Montfort Associação Cultural

23 de janeiro de 2007

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Protesto contra comentários desairosos à Igreja

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Pe. Luiz Alves De Lima
  • Idade: 64
  • Localizaçao: São Paulo – SP – Brasil
  • Escolaridade: Pós-graduação concluída
  • Profissão: Professor De Teologia – Doutor
  • Religião: Católica

Prezados Senhores,

1) Em primeiro lugar, parabéns e augúrios por manter um site com informaçòes tão abundantes.
2) Confesso que quase desanimei pela dificuldade em “entrar em contato” não para dirimir dúvidas, mas para comentar, concordar, discordar, protestar…
3) Quero apresentar meu protesto formal contra a forma desairosa do comentarista (Orlando Fedeli), que apesar do nome “fiel”, destila veneno tachando o grande liturgista BUGNINI (e consequentemente seu promotor PAULO VI) de MAÇON…
4) Protesto contra comentários venenosos contra o Concílio Vaticano II tachando a “Gaudium et Spes” de herege e outros qualificativos desonrosos…
5) Protesto contra a onda ultra-montanista de querer apagar o Vaticano II da memória e da vigência de suas orientações…
6) Tudo isso, só para apoiar uma simples mudança de interpretação autêntica do Magistério da Igreja, representado pelo Vaticano II, Paulo VI e seus liturgistas que colocaram em ato a reforma litúrgica! “Nas coisas comuns, uniformidade; nas duvidosas, liberdade; em todas, a caridade!” já lembrava Santo Agostinho (cito de memória…). Na Igreja há muito espaço para liberdade, também de interpretação e ainda mais quando esta “interpretação” é sancionada pela autoridade legítima, como Paulo VI e eminentes figuras como Bugnini e outros. Se, o atual magistério dá outra interpretação (dentro da liberdade!), não é preciso DENEGRIR a memória dos antecessores com o fel, desrespeito e ataques como os encontrados no comentário do sr. Orlando Fideli.
7) A expressão “por muitos” ou “pela multidão” que desencadeou esta polêmica, é um “hebraismo”, ou seja, uma maneira de falar em hebraico… assim como para dizer “Santísimo” o hebraico repete 3 vezes o adjetivo: “Santo, Santo, Santo…” (no hebraico não há superlativo, daí o recurso ao “tres vezes Santo”…). A mesma coisa se aplica ao nosso caso: “por muitos” ou “pela multidão”, significa “por todos”… Se o Magistério permitiu a tradução do “sentido” da palavra, e não o “sentido literal” (como Paulo VI), vamos usá-la… se agora o Magistério prefere que se mantenha a tradução literal… ele não está condenando a anterior, mas exortando que nos atenhamos às “ipsissima verba” do Senhor… e tudo bem! Vamos obeder… sem precisar jogar pedra ou tachar a outra posição de “herética…”.
8) É Muito curiosa a vontade de querer combater a doutrina da “vontade salvífica universal de Deus”… E como fica a afirmação do apóstolo São Paulo: “Deus quer que todos os homens sejam salvos…”? E João Paulo II não disse na “Redemptor Hominis” que Cristo Jesus morreu por cada um dos cinco bilhões de pessoas que atualmente vivem sobre a face da terra? (cito de memória… não tenho tempo de conferir citações!)… Será também João Paulo II herético?
9) Sou pela volta do latim nos seminários e do gregoriano onde for possível… mas daí, quer um retorno a uma Igreja pré-conciliar… há uma grande diferença!
10) Desculpem-me a reação espontânea… não quero me arvorar em defensor da “ortodoxia” como parece se posicionar o portal “Monfort”… um pouquinho de humildade a todos nós (a mim em primeiro lugar!), faz muito bem!

Atenciosamente, em Cristo Jesus,
Pe. Dr. Luiz Alves de Lima, sdb – professor de teologia em S. Paulo, Curitiba e Goiânia, assesor da CNBB e do CELAM para a catequese, presidente da SCALA (sociedade latino-americana de catequetas), redator e editor da “Revista de Catequese”, ariculista, conferencista e coordenador de inúmeros cursos de formação de catequistas.

Muito prezado e Reverendo Padre Luis, ilustre Doutor em Teologia,
salve Maria.
 
    Sua carta, Padre, muito me honrou. Mas, não compreendo que dificuldade o senhor teria tido para contatar o site Montfort. Bastava escrever, como o senhor, afinal, fez. E estou à sua disposição par conversar, quando quiser.
    Permita-me, porém, dizer-lhe, Padre, com todo o respeito que lhe é devido, que sua carta me lembrou um tratamento odontológico… mal feito.
    Os dentistas se preocupam, hoje, em evitar qualquer dor, e, quando tem que fazer um tratamento dolorido, começam passando xilocaína no local em que vão dar a picada de injeção de anestésico, para que não se sinta nem a dor da picada. (E não lhe peço frases amenas do tipo xilocaína, que só escondem certo rancor, que quer se apresentar como polido).
    Sua carta aplica uma xilocaína de tempo vencido, e já inócua, que se resumiu numa frase:
 
1) Em primeiro lugar, parabéns e augúrios por manter um site com informações tão abundantes.”
 
