Montfort Associação Cultural

27 de janeiro de 2005

Download PDF

RCC: origem e princípios

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: André Pimenta Freire
  • Localizaçao: – Brasil

Fiquei desapontadíssimo quando entrei nesse site e encontrei inúmeras acusações sobre a Renovação.

A Renovação é um movimento como outro qualquer.

Você disse que uma pessoa cometeu sacrilégio ao dizer que a “Igreja cometeu erros”. A Igreja não cometeu erros, concordo, porque ela é santa, mas não se pode negar que muitas pessoas que estão dentro desta Igreja cometeram erros sim, da mesma forma como muitos carismáticos podem errar, e nem por isso tornam a Renovação menos santa.

Sou participante ativo e tenho como exemplo em minha paróquia uma renovação que está intimamente ligada à Igreja, que faz formações constantemente sobre o Catecismo (posso citar como exemplo o grupo de jovens do qual participo), e não está de modo algum trabalhando “independente da igreja”.

Posso afirmar que você está atacando o movimento da RCC porque é um dos que mais cresce, e em tudo que é muito grande é mais fácil achar os defeitos.

Peço-lhe que não aponte os erros da “Renovação”, mas das pessoas que participam delas, que são pecadoras.

Mas não faça críticas infames sobre um movimento que está convertendo muitas pessoas e trazendo de volta para a Igreja.

Tente conhecer a Renovação mais a fundo. Li um depoimento de uma pessoa que CONHECEU UM GRUPO DE ORAÇÃO e generalizou a sua opnião sobre a RCC. Eu simplesmente considero inútil a colocação dessa pessoa, porque existem muitos outros grupos que fazem um lindo trabalho dentro da Igreja para que ela se refira desta forma a RCC.

Estou muito magoado pela forma de como uma pessoa, inserida na Igreja pode agir desta forma.

Espero um comentário, desde que não seja tão generalizado quanto aos outros que já li. E que seja ao menos eloquente.

Prezado André.
Salve Maria.

A RCC não é um movimento “como outro qualquer”, como você diz. Ela é um movimento que confessa ter-se originado no protestantismo, que foi condenado solenemente pela Igreja. Como pode uma árvore má produzir bom fruto?

Não são apenas os erros dos carismáticos que comprometem a RCC. São os seus princípios que a condenam.

Por exemplo. Na apostila “A ESPIRITUALIDADE DA RCC”, Apostila I, Escola Paulo Apóstolo, ano 98, documento oficial da RCC, logo na página 4 se diz:

“Entende a RCC que é preciso buscar um novo modelo de Igreja que não ofenda nem rompa a unidade eclesial mas que possibilite o seu existir como Igreja na autenticidade de sua identidade”.

Está confessado aí um princípio herético: há que buscar um novo modelo de Igreja. Confessa-se que se quer uma nova Igreja. Portanto, abandonando a Igreja como sempre foi. Por isso, a mesma revista da RCC ensina que o retiro da RCC é feito para “trazer uma nova unidade para a Igreja” (pág. 20, segunda coluna).

Na página 21 desse mesmo documento oficial da RCC se lê:

“Algumas pessoas têm uma noção individualista da salvação, e não há nenhuma salvação individualista revelada”.

Ora, essa tese contraria diametralmente o que Cristo nos disse no Evangelho:

“Se queres entrar na vida eterna, guarda os mandamentos” (Mt. XIX,17). Veja o que Jesus diz ao jovem rico : “Se tu queres etc”. Portanto a salvação é individual e não coletiva. E ainda Cristo pergunta: “Que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro se vier a perder a sua alma?” (Luc. IX 25).

Logo, a RCC, em sua revista, nega o que o próprio Cristo ensinou: que a salvação é pessoal, individual.

E sobre o Batismo do Espírito Santo, a RCC ensina uma porção de teses erradas. Por exemplo, na página 35 da revista citada, pergunta a RCC:

“Será verdade que o Espírito Santo já é dado em plenitude no batismo sacramental, contendo nuclearmente todas as graças e todos os carismas que haverão de emergir um dia em nossa vida na experiência espiritual consciente de nossa vivência carismática?”

Essa pergunta põe em dúvida o valor sacramental do batismo e por isso é herética. Quem aceita isso, consciente e pertinazmente, deixa de ser católico.

Haveria muito mais a dizer citando essa revista herética. Só respinguei umas frases absurdas para provar-lhe que a RCC enquanto tal é que está errada. Com o tempo, farei um estudo pormenorizado, se Deus quiser, sobre os absurdos da RCC.

