Montfort Associação Cultural

24 de novembro de 2004

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Reencarnação como punição

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Márcia
  • Localizaçao: – Brasil
  • Religião: Espírita

Caro Prof. Orlando Fedeli:

Que a paz de Cristo esteja contigo. Aliás, isto sim é que é relevante: sentirmos a paz de Cristo, independente do caminho que utilizamos para chegar a ele.

O que me leva a escrever-lhe é o fato de rechaçar qualquer forma de distinção religiosa, embora não tenha religião por encontrar em cada uma determinados detalhes fascinantes e outros repugnantes ( estes, quando tratam-se de dogmas a meu ver discriminadores que na verdade se opoem a tudo o que o Cristo nos deixou como legado ), enfim, até o momento não senti vontade de frequentar nenhum templo. Sinto sim, necessidade de buscar a Deus todos os dias em minhas orações e, a cada décimo de segundo acrescentado à minha existência na Terra, fico mais segura do amor de Deus.

Retomando o que dizia, gostaria que entendesse a reencarnação como ela é para os espíritas. Veja bem, não vai aqui nenhum desejo de tentar mudar a sua fé católica. Siga seu caminho religioso e faça o bem a todos; isso é que importa.

A verdadeira razão de minha manifestação, é dissuadi-lo da idéia equivocada de que os espíritas entendem a reencarnação como forma de punição por “pecados” cometidos em vidas passadas. A reencarnação é vista, isto sim, como uma chance de resgatar dívidas. É a oportunidade dada por Deus para que possamos reparar erros cometidos no passado, dos quais não poderíamos nos lembrar pois, por sermos humanos e, como tal, propensos a erros, se nos lembrássemos de tudo, com certeza afloraria em nossos corações o desejo de vingança.

Como o senhor explicaria o fato de alguns seres humanos nascerem perfeitos, bonitos, saudáveis e disporem de todo conforto, enquanto outros nascem fisicamente deformados e/ou com absoluta falta de tudo? Todos concordam que Deus é justo e como poderia então criar seres tão desiguais física e socialmente?

Ninguém sofre sem merecer, Prof. Orlando. Quantos malfeitores, desperdiçando a chance de resgatar dívidas tornam-se novamente malfeitores e são assassinados por outros…quantas famílias ficam arrasadas pela dor da perda de entes assassinados por esses malfeitores…

A forma mais lógica para o senhor é que Deus, ser supremo de bondade e justiça, simplesmente os lance ao fogo do inferno? Não seria mais condizente com a bondade suprema, dar-lhe nova chance de fazer tudo de forma correta? Reencontrar as mesmas pessoas a quem matou ou mesmo magoou ( em formas físicas diferentes, claro! ) e tratá-las de maneira diferente?

O senhor, como pai, diante de um erro de seu filho o puniria com o fogo do inferno ou lhe daria nova oportunidade?

Deus é justo, Prof. Orlando, e a reencarnação não é uma forma de punição.

Ninguém sofre sem merecer e nada é por acaso.

Lembre-se: A SEMEADURA É LIVRE MAS A COLHEITA É OBRIGATÓRIA! Só colhemos o que plantamos.

Desculpe por tão longa exposição de idéias e, acredite, não há intenção em mudar a sua fé religiosa.

Fique na paz de Deus, Jesus e da querida mãe Maria de Nazaré

Prezada Márcia, salve Maria!

Faço-lhe uma exceção, respondendo a sua carta, porque a achei, de certo modo, digna de consideração. O que é raro naqueles que defendem as idéias que você expôs.

Agradeço-lhe sua franqueza, declarando-me que não pretende mudar a minha Fé.

Mas, usando de toda franqueza e lealdade, devo dizer-lhe que eu, sim, pretendo o contrário de você: quero, com a ajuda de Deus, dar-lhe a Fé. E a Fé única e verdadeira. Desejo que você, e que muitos mais, se possível, todos fiquem católicos de verdade. Ah! Pudesse eu auxiliar a fazer isso. Porque, se a Fé é o maior tesouro que existe, como não querer dá-la a outros que não a tem?

Minha cara, há um só caminho para a salvação, e não vários. Pois Cristo nos disse : “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo, XIV 6). Repare: o caminho, no singular. Há um só caminho. Há uma só estrada para o céu, e ela é estreita e difícil.

O caminho da perdição, pelo contrário, é largo e fácil.

E os dogmas, minha cara, foram revelados por Cristo, e apenas confirmados pela Igreja. Por exemplo, o dogma da Santíssima Trindade. Cristo mandou os Apóstolos ensinarem a todos, batizando em Nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. É verdade que Kardec não afirma que toda reencarnação seja punição. Mas que a reencarnação é, generalissimamente, uma punição, e um castigo, é repetido inúmeras vezes pelo racista brutal e grosseiro que é Allan Kardec, em seus livrinhos de baixíssimo nível intelectual.

Poderia citar-lhe muitas passagens dele que afirmam isso. Limito-me a poucas.

Por exemplo: “Ao nascer, o homem traz o que adquiriu: nasce como se fez; cada existência é para ele um novo ponto de partida. Pouco lhe importa saber o que foi; ele é punido porque fez o mal” (Allan Kardec, O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. V, no. 11 ed. Instituto de Difusão Espírita, Araras São Paulo, sem data, p. 77. O negrito e sublinhado são meus).

Quer mais?

Vá lá mais um texto. Paciência.

“Para o Espírito do Selvagem, que está quase no início da vida espiritual, a encarnação é um meio para desenvolver sua inteligência, mas para o homem esclarecido, no qual o senso moral está amplamente desenvolvido, e que é obrigado a reconhecer as etapas de uma vida corporal plena de angústias, enquanto poderia já ter alcançado o objetivo, é um castigo pela necessidade em que se encontra de prolongar sua demora nos mundos inferiores e infelizes”. (Allan Kardec,op cit cap. IV n* 26, ed cit p. 69. O negrito e sublinhado são meus.).

E basta de citações desse autor sem valor, que não tenho mais paciência de copiar tanta tolice. Mas, saiba você, que tenho uma lista grande de textos semelhantes, nos quais Kardec repete — ad nauseam — que a vida, na terra, é um castigo.

Saiba, enfim, que o mal não é nascer defeituoso, ou pobre. O grande mal é o pecado. E um deles, que provoca a ira de Deus, consiste em “indagar dos mortos a verdade. “Porque o Senhor abomina todas essas coisas” ( Deuteronômio, XVIII, 11-12).

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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