Montfort Associação Cultural

31 de março de 2016

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Proposta macabra no Reino Unido: deixar ir a termo os fetos não-viáveis para utilizar seus órgãos

Como se faria a retirada de órgãos destas crianças, deixadas sobreviver apenas para vender no varejo as peças separadas? com o coração batendo? que cuidados haveria para estes recém-nascidos?

Jeanne Smits

Publicado no original em 15 de março de 2016

Tradução Montfort

O sistema público de saúde (NHS), no Reino Unido, acaba de sofrer uma onda de protestos depois que um médico especializado em transplantes de órgãos sugeriu que as mulheres gestando uma criança com deficiência grave ou com “danos” sejam encorajadas a levar a sua gravidez a termo, de modo a permitir a utilização dos órgãos do bebê após o parto. A proposta foi feita na reunião anual da Sociedade Britânica de Transplantes em Glasgow.
A proposta é tão chocante que SPUC (Sociedade para a Protecção das Crianças Não-Nascidas), a associação pro-vida maior e mais antiga do Reino Unido, publicou hoje um comunicado de protesto na imprensa junto com o anúncio que iria “investigar” os fatos. Mas as fontes múltiplas que ela cita em seu comunicado deixam pouca margem para dúvidas sobre a veracidade do incidente em si. Resta descobrir de onde vem esta proposta macabra e se o NHS está se preparando de fato para configurar um apoio específico para essas mulheres, como garante o tablóide The Sun – a não ser que isso já esteja sendo feito!
Atualmente, no Reino Unido, a grande maioria das mulheres grávidas informadas sobre o diagnóstico de incapacidade grave para seu filho ou de um distúrbio ocorrido durante a gravidez, decide fazer um aborto “médico”, tanto mais se o bebê não tem muitas chances de sobreviver ao nascimento.

“Um verdadeiro desperdício” …

Depois de fazer pressão durante anos pelo “direito” das mulheres de antecipar uma morte quase certa – a última campanha até o momento está acontecendo na Irlanda do Norte, onde exatamente essa razão para o aborto não é legalmente admitida – agora o lobby da morte propõe mudar de método. Como no caso do aborto dito “médico”, o interesse do NHS tem em vista a escassez crônica de órgãos vitais para transplante: poder dispor de bebês nascidos na maturidade ao fim de nove meses de gestação, garante ter acesso a órgãos bem formados e de tamanho suficiente.
Afinal, se escaparia, nesse caso, da coleta de órgãos e tecidos dos “produtos do aborto” de primeiro ou segundo semestre, no estilo dos “saques” que valeram críticas ao Planned Parenthood, nos EUA …
Ao longo dos últimos dois anos, 11 bebês com menos de dois meses tornaram-se “doadores” de órgãos (como se tivessem tido escolha …) mas, com os novos protocolos, os médicos esperam chegar a 100 “doadores” por ano .
Niaz Armad, cirurgião especializado em transplantes no Hospital Universitário St James em Leeds, não tem escrúpulos: “Pretendemos colocar publicamente esse esquema em funcionamento, em nível nacional, como uma fonte viável de órgãos para transplante. Muitos funcionários do NHS não sabem que esses órgãos podem ser utilizados. Eles devem ficar cientes. Estes órgãos podem ser transplantados, eles funcionam, e funcionam a longo prazo.”
É o cúmulo do utilitarismo: não apenas aquelas crinças portadoras de defeitos são consideradas boas para a eliminação, mas esta última é atrasada, de modo a obter o máximo proveito…
A história não diz, de fato, como se faria a retirada de órgãos destas crianças, que se deixaria sobreviver apenas para vender no varejo as peças separadas: que cuidados haveria para estes recém-nascidos? se tentaria uma possível reanimação? Os órgãos seriam retirados com o coração batendo? Se esperaria a morte natural? Se apressaria essa morte pela privação de alimentos?
A próxima etapa está se desenhando de forma igualmente clara: uma vez levantado o tabu do infanticídio (para o “tabu” do aborto isso já foi feito há muito tempo), por que não pedir às mães que querem um aborto por razões unicamente de conveniência, econômicas ou outros, durante o prazo legal, que na Inglaterra está fixado em 24 semanas de gravidez, para conservar seu “feto” o tempo necessário para que ele se torna apto a “salvar vidas”, como eles dizem? Com o tempo se poderá ir ainda mais longe …
Mas, por agora, é “apenas” questão dos bebês atingidos de problemas tais como anencefalia – diagnosticada em 12 semanas e geralmente incompatível com a vida: seus rins, coração, pulmões, fígado e outros órgãos costumam estar em boas condições.
O chefe dos transplantes do NHS, James Neuberger, já disse: “Se uma família quer doar órgãos ou tecidos de seu bebê nós vamos ajudá-los e apoiá-los. ”
Caso contrário, eles serão mortos no útero, é simples assim …

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