Montfort Associação Cultural

9 de março de 2005

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Psicologia: Método de Terapia de Integração Pessoal.

  • Consulente: Leandro Carvalho
  • Localizaçao: Belo horizonte – MG – Brasil
  • Escolaridade: 2.o grau concluído
  • Profissão: Programador
  • Religião: Católica

Irmãos da Montfort, a paz de Cristo!
Se vocês tiverem alguém da associação que é especializado em psicologia, gostaria de que fosse encaminhado a ele minha ‘carta’.
Freud definiu o ser humano como um iceberg, onde 2/3 de seu volume fica abaixo do nível do mar. Esses 2/3 seria o inconsciente – uma parte desconhecida e obscura, mas que faz parte do nosso ser. Ele dizia que o inconsciente só pode ser conhecido pelo afloramento simbólico ao consciente, onde se poderia decifrar tais simbolismos para realizar terapias. Daí fazia-se a hipnose, onde as pessoas ficavam fora de si, e o psicólogo tinha de interpretar os afloramentos do inconsciente.
Atualmente, um psicóloga, de nome Renate Jost de Moraes, desenvolveu uma metodologia de uma pessoa conscientemente, chegar ao inconsciente, realizando-se terapias.
Gostaria de saber se vocês conhecem essa metodologia (chamada TIP).
Pessoalmente, achei que seus livros trazem muita informação interessante. Em um estudo que estou escrevendo sobre a realidade de Deus, vista pelo interior do homem, tirei alguns trechos do livro desta psicóloga, que queria apresentar a vocês. Afinal, se o trabalho dela tiver coisas boas como me pareceram, pode ser útil para nosso crescimento. Se vocês conhecem o trabalho de tal psicóloga e tem alguma consideração a fazer, gostaria de receber seus comentários.

Veja um trecho do que foi visto por um paciente em nível inconsciente, ao rever a ocasião de sua concepção. (Interessante citar que pela experiência clínica, qualquer pessoa descreve de maneira parecida a concepção, independentemente do credo):

“Paciente – Isso aqui, a parte que observa é a essência que dá “vida humana” ao zigoto.
Terapeuta – Descreva melhor…. O que você vê concretamente?
Paciente – Essa parte minha, aqui de cima, já estava esperando a formação do zigoto. Essa parte já sabia que eu sou uma pessoa e que sou mulher, antes dos gametas se unirem.
Terapeuta – Continue descrevendo o que você vai enxergando…
Paciente – Estou vendo como se fosse “eu” duas vezes… Uma pessoa “transparente” se sobrepõe e se funde a uma pessoa física… Não, ela não se sobrepõe, ela se entranha à outra, ela “circula”… Ela é a vida…. É essa parte que aciona a vida física, ela impulsiona o sangue, as células, ela faz o corpo viver….
Terapeuta – Mas o corpo humano por si só não tem vida? Os animais tem vida!
Paciente – Essa vida não é só biológica. A vida humana tem algo especial… O meu “eu transparente” aciona o movimento da vida. E o meu “eu transparente” não é biológico…
Terapeuta – Qual a diferença entre a vida humana e a biológica? Não entendi bem…
Paciente – Oh, o que vejo é isso: existe a vida biológica…. mas “eu”, a minha vida de “ser” pode interferir nela. O meu “eu” é como se fosse o “chefe” da vida biológica…. Eu posso deixar acontecer, mas também posso mudar a minha vida biológica…”

