Montfort Associação Cultural

5 de junho de 2006

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RCC e Missa Nova

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Padre Jonas Eduardo Mic
  • Localizaçao: Curitiba – PR – Brasil
  • Religião: Protestante

Ilmo. Sr. Orlando,
   
  Pax et bonum!
   
  Mais uma vez me dirijo respeitosamente à V. Sra., sinceramente agradecido ao “Pai das misericórdias” pelo seu prestimoso serviço a Cristo e à Igreja pela Internet. Sou imensamente grato pelas respostas já oferecidas.
  Isto naturalmente não exclui – como desde sempre na Igreja – legítimas divergências em elementos acidentais que não ferem ou comprometem a adesão “depositum fidei”. Dói-me p. ex. ainda perceber em V. Sra. uma aversão generalizada ao Pentecostalismo, não sabendo separar o joio do trigo, não considerando que a Igreja se manifestou ao mundo exatamente depois daquela efusão do Espirito do Pai e do Filho no Cenáculo em Pentecostes, não levando em conta os frutos de conversão e de retorno à Igreja Católica, não recordando a aprovação que os ultimos Sumos Pontífices deram a este movimento que como tal não é fim em si mesmo.
  Pergunto: 1. Tem-se falado aqui e acolá que o Cardeal Martini é filiado à Maçonaria. Isto é comprovado?
  Comento: 2. Até a Reforma Tridentina sabe-se muito bem que não existia apenas um único Ordo Missae, mas diversos, alguns dos quais estão na base das diversas famílias litúrgicas que ainda existem (Rito Ambrosiano, Rito Armeno, Rito Copta etc.).     Muitos elementos foram-se acrescentando ao longo dos séculos, sendo portanto não de origem divina, mas de “traditio ecclesiastica”, e ipso facto passivel de evolucao. Mesmo em Roma a S. Missa nos primeiros seculos – o quanto se sabe dada a escassa documentação – não era uniformemente celebrada; seus elementos essenciais (presentes sempre, entre todos e em todo o lugar, para recordar S. Vicente de Léris no séc. V) são recordados no “Catecismo da Igreja Católica” (nn. 1345ss), onde o testemunho de S. Justino Mártir (Apol. 1,65) a esse respeito é decisivo (pela sua antiguidade, clareza e autoridade). – Nao posso portanto aceitar esta exagerada insistencia sobre o valor da venerável (não deixa de sê-lo) Missa de S. Pio V em detrimento da Missa de Paulo VI (também venerável), uma vez que haja efetiva fidelidade ao essencial, em comunhão de fé e amor a Cristo que na Eucaristia se oferece ao Pai e a nós sacrificalmente por misericórdia.
  3. Pergunto ainda: poderia novamente considerar a questao dos livros de Teologia Dogmatica, indicando-me não apenas manuais estritamente tomistas, mas outros – igualmente sólidos e católicos – manuais de Teologia Dogmática?

  Muito obrigado.

  Immaculata Virginis Mariae Conceptio: Sit Nobis Salus Et Protectio!

  Pe. Jonas Eduardo, MIC – Curitiba, PR

Muito prezado e reverendo Padre Jonas Eduardo,
Salve Maria.

    Agradeço-lhe sua carta e suas palavras que me honram. Deus lhe pague, Padre. Peço-lhe que reze por mim.
    Lamento causar-lhe dor se manifesto meu repúdio ao pentecostalismo dito católico, que nada tem a ver com os carismas da Igreja prmitiva.
    Mas, o amor da Verdade está acima de tudo, e Jesus — que é A Verdade — nos mandou ter a linguagem clara do sim, sim, não, não. Por isso procuro ser absolutamente claro e franco no dizer o que penso.

    Claro que, indo a Curitiba, seria uma honra para mim se pudesse lhe falar pessoalmente, porque um contato pessoal pode esclarecer muitas coisas e unir os que só querem defender a Fé.
    Perdoe-me então se lhe torno a repetir, por carta e em síntese, o que tenho dito sobre a RCC.

