Montfort Associação Cultural

23 de novembro de 2004

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Resposta a um anônimo… sincero

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: anonimo
  • Localizaçao: – Brasil
  • Religião: Católica

caros senhores deus esteja convosco:

ecrevo para dizer que me decepcionaram bastante pois pessoas que eu pensava que combatiam movimentos politicos ou religiosos que dcestruiam a igreja,demonstraram ser (sem ofensa ) obscuros e intolerantes.
quem sao vcs para contestar movimentos comoo o neucatecumenato ourcc que tenham nascido onde tenham nascido sao um veiculo da igreja que traz milhares de pessoas para a igreja e que estao aprovados eclisiaticamente(inclusivamente pelo papa).
so vejo tres razoes possiveis(e nao e julgamento ) para isso:
1—ou vos sois maçons que pertendem destruir qq coisa que introduza um aprofundamento a igreja(nao estou a falar de negaçao de dogmas)
2—ou sao pessoas que tem medo da mudança pois nao conseguem adaptar-se e pensam ao inves dos modernistas fanaticos que tudo o que e novo e mau
3—ou querem conservar mais a igreja institucinal-racional em detrimento da igreja mistica
no primeiro caso(que espero nao ser o caso) afirmo-vos que o poder de deus vençe sempre oseu santo espirito cala os sabios nas suas redes ed a nossa igreja tem 2000anos em que vençeu sempre.cristo triunfara sobre omal
2—se eo segundo caso nao devem ter medo de mudsnças pois elas podem ser nefastas mas tb podem ser muitos boas,deixemos deus e o papa agir e se querem pegar na gnese tradicional da igreja remonta ao inicio dela
3——a igreja deve ter um caracter institucional,ao qual devemos obedeçer.
essa obediencia inclui bispos padres e esta claro o papa(como vem nao sou modernista),simplesmnte acima da igreja,ou melhor como cabeça invisivel da igreja esta cristo e ai o encontro muitas vezes e mesmo interior(o que tb nao contraria o catecismo da igreja).
claro que temos que aderir com a intelegencia senao caimos no reino da subjectividade e sentimentalismo,mas as vezes existem chamamentos,vocaçoes sentimentos interiores que iniciam o caMINHo,QUE DEPOIS SIM E FEITO DE UMA
adesao inteligivel.
a igreja ao loongo dos seculos foi tambem feita destas ocasioes.
compreendo contudo(na minha humilde opiniao),que a inteligencia nao se pode dissociar deste processo.
no entanto se houver um decreto que diga o contrario de que eu penso eu seguirei(mas que seja minimamente actual nao na DATA MAS NO CONTEUDO)

QUANTO AO VOSSO ATAQUE AO VATICANO2(IMPLICITO) ACHO INCONCEBIVEL,POIS SE E CERTO QUE PODE TER ALGUMAS IMPERFEIÇOES,FOI UMA MODERNIZAÇAO INTLEGENTE DA IGREJA ,QUE COMPLETOU CERTAS COISAS QUE JA HAVIAM SIDO ESQUECIDAS,EMBORA ANTES DESSE CONCILIO A IGREJA TENHA TIDO MILHARES DE ASPECTOS POSITIVOS(MONGES,OBRAS DE CARIDAde,a universidade,as bases institucionais,etc.)

quanto ao nao ha salvçao fora da igreja so per gunto se voces acham mesmo isso? e se achAM PORQUE SE REFUGIAM NUMA ENCICLICA QUE SE ADAPTOU A DADA SITUAÇAO E NAO AS ORIENTAÇOE MODERNAS PAPAIS?
EU ATE CONCORDO QUE A IGREJA E O MEIO PREVILIGIADO DE SALVAÇAO? QUE NAS OUTRAS RELIGIOES(NAO SEITAS) DEUS SO SE REVELA OCASIONALMENTE MAS QUE FORA DA IGREJA NAO HA SALVAÇAO? VCS PERCEBEM O QUE ESTAO A ATINGIR(ISTO NAO SE TRATA DE UM MERO EXERCICIO INTLECTUAL ,MAS SIM DA SALVAÇAO DA ALMA.) e quanto a rcc dizem ser heretico pq nasceu no protestantismo.eu sei que o sr orlando perteunceu a uma organiza çao que nao e açeite e agora vinha dizer que era heretico quem sou eu para julgar uma pessoa que se converteu?
espero nao ter sido ofensivo mas decepcionei-me bem que deus vos ilumine:

anonimo

Prezado “João Ricardo”,
salve Maria!