    A seguir, sistematicamente, o senhor usa o martelo do protesto contra mim. O senhor protesta contra tudo, depois de me dar parabéns polidos.
    Obrigado, Padre, pelos parabéns meramente polidos, como também pelos protestos bem indicativos do que lhe doeu, ao ler o site Montfort.
    E seu primeiro protesto, martelado, abruptamente e com força, é pela informação de que Monsenhor Bugnini foi maçom.
    Concluo que o senhor, então, considera que um padre ser maçom é, pelo menos, um desdouro.
    O senhor deveria protestar contra Monsenhor Dadeuz ou contra o Cardeal Avelar Brandão, que foram a lojas maçônicas, e contra tantos outros, não é Padre?
    O senhor já escreveu algum protesto contra Bispos e padres que defendem a Maçonaria ou que não se pejam de ir a lojas?
    Gostaria de conhecer esses seus protestos, que devem ter sido sem veneno, é claro. Mas, sinceramente, temo que o senhor jamais protestou contra Bispos que foram ou vão a lojas maçônicas, e nem contra teólogos — como Dom Estevão Bettencourt — que chegaram a escrever que católicos podem ser maçons. Aliás, seguiram eles o exemplo de João XXIII, que aconselhou o Barão Yves de Marsaudon que continuasse maçom.
    Certamente, nos livros e manuais catequéticos que o senhor escreveu, o senhor não se esqueceu de dizer que um católico não pode ser maçom.
    O senhor poderia me dizer, quando, em suas obras catequéticas, o senhor condenou a Maçonaria?
    E o senhor, rapidamente estende a informação de que, se Bugnini foi maçom, Paulo VI que o protegia, também seria maçom.  
    Essa conclusão ágil, pronta e um tanto elástica foi o senhor que a tirou, baseado apenas em sua capacidade de espichamento do que eu não disse. Eu nada disse sobre Paulo VI ter sido maçom ou não. Foi a sua exagerada elasticidade conclusiva que espichou a acusação até o protetor de Monsenhor Anibale Bugnini.
    O senhor tem alguma prova de que Bugnini não foi maçom?
    O próprio Papa Paulo VI julgou procedente a acusação lançada contra Bugnini de que este arquiteto-mor da Missa Nova foi maçom. Essa admissão de Paulo VI sobre o envolvimento de Bugnini com a Maçonaria foi comprovada por Michael Davies.
    O que Paulo VI admitiu, o senhor põe em dúvida? Baseado em que?
   O senhor tem algum indício de que Montini (Paulo VI) teria sido maçom?
    É impossível haver maçons no Vaticano?  
    Ingenuamente diriam alguns que é impossível haver comunistas no Vaticano.
    Agora, ficou comprovado, com o caso de Monsenhor Wielgus, que isso não é tão impossível assim, visto que se chegou a escamotear, no Vaticano, que Monsenhor Wielgus foi espião do Partido Comunista, a ponto de Bento XVI até a semana passada ignorar quem ele mesmo nomeara para Arcebispo de Varsóvia, e declarar que colocava toda a sua confiança em Dom Wielgus. Depois…
    Portanto, havia comunistas no Vaticano.
    E se o partido comunista pode se infiltrar lá, por que a Maçonaria não teria pensado em fazer o mesmo, infiltrando-se  nas fileiras eclesiásticas, já que a Maçonaria tem uma experiência histórica secular desse tipo de infiltração?
    Aliás, foi plano antigo da Maçonaria, eleger um Papa maçom.
    O senhor deve conhecer os documentos carbonários publicados, até no Brasil, por Dom Boaventura Kloppenburg.
    Pois vou ajudá-lo, Padre Luis, em sua pesquisa elástica, dando lhe algumas outras informações sobre o que a Maçonaria pensava de João XXIII e de Paulo VI, citando-lhe um livro insuspeito: Maçonaria e Igreja Católicade autoria dos Padres J.A.E. Benimeli, G. Caprile e V.Alberton, Editora Paulus, São Paulo, 1981. Cito a Quarta edição brasileira, que é de 1998.
    Essa obra, escrita por vários sacerdotes, — certamente de posição oposta à minha e à da Montfort — defende a aproximação da Igreja e da Maçonaria.
    Recomendo que o senhor, Padre Luis, a leia, para que saiba quantos padres (como, por exemplo, Dom Estevão Bettencourt) defendem essa aproximação, exatamente após o Concílio Vaticano II, concílio feito por João XXIII e Paulo VI.
    Pois na página 100 e 101 desse livro, Reverendíssimo Padre Luis, o senhor poderá ler o seguinte:
 
“…cremos que sinais claros desta nova, mais serena atitude encontrase (sic) também na posição assumida por alguns grupos maçônicos diante da figura dos dois papas artífices do Concílio, por ocasião de sua morte.
Na de João XXIII, o Dr. G. Gamberini, Grão Mestre do Grande Oriente da Itália — [e, acrescento eu, Bispo da Igreja Gnóstica] – distribuiu a nota seguinte:
Sucede quase sempre, que um papa deixe profundas lamentações no âmbito de sua Igreja, mas, certamente, é a primeira vez que um papa morre circundado pela simpatia e pelo afeto de toda a humanidade. Desaparece, como todos sentem, um homem bom. Juntamente com esse homem bom desaparece o mais límpido, e ao mesmo tempo, o mais genial e eficaz defensor da Igreja. Consagrara-se à sobrevivência da Igreja, e a esta sobrevivência estava pronto a sacrificar todo outro valor tradicionalmente a ela associado  [e foi o que João XXIII e Paulo VI fizeram no Vaticano II]. A sua morte é grande mal para a Igreja. Mas desaparece, também, um homem que se prometia colmar (sic) [tapar], em virtude de um autêntico sentimento cristão, o abismo escavado pela Igreja, antes dele, entre si mesma e a civilização moderna. E a sua morte é um grande mal para todos”. (Dr G. Gamberini citado por  J.A.E. Benimeli, G. Caprile e V.Alberton, Maçonaria e Igreja Católica , editora Paulus, São Paulo, 1981. Cito a Quarta edição brasileira, que é de 1998, pp. 100-101. Os destaques são meus).
 
    Nessa mensagem, Padre Luis, o senhor poderá notar não só a admiração de um alto maçom por João XXIII, como principalmente a informação de que João XXIII aceitou sacrificar os valores tradicionais da Igreja, para que ela sobrevivesse
    Teria alguém ameaçado a Igreja de que ela pereceria, e que João XXIII negociou a sobrevivência da Igreja em troca do sacrifício de seus valores mais tradicionais?
    Que coisa inesperada, não é Padre?
    Um Papa sacrificar os valores tradicionais da Igreja…
    Se foi assim, o sacrifício dos valores mais tradicionais da Igreja foi feito no Concílio Vaticano II. E foi o Vaticano II que aceitou a civilização moderna, isto é, o antropocentrismo, colocando o Homem no lugar de Deus, como sempre a Maçonaria fez, e quis.
    O mesmo maçom Gamberini, “Bispo” da Igreja Gnóstica, elogiou também o Papa Paulo VI, por ocasião de sua morte, dizendo:
 
“(…) Nenhum dos seus predecessores foi tão difamado como ele. Talvez, porque, no seu tempo, a arte de difamar não conseguira as presentes garantias de impunidade. Mas, sem dúvida, a ele e não aos seus predecessores coube a sorte de tomar conhecimento da incumbência da ameaça final para a sua Igreja como para todas as religiões, como para toda espiritualidade. E teve de bater-se e procurou fazê-lo em mais de uma frente, com mais de uma tática. Para os outros a morte de um Papa é um acontecimento proverbialmente raro, mas que acontece, não obstante com a freqüência de anos e de decênios. Para nós é a morte de quem fez cair a condenação de Clemente XIV e de seus sucessores. Ou seja, é a primeira vez — na História da Maçonaria moderna — que morre o chefe da maior religião ocidental, não em estado de hostilidade com os maçons. E pela primeira vez na História os maçons podem render homenagem ao túmulo de um Papa, sem ambigüidades nem contradições”. (Dr G. Gamberini citado por  J.A.E. Benimeli, G. Caprile e V.Alberton, Maçonaria e Igreja Católica , editora Paulus , São Paulo, 1981. Cito a Quarta edição brasileira, que é de 1998, pp101-102. Os destaques são meus).
 
