Montfort Associação Cultural

16 de setembro de 2004

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Riqueza dos países protestantes

Autor: Orlando Fedeli

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  • Localizaçao: – Brasil

Em um chat com uma protestante, foi levantada a seguinte acusação contra o catolicismo (e, ao mesmo tempo, uma apologia do protestantismo):
“O protestantismo é um dos responsáveis pela riqueza dos países da Europa Setentrional e dos Estados Unidos, ao passo que o catolicismo, predominante no sul da Europa e na América Latina, levou ao empobrecimento, ao subdesenvolvimento”.
Falou-se então de Max Weber e de sua tese sobre as origens do capitalismo no calvinismo.
Pergunto-lhes: como devo refutar semelhante acusação de modo convincente (se possível, com alguma documentação)?

Podemos responder ao argumento protestante da seguinte forma:

a. A posição de Max Weber consiste em afirmar que para o calvinismo a riqueza é uma bem-aventurança e um sinal de predestinação. Essa crença teria levado os calvinistas a procurarem o sucesso comercial e influenciado a gênese do capitalismo.

Embora seja uma posição tremendamente simplista, há algo de verdadeiro nisso.

Ainda que se admitisse ser essa tese totalmente verdadeira, ela mostra apenas como para o calvinista a caridade é inútil, pois os pobres, além da miséria desta vida, já são predestinados ao inferno. Isso está bem de acordo com a mentalidade capitalista bruta, de só valorizar o lucro comercial.

b. Quanto ao resultado histórico desse processo, o argumento é grosseiramente falso: o Brasil no período colonial era muito mais rico que os EUA. A França era a nação mais rica do mundo. Os países de forte influência colonial católica são todos hoje, senão ricos, pelo menos culturalmente avançados (Brasil, Argentina, México, Filipinas, etc.) enquanto muitos países de colonização protestante continuam na semi-barbárie (Nigéria, Botswana, Ruanda, etc.). Tome-se como exemplo a comparação entre o Equador e a Guiana Holandesa.

c. Em alguns dos países protestantes que se tornaram ricos, é preciso não desconsiderar um fato importante: a grande riqueza desses países pode ser explicada também pelo fato de que os grandes banqueiros do mundo nos séculos XVI e XVII eram judeus, e seus bancos se situavam em Londres e Amsterdam. Nesses casos, a riqueza dos protestantes não é proprimente protestante, e sim judaica.

d. De qualquer forma, ainda que se admitisse que o argumento da protestante fosse verdadeiro, o que ele provaria? Que o protestantismo é uma forma melhor de produzir dinheiro que o Catolicismo. Mas é esse o objetivo da religião? Esse espírito está de acordo com o Evangelho?

e. Finalmente, indico-lhe uma referência bibliográfica: o Pe. Leonel Franca trata largamente do assunto, dando bons argumentos, em sua obra A Igreja, a Reforma e a Civilização, no capítulo “A grandeza econômica e política das nações”.

In corde Jesu, semper,

Orlando Fedeli

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