Montfort Associação Cultural

29 de janeiro de 2008

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Qual a posição oficial da Igreja sobre o Concílio Vaticano II?

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Carla Bianca
  • Localizaçao: Goiânia – GO – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Profissão: Dentista
  • Religião: Católica

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
Prezados senhores da Montfort,

Tenho procurado servir à minha Igreja fielmente, mas estou encontrando muitas dúvidas.
Gostaria de perguntar-lhes:
1. Qual a posição “oficial” da Igreja sobre o Concílio Vaticano II? E do Papa Bento XVI?
2. O que foi declarado, nesse Concílio, dogma que antes já não era? O que há de Novo?
3. Sinceramente, negando esse Concílio tenho medo de estar negando a minha Igreja, em que eu a estaria negando?
Desculpem-me tão confusas dúvidas, mas quanto mais respostas eu busco mais dúvidas me aparecem. E lendo um artigo do Professor Alessandro Lima do site “Veritatis.com”, no qual é falado que os tradicionalistas são desobedientes a Mãe Igreja por negarem o CVII (…), fiquei com ….dúvidas, ainda mais.
Por favor, ajudem-me a aprender um pouquinho, uma vez que tenho muito a aprender e quero conhecer a Verdade!
Deus esteja sempre com vocês na busca da Verdade, e Nossa Senhora os proteja sempre.

Muito grata,
Carla Bianca

Muito prezada Carla,
Salve Maria.
 
    Para que um Concílio, ou qualquer declaração do Papa, seja infalível, deve:
 
               1) tratar de questões de Fé e de Moral, 
               2) querer ensinar a toda a Igreja, 
               3) com a intenção de usar o poder de infalibilidade dado por Cristo a São Pedro, definir verdades sobre Fé e moral positivamente, proclamando cânones infalíveis, e,  negativamente, proclamando anatematismos, isto é excomungando teses bem definidas, demonstrando a intenção de ensinar de modo inequívoco.
 
    Esse sempre foi o procedimento da Igreja em todos os Concílios anteriores.
    Nada disso aconteceu no Vaticano II.
    Um Concílio infalível deve ser aprovado pelo Papa declarando explicitamente que o aprova usando o poder dado por Cristo a Pedro. Ora, isso não aconteceu no Vaticano II. Nenhum ponto do Vaticano II foi aprovado de tal modo pelo Papa usando o poder das chaves.
    A posição oficial da Igreja é que o Vaticano II não foi um Concílio dogmático, mas apenas pastoral. Veja o que disse o próprio Papa Paulo VI ao encerrar o Concílio Vaticano II: 
 
“Há quem se pergunte que autoridade, que qualificação teológica o Concílio quis atribuir aos seus ensinamentos, pois bem se sabe que ele evitou dar solenes definições dogmáticas envolventes da infalibilidade do Magistério Eclesiástico. A resposta é conhecida, se nos lembrarmos da declaração conciliar de 6 de Março de 1964, confirmada a 16 de Novembro desse mesmo ano: dado o caráter pastoral do Concílio, evitou este proclamar em forma extraordinária dogmas dotados da nota de infalibilidade. Todavia, conferiu a seus ensinamentos a autoridade do supremo Magistério ordinário” (Paulo VI, Discurso no encerramento do Concílio, 12 – I 1966. Apud Compêndio do Vaticano II, Editora Vozes, Petrópolis, 1969, pg. 31).            
 
     O Cardeal Ratzinger, atual Papa Bento XVI, declarou:
 
 “A verdade é que o próprio Concílio não definiu nenhum dogma e conscientemente quis expressar-se em um nível muito mais modesto, meramente como Concílio pastoral; entretanto, muitos o interpretam como se ele fosse o super dogma que tira a importância de todos os demais Concílios.” (Cardeal Joseph Ratzinger, Alocução aos Bispos do Chile, em 13 de Julho de 1988, in Comunhão Libertação, Cl, año IV, Nº 24, 1988, p. 56).
 
    O Vaticano II não quis ensinar nada à Igreja com a intenção clara de definir nenhuma verdade.
    Veja as intenções do Concílio Vaticano II explicitadas por João XXIII, no seu discurso de abertura do Concílio, tais como foram expressas e  comentadas pela Revisata Si, si; No, no:
 
“I. O Concílio Vaticano II não tem uma intenção conforme à da Igreja. Na verdade, ele não foi convocado para defender e desenvolver o depositum nem condenar os erros modernos, e sim com outras finalidades, estranhas à natureza da Igreja. Eis as intenções de João XXIII:
 I.I. O aggionarmento:A finalidade do Concílio não é a discussão desse ou daquele tema da doutrina fundamental da Igreja”, mas estudar e expor a doutrina “através de formas de estudo e da formulação do pensamento contemporâneo (Joannes XXIII PP., Discours d”Ouverture de la première session, 11 octobre 1962, in Les documents du Concile Oecuménique Vatican II, Padoue, Gregoriana Editrice, 1967, pp. 1078-1079).
I.2. O ecumenismo terrestre da não conversão: “Eis a proposta do II° Concílio Ecumênico do Vaticano, [que]… prepara de algum modo e aplaina a via em direção à unidade do gênero humano, fundamento necessário para fazer que a cidade terrestre se torne à imagem da cidade celeste (Idem, p. 1082).
I.3. A não condenação dos erros:A Esposa do Cristo prefere recorrer ao remédio da misericórdia a brandir as armas da severidade. Ela estima que, ao invés de condenar, ela responde melhor às necessidades de nossa época, colocando em evidência as riquezas de sua doutrina” (Ibidem, p.1079).
 
