Montfort Associação Cultural

24 de janeiro de 2005

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Resposta a dúvida sobre alma e espírito

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Gustavo
  • Localizaçao: – Brasil

Olá, Meu nome é Gustavo, sou estudante de psicologia do Mackenzie, cristão, leio a Bíblia Sagrada e estou lhes escrevendo para perguntar sobre a resposta dada por Orlando Fedeli a questão da diferença entre alma e espírito.

Eu busco uma definição bem clara pois pretendo basear meus estudos nesta área espiritual.

Orlando descreve que a alma seria mais ligada a sensibilidade mais do que a inteligência e vontade.

Senti falta da citação da Bíblia em que isto é referido, por favor, citem-na.

Primeiramente, eu gostaria de saber se a sensibilidade de que ele fala é a mesma que a sensopercepção da patologia, pois se for, a inteligência e a vontade estão ligadas a ela e não podem existir separadamente. E claramente, se para se ter vontade é preciso sensoperceber algo, a vontade sempre ocorrerá em decorrência disto não necessariamente estando em outra instância. Até aqui, estou de acordo que não contradisse nada do que foi relatado, mas ainda assim é algo que deixa algumas lacunas, e aqui começa minha segunda pergunta que é “Por que separar a sensibilidade da vontade e inteligência?”
Minha resposta a isto seria algo no sentido de que o espírito precisa da alma para a sensibilidade, sendo que a alma para sentir precisa do corpo. Então a alma por si só não sente??

E por último, pode-se separar a alma do espírito e dizer: “A alma serve para isto e o espírito para aquilo?” se sim, que é o que acho que responderão, então como funciona o maravilhoso Espírito Santo?

Espero que possam me ajudar a esclarecer estas dúvidas.

Deus seja convosco!

Gustavo 27 de Novembro de 2001

Prezado Gustavo, salve Maria

Quereria esclarecer, antes de tudo, que você me compreendeu mal. Eu não disse que a alma é mais ligada à sensibilidade, do que à inteligência e vontade.

A alma humana possui três potências — e não partes — três capacidades: a de conhecer, ou inteligência, a de querer, ou vontade, e a de sentir, ou sensibilidade.

A alma então não é composta. Ela é simples. Por isso ela é imortal.

Também não separei alma de espírito, como se fossem duas coisas substancialmente distintas. A alma é espiritual. Não existe, no homem um espírito substancialmente distinto da alma.

O que eu disse, é que as potências superiores da alma — a inteligência e a vontade — são aquelas que nos fazem ser à imagem de Deus, porque Deus também tem Inteligência e Vontade, que, em Deus, são infinitas, e em nós finitas.

Afirmei ainda que a sensibilidade é a potência pela qual sentimos alegria, tristeza, raiva, amor, tédio, etc.

Toda a alma está ligada a nosso corpo, como a forma está ligada à matéria. Somos unos, embora compostos de alma e corpo.

Afirmei ainda que a sensibilidade é a potência de nossa alma mais ligada ao corpo. O que não significa que a inteligência e a vontade não estejam ligadas ao corpo. Toda nossa alma é ligada a nosso corpo, senão não teríamos unidade de ser.

Só conhecemos com nossa inteligência aquilo que passou, até ela, através dos cinco sentidos do corpo. E só podemos querer o que conhecemos.

Também só podemos sentir com a sensibilidade, porque temos corpo. Os anjos não tem corpo, e, por isso, o espírito angélico não tem sensibilidade.

A sensibilidade deve ser orientada pela inteligência e pela vontade, no sentido de que não devemos consentir em sentimentos que a inteligência mostra serem irracionais, sentimentos que contrariam a reta razão. Quando a vontade consente num sentimento que a razão mostra ser injusto, tal sentimento é pecaminoso. Por isso, Cristo nos disse que não basta não cometer adultério, pois quem olha consentidamente, com mau sentimento, para a mulher do próximo, já cometeu adultério em seu coração. Já cometeu adultério pela vontade, ou por consentir num sentimento errado.

A distinção entre espírito e alma é feita por São Paulo, quando afirma que a palavra de Deus penetra, como uma espada, entre o espírito e a alma, querendo dizer que a inteligência e a vontade — potências que nos fazem ser a imagem de Deus, o qual é só espírito — são menos influenciadas pelo corpo do que a sensibilidade. Mas note, que se São Paulo compara a palavra de Deus a uma espada penetrante, ele que dizer com isso que não há distinção substancial entre nosso espírito e nossas alma, que são uma coisa só. Ele apenas distingue a sensibilidade da inteligência e da vontade, por ser a sensibilidade mais ligada ao corpo do que as outras duas potências de nossa alma espiritual.

