Montfort Associação Cultural

13 de março de 2015

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Por que Dr. Plínio se dizia santo?

Autor: Alberto Zucchi

Enviada em:

19 / 02 / 2015

Nome:

Nayara Cursino

Religião:

Católica

Local:

São Paulo – SP , Brasil

 

Mensagem:
Boa tarde,Tenho 25 anos e a uns 10 anos atrás conheci os Arautos do Evangelho, na minha igreja na qual simplesmente me apaixonei pela maneira de vida deles, pelo amor e a maneira que levavam a santidade nas casas. A alguns meses frequentando, fui fazer uma experiencia pra morar lá, foi quando comecei a ouvir falar do Dr. Plinio sua mãe Lucilia, mas eu era muito imatura e pra falar a verdade nem me lembro muito, Me recordo, q eramos meio que proibidas de falar deles pras novatas, ou na frente dos pais, sempre falavam deles dizendo que ainda iam alcançar a santidade, e diziam sobre alguns milagres e que alguém já havia visto Dr. Plinio depois da morte.
Em tempos venho pesquisando esse motivo pra esconder o Dr. Plinio de todos, já que ele era o fundador, bendizendo, e já que eles tinham tanto amor por Dr. Plinio e sua mãe, eram raras as reuniões que, nos novatas, ia e o Seu João S. Clá Dias falava de Dr. Plinio, nunca levei isso como uma idolatria a eles, mas hoje percebo que si, eles idolatram a Dr. Plinio.
Gostaria de saber mais sobre toda essa historia na qual pouco sei. Por que o Dr, Plinio se dizia santo ? Por que João S. Clá Dias saiu da TFP e formou os Arautos na qual escondem tanto já terem sido da TFP e escondem tudo que tem a ver a Dr. Plinio. ?

 

Data de resposta:

 12/03/2015
Prezada Nayara,Salve Maria!Você fez uma boa pergunta, que poucas vítimas desse grande engodo que é Plínio Correa de Oliveira/TFP/ICPO/Arautos têm a coragem de fazer: por que o Dr. Plínio se dizia santo?

 

Talvez Plinio merecesse um prêmio de “endomarketing”, mas santidade é para fazer rir quem o conheceu e não foi fanatizado.

 

Temos que considerar que a santidade tem sempre, necessariamente, uma grande parte de humildade pois, diante de Deus, nenhum santo é grande já que “só Deus é bom”! É verdade também que quem é humilde não diz que é humilde e quem diz que é humilde não é humilde! Logo, quem diz que é santo…

 

Mas Dr. Plínio não só se dizia santo, como deixou, ou melhor mandou, escreverem um livro inteiro mostrando que os santos eram cultuados como santos, e por isso ele também podia sê-lo!

 

Você já viu algum santo fazer isto, coletar argumentos para provar que ele também é santo? Seria cômico se não fosse trágico e não tivesse feito tanto mal a tantas pessoas…

 

Um dos exemplos mais citados na TFP era de Dom Bosco. Dizia-se que os meninos do Oratório agiam da forma fanática em relação a ele, como fazia com Dr. Plínio o pessoal da TFP. Nada mais mentiroso. Creio que não é necessário, além disso, dizer que Plinio jamais ressuscitou alguém, como fez Dom Bosco mais de uma vez, nem mesmo curou alguém de resfriado, ele que tinha verdadeiro pavor de adoecer.

 

Veja se você encontra no texto abaixo, que foi transcrito de um vídeo no “youtube” de uma palestra proferida por João Clá Dias – quando ele ainda não era Monsenhor, mas já planejava seu futuro – algo de semelhante ao que poderiam ter dito os alunos a respeito de Dom Bosco.

 

“É preciso que a gente tenha uma devoção a ele [Dr. Plinio] crescente, um ardor a ele cada vez maior, que a gente o queira com toda força da nossa alma.”

