Montfort Associação Cultural

29 de fevereiro de 2008

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Rock e Revolução: um debate construtivo (Parte II: arte e moral, censura e formas de governo)

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Bruno C. S.
  • Localizaçao: – Brasil

Caro prof. Dr. Orlando Fedeli,

Venho atraves deste email citar alguns trechos interessantes que encontrei no seu artigo “Rock e Revolucao”. Gostaria de deixar claro que respeito sua opiniao politica, religiosa e musical, mas acredito ser interessante lhe apresentar algumas pequenas criticas construtivas a ideias presentes no seu artigo. Para facilitar nosso “debate” eletronico pediria encarecidamente que o sr. comentasse trecho por trecho, e nao todas as partes que eu citei como um todo, pois assim poderei entender mais claramente sua importante opiniao, assim como esclarecer algumas duvidas sobre o seu raciocinio. Os trechos que eu selecionei e comentei estao separados sempre por tres sinais de hifen (—). Se sua argumentacao for feita individualmente a cada um deles poderemos debater com muito mais clareza o texto. Se for facilitar para o sr., dependendo do software de email que o sr. utiliza, uma opcao como Include Original Message in Reply poderah facilitar a organizacao de seus argumentos na resposta. Desculpe-me desde jah por nao poder utilizar a acentuacao correta neste email (subtituirei, como eh de praxe na internet, o acento agudo pela letra “h” no final das palavras). Espero que isso nao dificulte demasiadamente sua leitura.

Aih vao os trechos do artigo e meus comentarios, respectivamente..


“Por isso, conclui Platão, não se deveria permitir que os artistas exibam “as formas do vício, da intemperança, da vileza ou da indecência, na escultura, na edificação e nas outras artes
criadoras…” “

Essa eh uma afirmacao altamente nao-democratica, pois propoe a censura de artistas baseado no tipo de arte que produzem; alem disso, a maior parte das pessoas que de um modo ou outro revolucionaram o mundo da arte, inclusive muitos musicos classicos, nao foram reconhecidos como “adequados” na sua epoca.


“Por isso, os pais liberais permitem que os filhos tudo ouçam, sem qualquer restrição. Ora, à força de tudo ouvir, acaba-se por tudo aceitar, à força de tudo aceitar, acaba-se por tudo aprovar”. (in Walter Matt, op. cit., pag. 22-23, nota 17 do tradutor, parodiando palavras de Santo Agostinho).”

Essa afirmacao nao eh valida, e sua falsidade pode ser provada usando-se Logica Proposicional. Se eu permito uma coisa especifica (ouvir qualquer tipo de musica), nao podemos deduzir que isso implica eu permitir e aprovar QUALQUER COISA. Se isso fosse verdade, o fato de “eu” permitir que o sr. ouca musica militar automaticamente faria com que eu aceitasse e aprovasse todas suas opinioes, o que obviamente nao eh verdadeiro.


“Ora, todo símbolo, embora objetivo, é ambíguo”

Isso inclui as letras de rock que o sr. considera satanicas; se elas tambem sao simbolos, e tambem sao ambiguas, podem muito bem ser satanicas somente a partir do seu ponto de vista, e nada garante que ele seja verdadeiro.


Dois trechos que se contradizem:
“A música é, pois, a mais subjetiva das artes”
“O belo dependeria do gosto de cada um e, por isso, algo poderia ser, ao mesmo tempo, belo e feio. É belo para um, é feio para outro.
Evidentemente essas loucuras contrariam tudo o que a filosofia e o bom senso afirmam” (criticando o liberalismo e afirmando a objetividade no julgamente de beleza)

No 1o trecho o sr. concorda com o fato da musica ser a mais subjetiva das artes. No 2o o sr., ao criticar o liberalismo, afirma que a beleza (inclusiva, pois, da musica), nao eh algo relativo e nao depende do gosto de cada um, sendo algo objetivo assim como “uma proporcao matematica”. Logo, a interpretacao da beleza musical nao pode ser ao mesmo tempo subjetiva e objetiva.


“Foram os gregos os primeiros a demonstrar que a beleza material é matemática, pois depende de medidas proporcionais. Uma coisa é materialmente bela quando suas várias medidas formam uma proporção a/b=c/d.”