Esta é a segunda carta assinada “anônimo” que recebo, hoje, defendendo o Neo Catecumenato, e me atacando.

Só que, no cabeçalho de sua carta, apareceu um nome entre aspas – que suponho seja o seu — meu caro “anônimo” “João Ricardo”.

Se for esse o seu nome — sem as aspas — é um bonito nome. Não há razão para ocultá-lo…a não ser por covardia. Coisa que sua carta não revela.

Até gostei do tom de sua carta, de seu estilo respeitoso, e, principalmente, da adesão que você mostra querer ter à Igreja Católica.

Você não tem motivo para ficar decepcionado conosco, porque pensava que combatíamos movimentos políticos e religiosos que visam destruir a Igreja, pois é isso mesmo que combatemos. Daí nossa oposição às doutrinas ensinadas no Neo Catecumenato, doutrinas que contrariam às da Igreja Católica, como comprovamos com documentos do próprio Neo Catecumenato.

Você acertou também ao dizer que somos intolerantes para com todo erro doutrinário, especialmente os difundidos entre os católicos. Somos intolerantes com o erro e com o mal, graças a Deus, e tais o bom Jesus nos conserve, que tolerar o mal, é, o mais das vezes, ser cúmplice dele.

Você nos pergunta:

quem sao vcs para contestar movimentos como o o neucatecumenato (…) que traz milhares de pessoas para a igreja e que estao aprovados eclisiaticamente (inclusivamente pelo papa)”.

Meu caro “João Ricardo”, nós somos simples fiéis leigos, que, conhecendo um pouco a doutrina católica, nos sentimos na obrigação de dar nossa ajuda, defendendo a Igreja Católica, o quanto devemos e podemos, submissos às autoridades que a dirigem em nome de Deus.

Você nos lembra que o Neo Catecumenato tem aprovação eclesiástica, e nos diz isso como se fosse uma espécie de atestado de ortodoxia.

Para começar, o Neo Catecumenato ainda não teve aprovação jurídica oficial. Está tentando, e não a conseguiu ainda.

Em segundo lugar, mesmo que a tivesse, isso não seria garantia de ortodoxia. Lutero era membro da Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho, Ordem religiosa aprovadíssima pela Igreja, e entretanto ele foi um heresiarca.

Nestório era arcebispo, e foi herege. Jansênio foi Bispo, e foi herege. Ario foi padre, e foi herege.

Houve movimentos que se diziam católicos, como o Sillon, e que foram elogiados pelo Papa São Pio X, e que, depois, esse mesmo Papa condenou por meio de uma Carta Apostólica, dizendo que o Sillon o enganara (Cfr. São Pio X, Notre Charge Apostolique).

Meu caro, não pense que, por ter aprovação eclesiástica, um movimento fique imune a erros. Isso é uma ilusão…

E quanto ao número de pessoas atraídas pelo Neo Catecumenato, lembro-lhe que Cristo atraiu doze apóstolos, e um deles O traiu. Número, meu caro, não prova nada. O número é apenas um preconceito democrático ou demagógico.

Você levanta três hipóteses com relação a mim e à Associação que presido em “minha insignificância” (A expressão é de outro anônimo do Neo Catecumenato que recentemente me atacou e a quem acabo de responder):

1a Seríamos maçons, querendo destruir a Igreja;

2a Seríamos temerosos de qualquer mudança, incapazes de adaptar-nos e considerando que o novo é sempre mau;

3a “ou querem conservar mais a igreja institucinal-racional em detrimento da igreja mística” (Transcrevo suas palavras).

Você tem muitíssima razão em esperar que não sejamos maçons. Graças a Deus somos católicos e, como Congregado Mariano desde 1955, quando recebi a fita de Congregado, jurei combater todas as seitas secretas. Naquele tempo se exigia que todo Congregado fizesse o juramento anti maçônico.

Por que será que hoje não se exige mais isso?

E quem será que aboliu esse juramento?

Quem aboliu esse juramento, e quem não exigiu mais isso, será que não ajudou a maçonaria?

A propósito, no Neo Catecumenato, se exige que se faça o juramento de combater a Maçonaria?

