Montfort Associação Cultural

22 de fevereiro de 2006

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Quanta Cura e Concílio Vaticano II

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: leonardo m
  • Localizaçao: Rio de Janeiro – RJ – Brasil

Na encíclica Quanta Cura encontrei a razão pela qual devo seguir o Vaticano II, mesmo não entendendo algumas coisas que causam perplexidade em muitos e que pelos Papas será interpretada à luz da Tradição em tempo oportuno.
Vejam:

6. Por outro lado, renovando os erros, tantas vezes condenados, dos protestantes, atrevem-se a dizer, sem vergonha nenhuma, que a suprema autoridade da Igreja e desta Sé Apostólica, que outorgou Nosso Senhor Jesus Cristo, depende em absoluto da autoridade civil; negam à própria Sé Apostólica e à Igreja todos os direitos que tem nas coisas que se referem à ordem exterior. Nem se pejam de afirmar que “as leis da Igreja não obrigam a consciência, senão se promulgada pela autoridade civil; que os documentos e os decretos dos Romanos Pontífices, até os tocantes à Igreja, necessitam da sanção e aprovação – ou pelo menos do assentimento- do poder civil; que as Constituições apostólicas[6] – pelos que se condenam as sociedades clandestinas ou aquelas em que se exige o juramento de manter o secreto, e que se excomungam seus adeptos e fautores- não têm força nenhuma naqueles países onde vivem toleradas pela autoridade civil; que a excomunhão lançada pelo Concílio de Trento e pelos Romanos Pontífices contra os invasores e usurpadores dos direitos e bens da Igreja, apoia-se numa confusão da ordem espiritual com o civil e político, e que não tem outra finalidade que promover interesses mundanos; que a Igreja nada deve mandar que obrigue a as consciências dos fiéis na ordem ao uso das coisas temporais; que a Igreja não tem direito de castigar com penas temporais os que violam suas leis; que é conforme a Sagrada Teologia e aos princípios do Direito público que a propriedade dos bens possuídos pelas Igrejas, Ordens religiosas e outros lugares piedosos, há de atribuir-se e vindicar-se para a autoridade civil”. Não se pejam de confessar aberta e publicamente o herético princípio, de que nascem tão perversos erros e opiniões, isto é, “que o poder da Igreja não é por direito divino distinta e independente do poder civil, e que tal distinção e independência não se podem guardar sem que sejam invadidos e usurpados pela Igreja os direitos essenciais do poder civil”. Nem podemos passar em silêncio a audácia de quem, não podendo tolerar os princípios da sã doutrina, pretendem “que aos juízos e decretos da Sé Apostólica, que têm por objeto o bem geral da Igreja, e seus direitos e sua disciplina, enquanto não toquem os dogmas da fé e dos costumes, se pode negar assentimento e obediência, sem pecado e sem nenhuma violação da fé católica”. Esta pretensão é tão contrária ao dogma católico do pleno poder divinamente dado pelo próprio Cristo Nosso Senhor ao Romano Pontífice para apascentar, reger e governar a Igreja, que não há quem não o veja e entenda clara e abertamente.

Em destaque:

“Nem podemos passar em silêncio a audácia de quem, não podendo tolerar os princípios da sã doutrina, pretendem “que aos juízos e decretos da Sé Apostólica, que têm por objeto o bem geral da Igreja, e seus direitos e sua disciplina, enquanto não toquem os dogmas da fé e dos costumes, se pode negar assentimento e obediência, sem pecado e sem nenhuma violação da fé católica”. Esta pretensão é tão contrária ao dogma católico do pleno poder divinamente dado pelo próprio Cristo Nosso Senhor ao Romano Pontífice para apascentar, reger e governar a Igreja, que não há quem não o veja e entenda clara e abertamente”. PIO IX

Lembro que a frase “que têm por objeto o bem geral da Igreja” é oração adjetiva explicativa. Ou seja, por ser decreto da Sé Apostólica já é algo automaitcamente bom, senão estaria negada a promessa de Jesus a Pedro. E o erro solenemente condenado não admite nenhuma exceção, ainda mais para o caso de Concílio ecumênico. Será que vcs vão usar o historicismo que condenam para dizer que essa verdade só valia para o tempo de Pio IX e que não vale mais para hoje ?
Respondam-me: Esse ensino de Pio IX evolui ?

Os senhores vêem que a única via que sobra com coerência interna que nega o vaticano II é a heresia sedevacantista. Logo, a única posição tolerável é defender a letra do concílio e abdicar do livre exame protestantoso da Tradição e do Magistério pré-conciliar.

Embora tenha já visto que os senhores sejam relutantes, eu os exorto a que façam sua comunhão com Roma mais plena do que a que existe hoje, por uma adesão integral ao Vaticano II. Afinal, não acredito que os senhores vão negar o assentimento que a Quanta Cura pede. Ou vão dizer que Pio IX errou quando escreveu aquilo ?

Que Deus vos abra os olhos !

Muito prezado Leonardo,
Salve Maria!
 
    Muito lhe agradeço os textos de Pio IX, que você me mandou da Quanta Cura.
    Você me pergunta se o que Pio IX ensinou vale ainda hoje, ou se a doutrina católica evoluiu. A doutrina católica não evolui nunca. É sempre a mesma. Creio firmemente, pois, que esses textos de Pio IX valem para sempre.
    Portanto, o Concílio Vaticano II errou ao contrariar o que Pio IX ensinou na Quanta Cura e no Syllabus.
    E que o Vaticano II ensinou  o contrário do que ensinou Pio IX é admitido expressamente pelo próprio Cardeal Ratzinger, quando escreveu:

“Se se deve emitir um diagnóstico global sobre esse texto
[da Constituição Apostólica Gaudium et Spes do Vaticano II] , poderia dizer-se que significa (junto com os textos sobre a liberdade religiosa e as religiões mundiais) uma revisão do Syllabus de Pio IX, uma espécie de Antisyllabus” (Cardeal Joseph Ratzinger, Teoria dos Princípios Teológicos, Herder, Barcelona, 1985, p. 457).

    Portanto, você mesmo se condenou, meu caro Leonardo. E nós da Montfort, assim como recusamos os erros do Vaticano II, concílio pastoral e não infalível, condenamos também o sede vacantismo, afirmando e aceitando, graças a Deus, que os chamados Papas conciliares são Papas mesmo, ainda que conciliares, porque ninguém pode julgar o Papa.
E louvado seja Deus que nos abriu os olhos para ver claro.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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