Montfort Associação Cultural

4 de março de 2015

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Quem apoiaria uma seita de escravos consagrados a um homem que se dizia imortal, o “único fiel”, necessário para a Encarnação de Cristo?

Enviada em:

11 / 02 / 2015

Nome:

Claudio de Cicco

Profissão:

Professor

Religião:

Católica

Local:

São Paulo – SP , Brasil

Título:

O Verdadeiro Motivo da ´Gnose-mania´.

Mensagem:

Li atentamente sua resposta do dia 28 de Janeiro de 2015. Vossa Senhoria escreveu uma resposta, voltando ao ataque à TFP, que só citei de passagem. Nada falou sobre a “Hora Presente” que seu Mentor chamava gratuitamente de “Hora Passada”, apesar de defender a doutrina católica.
Também, desconhecendo meus motivos, me apodou como camaleão.
Mas, no caso, o camaleão não sou eu. Verdadeiro camaleão foi certo professor de História, membro da TFP, que quis transformar um movimento de jovens católicos em um grupo de piratas, com sede no Bairro de Santa Cecília, mandando ler “A Ilha do Tesouro” e chamando de Saint-Malo o restaurante deles. Saint-Malo era um porto de piratas na Bretanha.
Substituído no trabalho de formação por um seu ex-aluno, a mando do presidente da organização, de repente descobriu, depois de trinta anos, que ela era gnóstica.
Rompeu com grande alarde de imprensa, para gáudio da esquerda e da falsa direita,e criou seu próprio grupo, em que tudo, desde o nome até o culto pela Idade Média, aprendeu lá com os “gnósticos”. Mas não ficou por aí.
De repente, descobriu que o Ordo da Missa de SS o Beato Paulo VI era herético, devido a um livro de um advogado, que nunca estudou teologia nem liturgia, membro da TFP, que a organização não quis publicar pois aludia claramente à possibilidade de um Papa herege !!
Iniciou a batalha contra a “Nova Missa”, acusando quem não a combatia de omissão e traição.
Tudo isso até hoje tem provocado angústias em pessoas que, abruptamente, ficam sabendo que assistem uma missa que não é católica! Conseguiu chamar a atenção sobre si, às custas da perda do rumo de incontáveis almas…que acabam não assistindo missa nenhuma!
Sua antipatia para com João Paulo II, hoje Santo canonizado, era tal que proibia qualquer elogio a suas encíclicas.
Anos depois, passou a elogiar o Santo Padre como baluarte da defesa da presença real de Cristo na Eucaristia. E não descansou enquanto não foi a Roma para ser fotografado junto ao Papa já muito doente…pois aquele seu aluno tinha formado uma Associação Religiosa de Direito Pontifício e se tornara Monsenhor e fora recebido pelo Papa que aprovou sua Associação.
É verdade que “tenho peregrinado por vários movimentos de direita”. Confesso que ando desiludido com eles… Eu peregrinei buscando me unir aos que combatiam o comunismo e, em minha luta no meio universitário, mais precisamente na Escola de Comunicações e Artes da USP, nos anos 70, só fui apoiado pelo jornal liberal “O Jornal da Tarde”, pelo saudoso jornalista Prof. Lenildo Tabosa Pessoa, que chamava seu Mentor de “João Plínio II”.
Agradeço a consideração por minha pessoa. Esteja certo que rezarei muito pelo seu pronto restabelecimento, pois, como o Senhor disse, há o perigo de certas pessoas influenciadas pela TFP, como é o vosso caso, se considerarem investidas de uma missão especial, ficando mentalmente perturbadas.
Atenciosamente,
Cláudio De Cicco

 

RESPOSTA

Prezado Professor Claudio de Cicco
Salve Maria!

Eis o senhor de volta. Se o senhor não frequenta a nossa sede, pelo menos, vem ao site. E como nos antigos tempos, de repente, muitos insultos, pouca lógica e nenhuma coerência.

Ouvi dizer que o senhor já se aposentou, mas de qualquer forma creio que o senhor deveria descansar mais e… se os sintomas persistirem consulte um médico.

Na sua primeira carta, o senhor exigia de nós um apoio a Dom Bertrand, em uma mensagem com críticas ao Papa Francisco. Agora ataca o Professor Orlando – parece que seu caso realmente é grave porque o senhor não consegue se lembrar do nome dele – por críticas a João Paulo II e à Nova Missa. Mas ainda depois ironiza nossa alegria com a Encíclica Ecclesia de Eucharistia, que tem uma belíssima defesa da Presença Real de Nosso Senhor na Santa Eucaristia… e o fato de um católico querer ser fotografado ao lado do Papa.

Afinal de contas, pelo que o senhor nos condena? Por criticar ou por apoiar o Papa? Ou por ambas as coisas?  Não tenha pressa, relaxe antes de responder, sem dúvida o senhor deve estar precisando.

E para complementar, repete calúnias que foram feitas contra o Professor Orlando no tempo em que ele formou o chamado grupo da Aureliano, onde estava João Clá – o qual, naquela ocasião, só pensava em beijar o pé de Plinio Correa e chamava a Igreja Católica de “Estrutura”.

O Professor Orlando havia feito, junto com seus alunos da sede da Rua Aureliano, um restaurante para o pessoal da TFP, com uma decoração com tema de Marinha e barcos. Plinio, que trabalhava para expandir sua seita secreta, a Sempre-Viva, inventou a calunia – que agora o senhor repete e que o senhor sabe que é mentira – de que havia por trás do restaurante uma sociedade secreta. Jamais houve disso uma única prova, uma única testemunha da calunia espalhada por Plinio.

