Montfort Associação Cultural

29 de janeiro de 2007

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Protesto contra o protesto

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Rudolpho Wagner Filho
  • Localizaçao: Maceió – AL – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Profissão: Funcionário Público
  • Religião: Católica

Caríssimo Prof° Orlando Fedeli,

Salve a Virgem de Guadalupe, Imperatriz de Todas as Américas,

     amigo, perdoe-me mais uma vez ocupar seu tempo e espaço, é que… tantos desaforos “desairosos” e camaleônicos despertam-me sentimentos da mais perfeita Justiça – a que vem de Deus. E que Deus lhe faça Justiça, na Misericórdia.
     Sei que há inúmeras cartas esperando respostas, mas esta é-lhe enviada, talvez como alento, talvez como conforto. Odeio a injustiça, tanto mais quando ela é cometida contra um amigo.
     Acabo de ler sua irrefutável argumentação contra a carta “Protesto contra Comentários Desairosos à Igreja” do Pe. Dr. Luiz Alves de Lima. 
     Também acabo de ler três livros interessantes acerca da vida de São Pio de Pietrelcina, o Padre Pio. Que santo homem! Que homem santo! Confesso que não conseguia terminá-los sem ter os olhos umedecidos. E o coração angustiado. 
     Permita-me um pouco de sua atenção.
     Este santo carregou por cinqüenta anos os estigmas da Paixão de Nosso Senhor, foi protagonista inconteste de autênticos milagres (bilocações; perscrutação dos corações; conversões de ateus, maçons, hereges; profecias autênticas etc.). Entretanto, o que mais me chamou a atenção em sua vida foram as perseguições que ele sofreu por parte de muitos esclesiásticos, especialmente seus superiores capuchinhos e alguns bispos, os quais chegaram a influenciar o Santo Ofício.
     Por que toquei no assunto Padre Pio? Partamos do seguinte raciocínio: Padre Pio era obedientíssimo, celebrava a Santa Missa (de sempre) com extrema caridade, adentrava a madrugada em oração, confessava por horas a fio, nunca fez propaganda de si mesmo. Então, por que ele incomodava seus perseguidores? Simplesmente porque ele encaminhava as almas à Verdade. E o clero de sua aldeia, San Giovanni Rotondo, em sua maioria era corrupto, fornicador, e desdenhoso dos ofícios divinos (nada a ver com o clero hodierno…). O bispo da Manfredônia idem. E a Verdade incomoda, dói, machuca. As trevas A odeiam. Padre Pio era e é um exemplo do Alter Christus, pois toda a sua vida foi configurada ao Cristo sofredor, que, para ressuscitar, esvaziou-se no Calvário.
     Padre Pio não era doutor, nem assessor de nada, nem presidente de nada, nem redator, nem editor, nem articulista, nem conferencista, nem coordenava nada. Aliás, tinha uma voz fraca que, às vezes, tornava-se inaudível. Mas incomodava; e muito. Ah! Padre Pio também não era maçom. Mas ele também discordou, ou melhor, foi contra; contra mesmo o Concílio Vaticano II, chegando até a dizer: “o Concílio, por piedade, acabai com ele depressa!”
     Padre Pio jamais celebrou a Missa Nova, tendo escrito imediatamente a Paulo VI, pedindo-lhe fosse dispensado dessa experiência litúrgica e pudesse continuar a celebrar a Missa de São Pio V, o que lhe foi concedido.
     Este santo homem dizia acerca de si mesmo: “sou apenas um padre que reza”. Inúmeras foram as vezes em que ele escorraçava os pecadores impenitentes do confessionário, pois sabia que eles não estavam arrependidos, mas depois voltavam; arrependidos. Padre Pio também era bastante duro com as heresias e blasfêmias, contudo, manso e suave com os humildemente arrependidos. Uma de suas frases que me tocaram profundamente é a que ele dizia: “devo agradar a Deus, aos homens fazer o bem”. Aqui, faço uma correlação com a Montfort – AGRADAR SOMENTE A DEUS, AOS HOMENS FAZER O BEM.
     
     Caro professor, como é triste e lamentável acessar o “site” Montfort e ler a infeliz carta do Pe. Dr. Luiz Alves de Lima. Com tanta coisa para protestar, ele vem logo protestar contra a verdade. Falta-lhe a sabedoria de Gamaliel. Não se pode ir contra a verdade.
     E vejo que ele, além de sabedoria, não tem tempo. Ah! Professor Orlando, a maioria dos padres não mais têm tempo, que pena. Que pena não terem tempo para sentarem no confessionário a esperar as almas sedentas da misericórdia divina. Que pena não terem tempo sequer de rezar o Terço. Que pena não terem de sequer se prepararem para a celebração da Santa Missa (quantos não os vi chegarem correndo e saírem voando da igreja). Que pena não terem tempo para passar horas a fio diante do Santíssimo Sacramento, entretendo-se com Nosso Senhor. Muitos preferem entreter-se com mulheres, outros com homens, e ainda outros com crianças. Que pena que não haja muitos padres pios para tirar as almas das garras do demônio. Quanta falta de tempo! Conheço um padre que tem muito tempo para ler a “Folha de São Paulo” com suas palavras inúteis, e até acorda de madrugada para assistir aos telejornais nos canais fechados de tv. Mas esse padre não tem tempo para confessar, e disse abertamente (eu vi e ouvi) que não gosta de confessar. Lamentável!
     Voltando ao padre “protestante” (aquele que protesta), vejamos quão útil seria se ele protestasse:

Contra as novelas “desairosas”, os BBB;
Contra a imundície das televisões, jornais, revistas;
Contra as missas-show e seus rebolados;
Contra (à época) o padre-mãe-de-santo Pinto;
Contra os padres pedófilos;
Contra o padre bêbado que desacatou policiais com gestos obscenos, ao som de “É o Tcham”, no interior de São Paulo;
Contra os padres galãs (há muitos deles);
Contra os padres celebrando a missa pintados de palhaços;
Contra a ministra da comunhão vestida de “diaba” nos EUA;
Contra a falta de modéstia no vestir, especialmente nas igrejas;
Contra o incentivo à promiscuidade que há em muitas escolas (até mesmo católicas) sob os auspícios de uma educação sexual;
Contra uma catequese péssima;
Contra um ecumenismo que a ninguém converte;
E, gravíssimo, contra o sacrário em forma de pirâmide (maçônica) na capela da Rede Vida;
Etc. etc. etc.

     E os católicos, nos dizeres de João Paulo II, sentem-se desnorteados (sem norte, sem rumo), mas o clero não admite que a raiz do problema está no Vaticano II…
     E, para boa parte do clero, há tanto o que protestar… e pouco que se rezar.
     E grande parte do clero aprendeu a protestar. Virou “protestante”. E de bandeira em punho. Não a de Cristo, mas a vermelha.
E aprendeu a bater palminhas na igreja, a rebolar no altar (vi com meus próprios olhos), a cantar parabéns pra você… e escondeu o tabernáculo, jogou-o num canto, talvez a fim de que Jesus não visse tantas profanações…
     E… é um emaranhado tão grande que, para usar uma expressão bem típica de minha terra, virou uma corda de caranguejo!
     E, boa parte do clero, desaprendeu a celebrar os Santos Mistérios com devoção.
     Estarreceu-me a notícia da tentativa de se cobrar R$ 2,00 para a entrada da missa de um padre “famoso”. Será que não o ensinaram, no seminário, o valor infinito da Santa Missa? Rebaixá-la a míseros reais, que podiam ser 2 ou 1 milhão é jogar a Salvação na lata do lixo.
     E as trevas cobrem a terra.
     E Deus olha-nos com paciência e repete:

Mas, quando vier o Filho do homem, julgais vós que encontrará fé sobre a terra” (Lc XVIII, 8).

     Por isso, tanto lhe escrevi, caro amigo, para pouco protestar contra o protesto, mas muito para dizer que rezo pelo senhor e pela Montfort. Também pelos padres. Diariamente.
     Sabe, Professor Fedeli, estou ficando cansado, mas não desanimado (anima – alma). Faltam-nos bons padres… e como fazem falta. Resta-nos somente rezar.
     Despeço-me com um forte abraço, bem amigo, a todos da Montfort, rogando à Santíssima Virgem Imaculada que os proteja, semper. Contem com minhas orações diárias.

Deste amigo de longe,

Rudolpho Wagner Filho.

P.S.: Quiçá um dia venhamos a nos conhecer pessoalmente, caro professor. E se Deus não o permitir na terra, que seja no Céu! Reze por mim e pelos meus.

Muito prezado amigo Rudolpho,
Salve Maria.
 
    Para mim é uma grande alegria, uma imensa alegria, e um consolo, um grande consolo, receber uma carta como a sua, cheias de amizade fundada na verdade católica e na verdadeira caridade. Deus lhe pague.
    Se desperto tantos ódios pela defesa da Santa Igreja, Deus me compensa imensamente bem, já na terra, dando-me tantos amigos. E, especialmente um amigo como você demonstrou ser. E espero logo mais ir a Maceió dar palestras. Algumas pessoas ficaram de organizar esses eventos. Vamos ver quando eles se efetivarão. Nessa ocasião, faço questão de me encontrar com você. E se não houver esses eventos, irei só para me encontrar consigo.
   
    E que belo lema de Padre Pio você ofereceu a mim e à Montfort:  AGRADAR SOMENTE A DEUS, AOS HOMENS FAZER O BEM.
    Esse é o desejo profundo do site Montfort.
    Deus lhe pague por tão belo presente que me manda.
    E sua carta… Sua belíssima carta…
    Como agradecê-la!
    Quantas grandes verdades você diz nela com a coragem que falta a tantos clérigos!
    Digo-lhe com sinceridade: sua carta me foi uma das maiores consolações em minha vida de polêmicas em defesa da Fé.         
    Enconrei em você um verdadeiro irmão na Fé.
    Deus lhe pague! Deus lhe pague!!
    Como desejaria encontrá-lo! Já!
    Repito: mesmo que não se organizem minhas palestras em Maceió, na primeira oportunidade que eu for ao Nordeste, passarei certamente por Maceió, só para conhecê-lo e dar-lhe, já na terra, o abraço daquele que é, e que tem a imensa alegria de ser seu irmão de combate pela Fé. Hoje, foi um grande dia para mim. Encontrei um verdaeiro irmão na Fé. Um irmão que combate.
    Um homem de coragem!
    Deus lhe pague.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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