    Essa foi a honra de Paulo VI: ser honrado pela Maçonaria sem ambigüidades, nem contradições.
    E se diz nesse texto que Paulo VI estava consciente “da ameaça final para a sua Igreja como para todas as religiões, como para toda espiritualidade”.
    Que ameaça foi essa, e quem a fez?
   Parece, então, que o senhor acertou algo em sua elasticidade conclusiva. Parabéns, Padre.
    Mas note que quem dá essas informações tremendas sobre a admiração da Maçonaria por Paulo VI são Padres da linha progressista. Não é a Montfort.
E não concluo que só por proteger Bugnini que fique provado que Paulo VI foi maçom. Felizmente, não tenho a sua elasticidade, Padre.
    E há mais.
    Na famosa lista de maçons no Vaticano, feita pelo jornalista Mino Pecorelli, assassinado depois em Roma, consta como maçom o nome do secretário pessoal de Paulo VI, Monsenhor Pasquale Macchi, — ele é o número 61 da lista que lhe copio abaixo, enquanto Monsenhor Anibale Bugnini aparece no número 25 da lista Pecorelli.
    Dom Pasquale Macchi foi quem fez construir um monumento maçônico a Paulo VI, no Sacro Monte di Varese. (Cgr  Franco Adessa, Un Monumento Massonico”, editrice Civiltà, Brescia, 2000). O senhor conhece esse bem curioso monumento?
   Veja suas fotos e a correspondência das figuras que há no monumento com emblemas dos graus 16,17 e 18 da Maçonaria.
 

Monumento maçon Paulo VI

 
    Noutro e-mail posso colocar os símbolos do monumento em destaque maior.
    O que aparece nesses emblemas é repetido no monumento fotografado à esquerda.
    E há ainda outra coisa estranha: o túmulo da família Alghisi da mãe de Paulo VI, em Verolavecchia, contém símbolos típicos da Maçonaria…
    Por que será que Paulo VI nunca se preocupou em substituir esses símbolos maçônicos por uma cruz ? Será que ele achava que isso não tinha importância maior? Que esquisito…
    Veja a foto desse túmulo e um destaque dos símbolos que há nele:

Túmulo maçon Montini

    Passo-lhe, agora, a famosa lista de maçons no Vaticano publicada por Mino Pecorelli, e que lhe custou a vida.
    Como já lhe disse, Monsenhor Bugnini é o número 25 dessa lista, e o secretário pessoal de Paulo VI, Monsenhor Pasquale Macchi é o número 61.
 