Em 1o lugar, acredito que a beleza musical nao pode ser julgada como algo material, e sim como algo subjetivo. Entretanto, se o sr. acreditar que a beleza musical, como os gregos provavelmente pensavam, eh algo material, por favor prove matematicamente que o rock nao eh uma musica bela (visto que, sendo material, pode-se ter uma proporcao associada a ele)


“Quando alguém afirma – como no caso do Rock – que aprecia uma canção mas que não dá importância a letra, até mesmo porque não a entende, a pessoa não fica eximida dos efeitos das idéias expressas pela letra da canção”

Se isso fosse verdade eu, ao ouvir uma musica cantada em alemao, lingua da qual nao conheco nada, serei influenciado pela letra. Isso nao faz sentido, pois nada em mim permite fisica ou psicologicamente que eu compreenda o alemao sem nunca te-lo estudado. De mesmo modo, eu gostaria de lhe apresentar a minha mais recente musica, com cifra inclusive, caso o senhor queira toca-la. Por razoes pessoais quis escrever a letra em binario, mas de acordo com o seu raciocionio o sr. serah influenciado de qualquer maneira. Gostaria depois que o sr. me descrevesse de que modo essa cancao foi capaz de influencia-lo.

0100100101001 (por Bruno Castro)
F#5 C#5 G#5
10100100100101
G5 Dm5 F(7b)5
010010010? 100101…
F#5 C#5 (solo)
001010100101


“Assim também quem escuta o Rock apenas pela “melodia” ou pelo ritmo, acaba tendo sua mentalidade transformada, e, sem ter entendido ou aprovado as letras das canções de Rock, acaba tendo exatamente as idéias que elas expressam”

Isso significa que eu poderia escrever um rock cuja letra eh formada por palavras randomicamente retiradas do dicionario e organizadas em estruturas gramaticamente aceitaveis (sujeito, verbo, predicado, etc..) e, ainda assim, meus ouvintes seriam influenciados e acabariam por absorver minhas ideias aleatorias e provavelmente sem sentido.
Obviamente isso nao eh verdade.


“Uma canção triste tem que ter uma letra triste”

Segundo o sr., pois nada me impede de utilizar um poema melancolico de Casimiro de Abreu e canta-lo ao som do instrumental do Sepultura. A letra de uma musica pode ser independente de seu instrumental.


“Por isso uma música rebelde tornará o jovem rebelde, ainda que ele não compreenda que a letra da canção mande que ele se revolte contra os pais, professores e autoridades”

Se o jovem for bastante influenciavel talvez, mas isso nao eh regra e, mesmo que fosse, o fato poderia ser encontrado em todos os estilos musicais, artisticos e religiosos. Eu ouco varias musicas que o sr. considera “rebeldes” e tenho um otimo relacionamento com meus pais e com todos aqueles com quem convivo.


“No século XX – como nos hospícios – cada um é livre de pensar o que quiser de si, dos outros e de tudo. Pode achar que é Napoleão, que o sol é escuro, que o fogo não queima, que a verdade não existe, ou que o Rock é belo”

Ainda bem que somos todos livres para pensar o que quisermos, pois senao eu poderia querer censurar os seus textos por nao concordar com suas ideias, e, se nao fossemos livres para termos as ideias que queremos, nao poderiamos estar tendo essa agradavel discussao construtiva.


“Sara Davidson confessa: “A sexualidade, eis o fundo da língua e da gíria do Rock”. ( idem, op. cit. pag. 16)”

Ateh onde eu sei a sexualidade eh algo natural, e, se pregada pelo rock, nao faz com que ele seja satanico. Consulte o dicionario (do mesmo modo que fez para explicar o sentido de “Wonder”, na musica Stairway to Heaven): “sexualidade eh o conjunto de fenomenos da vida sexual”. Se os seus pais nao tivessem tido uma vida sexual, se nao tivesse feito sexo em algum momento, o sr. nao estaria aqui, nessa agradavel discussao. Alem disso, a sexualidade eh tratada em livros de biologia e medicina, e nem por isso faz desses topicos de estudo algo satanico ou ligados ao rock.


“De fato, o que se vê nos festivais e concertos de Rock é um espetáculo orgiástico, com atos sexuais e libidinosos, nudismo, frenesi, taras, tudo explícita e cinicamente praticado em público”

Acredito que o sr. nunca foi em um concerto de rock. Eu ja fui em varios (inclusive alguns com mais de 40.000 pessoas), de varios estilos de rock e, sinceramente, nunca presenciei atos sexuais e libidinosos (talvez namorados se beijando?) nem nudismo. O sr. provavelmente se refere a alguns concertos isolados, mas atos “libidinosos” podem ocorrer em qualquer lugar.


“As letras das canções de Rock são cinicamente pornográficas. Nelas se encontram palavrões brutais, imagens obscenas, incitamento ao pecado” “Não só se excita ao sexo, mas se prega descaradamente o uso de tóxicos.

Essa generalizacao nao eh verdadeira. Eu posso citar centenas de musicas de rock que nao sao em nenhum sentido pornograficas ou contem “palavroes brutais, imagens obscenas, incitamento ao pecado”, assim como letras de grupos de rock que nao tem nenhuma ligacao com o uso de toxicos


“Por isso ele se constitui numa verdadeira ação revolucionária que alcançou um efeito mais profundo do que o de qualquer ideologia totalitária, do nazismo ao comunismo”

O sr., como Doutor em Historia, deveria saber que o comunismo nao eh uma ideologia totalitaria; leia marx com mais atencao.


