Montfort Associação Cultural

6 de abril de 2006

Download PDF

Professor Teólogo se revela um herege modernista

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Antônio Mesquita Galvão
  • Idade: 63
  • Localizaçao: Canoas – RS – Brasil
  • Escolaridade: Pós-graduação concluída
  • Profissão: Teólogo/professor
  • Religião: Católica

Eu pensava estar lidando com pessoas/entidades sérias…
Mas constatei, contristado haver mandado uma
mensagem para um antro de fanáticos, fundamentalistas, anacrônicos, moleques. Uma revista de Roma, a quem mandei uma matéria sobre “criação e evolução”, publicaram-na e discordaram, com dlicadeza e educação. O que não ocorreu em seu site.

Vejam que eu foi lhano em meu trato com vcs. e recebi uma ironia e um deboche, que não são adequados a quem se diz cristão. Dicordar sim (a Teologia Moral fala em “correção fraterna) ; debochar (coisa diabólica), jamais!

Como desconheço a formação do Dom Quixote (Orlando ) e de seu fiel escudeiro Sancho Pança (Felipe Coelho) imagino-os como o auxiliar de redação e o segundo sacristão, respectivamente. Vocês é que têm ranço de sacristia! Sua “sabedoria” latinista tem cheiro de Opus Dei.

Enganam-se ao me imaginar cristão de sacristia: sou atuante, trabalho em comunidades (as ex CEBs que vocês radicais acabaram), ministro da esperança, dou aulas em cas de formação, assessoro workshops de teologia, coordeno círculos bíblicos e animo retiros de padres, religiosos e leigos. Inscrevam-se
Se querem currículo, deixei de dizer “Mestre em Escatologia”. Desculpem por eu ter estudado. Ok?

Mas não! Vocês chafurdam em cima de “verdades” clericais não dogmáticas, que se refutadas os levaria a pensar e a gastar o meio neurônio que têm na cabeça. Por isso preferem adotar o “prato feito”, do tipo “Roma locuta causa finita”. Se vcs., grosseios sapientes, lerem GS e LG verão que esse “engessamento” do pesamento (base da “santa” inquisição) foi derrogado pelos “novos ares” que João XIII e Paulo VI fizeram soprar sobre a Igreja.

Jesus diz que o Espírito (vento, pnêuma) sopra onde quer…
parece que vcs, nao permitiram que ele soprasse em suas cabeças vetustas.

Sua deselegância chegou a tal ponto de, nao tendo argumentos fortes para revidar, levantar a questão de um
há trocado (na digitação por a). Isso é falta de assunto e ser muito pequeno!!

Sou escritor, sim, tenho 90 livros publicados (Vozes, Loyola, Paulinas, Palloti, Santuário, Ave-Maria e outras), no Brasil e exterior (França, Argentina, Colômbia, México, Alemanha, Itália e países da África) e nao me preocupo demasiadamente com ss e rr, acentos ou crases, embora portador de três cursos supeiores, uma especialização, dois mestrados e um doutorado (desculpem!!).

Ao escritor é dado criar. Revisão quem faz é revisor (a quem as editoras pagam “salário mínimo”).

Ademais, quem são vocês para aferir a fé das pessoas?
Eu creio em Deus (uno e trino) e nas verdades que a Bíblia nos revela. Essa obediência hierárquica ao “magistério” para mim é relativa. Creio na Igre Católica, sim, Igreja comunidade dos que crêem… creio pouco na igreja secular, hierárquica, às vezes tirana.

Mas, se é para apontar erros, em sua debochada frase “… sua sabedoria teologal…” você mostrou que não sabe a diferença entre teologal e teológico. Isto é elementar!! Minha sabedoria é teológica. Oriunda de estudo (lógos) de Deus (Theós). Minha sabedoria teologal (nas virtudes religiosas, a partir do amor, da fé e da esperança) ainda precisam de muito crescimento.

Você fala em germanismos, mas o grande guru de João Paulo II, a “coluna da ortodoxia”, o homem que comanda o Vaticano, hoje, J. Ratzinger, é alemão, como o foram os grandes Küng e Rahner.

