Montfort Associação Cultural

28 de janeiro de 2005

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Presbiteriano defende o relativismo doutrinário

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Claudio
  • Idade: 38
  • Localizaçao: Franca – SP – Brasil
  • Escolaridade: Superior incompleto
  • Religião: Protestante

Olá! Estive lendo as inúmeras ofensas que protestantes e católicos escreveram neste site e estou a me questionar pra quê isso? Cada qual tem suas crenças, cada um se julga certo, mas e o Amor? E a união? Jesus Cristo deve se entristecer muito com esse monte de acusações e divisões.

Um fala dos papas, o outro de Calvino, quando todos sabemos que somos apenas pecadores. O que vocês esperavam de pecadores? Que fossem perfeitos? Que não errassem? A inquisição foi terrível, mas Calvino também foi terrível. Hitler perto de T.Torquemada é um aprendiz de vilão, mas nem por isso o podemos achar santo.

Façam um favor a vocês mesmos: aperfeiçoem-se no amor, falo isso tanto ao protestante como ao católico. Eu sou presbiteriano e nem por isso me sinto ofendido pelo papa chamar a minha religião de seita herética, é apenas uma questão de ponto de vista, pra nós eles são seita herética. E creio que ambos estamos errados. Todos temos o direito de ter nossas opiniões, senão voltaríamos à inquisição.

Espero que os 2 reflitam e pensem na oração de Jesus: “a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste.” Jô 17:21.

Ser evangélico ou ser católico não tem importância alguma, o que importa é o amor, a misericórdia, a fidelidade, a caridade e a união.

Não me levem a mal e que Deus nos abençoe a todos, pois tenho certeza que todos estaremos juntos um dia, lá no céu, onde não haverá mais religião, pois já estaremos religados ao Pai.

Com amor e em Cristo do irmão Cláudio.

Prezado Cláudio, salve Maria!

O que você defende é o relativismo doutrinário. Para você, cada um tem a sua própria verdade. Essa tese é a do subjetivismo negador da existência da verdade.

Meu caro, a verdade é objetiva. Ela não depende de ponto de vista, coisa nenhuma. Ela depende do objeto conhecido. O lugar onde cada um tem sua verdade pessoal, provinda de um ponto de vista muito pessoal, é o hospício onde cada louco pode se julgar Napoleão ou o Flash Gordon. Ou o Pinóquio.

Verdade é a correspondência entre a idéia do sujeito conhecedor e o objeto conhecido.

Idéia do sujeito <-------- Objeto conhecido.

Nossas inteligências “fotografam” os objetos, e extraem deles uma idéia abstrata. A verdade é a correspondência exata entre essa idéia e o objeto conhecido.

Se cada um tivesse uma “fotografia” pessoal do objeto real conhecido, seria impossível conversar, ou mesmo viver em sociedade.

Imagine dois homens jogando xadrez. O que aconteceria se cada um deles tivesse uma idéia pessoal das peças do xadrez?

Simplesmente não seria possível jogar.

Cada um veria o cavalo, ou o Rei, ou a Dama de modo diverso. Um poderia tomar a torre como copo de refrigerante e tentaria beber a torre. Outro veria o cavalo como martelo, e começaria a dar com ele na cabeça do rei, porque a via como prego. E assim por diante.

Essa partida louca de xadrez é o que você imagina das posições religiosas.

Isso é um absurdo.

Assim como dois jogadores de xadrez vêem as peças do jogo do mesmo modo, assim também todos os homens vêem a realidade do mesmo modo.

Quem introduziu o subjetivismo na religião foi Lutero, ao defender que cada homem poderia interpretar a Bíblia a seu modo.

O resultado dessa loucura foi à multiplicação das seitas protestantes. Hoje existe até uma delas que se intitula igreja evangélica Sopa Sabão e Salvação.

E o que Lutero fez na religião, introduzindo o subjetivismo na leitura da Bíblia, a Filosofia idealista alemã e o Romantismo fizeram na leitura do mundo. Kant e os demais filósofos protestantes introduziram o livre exame na interpretação da realidade do mundo. Cada um teria a sua verdade pessoal sobre tudo, desde Deus até chuchu. E o mundo virou um hospício. Cada um com sua religião. Cada um com a sua verdade. Como na Torre de Babel, ninguém mais se entendeu.

E nessa torre de babel em que vivemos, você vem falar do amor , sem perceber que nesse hospício relativista, cada um tem uma idéia diferente e pessoal do amor.

Você percebeu que a idéia de amor do Bin Laden é muito original?