Por outro lado a Sempre Viva, a seita secreta da TFP, foi admitida pelo próprio Plinio e por muitos de seus membros. E há farta documentação sobre a sua existência e sobre todas as loucuras que envolviam seus rituais.

Mas novamente, sem nenhuma base, o senhor afirma que a inveja do Professor seria o motivo de sua gnose-mania. Mais uma afirmação gratuita. Criticando pessoalmente o Professor, é o senhor quem foge do tema. As visões de Ana Catarina Emmerick, tão admirada por Plinio, são ou não gnósticas? A teoria do conhecimento de Plinio, baseada em Bergson, analisada e descrita em detalhe no livro “A Gnose Burlesca” pelo Professor Orlando, tem ou não tem uma base gnóstica? São essas as perguntas a que o senhor precisa responder antes de afirmar que existe uma mania de gnose – e justificá-la em uma inveja que nunca existiu.

Plinio, na realidade, preferia e sentia saudades dos “olhos redondos e andaluzes” de João Clá simplesmente porque este era um escravo que a tudo obedecia e que não tinha qualquer escrúpulo para atingir seus objetivos. Na TFP se dizia que João Clá corava… quando dizia a verdade.

Mas se o senhor considera João Clá um exemplo a ser seguido, como defende Dom Bertrand e o IPCO? Eles se odeiam! Eles não param de se processar na Justiça. Se pudessem se matariam uns aos outros. O senhor tem de escolher um ou outros… Quem não percebe contradições evidentes tem uma doença. Creio que o senhor conheça o nome.

No final o senhor se vangloria de ter recebido o apoio do Jornal da Tarde, da família Mesquita, grande inimiga da Igreja Católica. Dr Plinio, João Clá, Mesquita. O senhor se dá bem com todos eles. Aparentemente inimigos… mas será? O que eles têm em comum?

Porque o seu grande amigo Lenildo Tabosa disse ao Professor Orlando: “o Mesquita manda avisar que, se for para destruir a TFP, você não terá uma única linha no Estadão”?

O senhor se queixa que não respondi sobre a “Hora Ausente”. E que a citação do IPCO foi só de passagem (bem, foi uma passagem bem longa que até tive de abreviar!). Mas foi o senhor quem não respondeu às observações de minha carta: afinal, a TFP não acabou por desviar a reação católica na questão da Missa Nova e em outras questões fundamentais da religião católica? E a carta de Dom Bertrand, que efeito teve?

E porque não falei da Hora Presente, ou da Hora Ausente? Porque nos dias de hoje ela é Hora Inexistente. Ou seja, ela não tem mais importância alguma. Ao contrário da TFP e da Sempre-Viva, que pareciam estar mortas, mas na realidade estão vivas. Vivas por uma ação secreta e diabólica.

A TFP agora consegue uma carta de apoio do Cardeal Burke citando favoravelmente a Plinio Correa. É muito triste. Quem conhece a turma do IPCO, sabe que a manobra é muito simples: assim como eles conseguiram enganar Dom Mayer por trinta anos, agora também enganam ao Cardeal Burke.

O senhor acha possível que o Cardeal Burke apoiaria uma seita onde as pessoas se consagram como escravos a Doutor Plinio? O qual passava a ter sobre seus escravos os mesmos direitos que o senhor romano tinha, exceto o poder de vida e de morte? Ele elogiaria um homem que se dizia imortal? Que anunciava que fundaria um reino milenarista, onde a reprodução humana se faria pela palavra?

O Cardeal Burke apoiaria um homem que se dizia o maior santo da História? Que se não fosse pela antevisão de sua fidelidade – dele, Plinio – Nosso Senhor Jesus Cristo não teria se encarnado?

Dei-lhe apenas alguns exemplos – publicamos um livro de 600 páginas com as loucuras da TFP!  Se o Cardeal Burke conhecesse apenas algumas delas, certamente não elogiaria Plinio Correa. Assim, tenho plena convicção de que a atitude do Cardeal Burke se deve a sua falta de conhecimento.

Infelizmente, o mesmo não se pode dizer daqueles que foram alunos do Professor e que – tendo conhecido todos os problemas da TFP, dos Arautos e do IPCO,  tendo concordado com o Professor Orlando e se disposto a ajudá-lo no combate a esta seita gnóstica – agora, atrás do prestigio de algumas curtidas, ocultando-se covardemente atrás de pseudônimos, divulgam a TFP como se de nada soubessem…

Como disse uma grande amiga – de muitas batalhas, de muitas lutas, mais que uma aluna, uma alma profundamente unida ao Professor Orlando – isto não é só trair o Professor, é muito pior, é trair a Igreja!

Que Deus tenha pena destas pessoas, mas o que elas responderão quando Deus lhes perguntar: “Porque vocês enterraram o talento que lhes dei, fingindo não saber nada sobre uma seita secreta?”

E se, porventura, o Cardeal Burke soubesse de tudo o que aconteceu na TFP – coisa em que, repito, eu não acredito – e mesmo assim a apoiasse?

A resposta é muito simples. Se o Cardeal Burke tem o direito e o dever de resistir até ao Papa, se o Papa diz algo contra a doutrina católica, muito mais nós teremos o direito e o dever de resistir ao Cardeal Burke!

Agradeço suas orações, sobretudo se elas são dirigidas para que eu não caia na tentação do orgulho. A humildade é uma virtude que sempre devemos ter, mas difícil de ser conquistada. De minha parte rezarei também pelo senhor, especialmente para que o senhor possa descansar.

 

Alberto L. Zucchi

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