Montfort Associação Cultural

28 de janeiro de 2005

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Renovação Carismática e Protestantismo

  • Consulente: Caio
  • Localizaçao: – Brasil
  • Religião: Evangélica
Olá,
 
Hoje queria falar um pouco sobre o Pe. Marcelo Rossi. No passado causou indignação nos meios evangélicos o plágio descarado que ele faz de dezenas de músicas de nossos hinários, sem citar os autores. Muitos evangélicos têm se omitido, deixado pra lá, devido à passividade típica deste povo em alguns aspectos, ou então porque alguns deles já estão tão envenenados com essa mentalidade ecumênica que fiquem até felizes que suas composições sejam tocadas em meios católicos. O caso mais escandaloso, que me parece que deu até problema na justiça, foi o da música “Anjos de Deus”. 
 
Tem anjos voando neste lugar, 
no meio do povo, em cima do altar,
subindo e descendo em todas as direções 
Não sei se a igreja subiu ou se o céu desceu
Só sei que está cheio de anjos de Deus
Porque o próprio Deus está aqui
 
Esta música e´ composição de um pastor, se não me engano, teve a inspiração depois de ter uma visão de anjos na igreja. Este pastos – não lembro o nome, mas foi divulgado na imprensa – protestou, como nossos antecessores de outros tempos, contra a situação, sem muito sucesso. Até onde sei, Rossi não reconheceu o autor. Mas existem outros casos. A música “Pai Abraão” eu conheço desde moleque muito novo, era usada para animar a criançada em reuniões voltadas para crianças nas igrejas (organizadas pela famosa APEC – Associação Pela Evangelização das Crianças e outras instituições semelhantes, tem a função de catequese, apesar de não usarmos esta palavra). Cantada por adultos não pega muito bem.
 
Ao ver os CDs do Padre Marcelo, no início de sua carreira de superstar, eu ficava perplexo com a forma como ele “roubava” o repertório evangélico e era aclamado pela mídia. Pensava comigo, “só porque ele é católico”. Hoje acrescento, “e modernista”. Isto é, prega o “cristo” tolerante e “mente aberta” das idealizações românticas. Por isso ele foi promovido com tanto entusiasmo enquanto que tantos músicos evangélicos de talento muito superior (dois quais Rossi “emprestou” algumas canções) só são reconhecidos em nosso meio. Não que eu ache desejável ser paparicado pela Rede Globo. Muito menos ter como “neófito”  Gugu Liberato, que foi gramourosamente batizado por Rossi no Rio Jordão, e, não muito tempo depois voltou a elogiar Chico Xavier. Parece que ele também é chegado em Dalai Lama, se não me engano também correu atrás do líder budista quando este esteve aqui no Brasil.
 
Ainda falando sobre Libertino, digo, Liberato, soube (não vá pensar que eu desperdiço meu domigo assistindo a esses programas televisivos!) que uma vez Rossi foi chamado ao palco para dar seu show. Antes de começar a cantar suas músicas exigiu que se retirasse o humorista Jorge Lafon. Você deve conhecer o infame “Vera Verão”, que caricaturizava a própria homossexualidade para fazer rir. Hipertenso, Lafon não reagiu emocionalmente bem a isto, que seria mais ou menos dizer que Deus o rejeitava. Não era digno nem de estar no palco por ser o que era. Somado a outros problemas que o afligiam, agravou seu quadro clínico e Lafon partiu. Bem pouco tempo depois. Sabe o Senhor para onde. Que diferença de Cristo, que sendo infinitamente mais santo, comia com publicanos, pregava para prostitutas. Nunca deu um “chega pra lá” em um pecador que pudesse ouví-lo, e se converter… Rossi agiu errado? Claro que cantar erguei as mãos e louvai ao Senhor do lado de um homem com trajes sumários e femininos iria trazer dor de cabeça pra ele. Muitos se escandalizavam com Cristo porque não entendiam porque ele estava no meio de gente deplorável como os publicanos (“publicano” chegava a ser uma ofensa naquele tempo) E claro que o Senhor não ia aceitar ir no Gugu, pregar em meio a dançarinas de minissaia. O caso é pra se pensar.
 
A RCC foi muito além do pentecostalismo. Parece que eles não têm limites. Já soube de caso de um carismático “profetizando”, dizendo “meus filhos, eu sou Maria, ouvi a minha palavra”. Dá até pavor.
 
Que a RCC tem raízes no pentecostalismo é evidente até pra quem não estudou a fundo os movimentos, como eu. Muitos carismáticos têm-se tornado evangélicos ao constatarem isto. Outros – levados pela mentalidade ecumênica - não refletem muito sobre isto, continuam sendo “católicos”, mas no oba-oba, sem compromisso, sem santidade. Só vão às reuniões e se emocionam, mas são como barcos à deriva do relativo, sem uma doutrina muito definida não se ancoram em nada (daí os cristais etc). Existe ainda o grupo dos que são carismáticos e católicos (você com certeza acha isto absurdo). Pessoas sinceras, praticantes, que ou fazem parte do movimento ou simpatizam com ele, mas não são ecumênicas nem relativistas, e se dedicam a estudar a Bíblia e o catecismo.
 
Você diz que esse saco de gato doutrinário tem causa próxima, e é o Vaticano II. Concordo com você. Mas receio que as maiores conseqüências da “crise modernista” ainda não se manifestaram. E não quero ser maldizente, digo baseado num contexto… creio que serão deixadas marcas permanentes dessa crise. Assim como foi com a Reforma Protestante.
 
Hoje estive pensando sobre isso e me ocorreu uma frase de Cristo… “quando o Filho do Homem vier ao mundo, porventura encontrará fé?”
 
Espero que sim… “aquele que perseverar até o fim, este será salvo”. In corde Iesu, semper.

 

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