Seu “escudeiro” (Felipe Coelho) fala mal de H. Ur von Balthassar e H. de Lubac, esquecendo-se que eles, com C. M. Martini e J. Danielou froam os maiores teólogos do século XX. Inclusive, Lubac e Danielou foram os que resgataram o estudo da Patrística, coisa que vc, deve desconhecer.

E despede-se de forma santarrona e farisaica, afirmando”-se “In Corde Jesu, semper”, hora, meu caro sacristão de meia-tigela, pelo seu nascisismo e reducionismo às adiposas conformações de seu umbigo, seria melhor que se assinasse “in corde luxfero, saepe”.

Vou orar pela conversão de vocês!
Sinceramente.

Prof. Dr. Antônio Mesquita Galvão

Réplica de Orlando Fedeli

    Furibundo Doutor Antônio Mesquita Galvão, Escritor,  autor de 90 livros, Doutor em Moral, Mestre em Escatologia, Professor de Teologia, Animador de Padres, Líder das fracassadas Cebs, Ministro da esperança, Coordenador de Círculos Bíblicos, Assessor em workshops de Teologia, em suma, Doutor das canoas viradas e furadas,

    Meus sinceros cumprimentos admirativos e embasbacados!

    Eu sabia! Não disse ? E tinha certeza que o senhor devia ter mais diplomas! Acertei!

    Foi sua modéstia que não lhe permitiu estadear, logo de início, todos os seus títulos!

    Agora, sabemos que o senhor é também Mestre em Escatolgia, e que é Assessor em workshops de Teologia! E Ministro da Esperança! (Que será isso? Que novidade pós conciliar será essa ?!). E etc.

    Creio que, com esse currículo, lhe será fácil arranjar emprego!

    Só que a Montfort não é agência de empregos. E nem vitrina para exibir valores intelectuais reais ou fictícios.

    Entretanto, por caridade, apresso-me a publicar esta sua segunda missiva, a fim de atender seu desejo de notoriedade, ou de lhe ajudar a encontrar emprego, pois temo que o senhor esteja desempregado, tal o seu desejo de expor seus títulos e diplomas.

    De fato, a crise do país é muito grande, e os desempregados são milhões. 

    Comunica-me, pois, o senhor, um complemento de seu currículo, anteriormente enviado, esclarecendo possuir outras capacidades extraordinárias, que ainda não haviam sido reveladas:

    “Sou atuante, trabalho em comunidades (as ex CEBs que vocês radicais acabaram), ministro da esperança, dou aulas em cas de formação, assessoro workshops de teologia, coordeno círculos bíblicos e animo retiros de padres, religiosos e leigos. Inscrevam-se Se querem currículo, deixei de dizer “Mestre em Escatologia”. Desculpem por eu ter estudado. Ok?”

    Fique tranqüilo, o senhor está desculpado.

    Compreendo que apenas a sua modéstia inenarrável o fez omitir tantas preciosas qualidades suas, em sua primeira missiva.

    Por espírito de cooperação vou ajudá-lo.

    Embora, como lhe disse, a Montfort não seja agência de empregos, quer o senhor que envie seu currículo para alguma agência desse tipo?

    Creio que, como  Mestre em Escatologia, o senhor tem pouca possibilidade de vir a ser contratado. Afinal, nenhuma entidade comercial está interessada no fim do mundo. 

Mas, como Ministro da Esperança, talvez algum desesperado clube de várzea, ou alguma igrejola protestante do tipo da evangélica Bola de Neve ou da igrejola Sabão, Sopa e Salvação, possa contratá-lo. 

    Aliás, bem que o governo atual do país poderia nomeá-lo Ministro da Esperança, virtude muito difundida e sempre decepcionada em nosso Brasil.

    Claro que há mais possibilidade de haver emprego num shopping center ecumênico das religiões mundiais, que utilize sua capacidade de assessorar ” workshops de teologia”.

    Até isso existe hoje!