Você gosta de xoró no avesso?

Certamente que não, porque se xoró não existe, quanto mais no avesso.

Então é impossível você amar xoró no avesso, pois só se ama o que se conhece.

Só se pode amar o que se conhece. Não há amor sem conhecimento. O amor provém do conhecimento. Conhecendo que algo é bom, nós queremos esse bem.

Amar é querer bem a outrem. Ora, só poderemos querer bem, se sabemos o que é o bem.

O amor provém então da verdade. Quando você nega a verdade objetiva, você está negando o bem objetivo. Você está negando e impossibilitando o amor.

O que você chama de amor é um sentimento romântico, que nada tem a ver com o amor, que é um ato da vontade.

E é falso que não se pode querer que todos sejam perfeitos, pois Cristo nos disse:

“Sede perfeitos como também vosso Pai do celestial é Perfeito” (Mt. V, 48).

Deus é absolutamente perfeito. Nós podemos ser relativamente perfeitos.

Se fosse impossível alcançar a perfeição Jesus teria errado nos mandando que fôssemos perfeitos.

E noutra passagem Jesus disse ao jovem rico:

“Se queres ser perfeito, vai, vende o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu” (XIX, 21).

Logo, é possível ser perfeito, com a graça de Deus, e é o que devemos desejar para nós e para os outros, mesmo para os pecadores. Por isso Cristo converteu a tantos pecadores, por exemplo, a adúltera, a mulher do poço, o publicano Levi, e a tantos mais.

Quanto à sua idéia de que é errado acusar quem está em erro, porque ”Cada qual tem suas crenças, cada um se julga certo, mas e o Amor? E a união? Jesus Cristo deve se entristecer muito com esse monte de acusações e divisões“, essa sua idéia condena o próprio Jesus Cristo. Pois você nunca leu, nos Evangelhos que Jesus dirigia palavras bem duras aos fariseus?

Leia, por exemplo, o capítulo XXIII do Evangelho de São Mateus, no qual Cristo chama os fariseus de “hipócritas” e de “cegos”, de “sepulcros caiados”, de “serpentes” e de “raça de víboras”. E noutra passagem os chamou de “filhos do demônio” (Jo VIII, 44).

Se você, presbiteriano que é, se você estivesse assistindo à discussão de Cristo com os fariseus, você interviria, dizendo a Jesus e aos fariseus:

Cada qual tem suas crenças, cada um se julga certo, mas e o Amor? E a união?”.

E você, como presbiteriano que quer a união de todos – “assim na terra como nos céus” – você acharia ruim que Cristo disse:

“Não julgueis que vim trazer a paz, mas a espada. Porque vim separar o filho de seu pai, e a filha de sua mãe, e a nora de sua sogra” (MT X, 34).

Meu caro romanticamente amoroso, saiba que o inferno é que é ecumênico e relativista. Mas lá, como nos séculos modernos, reina o ódio. No inferno é que haverá “liberdade” dos rebeldes pensarem o que quiserem. E “livremente” se atormentarão.

No céu, haverá uma só verdade. O céu não é nem ecumênico, nem relativista, mas católico. No céu, todos terão uma só verdade.

O último que no céu defendeu sua opinião própria foi Lúcifer, e, por isso, ele foi jogado no caldeirão dos relativistas, onde cada condenado tem a sua opinião. No tormento eterno. Porque não querem ser convencidos pela única verdade que é Cristo, Deus e homem, filho da sempre Virgem Maria.

E você repare como nossos tempos parecem muitíssimo com o inferno, pois também hoje, cada um pensa ter a sua verdade.

E onde está o amor em nossos dias?

Rogando a Deus que lhe abra os olhos, me subscrevo,

in Corde Jesu et Mariae, semper,
Orlando Fedeli.

Replica

Caro Sr. Orlando: Agradeço seus comentários, não tenho a intensão de convencer ninguém sobre como enxergo Deus, nem como enxergo a Bíblia, apenas quis deixar a minha maneira de ver as pessoas com suas divergências, visto que o site abre espaço para deixarmos algum comentário. Não sou perfeito (teleios) e sei que aqui na Terra não serei nunca, quanto a Jesus o vejo odiando o pecado, porém amando o pecador, por isso não destruo quem eu julgo estar errado com ofensas pessoais e nem corro para os condenar ao fogo do inferno. Mesmo porque acredito que Deus deu-nos liberdade e discernimento e tenho certeza absoluta de que religião alguma tem o monopólio da Salvação, visto que é Cristo quem nos salva e não o protestantísmo ou o catolocísmo. Quanto a eu ser relativísta, isso não o sou de jeito algum, creio que a Teologia Calvinísta está correta, mas não é por isso que vou enfiá-la goela abaixo das pessoas, cada ser humano tem sua liberdade, sua mente que não merece estupros e se algum dia sentirem necessidade e buscarem Deus, certamente Ele os levará a verdade absoluta que está na bíblia. Na realidade não há como provar que estou certo ou que o Sr. está certo, não há nem mesmo como provar a existência de Deus, quanto mais que determinada religião está certa, as coisas são infinitamente mais complexas do que gostaríamos que fossem. Por isso cremos, e a palavra correta é exatamente esta, cremos, não há provas.

