Montfort Associação Cultural

3 de novembro de 2005

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Revelações particulares – aceitas ou não ?

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Juan
  • Localizaçao: Petrópolis – RJ – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Religião: Católica

Caríssimos senhores da Associação Montfort,
Salve Maria!

Tenho pelos senhores uma grande admiração e gratidão, pois considero este site uma pérola que temos nesse mundo virtual.
Escrevo esta carta para fazer uma pergunta sobre algo que até pouco tempo atrás não me causava dúvidas, as revelações particulares.
Temos atualmente e mesmo em meio católicos inúmeras pessoas que afirmam receber revelações divinas. Obviamente a imensa maioria são falsas, até porque são contrárias à Revelação Divina confiada à Igreja. Porém, tinha por certas algumas revelações particulares como feitas a santos por exemplo. Já li pequenos trechos de obras tidas como revelações divinas de Santa Catarina de Siena no livro “O diálogo”, de Santa Brígida em suas inúmeras orações, de Santa Margarida ao conhecer o Sagrado Coração de Jesus, de Santa Faustina ao conhecer a devoção à divina Misericórdia e de vários outros santos. Porém li que as revelações particulares são por si mesmas falsas e que toda e qualquer Revelação Divina se encerrou após o fim do último livro que compôs a Bíblia. Mas e essas revelações atribuídas a santos? E as aparições de Nossa Senhora (seriam também consideradas revelações particulares?)?
O que diz a Igreja Católica oficialmente?
O início dessa minha dúvida foi algo que li em outro site que também seafirma católico. Transcrevo o trecho:

“Há um grande número de obras que se apresentam como Revelações Particulares. A Igreja Hierárquica mantivera-se até então à margem das discussões a respeito das Revelações Particulares de muitas santas mulheres. Revelações muito numerosas, diferentes, até contraditórias entre si, e bastantes que se comprovaram erradas.
Em questão de erro, um dos mais famosos foi o de São Bernardo Abade, século XII, que por “revelação particular” garantia que as Cruzadas venceriam plenamente os infiéis de Jerusalém. Convenceu ao papa. E total fracasso!
Logo, especialmente pelas pretendidas “revelações” a Santa Brígida, o Concílio de Basiléia (não ecumênico) teve que discutir a fundo o tema, e passou a EXIGIR máxima prudência. E Bento XIV (“Opera Omnia”, vol. III, 611) refere que o papa Gregório XI, à morte, com o Santíssimo Sacramento na mão, alertou solenemente contra as Revelações Particulares, pois ele esteve à beira de causar (não dogmaticamente) um enorme desastre doutrinal deixando-se levar pelas “revelações” de São Pedro de Aragón, de Santa Brígida e de Santa Catarina de Siena.”

Estão corretas as afirmações acima? Se estão, como ficam tantas essas devoções que compõe o Catolicismo?
Conheço parte da revelação recebida por Santa Brígida desde criança e foi costume de minha família rezar os Sete Pai-Nossos em honra do Sangue de jesus, as Sete Ave-Marias pelas Sete Dores de Nossa Senhora, as 15 Orações de Santa Brígida. Sempre soube que os Papas incentivavam essas práticas devocionais e que as revelações de Nosso Senhor Jesus Cristo e Nossa Senhora eram verdadeiras. O mesmo se dá com as revelações que recebeu Santa Margarida (o que é mais importante nesse caso é que o Apostolado da Oração nasceu exatamente da crença nessas revelações). Francamente saber que essas revelações poderiam ser consideradas falsas pela Igreja me causou profundo pesar, mas mesmo assim prefiro saber se isso é ou não verdade do que ficar em dúvida. Escrevo para lhes pedir uma luz em relação a estes casos.

Fico muito grato.
No Sagrado Coração de Jesus e Imaculado Coração de Maria,
Juan

Muito prezado Juan,
salve Maria!
 
    Obrigado por suas palavras de apoio e de elogio ao site Montfort. Deus lhe pague por sua bondade.
    As revelações particulares não gozam de autoridade infalível. Nenhuma revelação particular exige a adesão de Fé, mas apenas de piedade.
    Mesmo as revelações admitidas como autênticas a santos não gozam de autoridade que exijam adesão como se fossem revelações da Escritura. É o caso das revelações a Santa Catarina de Siena, a Santa Brígida ou a outros santos. Quem não as aceitasse não cairia em heresia, e nem seria excluído da Igreja. Mesmo aparições de Nossa Senhora em Fátima ou Lourdes não são dogmáticas, embora reconhecdias pela Igreja.
    Não conheço o caso que você cita do papa Gregório XI, mas mesmo sendo certo, isso em nada afeta a fé piedosa nessas apariçoes, que, entretanto, não podem ser concebidas como fonte infalível de verdade.
    Você pode rezar sem problema algum as orações recomendas por Santa Brígida, — e fará bem — e pode crer nessas aparições como verdadeiras. A Igreja não as condenou. Apenas afirma que elas não pertencem à revelação oficial à qual se deve dar adesão de Fé católica, mas apenas adesão piedosa. Elas não são dogmas.
 
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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