“Políticos do erotismo, arautos da desordem e do caos, propugnadores da ação sem qualquer sentido. Rebeldes contra a sabedoria e a lei. Apóstolos da irracionalidade e do desespero. Tais se confessam os líderes do movimento Rock”

Mais uma generalizacao invalida. Eu faco parte de duas bandas de rock e nao me confesso “politico do erotismo, arauto da desordem e dos caos”, etc…. Justamente pelo contrario.


“Ela quer a libertação de todas as leis, regulamentos e normas sociais. Ela se impõe à sociedade liberal, querendo que ela se torne libertária. Ela exige o permissivismo. Contra tudo o que é refinado e aristocrático, ela ostenta a preferência pelo que é sujo, prosaico, baixo, vulgar ou grosseiro. Ela faz apanágio da obcenidade e da depravação. Radicalmente imoral, exige a liberação das drogas, além de sexo livre e público”

Mais uma vez o sr., atraves de adjetivos como “sujo, vulgar, grosseiro, obsceno e imoral” generalizou as caracteristicas de um genero musical. Caso o sr. nunca tenha estuda Logica Proposicional, ou nao esteja acompanhando meu raciocionio, para que possamos dizer que toda uma classe (no caso o rock) possua certo atributo, eh necessario provar que suas instancias (bandas de rock) tambem o possuem. Atraves de uma simples cancao (Jornais, do grupo Nenhum de Nos) e apresento a contra-prova a sua afirmacao.


Quantos pais democratas liberais permitem que seus filhos ouçam as canções dos Beatles, porque “elas não tem nada demais”! Entretanto, espantar-se-iam eles, se atentassem para o que diz a letra da canção “Only People” : “Somente o povo sabe como falar com o povo. Somente o povo sabe como mudar o mundo. Somente o povo percebe o poder do povo. Um milhão de cabeças é melhor do que uma Então vamos, participe.”

O sr. nao concorda com o que a cancao diz, que o povo deve governar, que devemos saber a opiniao de todos, ao inves de termos o poder centralizado em um unico grupo totalitario?


“Nós vemos o sexo, o Rock”n Roll e a droga, como fazendo parte de uma conspiração comunista para conquistar a América… Nós combinamos a juventude, a música, o sexo, as drogas e a revolta, tudo isto fazemos coincidir com a traição, de modo a formar um todo coerente, uma frente inexpugnável”. (Apud. Mons. R. Williamson, revista Semper no. 2, pag. 23)

Essa citacao possui alguns problemas logicos. Primeiramente, Williamson coloca a revolucao comunista ligada ao rock, o que o sr. jah havia dito nao ser verdade (“o Rock é sintoma e espelho da mentalidade que nasceu do liberalismo”). Liberalismo (politico) e comunismo nao sao compativeis. Alem disso, Williamson fala sobre “musica” e “sexo” como fatores de traicao. Bom, se ele acredita que a “musica” faz parte de uma conspiracao comunista, entao talvez os padres e suas cancoes religiosas sejam comunistas. E se ele acredita que o “sexo” tambem faz parte dessa conspiracao comunista e “traidora”, entao talvez devessemos parar de faze-lo e comprovarmos na pratica que isso nao seria bom para a continuidade da existencia da humanidade.


“Na escola (prisão), subvertem toda a ordem, desacatando professores e diretores” (sobre os roqueiros)

Eu sou um roqueiro e nao desacato professores nem considero a escola uma prisao. Se o sr. duvida posso pedir que o sr. consulte meus professores e indague sobre meu comportamento, ou eu posso remeter o meu historico escolar do ensino secundario e superior para que o sr. aponte onde estao minhas atitudes subversivas.


“Primeiramente, ainda que considerando tudo o mais, quanto mais o movimento ultrapassa em velocidade o ritmo do pulso e sobe além do ordinário, mais também se acresce a tensão emotiva”. (W. Matt, op. cit., pag. 5)

Poucas sao as musicas, inclusive as classicas, cujo movimento nao ultrapassa a velocidade e o ritmo do pulso, inclusive algumas tem a mesma velocidade de varias cancoes de rock. Isso nao as torna musicas melhores ou piores.


“Além disso, o “beat”, estimulando a secreção do hormônio epinefrina, faz diminuir no sangue o cálcio de grande importância para dirigir os sistema nervoso, e o açúcar, único alimento do cérebro. Daí os nervos ficarem esgotados e o cérebro desarranjado, após um concerto de Rock” (Mons. R. Willianson, op. cit., pag. 28-29)

Gostaria de fontes mais confiaveis sobre esse fato, talvez de revistas medico/cientificas, e nao um monsenhor. Nunca ouvi falar, e consultei diversos amigos medicos, que o “beat” de uma musica possa diminuir o nivel de calcio e acucar no sangue. Isso implicaria que eu, ao ouvir rock por muito tempo, eventualmente poderia ter problemas osseos e talvez ateh sequelas cerebrais (pela falta de glicose)? Nao conheco nenhum caso que comprove essa citacao.