A lista abaixo é uma relação completa de Maçons no Vaticano, reimpressa com algumas atualizações tiradas do Bulletin de l”Occident Chrétien (Boletim do Ocidente Cristão) Nr.12, Julho de 1976, (Diretor Pierre Fautrad a Fye – 72490 Bourg Le Roi.) O nome de cada membro é seguido por sua posição,caso for conhecida; a data em que foi iniciado na Maçonaria, seu código #; e seu nome código, caso seja conhecido.
1. Albondi, Alberto. Bispo de Livorno. Iniciado em 5-8-58; I.D. # 7-2431.
2. Abrech, Pio. Da Sagrada Congregação dos Bispos. 27-11-67; # 63-143.
3. Acquaviva, Sabino. Professor de Religião na Universidade de Pádua. 3-12-69; # 275-69.
4. Alessandro, Padre Gottardi. (Doutor nos encontros Maçônicos) Presidente dos Irmãos Maristas 14-6-59.
5. Angelini Fiorenzo. Bispo de Messenel – Grecia. 14-10-57; # 14-005.
6. Argentieri, Benedetto. Patriarca da Santa Sé. 11-3-70; # 298-A.
7. Bea, Augustin. Cardeal.
8. Baggio, Sebastiano. Cardeal Prefeito da Sagrada Congregação de Bispos. 14-8-57; # 85-1640. Nome código Maçônico “SEBA.” Ele controla a Consagração de Bispos .
9. Balboni, Dante. Assistente do Pontificado do Vaticano . Comissão de Estudos Biblicos 23-7-68; # 79-14 “BALDA.”
10. Baldassarri, Salvatore. Bispo of Ravenna, Italia. 19-2-58; # 4315-19. “BALSA.”
11. Balducci, Ernesto. Artista de imagens Religiosas. 16-5-66; # 1452-3.
12. Basadonna, Ernesto. Prelado de Milão, 14-9-63; # 9-243. “BASE.”
13. Batelli, Guilio. Leigo e membro de várias academias científicas. 24-8-59; # 29`-A. “GIBA.”
14. Bedeschi, Lorenzo. 19-12-59; # 24-041. “BELO.”
15. Belloli, Luigi. Reitor de Seminario; Lombardia, Itália. 6-4-58; # 22-04. “BELLU.”
16. Belluchi, Cleto. Bispo Auxiliar de Fermo – Itália. 4-6-68; # 12-217.
17. Bettazzi, Luigi. Bispo de Ivrea, Itália. 5-11-66; # 1347-45. “LUBE.”
18. Bianchi, Ciovanni. 10-23-69; # 2215-11. “BIGI.”
19. Biffi, Franco, Monsenhor Reitor da Pontifícia Universidade Igreja de São João Laterano . 8-15-59. “BIFRA.”
20. Bicarella, Mario. Prelado de Vicenza, Itália. 9-23-64; # 21-014. “BIMA.”
21. Bonicelli, Gaetano. Bispo de Albano, Itália. 12-5-59; # 63-1428, “BOGA.”
22. Boretti, Giancarlo. 3-21-65; # 0-241. “BORGI.”
23. Bovone, Alberto. Secretário Substituto do Santo Ofício. 30-3-67; # 254-3. “ALBO.”
24. Brini, Mario. Arcebispo e Secretário dos Chineses, Orientais, e Pagãos.. Membro da Pontificia Comissão para a Rússia. Tem o controle em reescrever o Cânon das Leis. 7-7-68; # 15670. “MABRI.”
25. Bugnini, Annibale. Arcebispo.Elaborou a Nova Missa. Enviado para o Irã, 23-4-63; # 1365-75. “BUAN.”
26. Buro, Michele. Bispo. Prelado da Pontificia Comissão para a América Latina, 21-3-69; # 140-2. “BUMI.”
27. Cacciavillani, Agostino. Secretariado de Estado. 6-11-60; # 13-154.
28. Cameli, Umberto. Diretor no Ofício do Assuntos Eclesiásticos da Itália no que se refere a Educação da Doutrina Católica. 17-11-60; # 9-1436.
29. Caprile, Giovanni. Diretor dos Assuntos Católicos Civis. 5-9-57; # 21-014. “GICA.”
30. Caputo, Giuseppe. 15-11-71; # 6125-63. “GICAP.”
31. Casaroli, Agostino. Cardeal. Secretário de Estado sob os auspícios de João Paulo II desde 1 de Julho de 1979 até sua aposentadoria em 1989. 28-9-57; # 41-076. “CASA.”
32. Cerruti, Flaminio. Diretor de Gabinete da Universidade para o estudo das Congregações. 2-4-60; # 76-2154. “CEFLA.”
33. Ciarrocchi, Mario. Bispo. 8-23-62; # 123-A. “CIMA.”
34. Chiavacci, Enrico. Professor de Teologia Moral, Universidade de Florença, Itália. 2-7-70; # 121-34. “CHIE.”
35. Conte, Carmelo. 16-9-67; # 43-096. “CONCA.”
36. Csele, Alessandro. 25-3-60; # 1354-09. “ALCSE.”
37. Dadagio, Luigi. Nuncio Papal para a Espanha. Arcebispo de Lero. 8-9-67. # 43-B. “LUDA.”
38. D”Antonio, Enzio. Arcebispo de Trivento. 21-6-69; # 214-53.
39. De Bous, Donate. Bispo. 24-6-68; # 321-02. “DEBO.”
40. Del Gallo Reoccagiovane, Luigi. Bispo.
41. Del Monte, Aldo. Bispo de Novara, Itália. 25-8-69; # 32-012. “ADELMO.”
42. Faltin, Danielle. 4-6-70; # 9-1207. “FADA.”
43. Ferraioli, Giuseppe. Membro da Sagrada Congregação para Assuntos Públicos. 24-11-69; # 004-125. “GIFE.”
44.Franzoni, Giovanni. 2-3-65; # 2246-47. “FRAGI.”
45. Gemmiti, Vito. Sagrada Congregação dos Bispos. 25-3-68; # 54-13. “VIGE.”
46. Girardi, Giulio. 8-9-70; # 1471-52. “GIG.”
 47. Fiorenzo, Angelinin. Bispo. Título de Comendador do Espírito Santo. Vigário Geral dos Hospitais Romanos. Controla os fundos financeiros dos hospitais. Foi sagrado Bispo em 19-7-56; filiou-se a Maçonaria em 14-10-57.
48. Giustetti, Massimo. 4-12-70; # 13-065. “GIUMA.”
49. Gottardi, Alessandro. Procurador e Postulador Geral dos Irmãos Maristas – Arcebispo de Trento. 13-6-1959; # 2437-14. “ALGO.”
50. Gozzini, Mario. 14-5-70; # 31-11. “MAGO.”
51. Grazinai, Carlo. Reitor do Seminário Vaticano Menor. 23-7-61; # 156-3. “GRACA.”
52. Gregagnin, Antonio. Tribuno das Primeiras Causas para a Beatificação. 19-10-67; # 8-45. “GREA.”
53. Gualdrini, Franco. Reitor de Capranica. 22-5-61; # 21-352. “GUFRA.”
54. Ilari, Annibale. Abbot. 3-16-69; # 43-86. “ILA.”
55. Laghi, Pio. Nunzio, Delegado Apostólico para a Argentina, e depois para os E. U. A até l 1995. 24-8-69; # 0-538. “LAPI.”
56. Lajolo, Giovanni. Membro do Conselho para os Assuntos Públicos da Igreja. 27-7-70; # 21-1397. “LAGI.” 
57. Lanzoni, Angelo. Chefe de Gabinete do Secretário de Estado.24-9-56; # 6-324. “LANA.”
58. Levi, Virgillio, Monsenhor. Diretor Assistente do Jornal Oficial do Vaticanor, L”Osservatore Romano. Admistra a Estação de Rádio do Vaticano. 4-7-58; # 241-3. “VILE.”
59. Lozza, Lino. Chanceler da Academia São Tomás de Aquino da Religião Católica de Roma . 23-7-69; # 12-768. “LOLI.”
60. Lienart, Achille. Cardeal. Grão Mestre Maçom de alto grau. Bispo de Lille, França. Recruta Maçons. Foi o líder das Forças Progressistas no Concílio Vaticano II.
61. Macchi, Pasquale. Cardeal e Prelado de Honra e Secretário Particular do Papa Paulo VI 23-4-58; # 5463-2. “MAPA.”
62. Mancini, Italo. Diretor de Sua Santidade. 18-3-68; # l551-142. “MANI.”
63. Manfrini, Enrico. Consultor Leigo da Pontificia Comissão das Artes Sagradas. 21-2-68; # 968-c. “MANE.”