    Efeitos do Vaticano II… no merchandising teológico   

    O senhor me fala em seriedade…

   Meu caro senhor, títulos não substituem argumentos, e ofensas e insultos não tornam o poligenismo verdade comprovada.

   Isso não é discutir seriamente.

   Como o senhor, pretendendo escrever seriamente contra o monogenismo, só se preocupou em exibir seus títulos, e a nos dar apodos depreciativos, escrevendo-nos uma carta tão pouco séria? Tão pouco fundamentada?

    Ou julga o senhor que é sério proclamar, sem ficar corado de vergonha: “minha sabedoria é teológica” ? E, depois desse auto elogio vergonhoso e envergonhante, julgar ainda que tem direito de negar com desenvoltura e gratuitamente o que a Igreja ensina ?

    Meu caro Doutor, jactância e exibição não são conciliáveis com seriedade.

    Sua primeira carta, se, por um lado, mais parecia um folhetim de propaganda eleitoral de um candidato a vereador em Alto do Goloso do Grogotó dos Pimentas,  de outro lado, era ela um amontoado de frases atrevidas, agredindo a doutrina católica, com teses típicas de um herege modernista, sem base e com muita pretensão.

    Agora, nesta sua segunda missiva, — mais furiosa e ainda mais herética que a primeira –  o senhor quis completar seu currículo, e nos cobrir com novos insultos. 

   Constato ainda que o senhor nos acusa, a mim e a meu aluno Felipe Coelho, de termos “cabeças vetustas” e não ventiladas pelos ventos — pelo pneuma–  do “Espírito Santo”. Sua cabeça , ao contrário das nossas, certamente parece ser  muito bem ventilada. Tão ventilada, que temo estar ela pouco “recheada”. Nela, admito, sem dúvida alguma, há muita capacidade. O que se comprova pela sua nova carta, vazia de argumentos e cheia de insultos.

   O senhor nos pergunta: 

“Ademais, quem são vocês para aferir a fé das pessoas?”

   Mas meu caro Doutor, foi o senhor que contestou nossa Fé na existência de Adão, no dilúvio, e no fundo, na Sagrada Escritura, apodando-nos de fundamentalistas do século XIX, por acreditarmos no que a Igreja católica continua ensinando, no Catecismo e nas encíclicas, sobre o monogenismo, e contra o poligenismo que o senhor defende.    

   Não fomos nós que lhe escrevemos. Só lhe respondemos. Só lhe demos o troco. E na moeda com que o senhor nos pagou. Sua moeda foi a do desprezo, do insulto, da tentativa fracassada de nos por em ridículo, e defendendo heresias e doutrinas contra a Fé.

    Que troco quereria o senhor receber? Em que moeda?

    O senhor nos apresenta, agora, o  seu credo, aliás, muito curtinho, muito protestantezinho:

Eu creio em Deus (uno e trino) e nas verdades que a Bíblia nos revela”.

    Se é só nisso que o senhor crê, só falta agora nos dizer qual é a seita reformada à qual o senhor se filia.

    E mais: será que o senhor crê mesmo nas verdades que a Bíblia nos revela? E o seu Adão metafórico? O senhor já se esqueceu dele?

    Sua crença na Bíblia é então metafórica, e sua fé na Igreja é com restrições.

    E a comprovação de que o senhor não crê, de fato, inteiramente na  Unam, Sanctam, Catholicam et Apostolicam Ecclesiam, como canta o Credo, está em que o senhor afirma — para constar — que crê na Igreja Católica, mas confessa, logo a seguir, que não aceita o que o Magistério da Igreja ensina. Portanto, exatamente como Lutero, ou como o pastor Josequiel.

 E confessa o senhor o seu repúdio à Igreja Católica, a  única Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, insultando-a, ao  escrever:

“Essa obediência hierárquica ao “magistério” para mim é relativa. Creio na Igreja Católica, sim, Igreja comunidade dos que crêem… creio pouco na igreja secular, hierárquica, às vezes tirana”.