“O padre Regimbal afirma que o “beat” pode produzir uma aceleração da pulsação cardíaca e um aumento da taxa de adrenalina; ele pode provocar não só um bem estar sexual, mas também uma excitação que pode ir até o orgasmo”

Ouco rock e conheco dezenas de pessoas que tambem ouvem. Nenhuma teve orgasmos ouvindo rock. O padre Regimbal talvez possa nos explicar sua citacao contando sua estranha experiencia com o rock e orgasmos.


“Impulsos irrestíveis de destruição e vandalismo” (sobre uma das consequencias do rock)

Costumo ouvir rock em casa, assim como varios amigos e pessoas do pais inteiro, eu nao tenho “impulsos de destruicao”; caso o sr. queira comprovar que eu nao sou um vandalo pode visitar minha casa, onde sera bem recebido.


“Em suma, os efeitos fisiológicos e psicológicos do ritmo do Rock levam os jovens, como é de conhecimento público, a atitudes imorais que os cantores de Rock preconizam pelas letras de suas canções e pelos exemplos de suas vidas, tais como: – Perversões sexuais e pornografia – Uso de droga – Revolta contra toda lei, contra toda autoridade – Violência – Suicídio – Crime e parricídio”
Mais uma vez o sr. generaliza algumas cancoes especificas e culpa o rock.


“Num disco do grupo Iron Maiden, há uma pequena faixa com poucos sulcos gravados. Tocado em sentido normal, ouvem-se sons sem sentido, como de algo que foi gravado ao contrário. Invertendo-se o sentido do disco ouvem-se nitidamente palavras estranhas, numa língua que desconhecemos”

O grupo Iron Maiden varias vezes gravava citacoes biblicas em ingles arcaico ou em dialeto rasta. O fato do sr. nao conhecer ou dominar as linguas nao as define como “desconhecidas” nem torna seu conteudo satanico, principalmente se o conteudo tiver sido retirado da biblia!


“Os Beatles, por exemplo, a princípio um grupo apresentado pela imprensa como simpaticamente jovem e inocente, na verdade, difundia o ateísmo”

Acredito que eh possivel ser ateu e ao mesmo tempo jovem e inocente. O fato de alguem nao possuir as mesmas inclinacoes religiosas que o sr. nao implica esse alguem nao ser “inocente”. Como o sr. nao pode provar que Deus existe (por meios cientificos ou matematicos), nao pode criticar quem nao acredita Nele. A discussao da qualidade do rock nao precisa incluir questoes religiosas, simplesmente porque elas nao podem ser debatidas cientificamente, jah que pregam varias “verdades absolutas”.


“A música Rock é anti-católica”

Posso citar varios grupos catolicos que escrevem rock e cujas letras nao sao nem um pouco satanicas. Se o sr. estiver interessado posso remeter uma pequena lista com as bandas de integrantes catolicos mais conhecidas.


“E esse cantor comunista e drogado fez jovens batizados cantarem seus verso ímpios”

O sr. une o adjetivo “comunista” ao “drogado”, como se um implicasse outro ou como se o primeiro pudesse ser usado de modo depreciativo.
Isso indicaria um grande desrespeito pela opiniao politica dos outros, mas acredito que o sr. nao seria capaz de desrespeitar a opiniao alheia, mesmo que nao concorde com ela, nao eh mesmo?


“A música com que se os canta é bruta e vulgar: gritos sincopados sem qualquer valor artístico”

O seu conceito de “falta de valor artistico”, alem de tratar de um tema bastante subjetivo, eh altamente preconceituoso. Musicas como “Unfinished Allegro”, da banda Angra, assim como “La Villa Strangiato”, do Rush, sao musicas com instumental altamente desenvolvido, como o sr. podera confirmar consultando professores de teoria teorial e mesmo de musica classica.


“Exemplo dessa mentalidade tendente à gnose se tem, por exemplo, na canção “Cobaias de Deus”, de um cantor que se vangloriava de seu homossexualismo (Cazuza)”

Espero que o sr. seja inteligente o suficiente para nao discriminar alguem por sua escolha sexual; acredito que ninguem tem o direito de criticar o modo como outra pessoa exprime o seu modo de amar. Caso o sr. acredite que isso estah relacionado com o rock, ou possa ser incitado por ele, por favor leia o artigo “Atracao entre iguais”, na Superinteressante de agosto de 1999. Ele relata que o homossexualismo nao eh exclusivo dos homens, e estah presente em 450 especies animais.
Existem girafas homossexuais; duvido bastante que o sr. possa me apontar uma girafas roqueiras ou satanicas; as girafas sao movidas por instinto animal e nao possuem nenhuma forma de raciocionio religioso ou filosofico, portanto duvido bastante que Deus tenha criado propositalmente animais cuja “escolha sexual” seja errada ou pecaminosa.


