Montfort Associação Cultural

27 de abril de 2010

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Quantos bispos ainda vão renunciar, Sr. Orlando?

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Maria de Lourdes Gonçalves
  • Localizaçao: Congonhas do Campo – MG – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Religião: Católica

Prezado Sr. Orlando,

Antes de mais nada, gostaria de dizer-lhe que fiquei muito surpresa ao vê-lo falar num dos vídeos da Montfort. Se não me engano o título do documentário é: “Aula de Catecismo”. O Sr. é uma pessoa muito simpática, ao menos naquela gravação. Mas, acho que o Sr. foi muito espontâneo. Eu não o imaginava assim, visto que, quando escreve parece ser muito cruel, reacionário, chegando até às raias da malcriação. Depois de vê-lo, me veio a vontade de conhecê-lo pessoalmente, ainda que tenha muitas reservas quanto ao seu pensamento tão arcaico. O Sr. fala ainda em “catecismo”, termo que denota dogma? O nome atual e próximo do koiné é “catequese”, que denota anúncio, publicação, etc.

Mas, o que me intriga e o que gostaria de saber do Sr. é o seguinte: com essa onda de bispos renunciando – hoje já são quatro (2 na Irlanda, 1 na Alemanha e 1 na Bélgica) – por pedofilia ou por maltratos a crianças, aonde é que vamos parar?

Aguardo seu douto pronunciamento.

Continuo rezando por sua conversão.

Maria de Lourdes

Muito prezada Maria de Lourdes,
Salve Maria!
 
Pois lhe garanto que sou eu mesmo que escrevo “cruelmente” (???), e o que dá as aulas “simpáticas”. A verdade é que é dura, não eu, que choro facilmente, e que perdôo antes mesmo de chorar.
Uma vez, um professor que me convidou, seis meses seguidos, para dar palestras na Unicamp e em certos ambientes religiosos. E numa dessas ocasiões, sussurrou para alguém sem saber que era um meu aluno: ”Esse professor é tão mal educado… Mas ele é tão divertido…”
Eu posso ser “divertido”.
Mas verdade não é divertida .
Ela é dura e inflexível. E faz doer nossa consciência e perturba o coração quando ele é apegado Às simpatias do mundo e da moda.
Certamente não tive educação aristocrática e francesa, como comentou, certa vez, um padre: “O Professor Fedeli é um italianão grosseiro, que jamais poderia compreender as maneiras aristocráticas e francesas de Dr. Plínio…”.
Graças a Deus!
 
Meu pai era um operário que foi muito mal educado, a ponto de gritar num comício fascista: “Abasso Il Duce!!!”.
Abaixo Mussolini!
Que “mal educado” era meu pai… E como era valente.
Sem medo de atacar o Duce fanfarrão num comício de fanáticos.
 
Essa “má educação” de meu pai lhe valeu uma surra e sangue. E ele foi obrigado a vir para o Brasil. Daí, nasci eu. Muito mal educado por um operário grosseiro e valente e por uma mãe pobre, fraca, mas generosa e paciente. Certamente mal educada.
 
A senhora me diz que pareço cruel…
Ainda bem que só pareço.
Mas como a senhora classificaria alguém que convidado a um almoço por pessoa de certa profissão, durante esse almoço, ataca, crítica e amaldiçoa violentamente os que tinham a profissão do anfitrião? E quando um outro desse grupo protesta contra o convidado ao almoço, este reforça a dose, e amaldiçoa também esse outro conviva do mesmo anfitrião?
Certamente, hoje, se  tenderia a chamá-lo de violento, de cruel e de mal educado.
Pois esse homem foi o Deus encarnado aquele que disse: “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração”.
Foi Ele mesmo que convidado para um almoço na casa de um fariseu, entre escribas e doutores da Lei, foi Ele que os atacou violentamente e os amaldiçoou, dizendo-lhes: “Malditos escribas e fariseus Hipócritas!” E quando um Doutor da Lei se levantou, dizendo: “Assim ofendes também a nós Doutores da Lei!”. Jesus lhe retrucou: ”Malditos vós também Doutores da Lei!”.  
 Aprendi com Jesus. Deus me faça aprender com Ele a chorar, perdoar e amaldiçoar. Era manso e misericordiosos para os que O temem e se arrependem, e forte contra os que O odeiam
 
Simpático?
 
Cristo, manso e humilde, foi tão violento, que não O suportaram. Crucificaram- nO. E foi ele que disse: “Sereis odiados por causa de meu nome. Veja, Dona Maria de Lourdes, que Ele não profetizou que seríamos tidos como simpáticos, mas odiosos.
       
