Montfort Associação Cultural

31 de março de 2006

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Rock

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Fernando
  • Idade: 26
  • Localizaçao: Mesquita – RJ – Brasil
  • Escolaridade: Superior em andamento
  • Religião: Católica

Li seu artigo sobre o Rock e tenho uma opinião diferente e gostaria de expor.

Sou Ministro da Eucaristia e Ministro de Música, e acho q o Senhor foi um tanto rigoroso ao falar de todo um estilo. Acho q o Sr não conhece as bandas Católicas q tocam Rock com letras Católicas são elas: Eterna, Rosa de Saron, The Flanders entre outras, elas são um testemunho super legal aos Jovens e acho q o Senhor deveria levar em conta isso.

No meu ministério de Música nós tocamos Rock Também e não deixamos de evangelizar por isso.

Espero por sua resposta.

Prezado Fernando,
salve Maria!

Li que você não concordou com meu trabalho sobre o Rock, mas em sua carta não encontrei outro argumento senão que você conhece umas bandas “católicas”, as quais você afirma darem “um testemunho super legal”.

Será que você pode me explicar o que é dar um testemunho ? E mais, o que quer dizer um testemunho “super legal “?

Porque “legal” significa de acordo com a lei, e o rock na igreja é contra a lei de Deus, além de ser contra o bom senso.

Contra meu artigo você deu, então, apenas uma opinião sobre um testemunho “super legal”.

Como argumento, isso é muito pouco, meu caro Fernando.

Gostaria de ponderar-lhe que sempre que surge uma heresia ou um erro doutrinário, surge, logo depois, a semi-heresia ou um semi-erro, que, por sua moderação, atrai os mais fracos. Assim também, ao surgir qualquer coisa má, sempre aparece quem pretenda “cristianizar” esse mal.

Dou-lhe alguns exemplos do que digo.

Quando surgiu o arianismo, nasceu logo o semi-arianismo, que, por ser mais moderado, arrastou muito mais gente para a heresia. Com o jansenismo, nasceu, pior que ele, o semi-jansenismo. Para “cristianizar” o liberalismo, houve quem lançasse o “liberalismo católico”. E os Papas condenaram os dois: o liberalismo e o liberalismo dito católico. Depois do socialismo ateu, alguns tentaram lançar o “socialismo cristão”, que foi condenado pelo Papa Pio XI na encíclica Quadragésimo Anno, mostrando que catolicismo e socialismo são termos antagônicos, e que ninguém pode ser católico e socialista ao mesmo tempo. Essas foram as palavras de Pio XI.

Em coisas práticas, aparece a mesma tendência de salvar o insalvável.

Assim, lá pelo anos de 1940 e 1950, aos cinemas que projetavam películas imorais, se pretendeu opor um cinema paroquial cristão, sadio, que só produziria filmes de valor moral, ou, pelo menos, não tão perigosos. O cinema paroquial só acostumou os católicos a assistirem filmes — naquele tempo não havia TV — e, como na paróquia só passavam os filmes “chatos”, os católicos começaram a ir ao cinema imoral. No final do processo, os cinemas paroquiais passavam os mesmo filmes imorais que qualquer cinema, porque,se não o fizessem, fechavam.

Os bailes imorais se pretendeu combater organizando o baile “paroquial” sob o olhar vigilante — ou cúmplice ? — de seu vigário e de mamãe. Mamãe se cansou de ficar olhando a filhinha dançar valsinhas, e seu vigário tinha mais o que fazer. Depois da valsa, a filhinha recatada aprendeu a dançar tango, rumba, e o que veio depois. Só não acabou na lambada, porque quando surgiu essa última imoralidade, já se haviam acabado os bailes paroquiais “católicos”… e uma das razões de seu fim, é que quase não havia mais católicos.

O mesmo se fez com o carnaval.

Tinha-se o carnaval –e com muitíssima razão — como um divertimento imoral.

Lembro-me quando Dom Helder — fazem agora mais de quarenta anos– deu uma entrevista escandalosa, naquele tempo, dizendo que “Carnaval não é pecado”.

Hoje, escândalo causaria quem dissesse que carnaval é pecado…

Tempora mala sunt!…

O fruto de aceitar o mal pela metade está em aceitar o que é mau. É como aceitar, pela metade, o vírus de uma doença contagiosa e terrível: aceito o vírus, a doença trará, normalmente, a morte.

Agora, você me apresenta a mesma “solução” com relação ao rock. Haveria rock simplesmente não católico — você implicitamente o admite — mas a ele você quer opor um rocquezinho “católico” e cor de rosa de umas bandas que dão “um testemunho super legal”.

Graças a Deus não conheço , nunca ouvi, e não quero ouvir tais bandas que dão um testemunho “super legal”.

Quer você conhecer um testemunho realmente super legal, isto é, de acordo com a doutrina e a lei da Igreja?

Pois dou-lhe o testemunho do Cardeal Ratzinger , sobre o rock, em seu livro “Introdução ao Espírito da Liturgia”. Este é , de fato, um testemunho super legal, porque o Cardeal Ratzinger é, depois do Papa , a maior autoridade na Igreja em matéria doutrinária. Portanto, nada mais legal.

Pois escreveu o Cardeal Ratzinger, sobre o Rock:

“Com relação a isso, música “rock” é expressão de paixões elementares, que nas grandes reuniões de música rock tem assumido caracteres cultuais, isto é, de um contra culto que se opõe ao culto cristão. Ele quer libertar o homem de si mesmo no acontecimento de massa e no “sconvolgimento” na inversão, [em italiano,quer dizer também deturpação] mediante o ritmo, o rumor, e os efeitos luminosos, fazendo precipitar quem nele participa no poder primitivo do Todo, mediante o êxtase da dilaceração dos próprios limites” (Cardeal Joseph Ratzinger, Introduzione allo Spirito della liturgia, San Paolo, Milano, 2.001, p. 144″).

Super legal esse comentário do Cardeal Prefeito para a Doutrina da Fé!

Você me informa que é “Ministro da Eucaristia”, assim como “Ministro de Música” (eu nem sabia que existia esse Ministério musical! Mas entendi, e espero, que você seja Ministro de Música só de sua paróquia, e não do Governo FHC, em Brasília !).

Exercendo você tantos ministérios, creio que lhe será útil saber que o Papa João Paulo II vai dar-lhe um certo descanso, pois o Novo Missal Romano– que acaba de ser publicado — ordena que, na Missa, do Sanctus até o final do Cânon da Missa deve haver SILÊNCIO na igreja, podendo tocar-se apenas o órgão. E baixinho.

Adeus rock. Ainda que um rock “super legal”, que o Cardeal Ratzinger define como anti culto.

Será que você compreendeu a quem cultua a música rock com o seu anti-culto?

Espero tê-lo ajudado, embora esta carta tenha ficado provavelmente um tanto azeda, para o seu gosto.

Mas lembro que o bom samaritano curou o homem ferido com vinho e azeite: vinho que, contendo álcool, desinfeta, e óleo para lenificar a dor.

Não tendo eu vinho aqui para serví-lo a você, usei limão para desinfetar o rock e, em lugar do azeite, permita que peça a Deus Nosso Senhor que o ilumine , compreendendo o mal do rock e a profanação que é tocar rock na igreja… Até durante a Missa, que é a renovação da morte de Cristo no Calvário, pendente da cruz!

E enquanto Cristo morre misticamente, meu caro, você, como “Ministro de Música”, controla a banda super legal de sua paróquia.

Que pena !

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli.

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