“Rock nos parece então um gênero musical intrinsicamente mau. Não é possível aceitá-lo. A Igreja teve censuras graves contra outros ritmos modernos como valsa e o tango”

Nao eh possivel aceita-lo? E porque a Igreja teria o poder de censurar um ritmo e declara-lo “intrinsicamente mau”? O sr. acredita que a valsa seja algo malefico ou que pregue o uso de toxicos e o suicidio, como o sr. afirma que o rock faz? Minha avo ouve valsa, e, sinceramente, acho que ela nao eh satanica, drogada ou suicida.


Agradeco desde jah sua resposta e seus comentarios, Dr. Fedeli.
Abracos,

Bruno C. S.

Prezado Bruno,

Seja louvado Nosso Senhor Jesus Cristo.


     Começo a responder suas críticas construtivas. A primeira trata de Platão e da censura de obras artísticas.
     O texto meu que você critica em primeiro lugar é o seguinte:

“Por isso, conclui Platão, não se deveria permitir que os artistas exibam “as formas do vício, da intemperança, da vileza ou da indecência, na escultura, na edificação e nas outras artes criadoras…” “


     Contra ele, você me diz:

“Essa é uma afirmação altamente não-democrática, pois propõe a censura de artistas baseado no tipo de arte que produzem; além disso, a maior parte das pessoas que de um modo ou outro revolucionaram o mundo da arte, inclusive muitos músicos clássicos, não foram reconhecidos como “adequados” na sua época.”