64. Marchisano, Francesco. Prelado de Honra do Papa. Secretário da Congregação para os Seminários e Universidades de Estudos. 2-4-61; 4536-3. “FRAMA.”
65. Marcinkus, Paul. Guarda Costas Americano do Papa. da cidade de Cicero, Illinois. Presidente do Instituto de Treinamentos Religiosos. 21-8-67; # 43-649. Apelidado “GORILLA.” Nome Código “MARPA.”
66. Marsili, Saltvatore. Abade da Ordem de São Benedito de Finalpia, próximo a Modena, Itália. 2-7-63; # 1278-49. “SALMA.”
67. Mazza, Antonio.Bispo Titular de Velia. Secretário Geral do Ano Santo em 1975.1 4-4-71. # 054-329. “MANU.”
68. Mazzi, Venerio. Membro do Conselho para os Assuntos Públicos da Igreja. 13-10-66; # 052-s. “MAVE.”
69. Mazzoni, Pier Luigi. Membro da Congregação de Bispos. 9-14-59; # 59-2. “PILUM.”
70. Maverna, Luigi. Bispo de Chiavari, Genova, Italia. Assistente Geral da Itália Católica Azione. 3-6-68; # 441-c. “LUMA.”
71. Mensa, Albino. Arcbispo de Vercelli, Piemonte, Itália. 23-7-59; # 53-23. ” MENA.”
72. Messina, Carlo. 3-21-70; # 21-045. “MECA.”
73. Messina, Zanon (Adele). 9-25-68; # 045-329. ” AMEZ.”
74. Monduzzi, Dino. Regente da Prefeitura da Casa Pontifícia. 11-3 -67; # 190-2. “MONDI.”
75. Mongillo, Daimazio. Professor de Teologia Moral Dominicana, no Instituto Santos Anjos de Roma 16-2-69; # 2145-22. “MONDA.”
76. Morgante, Marcello. Bispo de Ascoli Piceno na Itália Oriental. 22-7-55; # 78-3601. “MORMA.”
77. Natalini, Teuzo. Vice Presidente dos Arquivos do Secretariado do Vaticano. 6-17-67; # 21-44d. “NATE.”
78. Nigro, Carmelo. Reitor do Pontifício Seminário de Estudos Maiores. 21-12-70; # 23-154. “CARNI.”
79. Noe, Virgillio. Maçom e Chefe da Sagrada Congregação da Divina Adoração. Ele e Annibale Bugnini, pagaram 5 Pastores Protestantes e um Rabino Judeu para escreverem a Nova Missa. 3-4-61; # 43652-21. “VINO.”
80. Palestra, Vittorie. Ele é o Conselheiro Legal da Sagrada Rota do Estado do Vaticano. 6-5-43; # 1965. “PAVI.”
81. Pappalardo, Salvatore. Cardeal. Arcebispo de Palermo, Sicilia. 15-4-68; # 234-07. “SALPA.”
82. Pasqualetti, Gottardo. 15-6-60; # 4-231. “COPA.”
83. Pasquinelli, Dante. Ele é ou era o Conselheiro do Nuncio de Madri – Espanha. 12-1-69; # 32-124. “PADA.”
84. Pellegrino, Michele. Cardeal. Chamado de “Protetor da Igreja” , Arcebispo de Torino 2-5-60; # 352-36. “PALMI.”
85. Piana, Giannino. 2-9-70; # 314-52. “GIPI.”
86. Pimpo, Mario. Vigário do Escritório de Assuntos Gerais. 15-3-70; # 793-43. “PIMA.”
87. Pinto, Monsignor Pio Vito. Adido do Secretário de Estado e Tabelião da Segunda Secção do Supremo Tribunal e da Assinatura Apostólica. 2-4-70; # 3317-42. “PIPIVI.”
88. Poletti, Ugo. Cardeal. Vigário da Santissima Diocese de Roma. Controla o clero de Roma desde 6-3-73. Membro da Sagrada Congregação dos Sacramentos e da Divina Adoração. Ele é o Presidente das Obras Pontifices e da Preservação da Fé. É também Presidente da Academia Litúrgica. 17-2-69; # 32-1425. “UPO.”
89. Rizzi, Monsignor Mario. Sagrada Congregação dos Ritos Orientais . Consta como “Prelado Bispo de Honra do “Santo Padre, o Papa.” Atua sob comando do Maçom de Alto Grau Mario Brini na manipulação de Leis Canônicas. 16-9-69; # 43-179. “MARI,” “MONMARI.”
90. Romita, Florenzo. Era da Sagrada Congregação do Clero. 21-4-56; # 52-142. “FIRO.”
91. Rogger, Igine. Oficial da Santa Sé (Diocese de Roma). 16-4-68; # 319-13. “IGRO.”
92. Rossano, Pietro. Sagrada Congregação das Religiões Não-Cristãs. 12-2-68; # 3421-a. “PIRO.”
93. Rovela, Virgillio. 6-12-64; # 32-14. “ROVI.”
94. Sabbatani, Aurelio. Arcebispo de Giustiniana (Giusgno, Provincia de Milar, Itália). Primeiro Secretário da Suprema Assinatura Apostólica. 22-6-69; # 87-43. “ASA”
95. Sacchetti, Guilio. Delegado dos Governadores – Marchese. 8-23-59; # 0991-b. “SAGI.”
96. Salerno, Francesco. Bispo. Prefeito dos Atos Eclesiásticos. 4-5-62; # 0437-1. “SAFRA”
97. Santangelo, Franceso. Substituto Geral do Conselho de Defesa Legal. 12-11-70; # 32-096. “FRASA.”
98. Santini, Pietro. Vice Oficial do Vigário. 23-8-64; # 326-11. “SAPI.”
99. Savorelli, Fernando. 14-1-69; # 004-51. “SAFE.”
100. Savorelli, Renzo. 6-12-65; # 34-692. “RESA.”
101. Scanagatta, Gaetano. Sagrada Congregação do Clero. Membro da Comissão de Pomei e Loreto, Itália. 9-23-71; # 42-023. “GASCA.”
102. Schasching, Giovanni. 18-3-65; # 6374-23. “GISCHA,” “GESUITA.”
103. Schierano, Mario. Bispo Titular de Acrida (Acri na Provincia de Cosenza, Itália.) Chefe Militar Capelão das Forças Armadas da Itália. 3-7-59; #14-3641. “MASCHI.”
104. Semproni, Domenico. Tribunal do Vicariato do Vaticano.16-4-60; # 00-12. “DOSE.”
105. Sensi, Giuseppe Mario. Titular Arcebispo de Sardi (na Asia Menor, próximo a Esmirna). Nuncio Papal de Portugal. 2-11-67; # 18911-47. “GIMASE.”
106. Sposito, Luigi. Pontificia Comissão para os Arquivos da Igreja na Itália. Chefe Administrador do Assento Apostólico do Vaticano.
107. Suenens, Leo. Cardeal. Título: Protetor da Igreja de São Pedro In Vincolis, fora de Roma. Promove o Pentecostalismo Protestante (Carismáticos). Atuava junto a 3 Congregações Sacras : 1) Propagação da Fé; 2) Ritos e Cerimonias na Liturgia; 3) Seminários . 15-6-67; # 21-64. “LESU.”
108. Trabalzini, Dino. Bispo de Rieti (Reate, Peruga, Itália). Bispo Auxiliar do Sul de Roma. 6-2-65; # 61-956. “TRADI.”
109. Travia, Antonio. Arcebispo Titular de Termini Imerese. Diretor das Escolas Católicas. 15-9-67; # 16-141. “ATRA.”
110. Trocchi, Vittorio. Secretário Laico para o Consistório Catolico para Consultas do Estado do Vaticano 12-7-62; # 3-896. “TROVI.”
111. Tucci, Roberto. Diretor Geral da Rádio Vaticano. 21-6-57; # 42-58. “TURO.”
112. Turoldo, David. 9-6-67; # 191-44. “DATU.”
113. Vale, Georgio. Padre. Oficial da Diocese de Roma. 21-2-71; # 21-328. “VAGI.”
114. Vergari, Piero. Chefe Oficial do Gabinete de Assinatura para os Protocolos do Vaticano. 14-12-70; # 3241-6. “PIVE.”
115. Villot, Jean. Cardinal. Secretário de Estado durante o reinado do Papa Paulo VI. Ele é o Camerlengo (Tesoureiro). “JEANNI,” “ZURIGO.”
116. Zanini, Lino. Titular Arcebispo de Andrianopolis, Turquia. Nuncio Apostólico. Membro da Reveredissima Fábrica da Basilica de São Pedro.
 
