Montfort Associação Cultural

10 de março de 2016

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Quatro religiosas e colaboradores massacrados por islâmicos no Iêmen, em ataque de “violência diabólica”, segundo o Papa Francisco

Missionárias da Caridade mortas no Iêmen


Fontes da notícia: Sapo, Sul 21, Radio Vaticano, ACI Digital

 

Quatro freiras das Missionárias da Caridade foram assassinadas esta sexta-feira na cidade de Aden, no Iémen.

As irmãs, duas do Ruanda, uma do Quénia e uma da Índia, operavam um lar para idosos naquela cidade, que foi tomado de assalto por seis homens armados, ao que tudo indica por radicais islâmicos que as mataram por serem cristãs.

Uma testemunha, Khaled Haidar, disse que havia contado 16 corpos, entre eles o de seu irmão, Radwan. Todos receberam tiros na cabeça e haviam sido algemados. Segundo ele, além das quatro freiras, um cozinheiro iemenita e guardas do próprio país estavam entre os mortos.

Uma freira conseguiu sobreviver ao ataque, tendo-se escondido num frigorífico quando ouviu um dos guardas gritar-lhe para fugir. Dois dos atacantes permaneceram no exterior do edifício enquanto os outros quatro entraram e levaram a cabo o massacre. As primeiras notícias não são claras sobre se alguns dos 80 residentes idosos estão entre as vítimas, ou se os terroristas apenas mataram funcionários e estrangeiros.

Os extremistas teriam sequestrado o Padre Tom Uzhunnalil, sacerdote salesiano indiano que vivia na estrutura e que, durante o ataque, estaria rezando na capela. Padre Tom estava no convento desde que sua igreja da Sagrada Família em Áden foi roubada e queimada por homens armados não-identificados no mês de setembro,e era o último sacerdote católico que permanecia na cidade.

O Papa Francisco afirmou que “estes são os mártires de hoje” e lamentou que “não aparecem nas capas dos jornais e nem são notícia”. “Estas religiosas deram seu sangue pela Igreja. Foram vítimas do ataque que as assassinaram, mas também foram mortas pela indiferença, por esta globalização da indiferença a quem não nada importa”. Sábado, 5, por meio do Secretário de Estado, Cardeal Parolin, Francisco enviou uma mensagem de pesar à Congregação, manifestando sua profunda tristeza e qualificando o ataque como uma “violência insensata e diabólica”.

Para o vigário apostólico da Árabia Meridional, Dom Paul Hinder, “a gente sabia que a situação estava difícil e que as irmãs, que no passado foram objeto de ataques mirados, corriam um certo risco”. Todavia, “elas tinham decidido de ficar independente de qualquer coisa que acontecesse, porque faz parte da espiritualidade delas. De resto, estava claro que ‘a região não estava segura’”, finalizou o vigário.

Posteriormente, Dom Paul Hinder declarou em entrevista à ACI que, embora a grande mídia tenha ignorado a motivação religiosa no massacre das Missionárias da Caridade no Iêmen,  “não há dúvida de que as irmãs foram vítimas de ódio contra nossa fé”.  “Quando eu digo que ‘morreram por ódio à fé’, quero dizer que as Missionários da Caridade morreram como mártires: como mártires da caridade, como mártires porque testemunharam Cristo e compartilharam muito de Jesus na cruz”.

Dom Paul Hinder disse que nesta região “existem alguns grupos radicais que simplesmente não suportam a presença de cristãos que servem aos mais pobres dos pobres”, pois isto contrasta com o sistema existente; embora a população do Iêmen “estime e aprecie as Missionárias da Caridade e seu dedicado serviço”. “Para ser claro: não há razão para isso, a menos que os autores, deliberadamente ou não, sejam agentes do diabo”.

 

As Missionárias da Caridade foram estabelecidas pela Madre Teresa. A entidade já foi alvo de um ataque no Iêmen em 1998, quando homens armados mataram três freiras na cidade portuária de Hodeida, no Mar Vermelho.

Uma guerra civil dividiu o país em dois. Na região norte, os rebeldes xiitas estão no controle, mas essa área é alvo de uma grande campanha aérea da coalizão liderada pelos sauditas. Na região sul, controlada pelo governo reconhecido internacionalmente e apoiado pela Arábia Saudita, há um vácuo de poder e de segurança. O Estado Islâmico e afiliados da Al-Qaeda exploraram esse vácuo de poder e passaram a controlar áreas no sul iemenita.

A cidade de Aden, que já foi um importante centro de comércio internacional, tinha grandes comunidades cristãs e hindus. Com a violência em todo o país, praticamente todos os membros destas comunidades fugiram.

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