     A essência de sua crítica está no fato de que você não admite a censura de obras de arte, censura que seria “altamente não democrática”.
     Ora, você faz aí uma confusão de problemas, ao misturar a censura – ato de ordem moral – com uma forma de governo – a democracia. Essa confusão demonstra que, para você – como para a maioria das pessoas de hoje – só é democrática a forma de governo que admitir uma liberdade absoluta em todos os campos, inclusive a arte.
     Segundo Aristóteles e São Tomás, há três formas de governo possíveis e legítimas:
     O governo de uma só pessoa, ou MONARQUIA;
     O governo de um grupo de pessoas (desde duas até todas menos uma), ou ARISTOCRACIA;
     O governo de todos, ou DEMOCRACIA.
     Cada uma dessa formas de governo pode se corromper quando, em vez de buscar o bem comum, os governantes procuram o bem particular.
     Quando isso se dá, surgem três formas corruptas: a tirania (corrupção do governo de um só); a oligarquia (governo corrupto de um grupo); e a demagogia (governo corrupto de todos).
     ”Não democrático” é o que recusa a legitimidade do governo de todos, e não quem admite a necessidade da censura.
     Como a democracia moderna, oriunda do liberalismo da Revolução Francesa, admite uma liberdade total, você, por viver em uma sociedade que só admite esse tipo de democracia, confunde a forma de governo com a inexistência de censura.
     A democracia liberal não é o único tipo de democracia. Houve outros tipos de democracia na História, bem diferentes da democracia liberal moderna. Por exemplo, a democracia grega, ou as democracias das cidades medievais.
     O que você defende é a completa ausência de censura em matéria de arte. Isso é liberalismo, e não democracia.
     Você entende bem que a posição pessoal de Platão era anti-democrática, como ele o declara no diálogo “República”.
(Você já leu esse diálogo? É muito interessante. Tanto a crítica da democracia na Grécia antiga, quanto a relação que ele faz entre a democracia igualitária e a tirania, parecem escritas para hoje).
     Dizia eu que a posição de Platão era pela censura porque, como está no meu texto, ele concebia a arte como devendo servir a moralidade pública, coisa que você não parece admitir.
     Platão propunha que a censura artística fosse feita pelos que ele chamava de guardiães da Sociedade, isto é, pelo Estado. Ora — nisto devemos concordar – dar ao Estado o direito de julgar, em última instância, as obras de arte, ou, mais ainda, de decidir o que é moral ou não, significa entregar ao Estado um poder que o tornará totalitário. Como todos os atos humanos podem ser julgados pela moral, ao Estado caberia um poder total.
     Foi exatamente por essa razão que Karl Popper, um filósofo insuspeito para os liberais modernos, criticou a teoria política de Platão como totalitária em seu livro “A Sociedade Aberta e seus Inimigos”.
     Para Platão, ou se dava ao Estado esse direito de censura total, ou se cairia na anarquia, todos podendo fazer qualquer coisa.
Para Rousseau, um dos pais da democracia liberal, ocorreria o mesmo dilema: ou se dava liberdade total, ou se cairia na tirania.
     A democracia liberal moderna, proveniente das idéias de Rousseau, se debate há duzentos anos entre estas duas pontas do dilema, em que você também cai: aceitar qualquer censura é antidemocrático. Ou liberdade total, ou tirania (cujo nome atual é ditadura).
     Repare que desde a Revolução Francesa o mundo tem se deslocado continuamente, num movimento pendular, entre democracia liberal e ditaduras.
     Já na Revolução Francesa isso ocorreu; a uma fase de anarquia com revoluções, golpes e motins quase que diários, sucedeu o terror institucionalizado como método de governo.
     Em nossa época, Hitler, assim como Stalin, Lenin, Mao, Mussolini e Fidel, pretenderam ser os intérpretes da vontade popular, apoiados em plebiscitos.
     E é tão fácil levar o povo a querer o que os políticos querem…
     O democrático Danton dizia que “o povo é um rebanho, que, com bons cães é levado para onde se quer”. Danton falava em cães porque ainda não existia a televisão, e por cães ele entendia – e declarava! — bandidos a soldo.
Platão e a Democracia liberal moderna caem ou na anarquia ou na tirania, porque pretendem ou negar a legitimidade da censura, ou entregá-la ao Estado, quando a guardiã da Moral deveria ser a Igreja, que não anula os direitos do Estado em sua esfera própria.
     Em minha primeira resposta a você critiquei sua excessiva liberdade quando trata de questões sexuais e lhe disse que você, normalmente polido, peca nessa questão, por falta de “auto-censura”.
     Sem auto-censura é impossível o convívio civilizado.
     À medida que vou escrevendo, estou continuamente me auto-censurando, a fim de não faltar-lhe com o respeito, querendo agir com civilidade.
     Civilidade é qualidade própria de quem vive na civilização. O contrário é a barbárie, que se vê, normalmente, nos grupos de Rock. (digo normalmente porque você me garante ser roqueiro civilizado. O que é uma exceção bem rara).
     Assim como individualmente se deve ter auto-censura, a sociedade também deve tê-la, sob pena de cair na anarquia, estado do qual não estamos tão longe. Veja a criminalidade como vai solta, e como as CPIs têm indicado que o crime organizado vem atingido as esferas do Estado.
     Uma sociedade sem censura é uma sociedade sem consciência. Razão tinha então Pio XII ao dizer que “o mundo moderno perdeu a consciência do pecado”.
     Em cada homem, a auto-censura é exercida pela consciência.
     A consciência da sociedade civilizada ocidental, queiram ou não os homens de hoje, é a Igreja Católica, posta por Cristo como guardiã da Verdade e do Bem, enquanto nas sociedades pagãs, que não conhecem a Igreja, a guardiã da ordem é a Lei Natural.
     O conceito liberal de liberdade absoluta é uma quimera.
Liberdade é uma palavra equívoca. Nesse termo cabem quer a liberdade física, de ir e vir, quer a liberdade psicológica ou livre arbítrio, quer a liberdade moral.
     Quando os liberais tratam da liberdade nas atividades sociais, eles estão falando da liberdade moral, que é a capacidade do ser racional de escolher, entre vários meios, um, que leve a um fim desejado. (cfr. Leão XIII, encíclica Libertas Praestantissimum, sobre a liberdade humana).
     Assim, se um rapaz quer se formar em curso superior, ele tem liberdade de escolher qualquer Faculdade. Mas ao escolher ser engenheiro, ele limitou sua liberdade: já não pode escolher qualquer faculdade para estudar. Sua escolha ficou limitada às escolas de Engenharia. E se decidir ser engenheiro químico, ele limita ainda mais sua escolha. Quanto mais preciso é o fim, menor é a amplitude da liberdade. Não há, pois, nunca, liberdade absoluta.
     Dou-lhe outro exemplo, abusando de sua paciência.
     Se quero ir ao Rio, tenho liberdade de escolha de qualquer caminho e veículo que me leve até lá. Tenho porém a possibilidade de tomar um ônibus para Curitiba.
     Mas, nesse caso, não chegarei ao Rio. Minha escolha tirou-me a liberdade de escolher o ônibus para Curitiba.
     O fim último do homem é Deus, Verdade, Bondade e Beleza absolutas. Temos direito de escolher qualquer caminho (modo de vida honesto) que leve a Ele, mas não temos o direito de escolher um caminho que afaste dEle.
     Os caminhos que afastam dEle são três: o erro em doutrina, o pecado e falsa mística. Essas são as três portas do inferno, que Cristo prometeu que não prevaleceriam contra a Igreja.
     Você me perguntará: e a Beleza, onde fica nesse esquema?
     São Tomás definiu a Beleza como o bem claramente conhecido. Toda beleza é um bem, que, enquanto conhecido claramente, é também uma verdade. Só é realmente belo o que resulta da verdade unida ao bem.
     Portanto, toda arte que não atenda à Moral e à verdade não pode ser tida como realmente bela, no pleno sentido do termo.
(Já estou esperando a enxurrada de citações de Gênios artísticos com que você me objetará. Só lamento que você não tenha sido meu aluno de História da arte).
     Portanto, Platão estava certo em querer a censura para as obras de arte que propagassem o vício. O erro dele era o de confiar, como pagão, toda a autoridade ao Estado, tendo-se tornado, com isso, um dos pais do totalitarismo, como mostra Karl Popper.
     O homem não tem liberdade absoluta. Ela é tão impossível como a tolerância absoluta que você parece preconizar. Mas todo defensor da tolerância absoluta não tolera qualquer intolerância. Logo, não é possível uma tolerância absoluta.
     Ela é contraditória, em si.
     Essa é a doutrina exposta e adotada pela Igreja, em muitas encíclicas papais.
     Não se trata então de minha opinião, que não tem nenhuma importância, mas da verdade católica.
     A liberdade absoluta exigida pelo liberalismo produziu o romantismo, na arte e o capitalismo na economia, separando arte e economia da Moral.
     Curioso é que os defensores do romantismo – e às vezes do rock, como no seu caso – em geral condenam o amoralismo do capitalismo liberal, que separa a economia (o lucro) de qualquer consideração moral. Mas não admitem que a arte seja submetida às leis morais. O capitalismo, para eles, é imoral, mas a arte pode bem ser separada da moral, e deve ser separada de toda consideração moral, para ser totalmente livre.
     Contradições liberais e artísticas.
     Não julgue também que, por defender a censura, seja eu totalitário. Longe de mim tal crime. Para comprovar minha posição anti-totalitária, basta que você veja, em nosso site, a violenta polêmica que travei recentemente contra o nazismo (cfr. Carta Anti Nazista, site da Montfort).
     Também não pense que considero qualquer forma de governo a salvadora dos males do mundo e da crise atual. Essa crise é religiosa e moral. A melhor solução política seria inócua contra males provenientes da moral e da atitude de nossa época face a Deus e à religião.
     Você se engana ainda quando diz que se propõe “a censura de artistas baseado no tipo de arte que produzem”.
     Não é isso o que diz Platão. Ele propõe a censura das obras de arte imorais, e considera que certos tipos de música são, de si, incentivadores de vícios. No que ele tem toda a razão (mas não, repito, em entregar a censura ao Estado).
     Também fica entrevisto, pelo que você diz, que para você a arte não tem fins religiosos ou políticos. É um erro comum em todo liberal.
     Pois veja você o que escreveu um pensador e literato insuspeito – prêmio Nobel – a esse respeito:

