Montfort Associação Cultural

5 de maio de 2008

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Quando o Santíssimo pode sair do altar?

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Anônimo
  • Localizaçao: – Brasil
  • Escolaridade: 1.o grau concluído
  • Profissão: Ass. Financeiro
  • Religião: Católica

Boa Tarde Amigos!
Que a Paz do Senhor Nosso Deus estaja com todos, e Salve Maria!

Prezados Senhores,

Já faz algum tempo que acesso quase que cotidianamente este site tão rico em matéria de fé Católica. Confesso, discordo de algumas posições de vocês mas, tenho aprendido muito sobre a Igreja de Deus.
Eu sempre pensei que não basta crer em Deus, como diz São Tiago: os demônios também crêem, e os protestantes também crêem. Tenho a convicção de que além de fé, o cristão católico (e principalmente o católico brasileiro) necessita de conhecimento. Precisamos conhecer nossa Igreja, precisamos saber de sua história, já que os inimigos da fé costumam inventar mentiras sobre a fé Católica e infelizmente por falta desse conhecimento, hoje muitos dos chamados protestantes são ex-católicos que acreditaram nas mentiras pregadas por muitos pseudos-pastores “evangélicos”. Digo isso por mim mesmo, já que sou cercado de “evangélicos” que gostariam que eu fosse um de seus prosélitos.
Graças a Deus, desde que decidi buscar-lo , decidi que queria seguir o caminho certo e nessa sede muitos desses protestantes tentaram me “converter” às suas “igrejas” só que, apesar de pairarem várias dúvidas sobre a Igreja Católica Apostólica Romana, antes de me lançar em uma aventura protestante, eu quis saber a verdade sobre a qual Jesus chama, Minha Igreja. O mais incrível é que quanto mais eu ouvia os despautérios protestantes a respeito de nossa amada Igreja e sua doutrina, mais eu pesquisava e percebia que eram apenas mentiras deslavadas. Mas confesso que meus conhecimentos são ainda muito superficiais, apesar de me darem condições de defender a fé católica diante de qualquer protestante, seja ele “pastor” ou não.
Bom, sem mais delongas, gostaria que vocês me tirassem uma de minhas dúvidas:

Sou músico da Igreja e toco na missa. Minha paróquia é nova, nosso pároco é novo. Sempre entendi que o momento da consagração da hóstia é um momento de profundo silêncio, só que o nosso padre pede que cantemos uma canção de adoração. Apesar de oferecer resistência a isso, resolvi ceder pelo fato de ele ser o pároco. Porém, logo na primeira vez que cantamos uma música, o padre (que amo muito) ergeu o Corpo e o Sangue de Jesus e começou a “desfilar” pela capela. Minha vontade foi de parar na hora, mas continuei e a missa continuou sem mais problemas. No outro sábado, eu disse ao pessoal do ministério de música que não cantariamos na hora da consagração, disse a eles os motivos e todos aceitaram mesmo que alguns não tivessem de acordo. Na hora da consagração, o padre ficou esperando a música e quando olhou para mim como que cobrando, sinalizei com a cabeça dizendo que não cantariamos. Mais uma vez, a missa continuou sem que ninguém percebesse. Ao final da missa ele veio perguntar porque não haviamos cantado, eu expliquei a ele o meu entendimento sobre a questão. Houve uma ameaça de discussão e eu disse a ele que por ele ser o pároco e por ser sua vontade nós até cantariamos alguma música, mas, se a cena do “passeio” do Santíssimo se repetisse, não cantariamos mais, ele me olhou com certa resistência e não repondeu nada. De lá para cá, continuamos a cantar no momento da consagração, mas o padre também não arriscou a sair do altar com o Santíssimo na mão, no máximo, às vezes ele faz um momento de adoração mais profunda. Só que não sei se é apenas impressão minha, mas desde então, nossa relação já não foi mais a mesma, sinto que perdemos o espaço e o prestígio que tinhamos na paróquia, ao mesmo tempo que tenho visto e ouvido sobre pessoas que não tem uma vida tão exemplar assumindo posições de destaque.. Não que isso seja o mais importante, mas é que as vezes penso: Será que agi certo? Continuo tratando-o com toda reverência que ele merece enquanto padre e ele também me respeita muito. Onde quer que nos encontramos eu peço a benção e beijo sua mão, ele por sua vez, me abençoa, me abraça e me beija a face. Mas ainda fico na dúvida.

Por isso gostaria que os senhores da Montfort me respondessem:

É certo (ou pelo menos admissível) que o padre tome em suas mãos o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor e comece a andar pela capela?

Quando isso pode acontecer?

A procissão do Santíssimo só pode acontecer por ocasião da solenidade do dia de Corpus Christi?

Se puderem, enviem-me algum material que trate do assunto.

Agradeço a vossa atenção.

Que Deus abençoe a Montfort.

*ps. Enquanto eu escrevia essa carta, uma dúvida me atormentava, eu não sabia se pedia ou não que não revelassem meu nome para evitar algum eventual problema. Confesso que continuo na dúvida, então, por favor, queiram por gentileza colocar apenas as iniciais  Obrigado.

Muito prezado X,
Salve Maria.
  

    Alegra-me que a Montfort o tenha ajudado a responder aos hereges protestatntes e lhe agradeço os elogios que faz ao site Montfort. Peço-lhe que reze sempre por nós.
    Passo a responder diretamente suas perguntas. 

    O padre não é dono da liturgia. Ele é obrigado a seguir estritamente as rubricas da Missa fixadas pela Igreja. 
    Infelizmente, na Missa nova de Paulo VI, se permitiu a criatividade. Isto é que permitiu que se fizessem tantos abusos. Nem na Missa de Paulo VI, porém, se permite ao Padre sair com o Santíssimo Sacramento passeando pela igreja e, como alguns padres fazem, dançando com a Hóstia consagradamas mãos.
    Sempre que o sacerdote é obrigado a transportar o Santíssimo Sacramento de um local a outro, isso deve ser feito com o maior respeito: o padre deve usar uma capa especial, deve ser acompanhado no trajeto por dois coroinhas, segurando velas acesas, e ao toque de campainhas, anunciando ao Povo que deve então adorar o Santíssimo Sacramento em seu trajeto. Tudo isso visa dar consciência da presença real de Cristo na Hóstia consagrada.
    Isso pode acontecer, por exemplo, quando o padre leva a Hóstia da capela do Santíssimo ao altar onde se realiza a Missa. Ou na procissão de Corpus Christi, como você mesmo lembra.
    O que você conta que esse padre faz é um absurdo. Não colabore de modo algum com esse ato.
    Você faz muito bem demonstrando respeito pelo padre. Mas não convém que ele o beije na face. Isso não é costume entre católicos. Isso é esquisito…
    Lembre-se que que Judas beijou Cristo na face…
    E é lógico que esse padre entregue cargos na paróquia a pessoas que não praticam a religião. Isso vai piorar. Prepare-se para o pior.
    A seu pedido, ocultei seus dados e troquei suas iniciais porque é certo que esse apdre vai persegui-lo se souber que me escreveu. Eles chamam isso de caridade. Eles falam de amor e são ferozes…
    Um abraço

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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