OS SEGUINTES CLÉRIGOS DA MAÇONARIA DE DO VATICANO FORAM DENUNCIADOS APÓS A LISTA ACIMA TER SIDO COMPILADA
 
1. Fregi, Francesco Egisto. 2-14-63; # 1435-87.
2. Tirelli, Sotiro. 5-16-63; # 1257-9. “TIRSO.”
3. Cresti, Osvaldo. 5-22-63; # 1653-6. “CRESO.”
4. Rotardi, Tito. 8-13-63; # 1865-34. “TROTA.”
5. Orbasi, Igino. 9-17-73; # 1326-97. “ORBI.”
6. Drusilla, Italia. 10-12-63; # 1653-2. “”DRUSI ”
7. Ratosi, Tito. 11-22-63; # 1542-74 “TRATO.”
8. Crosta, Sante. 11-17-63; # 1254-65. “CROSTAS.
 
    De passagem, Padre Luis, quero lhe agradecer sua carta e sua dúvida sobre o que eu disse, porque assim me deu a oportunidade de publicar, no site Montfort, a lista Pecorelli, que muitos, no Brasil, desconhecem.
    O senhor protesta contra mim porque — como milhares de outros — acuso o Caoncílio Vaticano II de ter erros contra a Fé, escrevendo-me:
 
4) Protesto contra comentários venenosos contra o Concílio Vaticano II tachando a “Gaudium et Spes” de herege e outros qualificativos desonrosos…
5) Protesto contra a onda ultra-montanista de querer apagar o Vaticano II da memória e da vigência de suas orientações…”.
 
    O protestar é livre. Mas de um Padre com tantos títulos, esperam-se argumentos para fundamentar seus protestos. O senhor deveria refutar minhas acusações com argumentos e provas. E de um sacerdote com tantos títulos não se esperaria a confusão que o senhor faz com palavra “ultra-montanista”.
    O Montanismo foi heresia dos primeiros séculos da Igreja, enquanto o ultramontanismo foi o movimento que combateu os católicos liberais franceses, no século XIX, defendendo os direitos do Papa, que vivia além dos montes dos Alpes (com relação à França). Parece-me que o senhor quis se referir aos ultramontanos do século XIX, e usou mal o termo ultra Montanista.
    Contra mim, o senhor só protesta, mas não dá provas e nem argumentos. Pelo contrário, admite que o papa atual, Bento XVI, tem “interpretação” diferente de Paulo VI sobre o Vaticano II – “mudança de interpretação autêntica do Magistério da Igreja–, pois me escreve:
   
“Se, o atual magistério dá outra interpretação (dentro da liberdade!), não é preciso DENEGRIR a memória dos antecessores com o fel, desrespeito e ataques como os encontrados no comentário do sr. Orlando Fideli.”
 
    Se apóio a interpretação do Papa atual contra a interpretação do “espírito do Vaticano II, e contra a interpretação de Paulo VI – que o senhor declara diferente da de Bento XVI — o senhor não é somente contra mim, o senhor, de fato, fica contra Bento XVI. Por que então protesta contra mim? Proteste também contra Bento XVI.
    E porque seria eu obrigado a ficar com a interpretação de Paulo VI? Prefiro ficar com a interpretação de Bento XVI contra o “espírito do Concílio”.
    O senhor me dá licença, de fazer isso?
    Se não me der sua licença, mesmo assim, fico com Bento XVI, e não com o senhor, e nem com a interpretação de Paulo VI.
 
***
 
    Chegamos, agora, ao “pro multis”.
    Os Bispos do Brasil, e de outros países do mundo, traduziram a expressão “pro multis”, usada pelo próprio Jesus, como sendo “Por todos”.
    Esse foi um atrevimento que pretendeu mudar a própria palavra de Deus.
    O senhor me diz que “pro multis” é um hebraísmo que significa “Por todos.”
    Por que então Nosso Senhor disse:
 
“Se não fizerdes penitência, perecereis todos do mesmo modo” (S. Luc. XIII, 5)?
 
    Por que numa ocasião Cristo usa o “todos”, e noutra usa o “multis”?
    A expressão “por todos” no lugar do “por muitos” insinua a heresia da salvação universal. O Cardeal Arinze, em sua carta aos Presidentes de Conferências Episcopais, lembrou essa interpretação errada sugerida pela tradução do “pro multis”, como “por todos”.
    O Cardeal Arinze, em sua carta aos presidentes das conferências episcopais, explica as razões da decisão do Vaticano:
 
·   “Os Evangelhos Sinóticos (Mt 26,28; Mc 14,24) fazem referência específica a “muitos” pelos quais o Senhor oferece o Sacrifício, e essa palavra foi enfatizada por alguns exegetas em conexão com as palavras do profeta Isaías (53, 11-12). Teria sido perfeitamente possível aos textos do Evangelho dizer “por todos” (por exemplo, cf. Lucas 12,41); ao invés, a fórmula apresentada na narrativa da instituição [da Eucaristia] é “por muitos”, e as palavras foram fielmente traduzidas assim na maioria das versões bíblicas modernas.
·   O Rito Romano em latim sempre disse pro multis e nunca pro omnibus na consagração do cálice.
·   As anáforas dos diversos ritos orientais, sejam em grego, siríaco, armênio, línguas eslavas, etc., contêm o equivalente verbal do latim pro multis em suas respectivas línguas.
·   “Por muitos” é uma tradução fiel de pro multis, ao passo que “por todos” está mais para uma explicação do tipo que cabe mais propriamente à catequese.
A expressão “por muitos”, embora permanecendo aberta à inclusão de cada pessoa humana, reflete também o fato de que essa salvação não é aplicada de modo mecânico, independentemente da vontade e da participação de cada um; pelo contrário, o fiel é convidado a aceitar na fé o dom oferecido e a receber a vida sobrenatural que é dada àqueles que participam nesse mistério, agindo de acordo em sua vida, de modo a ser contado no número dos “muitos” aos quais o texto se refere.”
(http://www.cwnews.com/news/viewstory.cfm?recnum=47719 ).
 
    Como o senhor ousa então contrariar o texto claro do Evangelho e a expressa crítica ao “Por todos” feita por um órgão da Cúria Romana?
    Padre Luis, o senhor me permite protestar contra seu atrevimento enfrentando o que determinou Roma?
    E não vá reclamar de meu protesto contra o senhor, pois se o senhor se atreve a resistir às ordens do Papa, porque eu seria obrigado a aceitar o seu “palpite”?
    Esse é o resultado da doutrina da Colegialidade ensinada pelo Concílio Vaticano II: ela permitiu a um Padre contestar Roma. E ái se um leigo tentar refutar um padre!
    Em nome do democratismo e da igualdade, esses padres logo “excomungam” quem se lhes opõe, votando-lhes o frio e murmurante ódio clerical… Em nome do Amor!…
    Ah! O “amor” dos progressistas!…Eu o conheço bem! Há cinqüenta anos ele me escorraçou continua e docemente de colégios e Faculdades onde lecionava…
    Por caridade!…
    O senhor argumentaria de que foi Paulo VI que determinou a tradução do “Pro multis” como significando “por todos”. E é verdade.
    Monsenhor Klaus Gamber em seu livro sobre A Reforma da Liturgia reconhece isso e critica o que chama de tradução “problemática” e “escandalosa”, citando São João Crisóstomo:
 
O Papa Paulo VI julgou oportuno alterar as palavras da Consagração e Instituição, que permaneceram imutáveis na liturgia Romana durante 1.500 anos… Verdadeiramente problemática, na verdade verdadeiramente escandalosa, é a tradução da expressão pro multis como “por todos”, uma tradução inspirada pelo pensamento teológico moderno, mas jamais encontrada em qualquer texto litúrgico histórico. (Na exegese de Heb. 9:29, São João Crisóstomo explica sucintamente: «Ele foi oferecido uma vez só, para carregar os pecados de muitos. Por que ele [São Paulo] diz “de muitos”, e não “de todos”? Porque nem todos tiveram fé. Embora Ele morresse por todos, no que Lhe dizia respeito, para salvar a todos, e Sua morte sanasse a queda de toda a humanidade, contudo Ele não tirou os pecados de todos, pois nem todos quiseram que Ele o fizesse».” (Mons. Klaus GAMBER, The Reform of the Roman Liturgy, Harrison-N.Y.: Roman Catholic Books, 1993, p. 55-56).
 
