua conhecer bem a Sagrada Escritura, e que se julga um grande poliglota, deve saber o que significa isto).
Ao negar que o Rock tenha qualquer responsabilidade em crimes de parricídio que se têm repetido, você diz que pessoas loucas ou insanas não são influenciadas nem pela música Rock, nem por filmes, nem pelo que lêem. E completa:  “se fizerem [crimes] a culpa é delas”.
Ora, está provado que a música pode influenciar até os animais, como também os loucos. Portanto, pode influenciar também os roqueiros, embora nem todos os que ouvem Rock sejam loucos. Incoerentemente, de novo, você diz que se pessoas loucas ou insanas praticarem crimes [depois de ouvir Rock], “a culpa é delas”. Incoerente Arthur, se a pessoa é louca ou insana, não tem responsabilidade criminal. Não há tribunal no mundo que declare esse despautério que você defendeu.

Respondo, finalmente, aos ciscos de seus vômitos “argumentativos”.
Você me acusa de ser ignorante por não ter ido à Jamaica e por não conhecer o dialeto “rasta”, que eu nem sequer sabia que existia, eu o confesso. Veja que ignorância a minha.
Acusa-me ainda de não traduzir corretamente a palavra “wonder”. Aconselha-me a usar dicionário, e para poupar-me o tempo garante que Wonder significa: “ficar pensativo” e não “desejoso de saber”, como eu traduzi.
Pois ainda que você tivesse razão nisso, não ficaria invalidado que eu afirmei da canção Stairway to Heaven. Entretanto, segui seu conselho e fui consultar o pai dos burros ingleses, que você parece conhecer tão bem. Ora, o que encontrei lá, no primeiro velho Dicionário que achei à mão, e no verbete wonder?
Veja o que li nesse Dicionário Inglês-Português, Português-Inglês de Oswaldo Serpa, 6ª edição, da Fundação Nacional de Material Escolar, Ministério da Educação e da Cultura, Rio de janeiro,1957.

Wonder: s. ter curiosidade; desejar saber; espantar-se; assombrar-se; admirar-se; surpreender-se; maravilhar-se; perguntar a si mesmo. s. admiração, enleio, espanto, assombro, portento, prodígio, milagre, maravilha, mistério, enigma. “for a wonder”, excepcional, por acaso, por um milagre,. “in a wonder”, maravilhado; espantado. “no wonder”, não há que estranhar, não é de admirar, não admira.”

Um amigo meu, professor de inglês, me explicou, que, por exemplo, na frase, “I wonder what that man is doing over there”, wonder significa exatamente “eu gostaria de saber etc”.
E a palavra anthem, no mesmo dicionário, recebe os seguintes significados: antífona, canção, cântico, hino”.
A tradução original do termo anthem é exatamente antífona, embora possa ser traduzido por hino também, mas dada a alusão religiosa típica do rock satânico, é melhor traduzir anthem por antífona. E ainda que não fosse assim, nada mudaria na questão de fundo: o Rock é satânico, ainda que você estrebuche como um diabo, ou como um führerzinho universitário, como menino mimado e embalado ao som do rock, desde os dez aninhos.
E chega deste cisco argumentativo.
Aliás, já que você se peja de conhecer tanto o inglês do Rock e até o famoso dialeto “rasta”, aconselho-o a que comece estudar português, já que você se engana, por vezes, em matéria de concordância verbal. Por exemplo, você escreveu:
“A GRANDE MAIORIA das bandas de Rock e Heavy Metal NÃO SÃO satanistas”. (O destaque é meu. A besteira é sua).
Ora, o sujeito da frase está no singular, e você colocou o verbo no plural.
E, mais importante, você mesmo aí reconhece que há bandas de Rock satanistas, como já expliquei.

E chega !
Você já está devida e merecidamente posto em seu lugar.
Só me resta dizer-lhe do que fiquei desconfiado a respeito de seu cérebro inteiro: é que o seu, apesar de usá-lo inteiro, pareceria ser um cérebro socialisticamente jumental. Mas é claro que não é. Só fica com essa aparência em razão do ódio que o cega.
Repito que lamento ter sido obrigado a escrever-lhe no tom que você escolheu. Mas, foi você que escolheu o tacape. Fui constrangido a usar a mesma arma. Azar seu !
Muito divertido por seus despautérios, mas sem nenhum prazer por tê-lo conhecido, despeço-me esperando não encontrá-lo nunca mais. Especialmente no lugar para onde temo que você vá mas espero que não vá, para ouvir Rock eternamente, nas trevas, com o príncipe delas.
Estrebuche.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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