Montfort Associação Cultural

29 de março de 2006

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Quem me dera!

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Fábio Luiz Silveira
  • Idade: 41
  • Localizaçao: São Paulo – SP – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Profissão: Consultor Informatica
  • Religião: Católica

Caro Prof. Fedeli, já escevi outras duvidas que , confesso, nem me lembro, pois abusado que sou e com sede de conhecer a verdadeira palvra de Cristo escrevo, e na ansia de que na proxima atualização as verei sanadas, nem tenho tempo de guarda-las as vezes. Quem sabe abro meu email e as vejo. 
Escrevo para fazer um comentário e expressar uma inveja:

Comentário:

Jose Saramago escreveu o livro O EVANGELHO SEGUNDO JESUS CRISTO, por acaso o sr leu, gosta deste autor ?

Inveja:

Caro prof., se o senhor soubesse a inveja que tenho da sua cultura e da sua maneira de escrever. Sou um homem formado , estudioso, mas , sinceramente, jamais conheci ou tive um professor com esta capacidade. Escreve, debate, argumenta, se expressa com um requinte , uma utileza e uma eloquencia que , mais uma vez, desculpe, morro de inveja. 
Sim eu sei que a inveja é considerada um sentimento ruim, mas, esta inveja é pelo lado bom. Quisera eu ter este nivel de sabedoria, poder argumentar minhas idéias , tanto no campo profissional, como no pessoal, com este poder.Li certa feita numa resposta sua que o senhor jamais deu um X numa prova de aluno, ou trabalho, não lembro bem agora, imagino o que aqueles meninos e meninas que sem uma condição financeira privilegiada puderam absorver nas suas aula na rede publica. Perdoe-me mas acho que o senhor era professor da rede estadual, estou certo ?
Se sim, o senhor deve ser uma daquelas pessoas que fez da profissão um sacerdócio, onde o dinheiro nunca foi o mais importante.

Parabens

Muito prezado Fábio,
S
alve Maria!


            Generosidade e simpatia fazem exagerar as qualidades daqueles que estimamos. E a distância pode esconder muitos defeitos. É o que explica a admiração excessiva que você manifesta, generosamente demais por este pobre professor.

Caso você venha a me conhecer pessoalmente – como eu o desejo – você, certamente, ficará decepcionado.

Você é de São Paulo, e lhe será fácil ver esta pobre realidade de perto: um velho professor de Colégio estadual, aposentado, calvo e falador.

Um caco de vida que se acaba.

Você deve ter visto já um desses grandes vitrais medievais das catedrais góticas.

Eles eram feitos de pequenos pedaços de vidro que, juntos, e atravessados pela luz, de longe, são uma das maravilhas da arte gótica!

Nesses vitrais das catedrais católicas, a luz é a causa mais profunda de sua beleza. Cada um de nós, meu caro Fábio, é apenas um pequeno caco de vidro. E, mais do que qualquer outro, tem muito pouco valor este velho caco que lhe escreve.

É a luz da verdade católica que atravessando nossas almas, as faz parecer maravilhosas, pelo deslumbramento da luz que impede que se vejam nossos defeitos pessoais.

À luz da igreja até um velho caco de vidro adquire beleza.

Peço-lhe, pois, que direcione melhor a sua admiração. Não é o minúsculo e vulgar pedaço de vidro que brilha. É a luz da verdade católica que refulge no site Montfort. Ela que é admirável. A ela se deve todo amor e veneração. Porque é na luz da verdade católica que vemos a luz de Cristo. “In lumine tuo, videbimus lumen”, diz o salmo (Na tua luz, veremos a luz).

Montei o site Montfort juntando alguns cacos, confiante que, fazendo passar por eles a luz da verdade – que é Cristo – formaria um belo vitral. E minha certeza vinha de minha Fé, e de minha experiência como professor.

De minha Fé, que me dizia que na luz de Cristo veremos a Deus, Dulce lumen, Pai de todas as luzes.

De minha experiência, nas salas colegiais, onde, graças a Deus, fiz a verdade cantar uma bem doce e forte canção, durante cinqüenta anos.

É certo que a beleza da luz da verdade fez muitos, ingenuamente, confundirem o caco de vidro com a luz que o atravessava. Graças a Deus, porém, consegui fazer com que compreendessem que era a verdade que se devia amar, e não tanto o professor. E foi com esses alunos que construí a Montfort.

É verdade, sim, que fui amado no Colégio, e no longo amanhã que veio depois. Como disse um poeta que admiro, “Si je suis aimé au collège, je serai aimé demain” (Se eu for amado no Colégio, serei amado amanhã” (E. Rostand).

Fui, sim, muito estimado, graças a Deus, e muito além do merecido.

Fui também muito odiado – como o sou, graças a Deus – por aqueles que odeiam a verdade católica. E não sei o que é maior, se o amor, se o ódio. Mas ambos são minha honra.

Não é verdade que nunca fiz um X nas provas dos alunos. Eu os fazia e dava zeros. Mas nem os Xis, nem os zeros – redondíssimos – me fizeram jamais perder a estima dos alunos. O que muito rarissimamente fui obrigado a fazer foi punir meus alunos, que, bons e maus, me obedeciam facilmente, porque os tratava como se fossem  meus filhos.

Sabia o nome de cada um. Conhecia os problemas de cada um. A cada um dava a honra devida.

Converti a muitos. Passei minha vida fazendo vitrais. Forjando suas almas, fazendo delas espadas limpas, cortantes e heróicas. Construí em suas almas catedrais para que Deus morasse nelas.

Valeu bem a pena o ódio sofrido, as perseguições e calúnias suportadas!

Como vale a pena o ódio furibundo que despertam minhas cartas no site Montfort, que muito são compensadas pelas inúmeras cartas de estima e de amor a Deus – como a sua – de almas que decidem defender a Deus e à Igreja Católica neste século de infâmia e baixeza.

Faço vitrais. Forjo espadas. Construo catedrais nas almas.

Estou agora montando um grande vitral Montfort.

Não quer você também, meu caro Fábio, contribuir com a sua alma na montagem desse vitral?

Que a luz da Verdade que é Cristo, Nosso Senhor, transpasse sua alma e a faça brilhar diante de Deus e diante dos homens, neste século de trevas e de lama, é o que lhe deseja este pobre professor que o espera.


in Corde Jesu, semper, 
Orlando Fedeli.


PS. Nunca li Saramago, e nunca o lerei, pois o sei inimigo de Cristo. OF.

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