Um trecho da terapia de uma bióloga, sobre a sua concepção:
“Terapeuta – Você viu seu óvulo e seu espermatozóide em relação aos seus antepassados… Agora observe para ver se há alguma relação entre esses gametas e o núcleo de Luz…
Paciente – Estou vendo o mapa do mundo.
Terapeuta – Onde? Qual a relação?
Paciente – É algo que se coloca entre o núcleo de Luz e os Gametas… Significa uma relação.
Terapeuta – Relação?
Paciente – Quer dizer: amplitude… universalidade… o sinal comum… também não entendo bem…
Terapeuta – Peça ao sábio uma explicação melhor, o relato dos fatos…
Paciente – O mapa é um sinal que vale para os dois (gametas e núcleo de Luz)… Há uma marquinha…. amarela, luminosa… uma cruzinha de marcação… mas ela também é a cruz de Cristo… Um dos braços é mais curto, outro mais longo…
Terapeuta – Está ficando difícil de entender… explique melhor.
Paciente – É que existe uma cruz no núcleo de Luz, outra no óvulo e outra no espermatozóide… A mesma cruz.
Terapeuta – E o que significa?!
Paciente – Estão marcados os três com o mesmo sinal.
Terapeuta – Marcados? Os três? O óvulo também?! Você só tem um óvulo… Porque ele precisa de sinal?
Paciente – Neste momento só existe este óvulo…. mas existem muitos óvulos…
Terapeuta – Existem?
Paciente – A explicação está no mapa… existem muitos óvulos no universo… Esse foi escolhido entre todos os óvulos do globo terrestre… agora se fez a ligação do que vi: o meu óvulo é único… os dois, estes dois, o meu óvulo e o meu espermatozóide estavam aguardando o momento para se unirem e me formar… o meu “eu” só poderia ser formado por estes dois gametas.
Terapeuta – Pelo que penso eles devem vir dos seus pais. Mas você me diz que estavam aguardando para formar você. Não entendo…
Paciente – É neles que está tudo que eu preciso ser… mas há um plano anterior dizendo como eu seria… os gametas… o “conteúdo” dos gametas aguardava… Está difícil… Entendo em parte… Não entendo tudo…
Terapeuta – Continue assim, bem fiel ao que está brotando de você… não analise, não interprete… solte como está surgindo… depois a gente une as peças soltas…
Paciente – O que vejo é que meu óvulo e meu espermatozóide são únicos… Há uma Luz e um sinal que se liga a meu óvulo e meu espermatozóide para me formar… “eu” é que estava no plano e essas marcas são o conteúdo do plano para mim… Parece que está ficando mais claro.
Terapeuta – O que faz você pensar que o “plano” foi para seu ser e exclusivamente para você?
Paciente – É o conteúdo que vem para mim no óvulo e no espermatozóide… e o sinal igual ao da Luz… é o que sou… o conjunto diz o que sou… não há outro ser igual…
Terapeuta – Concretize os conteúdos que os sinais interligam.
Paciente – Sentimentos e desejos amplos de eternidade, escolha de valores específicos, infinitos, atração do meu ser para unir-se a essa Luz… eu me sinto inclinada a viver nesse mundo, mas em função do que vai além… é como se houvesse um arco… eu vejo o arco… vem do Infinito, passa no mundo e retorna ao infinito… Os meus pais também estão nesse plano e contribuem com isso… a Luz deles também me indica o mesmo caminho… mas a minha luz é mais ampla e mais clara… é bem distinta da luz dos meus pais.
Terapeuta – Você falou muito bem, mas comentando, interpretando os fatos. Quero os fatos puros. Vamos retornar ao inconsciente e fornecer dados mais objetivos… Pelo que você diz, você não é função dos pais, mas eles existem em função de você… como você explica isso?!
Paciente – Não sei… Mas vejo que venho de muito além dos pais, de muito antes…
Terapeuta – Você se refere a uma existência anterior?
Paciente –Não: eu sou um ser único… eu sou integralmente única… eu nunca posso me tornar inferior ao que fui criada…
Terapeuta – Não entendi… por que inferior?
Paciente – O que vejo aqui é que se eu fosse de uma existência anterior, não seria planejada como ser individual e único… não resultaria do Amor… Não poderia ver a Luz sendo só minha… não veria estes sinais… haveria sinais de outros seres em mim… eu não seria livre… não poderia ser responsabilizada… eu estaria vivendo por outro e outro por mim…
Terapeuta – Você fala realmente pelo que percebe ou está racionalizando, está falando de algo que está ligado à sua fé?
Paciente – Não… eu nem sei como fica minha fé nisso… Olha… O que vejo é lá de muito longe, um espaço de grande Luz… dessa Luz se desprende como que uma partícula e se aloja na minha alma… é como se fosse um pedaço da eternidade… um pedaço, mas é pleno… pleno para meu ser pessoal e único. Eu vejo que essa partícula se unifica à minha alma e ao meu corpo pelos gametas… quer se fundir e seguir em retorno para aquela Luz ampla e plena do Infinito… Eu vejo além… no futuro… depois dessa passagem minha pelo mundo. Meu Eu vai se plenificar noutro espaço, o espaço espiritual que se direciona para esta Luz… A Luz pra mim é Deus… aqui, com o que vejo, a passagem “única” pela terra fica bem esclarecida…. não tem outro jeito de ver… a partícula não pode se deslocar deste trajeto único que vem do Infinito. Ela retorna a ele… A partícula forma aquele arco do qual falei… A partícula envolve esse óvulo e esse espermatozóide e toma forma humana, se ajusta ao mundo e depois vai se desprender da Terra com a mesma forma humana, subindo em direção ao Infinito… É assim que vejo… não foi assim que aprendi… nunca me ensinaram coisa parecida… mas eu vejo… Posso não entender, mas é assim que vejo…
Terapeuta – Há, então, realmente uma inversão da ordem natural que estamos acostumados a conhecer?… Uma inversão da ordem “biológica”?! Você como “bióloga” o que diz?!
Paciente – Parece haver inversão mas não há… Vejo nitidamente a luz de meus pais… eles também estão nesse plano sobre mim…. A luz deles se liga no meu plano… Mas há uma certa independência entre a minha pessoa e a pessoa dos meus pais. Isso pode ser entendido dentro de um “plano global” onde não existe “antes e depois”… é como se tudo acontecesse de uma só vez… como se não houvesse passado nem futuro, só presente… os pais estão neste plano… Eu não poderia ter surgido de outro óvulo ou espermatozóide.
Terapeuta – Que conclusão você tira de tudo isso que aí vê?
Paciente – Que o meu ser não se formou por acaso… e que não sou assim como sou por coincidência….” (O Inconsciente sem Fronteiras – Renate Jost de Moraes)

