Montfort Associação Cultural

19 de novembro de 2004

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Reforma Agrária, fruto da Revolução Francesa

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Carlos
  • Idade: 57
  • Localizaçao: Taubaté – SP – Brasil
  • Escolaridade: Pós-graduação concluída
  • Religião: Católica

Prezado Sr. Fideli,

Acesso a pouco tempo o site Montfort, lendo principalmente a seção de Perguntas e Respostas e, entre as respostas dadas por Vsa. Senhoria muitas vezes surpreendo-me com aquelas referentes a questões de politicas-sociais.

Deu-me a impressão que o Sr. é contrário à reforma agrária e a revolução francesa. Foi má impressão minha, ou não ?

Se o sr. é realmente contrário à reforma agrária, qual o motivo que o leva a tomar tal atitude?

Gostaria de esclarecer que não sou comunista, apenas não concordo com a péssima distribuição de renda e terras no Brasil.

Saudações fraternas,

Carlos

Muito prezado Carlos, salve Maria.

Lamento muito que meus textos não tenham deixado de modo ainda mais claro, para você, que sou absolutamente contra a Revolução Francesa e contra a Reforma Agrária. Entretanto tenho escrito muitas vezes contra a Revolução de 1789 na França, que foi um dos movimentos mais criminosos que houve na História.

Constatando, com alegria, que você apenas quer se informar, e não me contestar, pois você não é comunista, passo-lhe informações que você certamente desconhece.

Ainda recentemente, Alain de Besançon mostrou que a Revolução Francesa praticou contra os católicos da Vendée — região que se rebelou contra as leis criminosas da Revolução Francesa — o primeiro grande genocídio da História. Na Vendée foram mortos, pelas chamadas “Colunas infernais” da Revolução, calcula-se por baixo, cerca de 400.000 católicos, por defenderem o direito de irem à Missa. Os católicos foram cozidos em fornos, massacrados homens mulheres e crianças. Fizeram calças de pele humana que deputados revolucionários usaram. Cozeram mulheres para aproveitar a sua gordura. Hitler aprendeu muitos de seus crimes da Revolução Francesa. Em toda a França a Revolução perseguiu a Igreja, e matou, alguns autores dizem, cerca de 1.000.000 de pessoas.

Em nome da Liberdade se fez a Lei dos Suspeitos que permitia prender uma pessoa, não porque ela fosse contra a Revolução, mas apenas por ser suspeita de ser contra ela. A pessoa denunciada por duas outras como suspeita de ser contra a Revolução, era presa, dispensava-se o inquérito policial e a apresentação de provas, era proibido advogado de defesa. Lia-se a acusação de suspeita, e a sentença era uma só: morte, com execução em 24 horas.

Desse modo, durante o Terror robespierrista foram assassinadas milhares de pessoas.

Seria longo, numa simples carta contar-lhe, meu caro Evandro, todos os crimes nefandos e numerosíssimos da Revolução Francesa. Poucos conhecem esses crimes, hoje, porque como a ideologia revolucionária venceu e foi imposta ao mundo, se escondem do público não especialista os horrores da Revolução Francesa. E quando eles são delatados, professores revolucionários, procuram escusá-los dizendo que foram resultado da situação de guerra, que foram lamentáveis, mas necessários para estabelecer no mundo o liberalismo a igualdade, a liberdade e a fraternidade. Mas eles escondem que foi o Terror da Revolução Francesa e o Liberalismo que geraram o terror criminoso e genocida de Hitler e o terror vermelho de Stalin, Mao, Lenin, Pol Pot e quejandos cubanos e nicaragüenses. E, às vezes com as bênçãos de padres. Haja vista a defesa do comunismo cubano — com o seu famoso e sangrento paredón — por homens como Frei Betto e Frei Boff, para não falar de Dom Arns que se declarava amicíssimo de seu “queridíssimo Fidel”…

Essa contradição é muito comum. Ainda recentemente, em viagem que fiz à França vi, na Prefeitura de Troyes, em pedra esculpido o lema “Fraternité ou la Mort”: “Fraternidade ou morte”. Era o lema de Caim. Seja meu irmão ou te mato.

Vejo que você se declara contrário à “péssima distribuição de renda e terras no Brasil”.

Creio que entendo que você é contrário à “péssima distribuição de renda”, em todo o mundo, e não só no Brasil.

E essa grande desigualdade de renda não foi causada pelo liberalismo econômico gerado pela Revolução Francesa?

Foi.

Foi a Revolução Francesa que fez triunfar o Liberalismo econômico, que separou a economia da moral, e declarou o lucro como supremo valor. Foi o Liberalismo da Revolução Francesa que colocou o dinheiro como único critério de classificação social, e que, por isso guilhotinou a nobreza, e tirou todos os privilégios do clero e da nobreza, instituindo todo o privilégio para a riqueza.