Esperando ter sido mais claro a fim de melhor ajudá-lo, subscrevemo-nos, atenciosamente,

in Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

Replica

Lo lanou Adonai lo-lanou

Tehilla 115

a Montfort e a Fedeli Agradeço pelos esclarecimentos, e se me pergunto se porventura poderiam responder mais duas questões, que não compreendi.

A primeira, é a frase “A alma não é composta. Ela é simples. Por isso ela é imortal” neste trecho, eu não consegui compreender qual o raciocínio usado. Peço esclarecimento se possível.

A segunda questão é menos relevante, porém gostaria de saber qual o valor que é atribuído a Maria, pois notei pela saudação salve Maria, que deve ter alguma relevância. E gostaria de saber se vcs consideram como reconhecida a oração “Ave Maria”, e se a consideram como deusa. Pois estas informações não são verificadas na Bíblia como a conheço.

Espero não estar sendo chato, acho importante trocar conhecimentos com pessoas que tenham aprofundamento no assunto. Recentemente iniciei meus estudos na Cabala e tenho achado magnífico. Espero compreender melhor seu significado, mas se houver alguma indicação da parte de vocês de algum bom começo para um aprendiz, por favor, comuniquem.

Obrigado!

Gustavo

Prezado Gustavo,

salve Maria.

Morte siginifica separação da alma e do corpo. Sendo o homem um ser composto de corpo e alma, a separação de seus componentes causa a sua morte corporal, visto que a alma é que vivifica o corpo.

Ora, a alma, sendo simples, não pode ser decomposta. Logo ela não pode morrer. A alma é imortal, porque é simples e não composta.

Vejo pela sua pergunta sobre o que significa nossa saudação a Nossa Senhora, a Virgem Maria, que você não teve formação católica.

Provavelmente você teve formação protestante, pois que supõe que nós — católicos, apostólicos, romanos– adoramos Nossa Senhora, o que é um absurdo.

A Igreja Católica sempre ensinou que Nossa Senhora é uma criatura, e que ela deve ser venerada, e nunca adorada. Adoração se deve apenas a Deus, criador do céu e da terra, criador da Virgem Maria também.

Mas, foi por Maria que nos veio Cristo, o salvador dos homens, o único meio absolutamente necessário de salvação.

Se Maria foi o meio escolhido por Deus para vir do ceú à terra, ela é também o meio mais direto e fácil de ir até Cristo. Ninguém pode ir ao céu sem ser por meio de Cristo. E ninguém pode ir a Cristo, sem ser por Maria.

Foi Cristo quem nos deixou Maria por Mãe, ao dizer a Maria, do alto da cruz:

“Mulher, eis aí o teu filho. Depois disse ao discípulo [ João]: Filho, eis aí a tua Mãe”( Jo XIX 27)

Essa foi a vontade de Cristo, na hora de sua morte: que tivéssemos Maria Santíssima como mãe. Ele no-la deixou como herança.

Por isso, disse São Luis de Montfort que assim como não é possível ser gerado apenas por pai, sem ter mãe, assim também “não se pode ter a Deus por Pai, sem ter a Maria por mãe”.

A devoção — não a adoração — a Nossa Senhora é necessária para que alguém se salve, não por ser ela meio de necessidade absoluta, que só Cristo é, mas meio de necessidade hipotética. Considerando que foi por vontade de Deus que ela foi o meio escolhido por Deus para vir a terra, então ela é o meio desejado por Deus para que possamos ir ao céu.

Quanto à Cabala, lamento que a tenha conhecido, pois ela é a Gnose dos judeus, como afirma Gerschom Scholem. E a Gnose é a única religião existente por trás de todas as religiões falsas. A Gnose inverte a posição do Deus criador, com a de Lúcifer. Ela é diabólica.

Por isso, lhe aconselho com veemência: Fuja da Cabala.

Já São Paulo prevenia os cristãos contra a Gnose, dizendo aos cristãos que fugissem das fábulas judaicas e da suas teorias das genealogias divinas.

Repito-lhe, pois, deixe de ler livros sobre a Cabala. Em vez de ler “fábulas judaicas”( I Tim. I, 4), o que você precisa ler é o lIvro de São Luis de Montfort “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria”.

Tenha devoção a Nossa Senhora e horror pela Cabala

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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