“Que a gente não pense em outra coisa durante o dia senão ele ele ele ele ele ele,[não é erro de digitação, é loucura pura] que passe o dia ávido, o dia ansioso, o dia desejoso de ter um encontro ainda que místico, interior, com ele, uma conversa, um contato com ele, e a gente, portanto, vá se unindo cada vez mais a ele, a ponto de não temos mais a nossa mentalidade, o nosso espírito, a nossa inteligência, a nossa vontade, a nossa sensibilidade funcionando, a não ser assim: Eu já não vivo, é o sr. Dr. Plínio que vive em mim”

“Eu não faço nada no campo sobrenatural se não estiver unido a ele”.

“Dada à nossa circunstância muito especial […] nós temos, isto tudo que está aqui na teoria, portanto, o contato com Deus Padre, com Deus Filho, com Deus Espírito Santo, com Nossa Senhora […] através de Plínio Corrêa de Oliveira”.

Com o gravador parado, não vem pedra (i.e. pensava não estar sendo gravado) […]. Eu sou da opinião de que a Nossa união com Deus […] esta se faz quando uma pessoa recebe e corresponde inteiramente à graça da sagrada escravidão (a Dr. Plínio)”.

 

http://fratresinunum.com/2011/05/29/mons-joao-cla-quem-nao-se-juntar-com-o-sr-dr-plinio-vai-espalhar-se-eu-ja-nao-vivo-e-o-sr-dr-plinio-que-vive-em-mim-eu-sou-um-escravo-do-sr-dr-plinio/

(Os destaques são do original)

[Os vídeos indicados pela reportagem acima foram retirados do ar, mas posteriormente recolocados no seguinte endereço: https://www.youtube.com/watch?v=0fk-yJIiXtM ] 

As frases são delirantes. A substituição de Nosso Senhor por Plinio é evidente.

 

É tal o absurdo das frases de João Clá, que era conhecido na TFP como “João Claque”, que o responsável pela publicação faz uma ressalva:

 

“Áudio verdadeiro ou fraude? A Santa Sé ficaria impressionada com este e outros áudios… não datados, recentemente divulgados.”

 

O normal portanto, segundo os responsáveis pela publicação, seria a Santa Sé condenar a TFP.

Mas o tempo passa… Os ventos mudam… e agora torna-se mais vantajoso dizer que as autoridades eclesiásticas estão favoráveis a TFP/IPCO.

 

Em todo caso, se eles consideram que essas coisas mudam mesmo, que já não é tão maluco dizer “é Plínio que vive em mim”, e se tivessem um mínimo de vergonha, deveriam começar por pedir desculpas pelas publicações e interpretações indevidas que fizeram.

 

Seria engraçado, mas creio que as explicações não ficariam convincentes! Assim é melhor deixar que esqueçam o assunto.

 

 

Assim, o que existia na TFP era culto delirante.

 

Sua segunda pergunta também é muito boa! Por que o Sr. João Clá, atual Monsenhor João Clá, e os Arautos escondem que foram da TFP e tudo o que se refere ao Dr. Plínio?

Em primeiro lugar, está o fato de ele ser Monsenhor.

 

Plínio dizia – e toda a TFP acreditava no tempo dele – que o Espírito Santo havia abandonado os Papas após o Concílio Vaticano II e dirigiria a Igreja através do “profetismo” dele, Dr. Plínio. Com a morte do Profeta Imortal, João Clá achou mais vantajoso ser reconhecido pela Igreja. Internamente, ele chamou sua oficialização como instituto religioso de Manobra Judith, explicando que os Arautos entrariam na Igreja enganando os cardeais – como fez com o rei inimigo a Judith do Antigo Testamento – para “lançar depois uma grande denúncia profética”.

 

João Clá agora substituiu o culto a Plinio para o culto a ele. Você ouviu falar da distribuição de balas por Monsenhor, as quais alguns após recebe-las iam para a capela fazer algo como se fosse uma “ação de graças”?