Acredito em sua boa intenção, como também em sua boa disposição de trabalhar na Igreja sob a direção das autoridades competentes.

Mas não é sua intenção, ou sua disposição, que estão sendo discutidas. É a doutrina da RCC, são suas práticas que estão erradas.

Se critiquei — e critico — a RCC, não é porque ela cresce. É porque tem erros. E vai ver que ela cresce tanto exatamente porque está errada, pois “largo é o caminho da perdição e quanto são numerosos os que o tomam”, disse Nosso Senhor.

Não creio — nem se pode crer — que um movimento que defende tais erros, como os que citei, possa converter realmente alguém. Normalmente, muitos que vão à RCC — não todos, é claro — freqüentam também outros movimentos pentecostais heréticos, ou vão à macumba e ao espiritismo, porque estão interessados em sensações, em emoções, e porque isso está “na onda” do momento. Buscam “experimentar Jesus”, coisa que foi condenada por São Pio X no Modernismo. Querem uma falsa experiência mística, e não seguir a Fé revelada por Cristo e ensinada pela Igreja.

Sua opinião pessoal, embora você enquanto pessoa mereça respeito, tem tanto valor quanto a de qualquer outro que condena a RCC por “opinião”. Não se trata de opinião. Trata-se de verificar se a RCC professa princípios que contrariam a Fé ou não. São os princípios que valem, e não palpites ou opiniões. E os princípios da RCC são condenáveis e condenados.

Esperando tê-lo atendido, me despeço atenciosamente,

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

Replica

A R. C. C. surgiu no momento em que se começava a procurar caminhos para por em prática a “Renovação da Igreja”, desejada, ordenada e inaugurada pelo Concílio Vaticano II. De 17 à 19 de fevereiro de 1967, em Pitsburg (E. U. A.), mais de 30 pessoas fazem um retiro de fim de semana, o “Retiro de Duquense”, que marca o ponto inicial da R. C. C. no mundo.

No Brasil, surgiu no começo dos anos 70, mais precisamente em 1971, quando alguns padres jesuítas, entre eles o Pe. Haroldo Han e Pe. Sales, começaram a realizar retiros, chamados Experiências do Espírito Santo, mais tarde Experiências de Oração, por todo o país. Mas, a R. C. C. começa sua fase de expansão a partir do I Congresso Nacional em Itaici, 1974.

A R.C.C. surgiu como resposta do Concílio do Vaticano II, no momento em que se começava a procurar colocar em prática a “Renovação da Igreja”. Neste clima de expectativa, a R. C. C. aparece como um acontecimento pós-conciliar estreitamente vinculada ao próprio concílio, tornando-se realmente “uma graça pentecostal eclesial à nível da grande comunidade cristã”, por isso ela não é fruto do Pentecostalismo Protestante, mas fruto da vontade de Deus, como resposta ao pedido do Papa João XXIII: “Renova em nossos os prodígios como em um novo Pentecostes e concede que a Igreja, reunida em unânime e mais intensa oração em torno de Maria, mãe de Jesus, e guiada por Pedro, propague o reino do divino Salvador, que é o reino da verdade, de justiça, de amor e de paz. Assim seja”.

Espero que estas palavras tenham lhe esclarecido.

Prezado André, salve Maria.

O que você me manda para me “esclarecer” só mostra em que escuridão você vive a respeito da RCC. Você repete as informações que qualquer livreto carismático conta, mostrando as origens protestantes da RCC.

Os carismáticos costumam defender seu movimento alegando o grande número de aderentes. Lembro-lhe de que Cristo não teve muitos seguidores enquanto esteve na terra. E Jesus nos preveniu de que são muitos os que tomam pela estrada larga da perdição.

Quanto a dizer que a RCC foi a resposta divina ao pedido de João XXIII, de renovação da Igreja, verificando os estragos feitos por tal renovação, fico em dúvida se foi mesmo divino quem respondeu.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli.

TAGS

Publicações relacionadas

Cartas: Sobre a fraqueza doutrinária de Pe. Jonas Abib - Orlando Fedeli

Cartas: Veemência na defesa da Fé - Orlando Fedeli

Cartas: Padres Marcelo Rossi e Jonas Abib não vão mais cantar para o papa - Marcelo Fedeli

Para comentar esta publicação

O site Montfort não permite a inclusão de comentarios diretamente em suas publicacões.

Para enviar comentários, sanar dúvidas, obter informações, ou entrar em debate conosco, envie-nos sua carta.

Saiba mais