Montfort Associação Cultural

15 de dezembro de 2006

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Questões de História dos vestibulares

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Jessé Marques
  • Idade: 17
  • Localizaçao: Taquaritinga do Norte – PE – Brasil
  • Escolaridade: 2.o grau concluído
  • Profissão: Estudante
  • Religião: Católica

Caro Dr. Orlando Fedeli,
Salve Maria!

Já sou leitor do site, e venho a Vossa Senhoria lhe atrapalhar um pouco mais uma fez.
Fiz vestibular na UFCG (Universidade Federal de Campina Grande – PB), ouveram lá, duas questões que me incomodaram intelectualmente. Como não sei muita história, venho com isso atraparlha-lhe um pouco.
As questões são a baixo citadas:

(UFCG – Vestibular 2007 questão 35, prova história, primeiro dia) –
Durante a Ídade Média, as práticas discursivas e não discursivas sobre a cultura religiosa contribuiram para a construção das identidade na Europa. Os europeus não se sentiam “europeus”, mas a religiosidade contribuia para que houvesse um sentimento de unidade, pelo qual a maioria se considerava “cristã”. Assim, existia o mundo cristão e o não cristão.

Acerca das identidades religiosas na Idade Média, é INCORRETO afirmar que:

a) A bruxaria foi representada pelo cristianimo como associada às práticas demoníacas.

b) O judaísmo, na relação com o cristianismo, tornou-se o “outro”, representado como “assassino de Cristo”.

c) O catolicismo afirmava que Deus havia reservado as identidades de sacerdotes, guerreiros e trabalhadores, conforme a servidão de Deus, à guerra e ao trabalho.

d) A Seita Valdense, por se identificar como pobre e utilizar a bíblia como a “única” regra de conduta, foi representada pelo catolícismo como herética.

e) O islamismo foi considerado pelo catolicismo como uma seita pagã por não aceitar a idéia de Paraíso, Inferno e Juízo Final.

(UFCG – Vestibular 2007 questão 37, prova de história, primeiro dia) –
“No século XII, com instituição do sacramento do matrimônio (segundo o modelo do Evangelho, monogâmico e indissolúvel) instalou-se um discruso eclasiástico normativo de controle das pulsões do corpo na sociedade dos laícos”.

(Revista de pós-graduação em História da Universidade Brasilia – vol. 9, número 1 e 2, 2001-p. 15)

Acerca do discurso cristão sobre a sexualidade neste período, é INCORRETO afirmar que o corpo:

a) Podia sobre penitência que iam desde a auto-flagelação, ao jejum, à proibição de tormar banhos, às praticas das romarias.

b) Era concebido com a prisão da alma e podia interferir na salvação humana.

c) Com a lepra era interpretado como sinal externo de algum pecado sexual cometido pelos pais.

d) foi nomeado como o tempo do Espírito Santo pelo apóstolo Paulo, o qual era contrário à pratica do celibato e da castidade.

e) Era sexualmente utilizado com dignidade para a reprodução da espécie, e aliado ao prazer, era visto e dito como pecado.

Nos Gabaristos Oficiais, das questões acima, entra-se as respostas: 35-E e 37-D

Sobre as afirmações que me incomodão são elas:

Questão: 35 – D – Pergunta: Quem foram a Seita Valdense?
E – Com que consseitos os católicos naquela época, consideraram o islanismo como uma seita pagã? Realmente a questão E, não está correta?

Questão: 37 – A – Pergunta: Realmente havia-se proibição te tomar banhos?
– C – Realmente a lepra era considerado um sinal de pacado dos pais? Isso já não foram antes da Idade Média, refutada por Cristo?
– e – O sexo alido ao prazer era pecado?

Como o senhor avaliaria, as perguntas?
Se caso auver alguma afirmação errada, sobre as mesmas queria que o Sr. Comentasse, se possivel

Por fim, venho agradecer a Vossa Senhoria, por se disponibilizar a perguntas de todo o Brasil em defesa da fé Católica. Despedo-me,

Atencisamente,
Jessé Marques

Muito prezado Jessé,
Salve Maria.

     Os professores da UFCG (Universidade Federal de Campina Grande – PB) que montaram essas perguntas deveriam ser reprovados num exame ginasiano.
     As questões apresentadas são confusas, indicando uma profunda ignorância quer de Religião, quer de história, revelando o preconceito ideológico que anima os formuladores acerca da Idade Média.
     A primeira questão é

“Durante a Ídade Média, as práticas discursivas e não discursivas sobre a cultura religiosa contribuiram para a construção das identidade na Europa. Os europeus não se sentiam “europeus”, mas a religiosidade contribuia para que houvesse um sentimento de unidade, pelo qual a maioria se considerava “cristã”. Assim, existia o mundo cristão e o não cristão”.