Nestes tempos de aprovação do uso de embriões para retirada de células tronco, esses trechos me parecem interessantes. E nos clareiam a atrocidade que está sendo aprovada pelo congresso.
Me parece que seria interessante vocês conhecerem o trabalho dessa psicóloga, e então gostaria de receber seu julgamento.

Obrigado,
Leandro Carvalho
Belo Horizonte-MG

Leandro,
 
            Vamos por partes e com paciência, que é uma tão grande virtude, em meio a tantas confusões dos nossos dias.
            Em primeiro lugar, lamento muito que esteja perdendo seu tempo (se não estiver perdendo muito mais do que isso) escrevendo “sobre a realidade de Deus vista pelo interior do homem”. Isso não existe! Primeiro porque a realidade de Deus não pode ser “vista” já que é imaterial. Segundo, porque Deus é exterior ao homem, não pode ser “visto pelo seu interior”. Afinal de contas o que existe no nosso interior são ossos e carne.
            Dizer que há no homem algo da “realidade de Deus” é modernismo, heresia condenada por S. Pio X: “Se alguém disser (…) que os homens não devem ser movidos à fé senão pela interna experiência ou inspiração privada, seja anátema (excomungado)” (De Fide apud Pascendi Dominici Gregis, 1907 (http://www.montfort.org.br/old/index.php?secao=documentos&subsecao=enciclicas&artigo=pascendi&lang=bra).
            E o mesmo S. Pio X diz que “não é filosofar, mas desatinar” afirmar que exista algo de incognoscível no homem, na sua sub-consciência, que gere um sentimento “que tenha envolvida em si a mesma realidade divina”.
 
            Lamento igualmente sua referência à Freud e ao inconsciente. Na sua introdução sobre ele, você toma como certa a existência do inconsciente, enquanto um “ser”, um substantivo. Vejamos, você conhece a Gramática? Se não conhecer, por favor, estude pois as palavras que usamos são determinantes na expressão das idéias. “Inconsciente” sempre foi um adjetivo. Definição de adjetivo: “palavra que expressa a qualidade (ou estado) do ser”. Exemplo: os meus batimentos cardíacos são inconscientes, significando, que a minha inteligência não alcança estes dados sobre meu corpo, diretamente. O contrário acontece com meus pensamentos, ou com os dados dos meus sentidos: eles são conscientes neste momento (adjetivo, lembre-se).
           
            O que Freud fez foi transformar o adjetivo em um substantivo, ou seja, torná-lo um “ser” dentro do homem que este não pode conhecer. O que S. Pio X, acima citado, chamou de sub-consciência ou incognoscível. Ora, a existência disso é um absurdo. Primeiro, por que Freud parte de uma premissa e não a prova em momento algum, uma atitude nada científica, diga-se de passagem. Segundo: é contra a razão imaginar que Deus, ao nos criar, teria colocado dentro de nós algo que não podemos conhecer e, ao mesmo tempo, nos dar a inteligência para conhecer. Se temos inteligência, mas ela não alcança o que de fato somos, então para quê serviria tê-la? A inteligência seria inútil e portanto a criação do homem seria contraditória. Ora, não pode haver contradição em Deus. Logo, não há inconsciente.  
 