 

As bizarrices dos Arautos, com seus hábitos chamativos, suas correntes, suas freiras de botas (mas sem véus!), suas igrejas milionárias e seus alardes de devoção, formam um cenário ideal para atrair fiéis de tendências conservadoras… e conservá-los bem afastados da Missa Tridentina. Por isso algum responsável pelos institutos religiosos em Roma achou interessante fechar os olhos para as muitas loucuras que já eram fartamente documentadas, a respeito deles e de sua origem, e dar-lhes um estatuto oficial.

 

Entretanto, para esse reconhecimento da Igreja não chocar tanto os que o conheciam no Brasil, algo precisava ser corrigido, pelos menos nas aparências. Por isso, o Sr. (depois Monsenhor) João Clá fez um acordo em que renunciava ao culto delirante de que ele mesmo era o principal divulgador – já que o criador foi possivelmente o próprio Dr. Plínio.

 

Mas, você mesma é testemunha de que o culto permanece, embora se tente mantê-lo “discreto”.

 

Por outro lado, um santo que se proclama santo, profeta, a “grandeza”, o maior santo de todos os tempos, imortal – depois morreu, mas pelo menos anda aparecendo depois de morto… – não é algo em que acredite facilmente alguém que tenha os pés na realidade. Assim, essas “revelações” vão acontecendo aos poucos, na medida em que a pessoa vai se acostumando com elas e se afastando do mundo incrédulo. É o que se chama de iniciação, em todas as seitas secretas.

 

Esta forma de primeiro apresentar uma boa causa, como por exemplo, o combate ao comunismo, para despois desvirtuar um movimento levando-o a erros e loucuras também não é nova na Igreja.

 

Veja, por exemplo a condenação que São Pio X faz ao movimento Sillon, que ele mesmo havia anteriormente elogiado:

 

 

4. Porque, é necessário dizê-lo, Veneráveis Irmãos, nossas esperanças, em grande parte, foram ludibriadas. Houve um dia em que o Sillon começou a manifestar, para olhares clarividentes, tendências inquietantes. O Sillon se desorientava. Podia ser de outra forma? Seus fundadores, jovens, entusiastas e cheios de confiança em si mesmos, não estavam suficientemente armados de ciência histórica, de sã filosofia e de forte teologia para afrontar, sem perigo, os difíceis problemas sociais, para os quais tinham sido arrastados por sua atividade e por seu coração, e para se premunir, no terreno da doutrina e da obediência, contra as infiltrações liberais e protestantes.

 

Mas era ainda maior a gravidade de seus defeitos, que forçaram o Papa a condená-lo

 

5. Os conselhos não lhes faltaram, e, após os conselhos, vieram as admoestações. Mas tivemos a dor de ver que tanto uns como outras deslizavam sobre suas almas fugitivas, e ficavam sem resultado. As coisas vieram assim a tal ponto que Nós trairíamos Nosso dever, se, por mais tempo, guardássemos silêncio. Devemos a verdade a nossos caros filhos do Sillon, que um ardor generoso arrebatou para um caminho tão falso quanto perigoso. Devemo-la a um grande número de seminaristas e de padres que o Sillon subtraiu, senão à autoridade, pelo menos à direção e à influência de seus Bispos. Devemo-la, enfim, à Igreja, onde o Sillon semeia a divisão, e cujos interesses compromete.

 

Há muito mais do que você viu e do que lhe esconderam no livro que o Professor Orlando Fedeli escreveu sobre os Arautos do Evangelho e a TFP [Esse texto está disponível para leitura no site Montfort ou pode ser encomendado na edição em papel]. E lá está sobretudo a gnose, a doutrina herética que está por trás e justifica as coisas estranhas, que não podem vir da Igreja Católica.

 

Creio que fica claro que não há como fechar os olhos os desvios plinianos, quer venham dos atuais Arautos, quer dos antigos TFPs, agora novamente prestigiados.

 

Não há como fazer acordo com esta gente. Aqueles que não conhecem o mal que eles fazem estão enganados, e precisam ser libertados de seu erro, aqueles que conhecem e se omitem são covardes, os que conhecem e colaboram são traidores da Igreja, sejam eles quem forem…

 

 

Não deixe de rezar por nós. Escreva sempre que precisar.

 

Alberto Zucchi

 

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