    Ora, a tradução francesa desse livro de Monsenhor Klaus Gamber foi prefaciada por ninguém menos que o Papa atual, que entre outras coisas afirma, sobre Mons. Gamber:
 
O finado Monsenhor Klaus Gamber foi descrito pelo Cardeal Ratzinger como o “estudioso que, dentre a legião de pseudo-liturgistas, verdadeiramente representa o pensamento do coração da Igreja.” .” (Michael DAVIES, Liturgical Time Bombs In Vatican II [Bombas-Relógio Litúrgicas no Vaticano II], Tan Books, Excerto online: “The Rise and Fall of Annibale Bugnini ” [A Ascensão e Queda de Annibale Bugnini], http://www.tanbooks.com/doct/vatican_liturgy.htm).
 
    É de propósito que lhe cito, de segunda mão, o elogio de Bento XVI a Gamber, a partir da citação que dele fez o famoso historiador da liturgia Michael Davies. E isso por duas razões.
    Primeira, porque está num capítulo, que se encontra inteiro na internet, no qual Davies mostra – como já lhe lembrei — que o próprio Paulo VI julgou procedente a acusação lançada contra Bugnini de que o fabricador da Missa Nova foi maçom.
    Segunda, porque Michael Davies também refuta a tradução do “pro multis” como “por todos” (cf. o Apêndice V de: Michael DAVIES, Pope Paul”s New Mass, Kansas City-Missouri: Angelus Press, 1980).
     E também sobre o valor de Michael Davies, — que, insisto, comprovou a filiação maçônica de Bugnini e a indefensibilidade da tradução “por todos” ao “pro multis” – afirmou o Cardeal Ratzinger, hoje, Bento XVI:
 
Fiquei profundamente tocado pela notícia da morte de Michael Davies. Tive a boa sorte de encontrá-lo diversas vezes e vi nele um homem de profunda fé e pronto a abraçar o sofrimento. Desde o Concílio, ele dedicou toda a sua energia ao serviço da Fé e nos deixou publicações importantes especialmente sobre a sagrada liturgia. Embora tenha sofrido com a Igreja de muitos modos em seu tempo, ele sempre permaneceu verdadeiramente um homem da Igreja. Ele sabia que o Senhor fundou Sua Igreja sobre a rocha de São Pedro e que a Fé pode encontrar sua plenitude e maturidade somente em união com o sucessor de São Pedro. Portanto, podemos ter confiança de que o Senhor escancarou para ele os portões do paraíso. Encomendamos a alma dele à misericórdia do Senhor.” (Cardeal Joseph RATZINGER, Carta de 9 de novembro de 2004 ao Sr. Julian Chadwick, Presidente da Latin Mass Society, tradução nossa a partir da tradução francesa do original alemão publicada como Apêndice a: Leo DARROCH, “A Very Unique Individual”, in: Latin Mass Society”s February 2005 Newsletter , http://www.latin-mass-society.org/2005/michaeldavies.html).
 
    Finalmente, Padre Luis, é preciso lembrar que o próprio Magistério já havia dado a interpretação autêntica do “pro multis” como “por muitos” e recusado a tradução “por todos“, no Catecismo do Concílio de Trento:
 
De fato, se considerarmos sua virtude, devemos reconhecer que o Salvador derramou Sangue pela salvação de todos os homens. Se atendermos, porém, ao fruto que os homens dele auferem, não custa compreender que sua eficácia se não estende a todos, mas só a “muitos” homens. Dizendo, pois, “por vós”, Nosso Senhor tinha em vista, quer as pessoas presentes, quer os eleitos dentre os judeus, como o eram os Discípulos a quem falava, com exceção de Judas. No entanto, ao acrescentar “por muitos”, queria aludir aos outros eleitos, fossem judeus ou gentios. Houve, pois, acerto em não se dizer “por todos”, visto que o texto só alude aos frutos da Paixão, e esta surtiu efeito salutar unicamente para os escolhidos. Tal é o sentido a que se referem as palavras do Apóstolo: “Cristo imolou-Se uma só vez, para remover totalmente os pecados de muitos” (Heb 2,28); e as que disse o Senhor no Evangelho de São João: “Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por estes que Me destes, porque são Vossos” (Io 17,9).” (CATECISMO ROMANO [Pars 11, caput IV, sectio XXIV], versão fiel da edição autêntica de 1566 com notícia histórica e análise crítica pelo Pe. Valdomiro Pires Martins, Petrópolis-RJ: Vozes, 1962, p. 243).
 
    E vale lembrar, Padre Luis, que, quando Cardeal, o hoje Bento XVI, fez uma famosa conferência sobre a derrocada da catequese no pós-concílio, provocando a ira dos progressistas, na qual Sua Santidade, o então Prefeito do ex-Santo Ofício, afirmava ser o mais importante catecismo católico, o Catecismo Romano publicado sob São Pio V em seguida ao Concílio de Trento, e ao qual devemos freqüentemente retornar [Il più importante catechismo cattolico, il Catechismo Romano pubblicato sotto Pio V in seguito al Concilio di Trento - e al quale dovremo sovente ritornare] (Cardeal Joseph RATZINGER, Transmission de la foi et sources de la foi [Transmissão da fé e fontes da fé], Conferência de 16 de janeiro de 1983 na Catedral de Notre-Dame de Paris, Documentation catholique, n. 1846, t. LXXX (1983), pp. 260-267; tradução nossa a partir da tradução italiana: Trasmissione della fede e fonti della fede , publicada em Cristianità,n.º 96, sublinhado nosso).
 
