Montfort Associação Cultural

7 de novembro de 2006

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Possessões e Exorcismo

Autor: Douglas Quitale

  • Consulente: Carlos Henrique De Sá Da Conceição
  • Idade: 17
  • Localizaçao: Barra Mansa – RJ – Brasil
  • Escolaridade: 2.o grau em andamento
  • Profissão: Estudante
  • Religião: Católica

Caros Amigos da MontFort,gostaria que me respondessem algumas perguntas acerca das perguntas abaixo:

1-Como a Santa Igreja identifica uma possessão verdadeira?
2-Após identificada, qual o próximo passo?
3-Como um exorcismo é realizado(basicamente, pois tenho conhecimento que leigos não devem se atrever a isso)
4-Existem muitos casos anualmente?

Agradeço a vocês, pois em uma época de dúvidas, o site MontFort(com a ajuda do Profº Fedeli)me ajudaram a me manter firme no Catolicismo e a me levantar diante de minhas dúvidas e expulsá-las do coração

Muito Obrigado
Atenciosamente
Carlos H.S. Conceição

Prezado Carlos,
a graça e o amor de Cristo Nosso Senhor seja sempre em nossa ajuda e favor.
 
Passamos a responder suas dúvidas conforme, segundo e nos textos dos documentos acerca do mesmo assunto:
  
1-Como a Santa Igreja identifica uma possessão verdadeira?

“A Sagrada Escritura nos ensina que os espíritos malignos, inimigos de Deus e do homem, desenvolvem sua ação de diversas maneiras; entre elas está a obsessão diabólica chamada também possessão diabólica. Entretanto, a obsessão diabólica não é o modo mais freqüente como o espírito das trevas exerce sua influência. A obsessão tem características de espetacularidade e nela o demônio se apodera, de um certo modo, das forças e das atividades físicas da pessoa que padece a possessão. Não pode, entretanto, apoderar-se da livre vontade do sujeito, e por isso o demônio não pode comprometer a vontade livre da pessoa possuída até o ponto de fazê-la pecar. Esta violência física que o diabo exerce no obsesso é uma incitação ao pecado, que é o que o diabo busca lograr. O ritual do exorcismo indica diversos critério e indícios que permitem chegar, com prudente certeza, à convicção de quando se tem diante de si uma possessão diabólica. Então o exorcista autorizado poderá realizar o solene rito do exorcismo. Entre estes critérios encontram-se: falar ou entender muitas palavras em línguas desconhecidas, evidenciar coisas distantes ou inclusive escondidas, demonstrar forças além da própria condição, e isto junto com a aversão veemente a Deus, à Virgem, aos Santos, à Cruz e às imagens santas.”

2-Após identificada, qual o próximo passo?

Vale a pena destacar que para poder realizar o exorcismo é necessária autorização do Bispo diocesano, autorização que pode ser concedida para um caso específico ou também de modo geral e permanente ao Sacerdote que exerce na diocese o ministério de exorcista.

3-Como um exorcismo é realizado?(basicamente, pois tenho conhecimento que leigos não devem se atrever a isso)

No ritual encontra-se, antes de tudo, o rito do exorcismo propriamente dito, a ser exercitado sobre uma pessoa possessa. Seguem as orações a recitar-se publicamente por um sacerdote, com a permissão do Bispo, quando se julga prudentemente que existe uma influência de Satanás sobre lugares, objetos ou pessoas, sem chegar ao estado de uma possessão própria e verdadeira. Há, além disso, uma coleção de orações para recitar de forma privada por parte dos fiéis, quando estes suspeitam com fundamento de estarem sujeitos ou sob influência diabólica.
O exorcismo tem como ponto de partida a fé da Igreja, segundo a qual existem Satanás e os outros espíritos malignos, e que sua atividade consiste em afastar os homens do caminho da salvação. A doutrina católica nos ensina que os demônios são anjos caídos por causa do pecado, que são espíritos de grande inteligência e poder: “Entretanto, o poder de Satanás não é infinito. Não é mais do que uma criatura, poderosa pelo fato de ser puramente espírito, mas sempre criatura: não pode impedir a edificação do Reino de Deus. Embora Satanás atue no mundo por ódio contra Deus e seu Reino em Jesus Cristo, e embora sua ação cause graves danos de natureza espiritual e indiretamente inclusive de natureza física – em cada homem e na sociedade, esta ação é permitida pela divina providência que com força e doçura dirige a história do homem e do mundo. Porque Deus permite a atividade diabólica é um grande mistério, mas “nós sabemos que em todas as coisas Deus intervém para bem dos que o amam” (Rm 8, 28)” (Catecismo da Igreja Católica, n. 395).
Conforme a instrução sobre o exorcismo publicada pela Congregação para a Doutrina da Fé, cabe observar quantos aos leigos:
1. O cânon 1172 do Código de Direito Canônico declara que a ninguém é lícito proferir exorcismo sobre pessoas possessas, a não ser que o Ordinário do lugar tenha concedido peculiar e explícita licença para tanto (1º). Determina também que esta licença só pode ser concedida pelo Ordinário do lugar a um presbítero dotado de piedade, sabedoria, prudência e integridade de vida (2º). Por conseguinte, os srs. Bispos são convidados a urgir a observância de tais preceitos.
2. Destas prescrições, segue-se que não é lícito aos fiéis cristãos utilizar a fórmula de exorcismo contra Satanás e os anjos apóstatas, contida no Rito que foi publicado por ordem do Sumo Pontífice Leão XIII; muito menos lhes é lícito aplicar o texto inteiro deste exorcismo. Os srs. Bispos tratem de admoestar os fiéis a propósito, desde que haja necessidade.

4-Existem muitos casos anualmente?
 
Segundo o Pe. Gabriele Amorth, um dos maiores especialistas neste assunto: “Há quase três séculos que na Igreja católica quase não se fazem exorcismos. No ensino acadêmico, nos últimos decênios quase nunca se fala do demônio, e muito menos dos exorcismos. Atualmente o clero, em geral, é completamente despreparado sobre esse tema, salvo raríssimas exceções.”
 
O demônio teria se cansado e aposentado?
Teria ele, simplesmente, deixado de existir?
Ou, resolveu dar um descanso aos homens?
 
Sua questão é muito difícil de ser respondida, mas acredito que existem muito mais casos do que se tem idéia. Os homens somente se acostumaram com o “grande pai da mentira”, que institui um mundo relativista e cheio de dúvidas onde se desenvolve seu habitat preferido “reinar”.
 
São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate.
 
Salve Maria,
Douglas Quintale.

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