Montfort Associação Cultural

12 de março de 2006

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"Qual é a sua, professor"

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Alessandre Gonçalves
  • Localizaçao: Poços de Caldas – MG – Brasil
  • Escolaridade: 2.o grau concluído
  • Religião: Católica

Caro professor,

Escrevo este para fazer um comentário sobre o sr. e este site.

Parece-me algo muito interessante: o sr. é uma pessoa muito inteligente, conhecedora da doutrina católica, mas pesa algo estranho sobre sua pessoa.

Você se mostra como alguém polêmico, causa-me até a impressão que o sr. não é uma pessoa feliz da vida, sempre polemizando.

Gostaria de saber se o sr. é um católico ou não? parece-me mais um lefrevista ou ex-católico. Diga-se de passagem que o sr. vai contra o Concílio Vaticano II. Isto quando o sr. não toma um texto do Vaticano II para se defender, como vi várias vezes nas suas respostas aos leitores.

Mas o que mais me impressiona é que o sr. conseguiu o seu grande intento: fazer o seu site atraente, pois nele se fomenta discussões, intrigas e o pior, ressentimentos. Vale a pena lembrar que o que mais aparece como artigo no seu site são temas polêmicos que provavelmente serão os que mais atrairão pessoas a escreverem.

Além do mais o seu ataque àqueles ou aquilo que mais se destaca na Igreja nos últimos tempos é algo marcante no site.

Fica-me na mente a dúvida: o sr. aceita o Papa João Paulo II como sucessor dos apóstolos ou após o concílio Vaticano II perdeu-se a sucessão apostólica? Se se perdeu, quem então é o Papa sucessor da cátedra de São Pedro?

Por que o sr. fomenta tão raiva aos movimentos suscitados pelo Espírito dentro da Igreja como fruto do Concílio Vaticano II, como a Renovação Carismática, os Focolares, Encontro de casais com Cristo, Cursilho, etc? O que o sr. diria sobre o Movimento Apostólico de Schoenstatt, o Regnum Christ? E o Movimento Sacerdotal Mariano e as aparições de Nossa Senhora em Mediugórie? A Teologia da Libertação então, nem se fala…

Por cordialidade, apresenta-me o que o sr. faz na Igreja, pois criticar é obra daqueles que não sabe fazer nada para mudar…

Não aceitando o Concílio, o sr. participa do Santo Sacrificio da Missa na Igreja Católica e comunga? Por acaso o sr. tem conhecimento do fim do cisma no estado do Rio de Janeiro?

O que o sr. falaria sobre Madre Teresa de Calcutá, Chiara Lubic, Padre Jonas Abib, Padre Roberto Letieri, Dom Hélder Camara, Faustina Kowalska, Pe.

Pio, Pe. Léo e tantos outros que viveram ou vivem de modo santo e alguns até depois do Concílio Vaticano II?

Para o sr. todos os documentos do Concílio são ruins? negam aquilo que os Papas antes dele falaram?

Termino parabenizando o sr. pelos artigos sobre a fé católica, estes sim, digo que devem ser elogiados e conhecidos por católicos que navegam por este site. Quero lembrar que ninguém é obrigado a ficar num site, se não gostar deve sair, mas gostei do seu site, porém quero entender qual é a sua, professor?

Aguardo resposta.

Um abraço cordial de um irmão em Cristo,

Alessandre

Muito prezado Alessandre, salve Maria!

Antes de tudo, permita-me declarar – pois faço questão disso — que aceito e me submeto total e filialmente ao Papa João Paulo II, legítimo sucessor de São Pedro, Vigário de Cristo.

Sempre condenei — e condeno de toda alma — o sede-vacantismo.

Se você tivesse lido meus artigos e cartas com menos prevenção teria facilmente constatado que me glorio e me honro de ser Católico Apostólico Romano, e católico bem obediente ao Papa.

Você me pergunta se vou á Missa e se comungo.

Claro que não perco Missa e que, embora seja indigno, comungo, esperando na infinita misericórdia de Deus que Ele perdoe os meus inúmeros e graves pecados.

