Montfort Associação Cultural

14 de janeiro de 2005

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Reconciliação entre o Vaticano e os sacerdotes de Campos e outras dúvidas

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Carlos Eduardo
  • Idade: 22
  • Localizaçao: Piracicaba – SP – Brasil
  • Escolaridade: Superior em andamento

Salve Maria!

Como tem passado prof. Orlando Fedeli?? Espero que esteja bem!

Gostaria de aproveitar essa missiva e agradecer à você por sempre estar disposto a responder minhas dúvidas. Fiquei muito feliz em tomar conhecimento do belo significado das velas.

Nestes últimos dias recebi uma notícia sobre a reconciliação entre a Igreja e o grupo de “tradicionalistas” – às pressas, usei o termo tradicionalista e entre aspas, pois, não sei que termo seria mais adequado, não sei esse é o correto – da região de Campos do estado do Rio de Janeiro. Bem, eu fiquei curioso com o fato, porque pouco conheço sobre esse assunto, entretanto, sei que tem algo a ver com Lefèbvre e Dom Mayer (não tenho certeza, mas disseram que eles foram excomungados). Ao que sei, Lefèbvre e Dom Mayer, que eram “tradicionalistas” – não são os progressistas/modernistas que são arredios com as determinações papais e sempre ficam criticando a hierarquia da Igreja? – nomearam bispos sem autorização papal. Este é o ponto que me confundo, pois, sendo eles “tradicionalistas” era de se esperar que não nomeassem bispos sem autorização papal – estou levando em conta que todo bispo nomeado deve ter sido por autorização papal. Peço que você me explique esses fatos que pouco !

tenho conhecimento, até mesmo porque não vejo nada sobre o assunto nos meios de comunicação. Quero saber se o rito antigo da missa é proibido ou pode também ser utilizado por qualquer padre, ou se só pode ser realizado com alguma autorização especial da Igreja. Pois eu fico pensando que se o rito antigo for condenado pela própria Igreja significa dizer que a Igreja condena seu passado, de modo implicito, fica a idéia de que são consideradas inválidas as missas realizadas no passado…

Quero saber também sobre a relação do pacto das catacumbas com d. Helder. É verdade que ele e outras pessoas do clero receberam quantias grandes de dinheiro??

Também peço que me esclareça um trecho biblico que me deixou desnorteado, é do livro do Exodo, capitulo 4, versículo de 24 à 26. Também do livro do Exodo, quero tirar uma dúvida, é verdade que a sarça ardente que ardia sem se consumir representa a perpétua virgindade de Nossa Senhora que mesmo dando a luz permaneceu virgem?

Dias atrás fiquei sabendo que padre (Otto Dana) da catedral daqui de Piracicaba ficou elogiando os escritos do modernista Marcelo Barros sobre a necessidade de reformulação dentro da Igreja e pior que isso ficou elogiando o grupo “Católicas” pelo Direito de Decidir. O padre, pessoa que eu estimava muito, disse que é louvável o trabalho realizado pelas senhoras – as abortistas que são patrocinadas pela Ford Company – em favor da vida. Depois de tomar conhecimento disso, fiquei muito triste pelo padre, afinal, pra quem celebra a missa todos os dias e tem contato com as hóstias consagradas ser a favor do aborto é ultrajante… A Igreja não toma providencias diante destes fatos?? O bispo que deve ter uma conversa com o padre? Os leigos podem ajudar a modificar isso?? Dialogar com o padre??

Bem, por hoje, acho que já basta.

Um grande abraço!!

Desejando sempre que a Paz de Cristo esteja presente na vida de todos da Associação Cultural Montfort e a todos os seus leitores.

Carlos Eduardo

Prezado Carlos, Salve Maria.

Você me faz muitas perguntas numa só missiva, o que me obriga a dar-lhe respostas um tanto sucintas. Vamos, pois, a elas.

Dom Lefèbvre e Dom Mayer sagraram Bispos, sem licença do Papa, com a finalidade de poderem formar padres que continuassem rezando a Missa de sempre. Ao fazerem essas sagrações, eles afirmaram por escrito que aceitavam o Papa como chefe da Igreja. Portanto, se havia uma desobediência, não havia propriamente um cisma, que é a negação do Papa como chefe da Igreja.

Mais tarde os seguidores de Dom Lefebvre e de Dom Mayer instituíram tribunais para tratar da nulidade do vínculo matrimonial, e afirmaram que esses tribunais por eles instituídos tinham os mesmos poderes que o Tribunal da Rota Romana, um Tribunal papal. Ora, isto sim, era assumir um poder próprio do Papa e entrar em cisma. Ao tomar conhecimento desse fato, declaramos em carta aos Bispos tradicionalistas que eles haviam caído em cisma. Eles prometeram refutar nossos argumentos, mas nunca o fizeram.

A Missa de São Pio V nunca foi oficialmente proibida e nem poderia ser proibida. Como você bem lembra, condenar ou proibir essa Missa seria condenar o que a Igreja fez durante dois mil anos. Esse mesmo argumento acaba de ser usado pelo Cardeal Ratzinger, em seu último livro. Ratzinger declara ainda que é preciso restaurar a Liturgia, acabando com a mania de cada um montar sua própria Missa, o que produziu uma verdadeira anarquia litúrgica.

Agora, o Papa permitiu aos padres tradicionalistas de Campos que rezem a Missa de São Pio V, o que ajudará que se tenha maior liberdade para que a Missa de sempre seja rezada por toda a parte. O Cardeal Ratzinger afirma que não se compreende como tantos Bispos perseguem com ódio os que defendem a Missa antiga, os que a desejam ver liberada de proibições ilegítimas.

O chamado pacto das catacumbas foi assinado por Dom Helder Câmara. Por esse pacto defendia-se a instituição de uma “Igreja pobre” tal qual a desejavam os Gibelinos, os hereges dolcinianos, e espirituais franciscanos na Idade Média, condenados pelo Papa João XXII. Essa mesma tese de uma Igreja pobre é defendida pelos chamados teólogos da Libertação, Teologia censurada por João Paulo II.

A sarça ardente que não se consumia é considerada, de fato, como uma imagem ou símbolo da Virgindade perpétua de Nossa Senhora.

Quanto ao texto do Êxodo em que se fala que “Deus queria matar Moisés”, ele expressa, em linguagem antropomórfica, que Deus estava irritado com Moisés, por ele retardar a circuncisão de seu filho, que deveria ter feito, e que Séfora realizou.

É um escândalo que um monge beneditino, que um Padre católico e que uma associação de mulheres que se dizem católicas ousem defender o crime do aborto publicamente. A defesa do aborto é a defesa do assassinato. É claro que quem faz isso cai automaticamente sob censuras canônicas muito graves. É claro também que um Bispo tem a obrigação de punir quem defenda o aborto, especialmente se for um sacerdote. Caso não faça isso, o Bispo fica conivente com o mal. Desgraçadamente quantos Bispos e sacerdotes, hoje, desobedecem a doutrina católica, nesse ponto, e se rebelam contra as determinações do Papa João Paulo II que condena o aborto com energia.

Hoje, existe, infelizmente, uma verdadeira rebelião generalizada contra a autoridade do Papa, uma verdadeira anarquia doutrinária e litúrgica confirmando o que disse Paulo VI que, após o Vaticano II, a fumaça de satanás entrou no templo de Deus.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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