    Os fenômenos carismáticos da RCC não se distinguem do que acontece no pentecostalismo protestante e nem da macumba. 
    O carismatismo da RCC provém do pentecostalismo protestante, como é publicamente reconhecido por todos os autores que trataram do caso. A RCC tem “carismas” como os da torre de Babel, onde todos falavam e ninguém se entendia
    Padre, creia-me, não há trigo na RCC. Lá tudo é joio plantado pelo inimigo. Evidente que estou tratando do movimento, de seus princípios e práticas e não de pessaos que podem ser enganadas.
    Para comprovar isso, basta ler a História do pentecostalismo dito “católico”. No site Montfort, publiquei declaraçãoes de teólogos favoráveis ao pentecostalismo dito “católico”, e esses teólogos deixam bem claros os princípios heréticos desse movimento.
    E esses princípios heréticos conduzem a erros doutrinários bem graves como os que tenho denunciado nos livros do Padre Jonas Abib. 
    Estive na Canção Nova, e lá encontrei evidências de muito dinheiro, e vi muita exibição teatral. Virtudes não tive ocasião de perceber.
    Ainda outro dia, mandaram-me um pequeno DVD no qual Padre Jonas Abib apresentava a defesa do dom de línguas, fazia uma exibição dele, ensinando como praticá-la. Horrível.
    E como se ensina a ter o dom de línguas? O que se recebe de Deus como carisma não se ensina. O pseudo dom de línguas desses pretensos carismáticos se obtém com uma técnica. Logo, não é dom. Logo não vem de Deus.
    Então de quem vem isso, Padre?
    Do espírito de exibição, de orgulho e de mentira.
    Também os relatos de muitas pessoas saídas da RCC. E que tenho publicado, mostram as fraudes, os fingimentos, e até ações bem imorais, como, por exemplo, o “baile do espírito“, ou dança no escuro, ou, pior ainda, fenômenos que indicam clara influência preter natural.
    Tenho mostrado como o pentecostalismo da RCC tem levado inúmeros católicos a se tornarem protestantes. Esses maus frutos confirmam a árvore má de onde proveio a RCC.
    Recentemente, um carismático me escreveu, mantendo o anonimato. Dei-lhe uma resposta sucinta que tomo a liberdade de lhe passar, porque ela deixa bem patente a mentira da RCC, e pedagogicamente pode ser bem útil.
     Eis o que enviei para essa pessoa que prtende ter o dom de línguas, mas não possui o dom da palavra sincera:

    “Se os carismáticos não entendem o blá blá blá que falam, como sabem que esse blá blá blá vem do Espírito Santo?
    Será que ele não pode vir de um outro espírito, que é o pai da Mentira e da confusão?
    E se os carismáticos falam um blá blá blá que não entendem, eles não seguem a Cristo que nos disse: “Seja o vosso falar: sim, sim; não, não. Tudo o que disto passa vem do demônio“.(Mt.V,37)
    Ora, o blá blá blá do carismatismo passa muito além do “sim, sim; não , não” ordenado por Cristo. Logo, vem do demônio
    Cristo não ensinou que a linguagem de seus fiéis devia ser um blá blá blá incompreensível.      Disse: “Ide e ensinai“. Bem compreensivelmente”.
 
    Meu caro padre Jonas Eduardo, o que devemos pedir a Deus, mais do que o carisma de línguas é o dom da palavra clara. Somos a religião do Verbo encarnado. E Verbo é palavra. E palavra contém idéia. Palavra não é um blá blá blá ininteligente e exibidor de pretensos dons divinos. Nossa palavra deve ser verdadeira e clara.
    Quanto a elogios que alguns Papas fizeram à RCC, isso nada prova sobre a ortodoxia de um movimento.
    João Paulo II, em carta à CNBB, chegou, certa vez, a escrever que a Teologia da Libertação era “ùtil, necessária e oportuna”. E, depois, condenou a Teologia da Libertação.
    São Pio X elogiou o Sillon, e mais trade, dando-se conta dos erros desse movimento o condenou na carta Notre Charge Apostolique,  na qual afirma esse papa santo, que se enganara ao elogiar o Sillon.
    Ainda hoje, chegou a notícia de que Bento XVI decidiu enfim o caso do padre Marcial Maciel, fundador dos Legionários de Cristo, acusado de homossexualismo com seus seminaristas.
    Padre Marcial Maciel contou, durante anos, com a proteção do Papa João Paulo II, e agora Bento XVI, decidindo a questão, não o condenou por causa de sua idade avançada (86 anos) e doença, mas o ”convidou” a se retirar de toda vida sacerdotal para rezar e fazer penitência. Passo-lhe a notícia da Cidade do Vaticano:


COMUNICATO RELATIVO FONDATORE LEGIONARI DI CRISTO

CITTA” DEL VATICANO, 19 MAG. 2006 (VIS). Con riferimento a notizie diffuse circa la persona del Fondatore dei Legionari di Cristo, Padre Marcial Maciel Degollado, la Sala Stampa della Santa Sede comunica quanto segue:
 ”A partire dal 1998, la Congregazione per la Dottrina della Fede ricevette accuse, già in parte rese pubbliche, contro il Reverendo Marcial Maciel Degollado, fondatore della Congregazione dei Legionari di Cristo, per delitti riservati all”esclusiva competenza del Dicastero. Nel 2002, il Reverendo Maciel pubblicò una dichiarazione per negare le accuse e per esprimere il suo dispiacere per l”offesa recatagli da alcuni ex Legionari di Cristo. Nel 2005, per motivi di età avanzata, il Reverendo Maciel si ritirò dall”ufficio di Superiore Generale della Congregazione dei Legionari di Cristo”. 
            “Tutti questi elementi sono stati oggetto di maturo esame da parte della Congregazione per la Dottrina della Fede, e, a norma del Motu Proprio “Sacramentorum sanctitatis tutela” promulgato il 30 aprile 2001 dal Servo di Dio Giovanni Paolo II, l”allora Prefetto della Congregazione per la Dottrina della Fede, Sua Eminenza il Cardinale Joseph Ratzinger, ha autorizzato una investigazione delle accuse. Nel frattempo avvenne la morte di Papa Giovanni Paolo II e l”elezione del Cardinale Ratzinger a nuovo Pontefice”.
“Dopo aver sottomesso le risultanze dell”investigazione ad attento studio, la Congregazione per la Dottrina delle Fede, sotto la guida del nuovo Prefetto, Sua Eminenza il Cardinale William Joseph Levada, ha deciso – tenendo conto sia dell”età avanzata del Reverendo Maciel che della sua salute cagionevole – di rinunciare ad un processo canonico e di invitare il Padre ad una vita riservata di preghiera e di penitenza, rinunciando ad ogni ministero pubblico. Il Santo Padre ha approvato queste decisioni”.
 ”Indipendentemente dalla persona del Fondatore si riconosce con gratitudine il benemerito apostolato dei Legionari di Cristo e dell”Associazione “Regnum Christi”


  
    Por esses fatos lamentáveis, o senhor pode ver, Padre, que elogios de um Papa a alguém ou a um movimento, não são prova da ortodoxia e nem do bom comportamento moral da pessoa ou do movimento elogiado.

    O senhor me pergunta se está comprovado que o Cardeal Martini é maçon.
    As idéias heréticas e escandalosas que ele tem emitido comprovam que ele tem as mesmas idéias que a Maçonaria defende.
    E basta isso. Não é preciso ver a carterinha de filiação dele à Maçonaria para saber se alguém é membro de uma sociedade secreta. Quando um Cardeal entra na Maçonaria, é evidente que não lhe dão carteirinha e nem lhe cobram mensalidade.
    Na famosa lista dos maçons do Vaticano publicada por Mino Pecorelli, — fato que custou a vida desse jornalista maçon da P2 — não aparece, ao que eu saiba, o nome do Cardeal Martini.    Aparece, sim, entre muitos outros, o nome do Cardeal Suenens, exatamente foi esse Cardeal modernista quem introduziu o pentecostalismo protestante na Igreja Católica, dando origem à RCC. 

    A árvore era má, e o semeador era péssimo. Como poderiam ser bons os frutos? 