Sabe, há cerca de 2 anos fiz uma pesquisa de 3 anos sobre a existência histórica de Jesus e depois de tudo descobri que não há relatos não manipulados do Jesus dos evangelhos ter existido, por fim enxerguei que a mesma fé que eu precisava para acreditar nele, eu precisaria para não acreditar. O que fiz? Deixei de lado a ausência de fatos históricos e permaneci na minha fé, sendo ela herética como o sr. pensa ou correta como eu penso.

Que Deus nos abençoe a todos. Amém.

Cláudio

Prezado Cláudio, salve Maria!

Você é relativista, sim, e, como todo protestante, filho da dúvida.

É relativista, porque, para você, cada um “enxerga” a Bíblia como quiser. Cada um teria uma maneira de ver.

Ora, se assim fosse, seria lícito até alguém considerar a Bíblia um livro maléfico, conclusão a que chegou a seita protestante dos Ranters (Cfr, Christofer Hill, The World Upside Down, tradução em português O Mundo de Ponta Cabeça, Editora Nova Fronteira.).

Você afirma que só tem uma certeza: a de que tudo é relativo, pois que me escreve: “tenho certeza absoluta de que religião alguma tem o monopólio da Salvação”.

Portanto, sua única certeza absoluta é a que de todas as religiões são apenas relativamente certas, de que nenhuma é plenamente certa.

Para você a verdade absoluta está na Bíblia, a qual diz que nem tudo o Deus fez e ensinou está lá: ” Muitas outras coisas há que fez Jesus as quais se se escrevessem uma por uma, creio que nem no mundo todo poderiam caber os livros que seria preciso escrever” (Cfr.Jo. XXI, 25). Portanto, na Bíblia não está tudo. Ao contrário do que você diz:” a verdade absoluta que está na bíblia”.

Você é relativista, sim, porque nem acredita na Bíblia, nem mesmo acredita em sua seita calvinista, pois que você me escreve: “Na realidade não há como provar que estou certo ou que o Sr. está certo, não há nem mesmo como provar a existência de Deus, quanto mais que determinada religião está certa”.

Portanto, para você, ninguém e nada prova nada.

Então por que você me escreve?

E que você não crê nem na Bíblia está comprovado por você mesmo quando diz que a própria existência histórica de Cristo, para você não está provada. Você crê só em você. E ainda assim, você crê em você mesmo com um pé atrás. Daí seus tropeços contínuos.

Você me escreve ainda: “quanto a Jesus o vejo odiando o pecado, porém amando o pecador”.

Meu caro, essa é uma frase feita, muito repetida, mas que não resiste à mínima análise.

Você já viu por aí pecado andando pelas ruas sem ser num pecador?

Isso não existe.

É claro que se deve desejar a conversão do herege e do pecador, como desejo a sua conversão da heresia calvinista.

Mas não se pode separar o herege da heresia, nem o pecador do pecado.

Não posso dar um tiro na ferocidade e um abraço no leão, porque a ferocidade está no leão.

Também não se pode combater a bebedeira, e abraçar o bêbado, porque a bebedeira está no bêbado. Por isso diz a Sagrada Escritura: “Ainda que pisasses o néscio num pilão, como se pisamos grãos de cevada com o pilão, não separarias dele a sua estultícia” (Prov. XXVII, 22).

E ainda: “Deus odeia igualmente o ímpio e a sua impiedade” (Sab, XIv, 9).

E mais: “A minha boca publicará a verdade, e meus lábios detestarão o ímpio” (Prov.VII, 7).

E se você não crê em coisa alguma, como me deseja que Deus me abençoe?

Será que esse seu deus existe? E será que você crê que eu existo?

E você, você existe?

Se existir, passe bem.

Bem longe de mim, porque não adianta conversar com quem é absolutamente relativista e contraditório como você.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli.

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