            Não existe um “ser” dentro de nós, mas apenas dados das nossas experiências que não estamos acessando neste momento. Logo, são inconscientes (adjetivos) os dados que a minha inteligência não atinge agora ou não consegue atingir. Vamos fazer analogia com um computador.  A janela do seu navegador aberta agora seria um dado consciente no momento. Os dados inconscientes são os gravados no HD que podem ser acessados a qualquer momento, isto é, os dados que podem tornar-se conscientes. Assim como no computador, os dados conscientes e inconscientes são controláveis pela inteligência e pela vontade. Eu posso, agora, abrir a janela que quiser no meu computador. Conosco nem sempre lembramos o que gostaríamos de lembrar, assim como as vezes perdemos o caminho para chegar numa informação no computador, mas a informação esta lá. Os dados inconscientes não são um “ser” dentro de mim com vida própria, com pulsões de vida e de morte, etc., eles são apenas lembranças acessíveis ou não. 
 
            Logo, a analogia do iceberg é falsa.  Por quê? Porque no iceberg, a parte submersa só é descoberta quando a maré abaixa, digamos assim. Ou seja, eu só descobriria (por absurdo) o “inconsciente” por uma manifestação não controlável pela razão, mas sim pelo acaso, um sonho, um ato falho, descritos pelo Freud. O que é falso. Não há acasos pois a inteligência é capaz de controlar a si e às outras potências da alma. Eu faço o que eu quero, não o que um “inconsciente” mandaria.
 
            E a hipnose? A hipnose altera o estado de conciência da pessoa, porque as características elétricas do cérebro mudam, estimulando algumas áreas e inibindo outras. Facilita ou não a lembrança de dados. Só. Pergunte a qualquer psicólogo forense estudado: uma pessoa hipnotizada não é capaz de fazer algo que normalmente não faria, moralmente falando. Por que? Porque a vontade dela prevalece sobre as ordens de quem quer que seja. Ela não está completamente “fora de si”.
 
            Quanto à psicóloga citada, bem: uma das únicas frases verdadeiras que ela disse foi: “Não entendi bem”. De fato, não entendeu nada. Entendeu muito mal. Primeiro porque a paciente (muito paciente mesmo, para aguentar esta terapeuta!) descreve a própria concepção. Ora, isso é impossível: antes da união dos gametas ela não existia, como ela se lembraria? A memória é algo puramente cerebral, como ela lembraria se nem cérebro tinha, ou melhor, se ela nem existia?
 
            Esta estratégia, maldosa e mentirosa, é para fazer crer que a alma existe antes da formação do corpo (a transmigração dos espíritas, ou reencarnação) ou, se não isso, que a alma é divina, ou criada por Deus como uma parte de Si. É o que a paciente chamou de “meu eu transparente”, descrito como “um pedaço da eternidade”. Esta saída da alma da Luz (“a Luz para mim é Deus”, a paciente diz) e o retorno para ela; a descrição da alma “como uma partícula que quer se fundir e seguir em retorno para aquela Luz (divindade)” isso é a própria descrição da gnose. Ou seja, da afirmação de que o homem tem em si algo de divino e que retornaria à divindade. É, também, o que a paciente chama de arco, que vem do infinito e volta a ele. É outra expresão para a mesma coisa. Ela diz que vem da divindade: “venho de muito além dos pais, de muito antes…”.
 
            Mas as descrições que a paciente dá dos gametas é quase exata, você diria. Mas é óbvio, a paciente é biológa, alguma coisa de gametas ela deve entender. Afinal de contas, para alguma coisa a faculdade serve, não é? A paciente diz “nunca me ensinaram coisa parecida”: será? Eu duvido muito, pois é isso que se aprende hoje nas diversas terapias, digamos, mais “místicas”, como a junguiana. Há quanto tempo ela faz terapia com a Renate? Não deve ter sido a primeira sessão. E se foi, a paciente aprendeu com algum espírita, ou com algum livro, ou num destes cursinhos de gnose de esquina. Não há inconsciente que tenha revelado isso para ela, alguém ensinou.
 
            Todos estes dados que você colocou, Leandro, não servem de argumento contra a atrocidade da aprovação da lei que permite o uso das células tronco dos embriões congelados, porque não são verdadeiros, muito menos, úteis. A luta contra as barbáries deste século, não justificaria nunca o uso da mentira mais funesta, como dizer que a alma existe antes do corpo e que ela é divina, ou provém da divindade. Não seria nem um tiro no pé, seria um tiro na cabeça. Fulminante.  
 
            Lembre-se sempre, Leandro, nada que é obscuro vem de Deus. É o demônio que é o rei das trevas e dos segredos. Cristo sempre falou às claras, porque Ele é o Sol e a Verdade. Que Ele e sua Mãe te façam compreender que a verdade é sempre clara e que nunca precisa de artifícios, e aí sim você poderá ter a verdadeira paz.
 
Salve Maria, sede da Sabedoria,
 
Thais Lombardi.

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