    Creio que o senhor, como especialista em catequese, e seguindo Ratzinger, deve recomendar sempre o uso do Catecismo de Trento, não é, Padre?.
    E, sobre o peso decisivo da citação do Catecismo Romano, contra as elucubrações da filologia, ensina o Cardeal Stickler, que foi perito teológico da Comissão Litúrgica do Concílio Vaticano II:
 
Um bom amigo envia-me regularmente o Deutsche Tagepost. Sempre leio a penúltima página, na qual a equipe editorial, de modo muito louvável, propicia aos leitores a oportunidade de, em cartas ao editor, expressarem juízos contrários. Uma série contínua de tais cartas lidava detalhadamente com o “pro multis” do texto latino da fórmula da consagração e com sua tradução “para todos”. De novo e de novo a filologia foi abordada, a qual freqüentemente se transforma em senhora ao invés de meramente serva da teologia. Mons. Johannes Wagner diz em seu Liturgiereformerinnerungen (1993) que os italianos foram os primeiros a introduzir essa tradução, embora ele mesmo preferisse a tradução literal “por muitos”. Infelizmente, nunca vi ninguém recorrer a um argumento de primeira ordem, que é ao mesmo tempo teologicamente decisivo e pastoralmente de extrema importância; está contido no Catecismo Romano Tridentino. Aqui a distinção teológica é claramente enfatizada : o “pro omnibus” indica a força que a Redenção tem “por todos”. Se se leva em consideração, porém, o fruto real que é conseguido pelos homens por ela, o Sangue de Cristo é efetivo não por todos, mas somente por “muitos”, ou seja por aqueles que dela extraem os benefícios. É portanto correto que aqui não se dissesse por “todos”, pois nesta passagem somente se fala dos frutos do sofrimento de Cristo, os quais vão apenas para os escolhidos. Em todas essas palavras da consagração estão contidos muitos mistérios que os pastores deveriam reconhecer por meio do estudo e com o auxílio de Deus. Não é difícil ver aqui as verdades pastorais extraordinariamente importantes contidas nesses conteúdos dogmáticos da língua de culto latina, que inconscientemente (ou mesmo conscientemente) são encobertas numa tradução imprecisa.” (Cardeal Alfons STICKLER, Recollections of a Vatican II Peritus, tradução nossa a partir da tradução inglesa de Thomas E. Woods, Jr., do ensaio alemão publicado em: Franz BREID, ed., Die heilige Liturgie, Steyr, Austria: Ennsthaler Verlag, 1997. Latin Mass Magazine, Winter 1999 issue, http://www.latinmassmagazine.com/vatican_ii_peritus.asp ).
 
    Os méritos de Cristo são infinitos e suficientes para salvar todos os homens que existem e possam vir a existir. É que se chama de redenção objetiva. A vontade salvífica de Cristo se estende a todos os homens, mas nem todos a atendem. Só muitos.
    Nem todos os homens se aproveitam dos méritos infinitos de Cristo, pois muitos os recusam, perdendo-se eternamente. É o que se chama redenção subjetiva. Nem todos os sujeitos se salvam. A tradução de “pro multis” como se fosse “por todos” insinua a salvação universal que é ensinada hereticamente por muitos padres, hoje em dia. Graças a Deus, não por todos os padres.
    E, apesar de haver muitos que ensinam essa heresia, hoje, o senhor parece não se preocupar muito em distinguir redenção objetiva da redenção subjetiva, pois o senhor me escreveu:
 
“8) É Muito curiosa a vontade de querer combater a doutrina da “vontade salvífica universal de Deus”… E como fica a afirmação do apóstolo São Paulo: “Deus quer que todos os homens sejam salvos…”? E João Paulo II não disse na “Redemptor Hominis” que Cristo Jesus morreu por cada um dos cinco bilhões de pessoas que atualmente vivem sobre a face da terra? (cito de memória… não tenho tempo de conferir citações!)… Será também João Paulo II herético”
 
    Claro, meu caro Padre Luis que “Deus quer que todos os homens sejam salvos…”.
    Só que nem todos aceitam a graça e se perdem por vontade própria.
    Claro que Cristo morreu pelos cinco bilhões de homens que havia no tempo de João Paulo II. Mas se todo o mundo estivesse salvo, por que o senhor ficou padre? Para protestar contra mim e não catequizar os homens? Para que catequese, se todos já estão salvos?
    E o senhor é dirigente de catequese…. Da CNBB e do CELAM!
    Gostaria de esperar que o senhor só tenha se expressado mal. Mas temo – Só temo. Não vá esticar seu elástico conclusivo! — que o senhor acredite na salvação universal…
    E a propósito, o senhor acha que João Paulo II defendeu a heresia da salvação universal, isto é, de que todos os homens estão salvos, ainda não sejam católicos, ainda que sejam ateus, e ainda que vivam em pecado? Ou que ele se referia apenas à redenção objetiva sem recusar a doutrina da redenção subjetiva?
    O senhor me poderia dar um texto em que João Paulo II ensina essa doutrina errada?
   
    Conclui o senhor sua carta dizendo-me:
 
10) Desculpem-me a reação espontânea… não quero me arvorar em defensor da “ortodoxia” como parece se posicionar o portal “Monfort”… um pouquinho de humildade a todos nós (a mim em primeiro lugar!), faz muito bem”.
 
    Não era necessário dizer que o senhor não pretende se arvorar em defensor da “ortodoxia”. Isso é patente em sua carta. Infelizmente, o senhor se arvorou em defensor de erros.
    Mas o senhor acertou em dizer que o site Montfort quer defender – e com ardor – a doutrina verdadeira. E se nós leigos somos obrigados a fazer isso é porque muitos sacerdotes – não todos, graças a Deus. Só muitos. — a atacam declarada ou sub-repticiamente.
 
***
 
    No fim o senhor coloca seus títulos…
    Que faço questão de copiar aqui:
 
Pe. Dr. Luiz Alves de Lima, sdb – professor de teologia em S. Paulo, Curitiba e Goiânia, assesor da CNBB e do CELAM para a catequese, presidente da SCALA (sociedade latino-americana de catequetas), redator e editor da “Revista de Catequese”, ariculista, conferencista e coordenador de inúmeros cursos de formação de catequistas”. (E que o senhor é Doutor, o senhor colocou nas suas informações iniciais de apresentação).
 
    Pena que o senhor, com tantos títulos, coloque tão poucos argumentos em sua carta. Isso deve causar uma impressão!…De vaidade, padre. De vaidade!
 
***
 
    Como o senhor bem propôs, “oremus invicem” para que ambos tenhamos humildade. Principalmente eu que, tendo poucos títulos, deveria, pelo menos, ter humildade.
    Sua bênção Padre.
 
São Paulo, 16 de Janeiro de 2.007
Orlando Fedeli
 
PS. Ia mandar-lhe esta carta, quando relendo o título que o senhor deu à sua missiva, julguei que eu também devia protestar alguma coisa mais contra o senhor. O senhor intitulou sua carta do seguinte modo: “Protesto contra comentários desairosos à Igreja”.
Protesto, Padre.
O senhor leva a sua elasticidade a um ponto absurdo.
Nunca fiz comentários desairosos à Igreja. Critiquei Bugnini e até Paulo VI. Mas Bugnini não é a Igreja. O Papa Paulo VI foi Vigário de Cristo na terra, sucessor de Pedro, e como Pedro, embora infalível, não foi inerrante em política e em sua conduta pessoal. O Papa, infalível, não é impecável.
     Seja menos elástico, Padre.
 
São Paulo, 23 de Janeiro de 2007.
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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