“Monnerot comparou a história da poesia moderna com a das seitas gnósticas e com a dos adeptos da tradição oculta. Isto é verdade nos dois sentidos. É inegável a influência do gnosticismo e da filosofia hermética em poetas como Nerval, Hugo, Malarmé, para não falar de poetas deste século: Yeats, George, Rilke, Breton.
Por outro lado, cada poeta cria em torno de si, pequenos círculos de iniciados, de modo que, sem exagero, pode-se falar de uma sociedade secreta da poesia. A Influência desses grupos tem sido imensa e logrou transformar a sensibilidade de nossa época. Desse ponto de vista não é falso afirmar que a poesia moderna encarnou-se na história, não à plena luz, mas como um mistério noturno e um rio clandestino. Uma atmosfera de conspiração e de cerimônia rodeia o culto da poesia”
(Octávio Paz, Signos em Rotação, Ed Perspectiva, Sãp Paulo 1996, pg. 84).


     A influência desses grupos tem sido imensa e logrou transformar a sensibilidade de nossa época. Exceto a sua sensibilidade, não é, Bruno? Aderindo ao Rock e à sua mentalidade, você permanece imune às suas influências maléficas, garante-me você, com seu currículo escolar à mão e o testemunho de seus parentes, que, respeitosamente, devo levar em conta. Pena que Platão não conheceu o seu caso excepcional. E será que a sensibilidade rockeira não foi resultante de uma conspiração também? Ou não estará, também ela, incluída nessa conspiração delatada por Octávio Paz?
     E o que Octávio Paz diz da poesia moderna, pode-se dizer de toda a arte moderna.
     Leia, por exemplo o que diz Aniela Jaffé sobre o espírito anti-cristão da Arte Moderna, para compreender que na Arte Moderna há um espírito demoníaco. É ela quem o diz:

“A arte se tornara em misticismo. O espírito em cujo mistério a arte [moderna, inclusive a música] estava submersa era um espírito terrestre, aquele a que os alquimistas medievais chamavam Mercúrio. Mercúrio é o símbolo do espírito que estes artistas pressentiam ou buscavam por trás da natureza e das coisas, “por trás da natureza”. O seu misticismo não era cristão, pois o espírito de Mercúrio é estranho ao espírito “celeste”. Na verdade era o velho e tenebroso adversário do cristianismo que maquinava seu caminho arte adentro. Começamos a ver aqui a verdadeira significação da “arte moderna”.
(in Karl Jung, O Homem e seus símbolos”, Aniela Jaffé, O simbolismo nas artes plásticas, ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro, ed. original de 1964, pgs. 261 -262).