    Ilustríssimo doutor, o senhor é um herege. Ainda que herege bem pouco ilustre, o senhor é um herege completo.

    Meu caro Doutor em todas as Teologias, o senhor deve saber que a Fé ou é total e íntegra, ou não existe.

Meu caro Doutor em todas as Teologias, o senhor deve saber que a Fé ou é total e íntegra, ou não existe.

    Se o senhor confessa ter pouca fé nos ensinamentos da Igreja, e se o senhor a chama de “tirana” é porque o senhor é um rebelde contra ela.

    E é isso que o senhor deve ensinar aos padres que o ouvem em workshops teologais.

    Lamentável!

    E se o senhor confessa que não aceita o Magistério da Igreja, que não liga para o que ele ensina, como declarou, em sua primeira carta, que sua defesa do poligenismo é apoiada por todas as correntes teológicas, e que, hoje, na Igreja, ninguém mais acredita no monogenismo? Para o senhor, valem mais as opiniões de teólogos do que o ensinamento do Magistério da Igreja?

    Meu aluno Felipe provou que isso era falso: o próprio Catecismo da Igreja Católica defende o monogenismo e com base na Humani Generis de Pio XII, que o senhor desprezou.

    Será que discutir assim é discutir seriamente?

    E, para bem se identificar como herege modernista, o senhor muito desrespeitosamente chama o Cardeal Ratzinger de “guru“, e se mostra reverente para com os “grandes” — hereges modernistas – Hans “Kung e Rahnner”.

    Sabendo, então, que o senhor chama a Igreja Católica de “tirana”, sabendo que o senhor se atreve a blasfemar publicamente contra a Igreja de Deus, honra-me o senhor chamar-me, em tom de insulto,  de Dom Quixote.

 

Isso podia ser assinado por Calvino ou Lutero. Ou pelo pastor Josequiel da Igreja Evangélica da Bolha de Sabão Renovada ao Vento da Profecia.

     Sim, conheço Dom Quixote …

      “Oui, je le connais”.

      “Et je me courbe au nom de cet hurluberlu”.

     E por que se lembrou o senhor de Dom Quixote, que atacava moinhos de vento, julgando-os gigantes ?

     Por acaso porque respondi ao ataque de alguém, cuja cabeça, sendo tão ventilada, gira, como a um moinho, a todo vento das novidades doutrinárias? Alguém que está sempre,  como cata-vento, girando ao sabor das brisas da última moda, sempre com temor de ser taxado de não atualizado? Alguém  que é adepto da Igreja Universal Aggiornata e Descartável ?

     Não o julguei um gigante, não. Pelo contrário.

     E o senhor ofende meu “fiel escudeiro”, Felipe Coelho, chamando-o de Sancho Pança, a ele que é tão magro, – tomando o cuidado de não responder a nenhum de seus argumentos e documentos.

     Pois saiba, que, com um Coelho só, matei dois defensores do poligenismo condenado pela Igreja Católica, aquela que o senhor chama blasfemamente de “tirana”.

    “Caridosamente”, o senhor encerra sua carta insultante,  escrevendo-me que sou um “fariseu” “santarrão”, por despedir-me com uma jaculatória ao Sagrado Coração de Jesus.

E falando de mim, me descreve, debochando de minha devoção:

E despede-se de forma santarrona e farisaica, afirmando”-se “In Corde Jesu, semper”, hora (sic!), meu caro sacristão de meia-tigela, pelo seu nascisismo e reducionismo às adiposas conformações de seu umbigo, seria melhor que se assinasse “in corde luxfero (sic!), saepe”.

    Compreendo que quem chama a Igreja Católica de “Tirana”, me desaconselhe encerrar minhas cartas com uma referência ao Sagrado Coração de Jesus.

    Compreendo que um adepto furibundo da Igreja Universal Aggiornata e Descartável, me aconselhe que, em vez de me despedir, em minhas cartas, com uma jaculatória ao Sagrado Coração de Jesus, recomenda que eu faça uma oração a Lúcifer e ao coração dele, “cheio de mentira e de ódio homicida”.