Parece que você sofre se um grave defeito na vista e no ouvido: não vê e não ouve o que proclamo com toda a força de minha alma – que sou católico –, e, por outro lado, não enxerga os erros clamorosos existentes, hoje, em muitos movimentos ditos católicos.

Meu caro, parece até que você anda bem cego e bem surdo. Anda vesgo de ouvido, e endurecido na vista.

E gostaria tanto de contribuir para a sua cura!

Se você tivesse lido minhas cartas com menos preconceito, teria visto que fui eu quem acusou os lefevristas, e os padres ditos tradicionalistas de Campos — antes meus amigos — de terem caído em cisma, ao instituírem um Tribunal com pretensos poderes pontifícios. Com eles também polemizei, meu caro, como vou polemizar, agora, com você também.

Caridosamente.

Prepare-se!…

Você me pergunta o que penso de uma série de pessoas, que você cita, misturando de cambulhada, Madre Teresa de Calcutá, Chiara Lubic, Padre Jonas Abib, Padre Roberto Letieri (?), Dom Hélder Camara, Faustina Kowalska, Pe. Pio, Pe. Léo(?) e tantos outros que – diz você — viveram ou vivem de modo santo e alguns até depois do Concílio Vaticano II.

Alguns deles — graças a Deus — já ataquei: Pe. Jonas Abib, Chiara Lubic, D. Helder, porque defenderam erros do Vaticano II, ou até o comunismo e o carnaval, como Dom Helder Câmara.

Outros não tive ainda ocasião de atacar. (Que pena! Mas virá a ocasião oportuna!).

Alguns, nem conheço.

Outros, incluídos nessa sua lista confusa e injusta, não devem ser atacados, porque criticaram os erros do Vaticano II, como consta ter feito o famoso Padre Pio.

Sobre o Vaticano II, peço-lhe que leia meu trabalho Resposta ao Instituto Paulo VI de Brescia (http://www.montfort.org.br/cadernos/vaticano2a.html) no qual provo que há erros do Modernismo nos textos desse Concílio. Como lhe recomendo também um livro, que saiu recentemente, organizado pelo Padre Paulo Sérgio Lopes Gonçalves e pela Irmã Ivanise Bombonatto, livro intitulado “Concílio Vaticano II, Análise e Prospectivas”, que é uma confissão escandalosa de que o Vaticano II instituiu uma nova teologia, uma nova Igreja, uma nova moral, uma nova concepção de salvação, enfim, uma nova religião, em lugar da Católica Apostólica Romana. São os autores do livro que confessam isso, e é Dom Aloísio Losrcheider que proclama isso mesmo na apresentação do livro. Leia-o.

E se por vezes cito o Vaticano II, é como argumento “ad hominem”, quando até o Vaticano II ensinou algo certo.

Você me pergunta, então, por que ataco os Focolari, o Neo Catecumenato, a RCC, a Teologia da Libertação, Encontro de Casais, Cursilhos e etc.

Deixe-me explicitar alguns outros nomes que estão embutidos nesse etc muito vago, e que faço questão de enumerar claramente.

Ataco também a TFP e os Arautos de Plínio e de sua Banda. Ataco os comunistas, os socialistas, os liberais, os fascistas e os nazistas.

Ataco especialmente os Modernistas e o Vaticano II, que são as causas de todos os erros atuais existentes entre os católicos de hoje.

Esqueci-me de alguém?

Esqueci, sim.

Esqueci o Movimento Sacerdotal Mariano, e as falsas aparições de Nossa Senhora em Mediugórie.

Jamais devemos nos esquecer de nossos inimigos, nem na luta, e nem na oração por eles.

É o que nos mandou fazer Jesus ao nos ensinar o Pai Nosso.

Que surpresa, não?

Mas, creio que me esqueci ainda de alguma coisa…

Ah!… Esqueci-me de você.

Mas foi só por um momento.

……………………………………………………………………………….

Pronto!

Interrompi a redação desta carta, por um momento, para rezar um Pai Nosso por você.

Logo mais eu o atacarei… — caridosamente — para tentar corrigi-lo.

