Montfort Associação Cultural

1 de novembro de 2007

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Recusar o Concílio Vaticano II é recusar a Igreja

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Rui Miguel Vieira da Silva
  • Localizaçao: Lisboa – Portugal
  • Escolaridade: 2.o grau concluído
  • Religião: Católica

Carissimo prof. Orlando Fedeli.

O dogma proclamado no Concilio Vaticano I ensina que o Papa goza da Infalibilidade quando, no exercicio do seu múnus pastoral fala ex-catedra, enquanto Pastor Supremo da Igreja, e quando fala em união com o Colégio episcopal, reunido em Concilio Ecuménico.
Deste aspecto sucede que qualquer Concilio, mesmo não sendo ou não tendo uma finalidade dogmática, goza, pela própria natureza divina da Igreja, de uma especial assistência do Espírito Santo. 
A Igreja não é infalivel somente quando proclama dogmas. É-o em toda a matéria declarada ex-catedra ou em Concílio, seja esta matéria doutrinal, pastoral ou moral. 
Quando estudei teologia, pude estudar todos os textos do Concílio e não cerio que haja, em nada, qualquer sintoma de permissividade naquilo que foi dito. Acredito que podem ocorrer alguns problemas de interpretação quando se centra a atenção sobre alguma parte do texto. 
Na verdade tem que se atender ao conjunto dos textos, para que se possa perceber a harmonia do conjunto. 
O Concilio não é permissivo. Pelo contrário, dá normas e orientações em muitas matérias. Não sendo um Concílio dogmático, relembrou muitos ensinamentos de anteriores concílios. Porém, a grande finalidade deste Concílio foi o de levar a Igreja a reflectir sobre a pergunta: Igreja de Cristo, que és tu, hoje? Estas bem posicionada perante um mundo em mudança? Que atitude deves tomar? Condenar? Dialogar? 
É errado pensar-se que o diálogo implica permissividade, ou tolerância perante o erro. No Concílio, a Igreja expôs a doutrina da fé, sim, dialogante com o mundo, mas firme nas suas convicções. A propósito do caracter não dogmático do Vaticano II, permita-me dizer que, ao contrário do que se possa pensar, o primeiro Concílio da Igreja, o Concílio de Jerusalém, também não foi dogmático, mas sim pastoral, respondendo a problemas concretos do momento, que preocupavam os Apóstolos.
Acerca das posições de S.S. Bento XVI, o Papa, enquanto Cardeal, pronunciou-se acerca dos problemas em aplicar o Concílio. Em nada depreciou o mesmo. 
O anterior Pontífice, que sempre falou do Concílio como uma referência, votou no mensmo Concilio contra um documento. Finalmente, caro professor, tenho que lhe dizer que a sua atitude e ensinamento perante o Concílio NÃO É CATÓLICA. Contextando ou recusando o Concílio, contexta e recusa o sentir universal da Igreja. É uma atitude Cismática. Fere a unidade do Povo de Deus, recusa a autoridade dos Pastores da Igreja, que falam em nome e com a autoridade de Cristo. Ou será que o conceito “obediencia da fé” não lhe diz nada? Ou será que o professor pretende substituir-se ao juizo da Hierarquia eclesiástica? Muito triste ficaria ao ver o professor usar este meio para criar a divisão no Corpo Místico de Cristo. O Concílio foi o que foi por especial Inspiração. Não foi obra somente de homens. Prestar acolhimento ao Concílio é vontade de Cristo, Supremo Pastor.

Muito prezado Rui,
Salve Maria.
     
    Vê-se bem, pelo seu texto, que você estudou em seminário. Um texto com tantas contradições e tão superficial na análise, e tão precipitado em concluir que não sou católico é bem característico de um “pensamento” influenciado pelo modernismo ensinado nos seminários, especialmente após o Concílio Vaticano II.
    Você diz bem que:
 
O dogma proclamado no Concilio Vaticano I ensina que o Papa goza da Infalibilidade quando, no exercicio do seu múnus pastoral fala ex-catedra, enquanto Pastor Supremo da Igreja, e quando fala em união com o Colégio episcopal, reunido em Concilio Ecuménico”.

    Você erra bem ao aplicar esse princípio ao Conílio Vaticano II, pois esquece que o próprio Papa Paulo VI declarou que esse Concílio não se expressou dogmaticamnete.
    Você diz bem quando afirma: 

A Igreja não é infalivel somente quando proclama dogmas. É-o em toda a matéria declarada ex-catedra ou em Concílio, seja esta matéria doutrinal, pastoral ou moral”.


    Você erra bem, ao aplicar isso ao Concílio Vaticano II que nunca se expressou ex cathedra.
    O Vaticano II nem se expressou como Magistério Ordinário infalível, pois nada ensinou definitivamente, e ensinou de modo contrário ao magistério ordinário Universal, por exemplo ao defender a liberdadede de religião — sempre condenada pela Igreja – e o ecumenismo, condenado, por exemplo na Mortalium Animos
    Ainda nestes dias o Cardeal Biffi apontou graves erros no Concílio Vaticano II. Por exemplo, a omissão diante da heresia do comunismo e o silêncio do Vaticano II sobre os crimes da seita marxista. Será que o Cardeal Biffi não foi avisado de que o Vaticano II é infalível?
    Ou você acha que o Cardeal Biffi deveria ser estudade em seu seminário.
    Será que também o cardeal Biffi é cismático?
    Meu caro, o Concílio Vaticano II não exige, de odo agum, adesão de fé divina e católica no que tange as novidades que ele ensinou. A clegialidade, a liberdade de religião o ecumenismo, são entre outros os erros modernistas que o Vaticano II repetiu.
    Foi o Vaticano II que causou a grande apostasia na Igreja da qual falaram o Cardeal Ciappi e o Cardeal Pacelli. Abra os olhos, meu caro, e veja o estado da Igreja, hoje.
    Será que você não percebeu e nem sentiu o cheiro da fumaça de Satanás que inunda a Igreja, hoje. Então, não só abra os olhos, mas sinta o cheiro dessa fumaça e procure de onde ela veio.
    Logo mais, Bento XVI — diz-se —  tomará algumas medidas para “ventilar” essa fumaça, expulsando-a da Igreja.
    Aguarde…

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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