    Vae vobis, laudatoris diaboli,  dominus nefandus ecclesiae universalis aggiornata et descartabilis.

    Repudiando sua sugestão demoníaca, e, apesar de sua irritação, querendo honrar a Nosso Senhor por seu Coração infinitamente misericordioso, me subscrevo in Corde Jesu semper, 

Orlando Fedeli.

 



 

 

Réplica de Felipe Coelho

Prezado Prof. Orlando, salve Maria!

Realmente, diante da confissão de heresia do Dr. Antônio Mesquita Galvão, declarando-se abertamente um inimigo da Santa Igreja de Roma, que ele chama de “tirana”, resta pouco a acrescentar. Faço a seguir algumas últimas contribuições, apenas para não deixar certas coisas sem comentário.

Para começar, convém notar que, num de seus artigos na Internet, esse doutor faz uma comparação blasfema entre Nosso Senhor Jesus Cristo e o terrorista comunista Chê Guevara (http://www.crestani.hpg.ig.com.br/mesquita/mesquita_42.htm), além de, noutro artigo, declarar-se um “socialista confesso” (http://www.crestani.hpg.ig.com.br/mesquita/mesquita_44.htm) e, no mesmo parágrafo, fazer uma citação de Arnaldo Jabor em termos de baixo calão, que nunca se esperaria da boca de um doutor em teologia moral e que recusamo-nos a reproduzir. E esse senhor ainda quer dizer-se católico?

Nesse último e-mail, o Dr. Galvão declara também sua veneração pelos “grandes” teólogos dissidentes Hans Küng e Karl Rahner, ambos opositores da Humanae Vitae, de Paulo VI, a qual atacaram violentamente na ocasião de sua publicação, e ambos defensores de uma “nova moral”, da qual o Pe. Cornelio Fabro dá a seguinte descrição, que cai como uma luva para este último e-mail do Dr. Galvão:

“A esta teología moral del rechazo de la ley moral natural sirve de apoyo, es más, de fundamento, una teología dogmática que rechaza los dogmas y se aparta de las verdades fundamentales del Credo: una brusca y total capitulación frente al racionalismo de la teología liberal protestante, embadurnado hoy de una pizca de existencialismo y de mucho marxismo. Este rechazo de los dogmas, unido al de los principios de la moral que miraba a restablecer y salvar en el hombre la imagen de Dios, apela al espíritu de apertura del reciente Concílio y del papa Juan que lo convocó…”

(Cornelio Fabro, O.P., La Aventura de la Teología Progressista, EUNSA, 1976, p. 18-19)

O Dr. Galvão chama ainda os neomodernistas Henri de Lubac, Jean Daniélou e Hans Urs von Balthasar de “os maiores teólogos do século XX”. Ora, a admiração que um teólogo rebelde como o Dr. Galvão tem por eles já diz volumes sobre essa gente! Em seguida, nosso doutor “adivinha” que desconheceríamos o resgate do estudo da Patrística feito por esses hereges. Mas como poderíamos desconhecer isso, nós que nesta polêmica tanto defendemos a Humani Generis, se essa encíclica reprova justamente esse movimento, que, como bem o resume Maritain, “quer reinventar os Padres Gregos ao som da música hegeliana“?

Pois assim os descreveu e condenou o Papa Pio XII, nesta encíclica, qualificando a maliciosa volta à Patrística da nouvelle théologie como modernismo disfarçado:

“Quanto à teologia, o que alguns pretendem é diminuir o mais possível o significado dos dogmas e libertá-los da maneira de exprimi-los já tradicional na Igreja, e dos conceitos filosóficos usados pelos doutores católicos, a fim de voltar, na exposição da doutrina católica, às expressões empregadas pela Sagrada Escritura e pelos Santos Padres. Esperam que, desse modo, o dogma, despojado de elementos que chamam extrínsecos à revelação divina, possa comparar-se frutuosamente com as opiniões dogmáticas dos que estão separados da unidade da Igreja, e que, por esse caminho, se chegue pouco a pouco à assimilação do dogma católico e das opiniões dos dissidentes.