Para tentar convertê-lo de um catolicismo frouxo, sentimental e enervado – sem nervo -, para um catolicismo capaz de lutar por Deus e pela Verdade.

Porque como você mesmo notou e confessou:

“Mas o que mais me impressiona é que o sr. conseguiu o seu grande intento: fazer o seu site atraente”.

E você confessa ainda:

“Vale a pena lembrar que o que mais aparece como artigo no seu site são temas polêmicos que provavelmente serão os que mais atrairão pessoas a escreverem”.

Meu caro Alessandre, é o clamor destemido que atrai.

É a Cruz que atrai: “Quando Eu for levantado, atrairei tudo a Mim” (Jo, XII, 32).

Quando se levanta a Cristo, e a Verdade, bem alto, Ele atrai, tudo e todos, a Si.

Pois os homens – e especialmente a juventude — são atraídos pelo heroísmo, e nunca pela frouxidão e pela covarde complacência, por um pacifismo falso, que só adia a derrota para amanhã. E que recebe, já hoje, imediatamente, a vergonha do silêncio cúmplice e covarde.

E espero bem que esse não seja o seu caso pessoal

Obrigado por seus elogios.

Quanto a julgar que não sou feliz, porque estou sempre polemizando, saiba que é exatamente o oposto o que acontece: sou feliz, porque combato, já que o Espírito Santo fez escrever na Sagrada Escritura que “Militia est vita homini super terram” — A vida do homem sobre a terra é uma luta (Jó, VII, 10).

Sem luta não vale a pena viver.

Meu caro Alessandre, a Igreja Católica é militante, e um católico que não está sempre em luta, em defesa da Fé possui uma alma tristemente aposentada.

Não sabe você que o Crisma nos faz soldados de Cristo?

Se você notou que vivo polemizando, em defesa da Fé, você constatou que o Crisma não me foi dado em vão, graças a Deus.

E o combater me traz enorme alegria, porque me permite defender a Verdade católica, confirmar meus irmãos na Fé, e, muitíssimas vezes, converter inúmeras almas, graças aos argumentos que Deus põe em minha boca, ou na ponta de meus dedos, golpeando verdades em meu teclado, contra os sofismas e as mentiras dos hereges e dos inimigos de Deus.

Graças a Deus, minhas discussões têm sido bem abençoadas, e, olhando para trás, em minha vida, posso contemplar um trigal bem vasto, no qual, cada alma convertida, pela graça de Deus, em minhas lutas, é uma espiga dourada, balouçando às carícias do vento e iluminada ao sol de Deus. Rogando a Deus que perdoe o professor que por suas almas lutou…

Preferiria você que eu fosse um católico mansinho, como infelizmente há tantos, sem fibra e sem argumento, sempre calados, diante dos ataques que se fazem à honra de Deus e da Igreja?

Não! Jamais!

Quereria você que eu fosse um católico pacificamente cúmplice de tantos covardes silêncios que tem dado a impressão que a Igreja não tem a verdade, e que os católicos não tem capacidade, ou não tem a coragem de se levantarem em defesa de Deus?

Não! Jamais!

Preferiria você que eu fosse estimado pelos maus, por manter uma cordialidade superficial, que acoberta uma covardia profunda, ou a impotência de reagir, que eu fizesse muitos “amigos” que aplaudissem uma cumplicidade simpática? Que eu, para ser mais popular, e querido, e admirado, me calasse quando Deus é atacado?

Não!!! Jamais!!!

Certamente você não prefere isso!

Certamente que não!

Mas lutar, cantar, aceitar desafios, não temer e não tremer, e estar sempre na primeira linha de combate, quando se trata de defender a honra de Deus e a de sua Santa Igreja.

Ah!! Isso SIM! Mil vezes SIM!!!

E creio que nisto você concorda comigo.

E se isso me trouxer o ódio dos maus, e se isso me trouxer desprezo, calúnias, isolamento e pobreza — como me trouxe de fato em minha vida muito feliz e muito alegre — nisso estará minha honra, pois que Nosso Senhor nos disse: “Bem aventurados sereis quando vos insultarem e vos perseguirem, e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de meu nome” (Mt V, 11).

