Montfort Associação Cultural

5 de dezembro de 2008

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Quero me converter

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Maria
  • Localizaçao: Salvador – BA – Brasil
  • Religião: Anglicana

Conspícuo professor Orlando,

Parabéns pelo trabalho realizado em favor de sua Igreja, que confesso que costumo freqüentar, logo quando não estou na minha, Igreja Anglicana, apesar de já ter pensado em me converter muitas vezes, adoraria que isso acontecesse, mas acredito que a Igreja de Roma, não me receberia muito bem, uma vez que em um determinado tempo fui sua maior inimiga, hoje tenho meu arrependimento.

Sou formada em história, pela faculdade São Bento, na cidade do Salvador-BA, uma exímia faculdade, com professores insólitos, terminei recentemente minha pós-graduação na mesma faculdade em história social e econômica do Brasil, inclusive tenho muito a agradecer seu site, uma vez que ajudou muito a mim e alguns outros colegas que pude divulgar, para o aumento de nossa sabedoria, que diante do senhor e do Senhor è nada.

È insofismável, doutor Orlando, que agora eu tenha criado um amor e vinculo a Igreja Católica Apostólica Romana, desejando-me converter-me, além das divergências que sei que encontrarei com as pessoas, me deparo uma dúvida tremenda. O senhor falar de intercessões, mas ao ler a Bíblia e seu site vejo que fala de intercessões enquanto vivos e acredito que instar em vida pelos irmãos (as) a Deus, è mais que uma necessidade, uma obrigação. Mas e depois de morto? Como podemos pedi intercessão, se alguém já morreu, não nos ouve, ver e nada mais?
E ainda um protestante/luterano (ao fundador desta seita, tenho que Deus reservou o inferno para ele e não foi diferente de Henrique VIII) mostrou-me uma passagem na Bíblia em 1 Timóteo 1-2, versículo 5 e minha dúvida engrandeceu ainda mais.

Peço desculpas, doutor pelo incomodo, que lhe causei, em uma outra casualidade espero encontrar o senhor, inclusive em janeiro estarei indo a São Paulo e espero conhecê-lo e já convertida na Igreja de Roma. Um fraterno abraço. Deus o abençoe.

Atenciosamente,
Maria Lívia Maron

Muito prezada Professora Maria Lívia,
Salve Maria.

 

    Sua carta me causou alegria santa! Se o retorno do filho pródigo alegrou o Pai, se Nosso Senhor Jesus Cristo disse que há mais alegria no ceú pelo retorno de um arrependido do que por cem justos que perseveram, como poderia não causar alegria sua profissão de Fé Católica? 
    Tenha a certeza de que será imensamente bem recebida pelos católicos realmente praticantes da caridade. Já a tenho como minha amiga e – permita-me dizê-lo com alegria — como minha irmã em Cristo. Vindo a senhora a São Paulo, faço questão de recebê-la em minha casa para um almoço com minha esposa Ivone e algumas de minhas alunas. Como teria gosto que fosse visitar a Montfort e que viesse muitas vezes conversar comigo.
     Passo a responder sua primeira questão.
     Repare, Professora, que os que morrem santamente continuam unidos a Deus Nosso Senhor. E eles se alegram com nossa conversão e progresso espiritual. Portanto, se “afligem” com nossas aflições e rogam a Deus por nossas necessidades, já que são nosso amigos em Deus.
     Na Escritura conta-se que os ossos do profeta Eliseu ressuscitaram um morto que foi lançado sobre eles. Deus permitiu esse milagre para nos mostrar exatamente que os que morrem santamente continuam vivos em Deus, no paraíso. E Deus permite que eles roguem pelos bons e pecadores, e atende seus pedidos. Por isso, Moisés rogava a Deus apelando aos nomes de Abraão, Isaac e Jacó, que já estavam mortos, mas intercediam a Deus que os atendia, dando vitória ao povo de Israel, pelo pedido de Moisés, vivo, e a intercessão dos três patriarcas, já falecidos. Por isso também, São Thomas Becket, logo depois que foi morto em Canterbury, na Catedral, imediatamente começou a fazer inúmeros milagres. Deus permite isso para demonstrar a santidade desses mortos no Senhor e mostrar assim que a caridade contiua ativa, mesmo depois que estivermos mortos. A Fé e a Esperança não mais existirão no céu, mas a caridade permanecerá para sempre. É o que nos ensinou São Paulo.


    Respondo agora sua segunda questão sobre Cristo mediador absoluto e único.

     Somente Jesus é nosso Redentor, poque foi sua morte por nós, em nosso lugar, que pagou a culpa infinita dos homens, pois só Deus tem mërito inifinito. Ele se fez homem para assumir as nossas culpas diante de Deus Pai e sofreu morte infame por nossa causa. De modo que por ninguém mais somos salvos a não ser por Jesus. Ele é o nosso único intercessor absoluto. Só Ele é nosso Redentor. 
    Contudo, Ele veio a nós por Maria, e só por Ela. E Ele constituiu Apostolos verdadeiros — como São Paulo mesmo disse no texto que a senhora cita (I Tim, II,7) — para servirem de intermediários entre Ele e nós. Por isso, Ele não atendia ao pedido da mulher da Fenícia que Lhe pedia que curasse sua filha, mas quando os Apóstolos pediram por ela, Cristo atendeu o pedido daquela mulher. Porque Jesus é como a escada de Jacó que uniu o céu e a terra, e os apóstolos e os santos são como os degraus dessa escada. Subimos ao céu pela escada que é Cristo Jesus, Deus e homem, mas subimos pelos degarus que formam a escada, visto que todos os bons vivem em Cristo como membros dele. Sejamos pois para os outros humildes degraus na secada de Cristo, unidos intimamente a Ele pelo mistério da graça santificante.
     Aguardando sua visita em Janeiro, lhe peço que me escreva já antes como a um seu irmão in Corde Jesu semper Orlando Fedeli.

PS. Um santo Natal para a senhora, Professora. OF

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