Reduzindo a doutrina católica a tais condições, crêem que se abre também o caminho para obter, segundo exigem as necessidades atuais, que o dogma seja formulado com as categorias da filosofia moderna, quer se trate do imanentismo, ou do idealismo, ou do existencialismo, ou de qualquer outro sistema. Alguns mais audazes afirmam que isso se pode e se deve fazer também em virtude de que, segundo eles, os mistérios da fé nunca se podem expressar por conceitos plenamente verdadeiros, mas só por conceitos aproximativos e que mudam continuamente, por meio dos quais a verdade se indica, é certo, mas também necessariamente se desfigura. Por isso não pensam ser absurdo, mas antes, pelo contrário, crêem ser de todo necessário que a teologia, conforme os diversos sistemas filosóficos que no decurso do tempo lhe servem de instrumento, vá substituindo os antigos conceitos por outros novos; de sorte que, de maneiras diversas e até certo ponto opostas, porém, segundo eles, equivalentes, faça humanas aquelas verdades divinas. Acrescentam que a história dos dogmas consiste em expor as várias formas que sucessivamente foi tomando a verdade revelada, de acordo com as várias doutrinas e opiniões que através dos séculos foram aparecendo.

Pelo que foi dito é evidente que tais esforços não somente levam ao relativismo dogmático, mas já de fato o contém, pois o desprezo da doutrina tradicional e de sua terminologia favorece tal relativismo e o fomenta.”

(Pio XII, Humani Generis, §14-16)

Note-se que, neste último parágrafo, Pio XII equaciona o relativismo teológico do ressourcement (movimento de volta às fontes) com o relativismo dogmático, que caracteriza a heresia modernista! Logo, a nouvelle théologie de De Lubac e da revista Communio é modernista, sim. E já na Pascendi encontramos uma condenação antecipada a esse movimento – que triunfou no Concílio Vaticano II, como se vê pela própria linguagem de seus documentos, dos quais os “novos teólogos” foram redatores -, pois prescrevia então São Pio X:

“sejam censurados como fautores do modernismo, aqueles que de tal modo elevam a teologia positiva [na qual se inclui a Patrística] que parece quase desprezarem a escolástica.”

(S. Pio X, Pascendi Dominici Gregis, §99).

Por fim, será que o Dr. Galvão ignora que, do ponto de vista da teologia moral, em que ele é doutor, tais autores, que ele elogia, são reprováveis até mesmo em seu comportamento particular? Pois hoje é de conhecimento público que o padre Rahner escreveu 2.200 cartas à sua namorada, a divorciada Luise Rinser; Von Balthasar abandonou os jesuítas, para ficar ao lado da visionária e pseudomística Adrienne Von Speyr; das mulheres na vida do Pe. Teilhard, mestre de De Lubac, nem se fala; e o Cardeal Daniélou morreu depois de ter um enfarto, numa casa de má vida, na noite de Natal!

Em vista de toda essa imoral “nova teologia” modernista, da qual o socialista e anticlerical Dr. Antônio Mesquita Galvão assina embaixo, só nos resta perguntar: como é possível que editoras ditas católicas publiquem obras desse senhor? E onde foi que ele conseguiu um doutorado em Teologia Moral? No Instituto Teológico do Relativismo?

Enfim, professor, creio que eventuais respostas ulteriores desse senhor nem merecem mais réplica nossa e devem ir direto para o “Quadro de Honra” do site, onde estampamos os insultos dirigidos a nós e a nossa santíssima religião.

Ad Calvarium per Rosarium,

Felipe A. Coelho.

Doutor de Canoas furadas e viradas

 

 

 


Leia mais, na continuação da polêmica:

TAGS

Para comentar esta publicação

O site Montfort não permite a inclusão de comentarios diretamente em suas publicacões.

Para enviar comentários, sanar dúvidas, obter informações, ou entrar em debate conosco, envie-nos sua carta.

Saiba mais