E permita-me, bem a propósito, parodiar um poeta cujos versos admiro:

“Ah se você soubesse, meu caro, que divertidas manchas, fazem, sobre nossa roupa, o fel dos invejosos e a baba dos covardes”! (Ah si tu savais , mon cher, que d´amusantes tâches font sur mon pourpoint le fiel des envieux et la bave des lâches!) ( E. Rostand, Cyrano de Bergerac).

E se você não compreendeu a felicidade que se encontra na luta pela Verdade, você nada entendeu do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Espero, de novo, que este não seja o seu caso, e que você só se equivocou ao pensar que uma vida de luta e de polêmicas traz infelicidade.

Será que você nem teria percebido que Ele, Nosso Senhor, passou sua vida pública polemizando continuamente contra os fariseus, contra os escribas e doutores da Lei?

Você não percebeu que Jesus foi morto, na cruz, por ter polemizado durante três anos, denunciando os hipócritas de seu tempo?

Não acredito que você não o tenha percebido.

Será que hoje faltam os hipócritas?

Será que não há mais fariseus?

Ou será que há bem poucos cristãos que devem ser como outros Cristos, imitando a Cristo? E imitando Cristo, no combate doutrinário, que é a polêmica?

Christianus, alter Christus.

O cristão é um outro Cristo. E Cristo foi combativo. Cristo foi um polemista. E tão polêmico que até hoje Ele causa a divisão.

Pois não nos disse Jesus:

“Não julgueis que eu vim trazer a paz à terra; Eu não vim trazer a paz, mas a espada. Porque vim separar o filho de seu pai, e a filha de sua mãe, e a nora de sua sogra” (Mt. X, 34)?

Eu escolhi a luta e aceitei a divisão. E isso é que me proporcionou uma vida bem feliz e bem alegre .

No combate.

Se tenho um defeito, é o de rir, talvez, um tanto demais… Rir dos inimigos de Deus. Rir de seus sofismas. Rir de suas mentiras, quando as deixo desmascaradas.

E cantar!

Cantar a felicidade de possuir a verdade e de ser fiel a ela.

Ó meu caro Alessandre, você não calcula como canto feliz, com minha voz gasta e rouca de tanto discutir e de tanto cantar !

Como canto em minha alma, e como faço a juventude cantar!

Como sempre fiz os moços cantarem;

“Chantons l´honneur de vivre,                     [Cantemos a honra de viver,
bravant le monde entier! (...)                       desafiando o mundo inteiro(...),
L´honneur de nous battre                           Cantemos a honra de batalhar,
pour la gloire de Dieu !"                              pela glória de Deus]

Cantar até na luta.

Rir até no combate.

Meu caro Alessandre, estou no entardecer de minha vida cheia de lutas. E, olhando para o passado, verifico que sempre fui, graças ao bom Deus, muito feliz. Muito feliz. Imensamente feliz.

Mesmo na cruz.

No combate

Por causa da Cruz.

*****

Chegado ao final de sua carta, deparei-me com uma frase sua que me surpreendeu.

Disse-me você:

“Mas gostei do seu site, porém quero entender qual é a sua, professor?

Aguardo resposta

Um abraço cordial de um irmão em Cristo”,.

Surpresa!

Depois de tantas críticas, dúvidas, e até de suspeitas, você me diz que gostou de nosso site !?

Você se diz meu irmão in Christo?

Mas, então, meu caro Alessandre, você não é tão cego e surdo como se me apresentou em seus primeiros parágrafos?

Então, você também compreendeu o valor de meu combate?

Enganei-me, antes?

Engano-me, agora?

Afinal, “qual é a sua“, meu caro Alessandre?

Se me enganei, dou graças a Deus por ter encontrado, em você, um irmão em Cristo. E fico bem feliz. Ainda mais feliz do que já sou. Por ter encontrado alguém que quer lutar por Deus.

Quer você também lutar pela Fé ?

Caso a sua resposta seja sim, então venha comigo.

À polêmica. Ao combate. Na defesa da Fé. Contra os hereges e ateus

Seu irmão na Verdade, que é Cristo Jesus, e, nesse caso, para sempre seu amigo

in Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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