De fato não se pode aprovar o que é do passado só porque é do passado, nem condenar o que é novo, só porque é novo. Pode haver coisas novas muito boas. Sempre penso nisso, quando vou ao dentista. Aí, dou graças a Deus de não ser tratado com o sistema odontológico medieval.

Mas nada é mais jovem do que uma velha canção, diz um ditado, e nada é mais velho do que a arte moderna, quando ela faz dezoito anos. As coisas modernas, logo envelhecem. É o castigo de tudo o que aceita o evolucionismo: desde que apareceu, está já superado

Mas, em matéria doutrinária, a Igreja condena todas as novidades.

Tudo o que não é desenvolvimento da doutrina antiga e tradicional, tudo o que é doutrinariamente inteiramente novo, isso é condenável. E condenado, não por “minha Insignificância”, mas pela Igreja Católica.

Quanto à terceiro hipótese que você levanta, aí, nela, você escorrega um tanto.

E escorrega num erro que lhe foi inculcado pela doutrina ensinada no Neo Catecumenato.

Nesse movimento se inculca uma distinção — que você repete — entre a Igreja institucional e uma Igreja mística.

Kiko fala em instituição e carisma como dois pilares que sustentam a Igreja. Ora, essa distinção é condenada pela Igreja.

Cristo deu o poder a Pedro.

A Santíssima Virgem recebeu todos os dons do Espírito Santo, assim como todos os carismas, e no mais alto grau. Entretanto, ela não gozou jamais de autoridade jurídica na Igreja.

Juntamente com esta resposta para você, devem sair, no site Montfort, um artigo meu tratando da doutrina exposta por Carmem aos catequistas do Neo Catecumenato sobre o sacramento da Penitência, doutrina totalmente oposta àquela que o Papa João Paulo II acaba de expor no Motu próprio Misericordia Dei, também publicado nesse mesmo site.

Peço que leia esses dois documentos, e que você analise as citações das Apostilas de Kiko que apresento.

Graças a Deus — e é um dos motivos que me fez apreciar a sua carta, você fala que se deve manter sempre na obediência ao Papa, e teme o perigo do relativismo.

Nisso, você age muito bem.

Veremos se o Neo Catecumenato aceitará o Motu Próprio Misericordia Dei que condena como abuso a confissão comunitária, e a proíbe, confissão comunitária que é pregada e praticada no Neo Catecumenato.

Quanto ao Vaticano II, ele é um Concílio Pastoral, e não dogmático, que, como acaba de escrever o Papa na Instituição do Novo Missal Romano, apenas deu “sugestões e conselhos” e não definiu dogmas. Tratei desse problema em carta a Dom Estevão Bettencourt, que existe no site Montfort.

O próprio Paulo VI declarou que esperava, do Concílio, uma nova primavera para a Igreja, mas o que veio foi uma tempestade, um processo de auto destruição misterioso, e que a fumaça de Satanás entrou no templo de Deus.
Não é pouco…

Nós não achamos que não há salvação fora da Igreja. Nós cremos nesse dogma da Igreja Católica de alma e coração. Porque esse é um dogma proclamado pelo IV Concílio de Latrão, e no qual todo católico deve crer (IV Concílio de Latrão, Denzinger 430; Profissão de Fé exigida por Inocêncio III de Durand de Huesca e dos Valdenses, Denzinger 423; Pio IX, Qui Pluribus, Denzinger, 1647)

Se você procurar no site Montfort, encontrará a exposição completa desse problema de acordo com os ensinamentos oficiais dos Papas e dos Concílios, inclusive da salvação possível daqueles que, estando fora do corpo da Igreja por ignorância invencível, podem salvar-se por pertencerem à alma da Igreja.

“Fora da Igreja não há salvação” é dogma da Igreja que nenhum Papa e nenhum Concílio pode mudar.

A Igreja Católica não é meio privilegiado de salvação, como você erroneamente escreve. Ela é a única arca da salvação.

Quanto ao fato de ter eu pertencido à TFP, saiba que nunca fui entrosado na seita secreta que existia dentro dela — a sociedade secreta a Sempre Viva — e que eu nem sabia de sua existência. Fui da TFP, enquanto julguei que ela era inteiramente católica. E quando me dei conta de que ela não era o que apregoava, sai, e denunciei os seus erros.

Garanto-lhe que você não foi de nenhum modo ofensivo, e peço-lhe que me torne a escrever, se algum ponto não lhe ficou claro.

In Corde Jesu, semper, Orlando Fedeli

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