    
A pergunta revela incapacidade em perceber o anacronismo em que se incide. A idéia de ser “europeu“, num mundo que desconhecia ainda a América, Oceania, assim como a quase totalidade da Ásia e da África, é colocada de modo absurdo.
     Na Idade Média, por exemplo, nas Cruzadas, as pessoas nem se identificavam como francesas ou inglesas, mas apenas como cristãs de língua francesa ou inglesa. Daí se falar então de pessoas do Languedoc e do Langue d´oeuil, ou da lingua de si.
     A pergunta desses professores falando de “europeus” tem tanto valor quanto alguém querer identificar, na Idade Média, florentinos, romanos ou venezianos como italianos, posto que, na Idade Média, a Itália era apenas uma designação geográfica, uma península, e não um Estado nacional.

     Não foi a Idade Média que identificou a bruxaria com práticas satânicas. Isso sempre foi classificado assim, desde sempre. Moisés fala disso e a polícia italiana, hoje, em 2.006, diz o mesmo.
     Por outro lado, o problema da bruxaria se tornou importante depois da Reforma protestante e da Renascença. Frances Yates em seu livro, ”Giordano Bruno e a Tradição Hermética“, mostra que a Idade Moderna foi constituida por Gnose mais Bruxaria.Os professores que preparam tais questões para os vestibulares de História andam precisando estudar um pouco mais a História.

     Os judeus na Idade Média foram protegidos pelos Papas, como testemunhos da veracidade do que a Igreja ensina. E sobre a morte de Cristo a Igreja só repetiu o que está na Sagrada Escritura, onde Santo Estevão ao ser morto disse aos judeus: “Vós matastes o Justo” (Cfr Atos dos Apóstolos).
     A não ser que os professores da UFCG tenham descoberto que Santo Estevão mentiu. Aliás, minha avó costumava dizer que poderia haver gente tão negadora das evidências, que seriam capazes de afirmar que Jesus Crsito morreu de frio.

     Deus dá uma vocação a cada homem para servir a Deus e aos homens.  A mim deu-me a vocação de servir leitores da internet e de dar aulas, servindo aos alunos. Outros há que tenham vocação para fazer perguntas em exames.
 Só que as perguntas devem ter propósito e cabimento.

     Os valdenses não foram considerados hereges por serem pobres. São Francisco defendeu e viveu a pobreza e foi canonizado. E os valdenses não pensavam que a Sagrada Escritura fosse a ”única” regra de conduta”.
     Os que elaboraram essa questão, tão estapafurdiamente, não distinguem entre “regra de conduta” e fonte de revelação.
 
    
A questão: 

O islamismo foi considerado pelo catolicismo como uma seita pagã por não aceitar a idéia de Paraíso, Inferno e Juízo Final”.
     
     O Corão aceita a existência do paraíso, do inferno e o juízo final. Os maometanos mais propriamente são ditos infiéis, e podem ser ditos pagãos, no sentido de que não aceitam o Batismo.

     Pela questão 37, os elaboradores das perguntas do vestibular mereciam levar um zerO solene e bem redondo.
     Eis a absurda questão 37:

“No século XII, com instituição do sacramento do matrimônio (segundo o modelo do Evangelho, monogâmico e indissolúvel) instalou-se um discruso eclasiástico normativo de controle das pulsões do corpo na sociedade dos laícos”.
 
     Quem instituiu o sacramento do matrimônio foi Cristo, nas bodas de Caná.
     Quem instituiu o casamento foi Deus criando Adão e Eva e ordenando-lhes que se multiplicassem.
     Penitência consiste em renunciar a qualquer coisa boa em honra a Deus e como castigo por uma culpa pessoal.
     Na Idade Antiga e Média eram proibidos os banhos públicos, pela falta contra o pudor que neles havia, e não tomar banho particularmente.
     Quem condenava o corpo como prisão do espírito eram os hereges catáros e não os católicos. A igreja sempre condenou esse erro absurdo. É preciso ser de uma universidade do século XXI para afirmar tal absurdo.
     Na Idade Média julgava-se — erradamente — que a lepra era contagiosa e transmissível hereditariamente, como antes a sífilis e hoje a AIDS. Dai alguns erradamente afirmarem que a lepra provinha de pecados.
     São Paulo ensinou que somos templo do Espírito Santo, sim, e isso é verdade. Não é o corpo que é Templo de Deus, e sim nossa alma.
     O sexo existe para a reprodução. Foi Deus que o fez.
     A frase citada do vestibular afirma erradamente que o sexo usado por prazer é pecado. 
     A igreja nunca ensinou isso, e sim que o sexo usado sem visar a reprodução, ou contra a reprodução, é pecado.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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