     Mais adiante essa autora – que não é católica, mas sim difusora do culto de Jung – diz mais explicitamente ainda:

“Como já observamos, os alquimistas personificaram este espírito como o “espírito de Mercúrio” e chamavam-no muito adequadamente, Mercurius duplex (o Mercúrio de duas caras, dual). Na linguagem religiosa do cristianismo, chama-lhe diabo”
(Anelia Jaffé op. cit. p. 267).

     Esse espírito, que domina a arte moderna, é expressamente confessado como gnóstico e anti-católico por um escritor de grande talento, mas gnóstico, Fernando Pessoa, que escreveu de si mesmo: 

“Cristão gnóstico, e portanto inteiramente oposto a todas as igrejas organizadas, e sobretudo à Igreja de Roma, fiel à tradição secreta do Cristianismo, que tem íntimas relações com a tradição secreta em Israel! (A santa Kabbalah) e com a essência oculta da maçonaria” (Fernando Pessoa, Das origens e essência da Maçonaria, ed. Princípio, Porto, 1993, pp. 19).


     É claro que a música — como todas as artes — , estando envolvida na mesma cosmovisão de uma escola, tem as mesmas características e finalidades da escola a que ela pertence.
     Se você tiver oportunidade, consulte o livro de G. Gusdorff sobre o romantismo, e verá como esse autor, autoridade no assunto, confessa e prova que o romantismo foi um renascer da Gnose (G. Gusdorff, Le Romantisme, Payot, Paris, I vol. p, 512).
     Leia, se tiver tempo, o que digo sobre as origens gnósticas e esotéricas do romantismo, para compreender que arte não é um fenômeno separado da metafísica, da moral e da religião.
     Lá está demonstrado que o Romantismo é um movimento gnóstico, tal qual André Breton confessa que é também o Surrealismo.
Por isso, não é verdade também o que você diz dos artistas, inclusive músicos, que “não foram reconhecidos como “adequados” na sua época.”
     Boa parte deles – e dos que tinham mais valor – não eram aceitos pela maioria, porque não estavam adequados à Religião comumente aceita, porque eram gnósticos.
     Aliás, você vê, pelo seu exemplo, que você pouco democraticamente considera a maioria errada… Quando a maioria é contrária aos gnósticos, os democráticos não aceitam a vontade da maioria.
     Contradições do liberalismo democrático.
     É claro que o rock tem que ser visto no contexto do mundo atual, que é dominado por um gosto estético imposto por uma conspiração secreta, no dizer de Octávio Paz. E na questão do Rock a propaganda é escancarada, e não mais secreta.
     É claro que, sendo o Rock inserido no contexto da Música e da Arte Moderna, ela tinha que ser movido pelo mesmo espírito de Mercúrio – o diabo – de que fala Anelia Jaffé.
     Ora, muitos músicos de Rock confessam explicitamente seus cultos satânicos.
     Na verdade, o Rock, enquanto tal, é satânico, embora isso não seja explicitado em todas as suas canções.
     Se alguém, como você, garante de si mesmo – e aceito o que você diz de você mesmo, embora testemunho próprio seja sem valor — não segue ou não adere, ou é alheio a esse satanismo, isso só prova ou que você não compreendeu o que de fato é rock – apesar das confissões de rockeiros- ou que, por incoerência ou pouca profundidade, não vai até as últimas conseqüências de seus princípios.
     Você vê, meu caro Bruno, que três linhas de crítica construtiva de sua parte, mas pretensamente “demolidoras” de meu texto, exigem uma longa carta de resposta e explicação. Porque construir é bem mais trabalhoso do que destruir.
     E ademais — você deve ter notado – sou prolixo. É um dos meus mais longos defeitos.
     Em todo o caso, esta longa missiva, se não vai convencê-lo, pelo menos pode nos tornar mais conhecidos e mais próximos. Pelo menos adversários mais próximos.
     Às demais críticas suas, como lhe disse, irei respondendo, à medida que o tempo me permitir, mas sempre com prazer de dialogar com uma pessoa que se revela atenta, inteligente e educada.
     Enquanto isso, subscrevo-me, rogando a Deus que o ajude a compreender,

in Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli.

 

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