    Sobre as sociedades secretas, o  senhor deve ler a encíclica Humanum Genus de Leão XIII,  para compreender que ela é o conjunto dos homens que desejam fazer a vontade do diabo, estejam ou não fichados na Maçonaria.
    Se eu for um dia a Curitiba, darei uma aula sobre sociedades secretas, para a qual o convidarei, se o senhor se interessar. As sociedades secretas são uma coisa muito diferente do que o público pensa e do que aparece em livros, mesmo nos livros anti maçônicos, que, em geral, são muito fracos. Aconselho-o a não ler livros sobre Maçonaria. Eles mais deformam e deturpam o problema do que o esclarecem.
    Sobre a Missa de Paulo VI, o senhor deveria ler os estudos do Cardeal Ratzinger e as críticas que ele fazia à Nova Missa de Paulo VI, missa elaborada pelo maçon Monsenhor Anibale Bugnini — (Esse estava na lista de Mino Pecorelli) — e seis pastores protestantes.
    Recomendo-lhe que leia o livro de Monsenhor Klaus Gamber The Reform of the Roman Liturgy”, elogiado pelo Cardeal Ratzinger, livro no qual Monsenhor Gamber chamou a Nova Missa de Paulo VI de “câncer”, e, apesar disso, o recebeu elogios do Cardeal Ratzinger. Ainda agora, foi publicado em Roma o livro de Monsenhor Uwe — Voltados para Deus — livro prefaciado pelo Cardeal Ratzinger e apresentado em Roma pelo Arcebispo Albert Malcolm Ranjith, recém nomeado por Bento XVI como secretário para a Congregação do Culto Divino. Nessa obra, Padre Uwe mostra como é absurda a Missa celebrada com o sacerdote virado para o povo. A Missa é para Deus e não para o povo. O próprio Cardeal Ratzinger em seu livro Introdução ao Espíriro da Liturgia defende a Missa voltada para Deus e não para o homem, não para o povo, e condena o uso do rock na missa como anti culto 
    E o Cardeal Ratzinger fez também o prefácio para o livro de Dom Alucin Reid, e nesse prefácio o então Cardeal Ratzinger criticou alguns aspectos da Missa Nova de Paulo VI. 
    Bento XVI tem mostrado que a Sagrada Liturgia tem um núcleo divino que não pode ser tocado, e que no mais ela se desenvolveu segundo a Tradição, enquanto a Missa de Paulo VI foi uma “coisa fabricada” artificialmente. Daí, Bento XVI estar preparando o decreto que liberará a Missa de sempre, a missa de São Pio V, que nunca foi proibida e que os modernistas detestam.    
    Depois dessa liberação, temporariamente a Missa Nova será permitida ainda, porque os padres não sabem rezar outra.
    Mas, a reforma da Missa Nova será com base no Missal de 1962. E essa Missa reformada será em latim, de costas para o povo, o padre voltado para Deus, sem rock e com canto gregoriano. Fala-se até que desaparecerá o absurdo “ofertório” da Missa Nova, sendo colocado o Ofertório de sempre, isto é, da Missa de São Pio V.
    Caso tudo isso for decretado, poder-se-á dizer — como disse certa vez o Cardeal Arinze: ”Ite, Missa Nova est“, e o povo responderá: “Deo Gratias“.
    Parece-me bem possível que esses decretos que se anunciam, causarão a revolta de alguns modernistas. Fala-se em cisma. Alguns vaticanistas famosos disseram mesmo que a escandalosa entrevista dada pelo Cardeal Martini ao O Expresso, defendendo o oposto da doutrina católica sobre aborto, eutanásia etc, foi praticamente um lançamento de candidato a anti papa.

                                                                 ***


    Sobre livros de Teologia e Filosofia, o que não é estritamente tomista não é recomendado pelos Papas e não posso recomendar.
    Foram os modernisats que reiniciaram a campanha contra o tomismo, afim de, deixando de usar a terminologia aristotélica-tomista, sempre bem exata, ficasse mais fácil a introdução de erros.
    Passo-lhe, então, como primeira indicação imprescindível, todas as obras de  São Tomás de Aquino, começando pela Suma Teológica. Recomendo ainda a lista de livros que já havia passado anteriormente ao senhor.

    Esperando tê-lo atendido convenientemente, e desejando manter contato com o senhor, despeço-me, rogando a sua bênção sacerdotal.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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