    O que Paulo VI disse é ainda mais claro:
 
I.4. A autoconsciência da Igreja: Parece-nos que chegou a hora em que a verdade que diz respeito à Igreja do Cristo deva ser cada vez mais explorada, ordenada e expressa, não talvez através dessas fórmulas solenes chamadas definições dogmáticas, mas através de declarações pelas quais a Igreja diz a si própria, num ensinamento mais explícito e autorizado, o que ela pensa de si mesma” (Paulus VI PP., Discours, d”Ouverture de la deuxième session, 29 septembre 1963, in Les documents du Concile Oecuménique Vatican II, cit., p. 1095).
 I.5. A intenção ecumênica: “A convocação de Concílio… tende a uma ecumenicidade que gostaria de ser total, universal” (Ibidem, p. 1098).
 I.6. Diálogo com o mundo contemporâneo:Que o mundo o saiba: a Igreja o vê com uma profunda compreensão, com uma verdadeira admiração, sinceramente disposta não a subjugá-lo, mas a servi-lo; não a depreciá-lo, mas fazer crescer sua dignidade; não a condená-lo, mas a apoiá-lo e salvá-lo” (Ibidem, p. 1100).
Todas essas intenções declaradas não podem de modo algum engajar a plenitude de autoridade da Igreja, que recebeu uma missão completamente diferente de Nosso Senhor Jesus Cristo. Eis porque, diante dos textos conciliares, é preciso seguir as indicações do próprio secretariado geral do Concílio (16 de novembro de 1964): “Dado o costume geral dos concílios e a finalidade pastoral do Concílio atual, este define que somente devem ser considerados como sendo da Igreja os pontos referentes à fé e à moral, claramente declarados por ele. Quanto aos outros pontos propostos pelo Concílio, sendo um ensinamento do Magistério supremo da Igreja, todos os fiéis devem recebê-los e compreendê-los segundo o próprio espírito do Concílio, como resulta tanto da matéria tratada quanto da maneira pela qual ele se exprime, segundo as regras da interpretação teológica”. (Si, Si; No, No, números de Janeiro e Abril de 2006).
 
    O Magistério Extraordinário da Igreja é sempre infalível, mas o Vaticano II não foi Magistério Extraordinário.
    Também o Magistério Ordinário Universal da Igreja é infalível. Mas, para que haja Magistério Ordinário Universal é preciso que a Igreja garanta esse Magistério com sua plena autoridade. Ora, o Concílio Vaticano II não fez isso. Não usou a plena autoridade magisterial da Igreja. 
    Mais ainda, ensinou coisas contrárias ao Magistério anterior. E quando um Concílio ensina coisas contrárias ao que foi sempre ensinado, ele pode vir a ser condenado. Foi o que aconteceu com o Concílio de Constantinopla de 753 que, por ter ensinado coisas contrarias à doutrina de sempre, foi anulado e excomungado pelo II Concílio de Nicéia, em 787. Também o IV Concílio de Éfeso foi excomungado pelo Papa São Leão Magno em 449. São Leão proclamou dogmaticamente infalível apenas a carta que ele escrevera ao Arcebispo de Constantinopla, Flaviano, que foi condenado, preso, torturado pelos Bispos do IV Concílio de Éfeso. (São Flaviano morreu na prisão, em conseqüência das torturas que sofreu, e foi canonizado como mártir).
     Além disso, também é infalível o Magistério prudencial da Igreja, desde que nesse Magistério a Igreja use sua plena autoridade magisterial, e exige o assentimento dos fiéis.  Caso, porém, não use de plena autoridade magisterial da Igreja, o Magistério prudencial é falível, e se ensinar coisas contra a doutrina de sempre, pode-se e deve-se resistir a esse ensinamento novo e errado. E este é o caso do Vaticano II.
    Por isso é lícito criticar o Vaticano II. Por isso, o Papa Bento XVI deu direito ao Instituto do Bom Pastor de criticar o Vaticano II.
    Que o Magistério do Vaticano II foi meramente prudencial, se depreende do termo pastoral, que lhe foi conferido por João XXIII e por Paulo VI.
    Que significa pastoral?
    Pastoral é a ciência que ensina como  os pastores, os Bispos, devem cuidar das ovelhas. Portanto o Vaticano II tratou de uma  questão prudencial. E, como não usou da plena autoridade da Igreja, não foi infalível. Pior: ensinou coisas novas contrárias ao que sempre foi ensinado. Logo, o Vaticano II foi falível. E como ele trouxe grave ameaça à Fé — pior ainda: como ele danificou a Fé de muitíssimos católicos — se tem o dever de resistir a seus ensinamentos imprudentemente prudenciais. 
    Magistério ambíguo, é magistério nulo. Ora, o Concílio Vaticano II foi ambíguo. Logo seu Magistério não é infalível, e propiamente falando, então, nem magistério  é.
    Por causa da ambigüidade do Vaticano II, ele foi corrigido pelo próprio Papa Bento XVI que criticou a palavra subsistit, usada no Vaticano II, na Lumen Gentium.
    Portanto, se o Vaticano II teve que ser corrigido e explicitado, para deixar de ser ambíguo, seu conteúdo não foi infalível.
    Um Concílio tem uma letra e um espírito.
    O Papa Bento XVI condenou o chamado “espírito” do Concílio. 
 
    Conheço um indivíduo — que pretendeu ser meu aluno — e que condenou a letra do Concílio, exatamente por sua ambigüidade. Portanto, se o espírito do Vaticano II foi condenado pelo Papa Bento XVI, esse meu ex aluno tendo condenado a letra do Concílio por sua ambigüidade, pelo menos para esse “aluno” nada mais resta a salvar do Vaticano II
    O mais são picuinhas invejosas e rancorosas de papinhas eletrônicos de esplendorosa falsitatis.
    E escritas com muita baixeza.
 
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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