A senhora me diz que tenho pensamento tão “arcaico”.
Simpática e divertidamente protesto.
As verdades que defendo não são arcaicas. São muito mais que arcaicas.
São eternas. Por acaso a senhora renegou que 1+1 são 2?
Pois essa também é uma idéia bem arcaica.
“Verdades” moderninhas só se acham nos hospícios, em certas cátedras universitárias, na Filosofia moderna, e ceratamente em muitos seminários…
A senhora vê, que posso ser arcaico e divertidamente simpático.
As flores, tão delicadas, são elas também arcaicas: há séculos e séculos nascem e crescem delicadas e perfumadas. E palavra de Deus é uma bem velha  espada. E sempre pedi a Deus que fizesse de minha alma uma espada.
Simpática?
Que ela seja justa.
 
A senhora me diz uma frase que revela sua “formação” em sacristias modernistas:
O Sr. fala ainda em “catecismo”, termo que denota dogma? O nome atual e próximo do koiné é “catequese”, que denota anúncio, publicação, etc.”.
Claro que defendo e propago os dogmas da Igreja Católica. E os defendo de alma, coração e língua!!!
Uma Igreja sem dogmas é um cadáver em putrefação.
Disse-nos Jesus: “A Verdade vos libertará”.
Anúncio?
Anúncio sem dogma é apostasia. Anúncio sem verdade é o dos out doors de propaganda enganadora.
 
O Procon de Deus está mostrando a falsidade desse ‘anúncio” vazio do modernismo, pois que recusou o dogma, trocando-o pela evolução e pelo relativismo.
E a senhora me pergunta onde vamos parar com o anúncio de tantos Bispos pedófilos (E temo, minha senhora, que estamos apenas no começo da imensa fileira dos out doors modernistas pedofílicos).
Vamos à decomposição da Nova Igreja modernista, e à decomposição da civilização em selvageria. Repare nos botoques como se espalham.
Repare na diminuição espantosa do vocabulário. Repare nos Bispos de cocar de pajé. No Brasil, há vários. Repare na “civilização” da morte, e como ela vaí crescendo com o aborto e a eutanásia.
Com a omissão dos Bispos sorrindo simpáticos…
 
Onde vamos parar?
Mas eles já pararam .
Em Arapiraca.
O pessoal que falava em proclamar e anunciar já chegou.
Em Brugges e Arapiraca.
 
Cruel, eu?
Que tivesse eu a virtude que fazia da boca dos santos um vulcão lançando fogo.
Infelizmente sou apenas “simpático”…
O que me causa medo.
Prefiro ser odiado pelos maus.
 
Mas prefiro também acolher com caridade aqueles que me desejam conhecer de perto.
Por isso,  por mandamento de Cristo Deus, e  graças à sua boa vontade para comigo, lhe digo que gostaria muito de conhecê-la pessoalmente. Pena que a senhora more tão longe de São Paulo.
Que bom que a senhora more em Congonhas do Campo.
Porque, se morasse a senhora em São Paulo, pediria à minha esposa que a convidasse para jantar em nossa casa, para nos tornarmos bons amigos em Cristo. Para sempre. Unidos na verdade dogmática que jamais muda.
 
E que bom que a senhora more em Congonhas do Campo, podendo ver, em cada entardecer, os rostos terríveis dos Profetas contemplando o futuro…
A senhora repare como o rosto deles é vulcânico. Repare como eles são espiritualmente belos, em seus rostos escarvados das rugas profundas do tempo, com seus narizes aduncos e ameaçadores como águias agressivas, com seus olhos mansos e terríveis como os de Cristo Deus.
Simpáticos os Profetas de Congonhas?
Não!
Terríveis e dogmáticos. Contemplando verdades eternas no horizonte da eternidade. Eles não são out doors mentirosos e vazios de verdades
Eles permanecem eternamente olhando o horizonte.
O horizonte…
O horizonte. Esse lugar misterioso em que o céu encontra a terra e a terra beija o céu.
Maria Santíssima beijando o a Deus Menino, que ela concebeu em seu seio. Jesus: Deus e homem, na união hipostática que une o céu à terra . No seio de uma mulher: Maria santíssima.
E este não é um pronunciamento “douto” meu, e nem ele é  simpático. É um pensamento que quer refletir no eterno, porque ternas são as palavras de Deus. Palavras que Ele permitiu que repetíssimos como um eco.
Sempre o mesmo.
Sopro humano com lez da eterna verdade.
A Palavra… Horizonte em que a luz eterna se funde no sopro de nossa boca.
Vindo a São Paulo, eu a espero para um jantar. Indo a Congonhas, gostaria de encontrá-la para contemplarmos juntas os olhos de pedra dos Profetas contemplando as verdade da pedra deixada por Cristo em Pedro.
 
In Corde Jesu, caridosamente no fogo e na mansidão, semper,
Orlando Fedeli

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