Como pode, então, alguém ser contra a atual desigualdade excessiva de fortunas, e, ao mesmo tempo, se afirmar a favor da Revolução Francesa que instalou a Burguesia do dinheiro no poder, dando-lhe todos os privilégios e criando assim uma desigualdade econômica imensa?

Como o achei bem sincero em sua carta, tenho a certeza de que você compreenderá o que lhe digo como uma elucidação, e não como uma crítica pessoal a você.

Repare, meu caro, que, hoje, via de regra, os políticos ou são muito ricos, ou vão ficar muito ricos… embora haja algumas exceções raras e honrosas.

E é claro que sou contra a Reforma Agrária. Defender que é preciso fazer reforma agrária no Brasil, é como pretender que se deva fazer reforma do gelo na Antártida. Gelo sobra nos polos, e terras sobram no Brasil. O que falta aqui não é terra, mas assistência ao homem do campo, e às vezes vontade de trabalhar. Haja vista que, segundo consta, muitos assentados pela reforma agrária atual, vendem as terras que receberam logo que as recebem, e imediatamente começam — de novo — a exigir terras e a invadir propriedades. E recebendo-as, logo as vendem. Estabeleceu-se uma “indústria da invasão”.

Assim, consta também que favelados, que receberam apartamentos Singapura vendiam ou alugavam esses apartamentos, e voltavam a morar em seus barracos, nas favelas. Ou os alugavam a outros mais pobres do que eles, a preços escorchantes. São favelados capitalistas-selvagens… Pois ricos e favelados, hoje, são capitalistas liberais, que colocam o dinheiro como supremo valor.

É claro que não penso que você tenha, nem defenda essas contradições gritantes. Creio que você, por desconhecer a História verdadeira da Revolução Francesa, e por ser — como todos — vítima da propaganda marxistóide da mídia, seja favorável à Reforma Agrária. Peço-lhe apenas que repare nas contradições dos revolucionários agrários.

Pergunto-lhe então: de que vivem os líderes do MST?

Será que eles vivem apenas das bênçãos da Pastoral da Terra da CNBB?

Será que vivem apenas dos subsídios que o governo FHC muitas vezes lhes deu, e em profusão?

Stédiles e Rainhas, constantemente invasores da propriedade alheia, nunca receberam uma terra para se assentarem?

Quando eles deporão fuzis, carabinas e foices ameaçadoras, para empunhar enxadas e picaretas produtivas?

E por que será que os defensores do desarmamento geral não se escandalizam, quando Rainha é preso portando uma “pacífica” arma?

Meu caro, o problema no Brasil não é o do João sem terra, e sim o da Terra sem o João. O problema não é do desarmamento do povo e sim o armamento dos bandidos, nas cidades, e dos revolucionários, no campo.

Condenem o Rainha e o Stédile a trabalhar a terra deles. É certo que eles se rebelarão contra esse trabalho “forçado”. Eles querem é agitar, e não — e nunca — trabalhar.

Como autênticos marxistas, eles defendem a Reforma Agrária como primeiro passo para impor o socialismo e o fim do direito de propriedade. Feita a Reforma Agrária, virão depois a Reforma Urbana — na qual pegarão também a sua casa, meu caro Evandro — a Reforma Industrial e a Reforma Comercial, até abolirem todo o direito de propriedade.

Mas é claro que isso produzirá resistências — possivelmente também a sua resistência, que o levará, justamente, a defender a sua casa — mas aí será tarde demais.

O paredón será instituído contra os reacionários. Haverá Tchekas e Lubiankas. Como muito possivelmente haverá “Teólogos da Libertação” que apoiarão as execuções dos contra revolucionários, e talvez até lhes dêem a absolvição sacramental, no paredón. Eles que diziam ser contra a pena de morte, aprovarão, então, a pena de morte aplicada aos capitalistas reacionários… Foi assim na Revolução Francesa. Foi assim na ditadura soviética. É assim na Ditadura fidelista cubana. Com a bênção de Dom Arns, que jamais defende os Direitos Humanos violados em Cuba por seu queridíssimo Fidel.

Creio que como introdução, estas informações que lhe dei nesta carta, o ajudarão a compreender melhor esses problemas. Mas entendo que você deve ter ainda muitas outras questões a me por, quer sobre a Revolução Francesa, quer sobre a Reforma Agrária e o direito de propriedade. Peço-lhe, então, que me escreva para conversarmos mais a fundo sobre tudo isso, que com prazer o atenderei.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli.

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