Montfort Associação Cultural

11 de julho de 2005

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Por que combater a ciência?

Autor: Fábio Vanini

  • Consulente: Daniel Brisolara
  • Idade: 24
  • Localizaçao: Florianópolis – SC – Brasil
  • Escolaridade: Superior em andamento
  • Profissão: Estudante de Filosofia
  • Religião: Ateu

Gostaria de saber por que dessa postura de se contrapor à ciência, no caso ao evolucionismo. Achei que a postura da igreja depois da idade média fosse de não tratar mais de assuntos relativos à ciência, mas sim assuntos que dizem respeito à convivência entre os homens, ao sentido pra vida, à moral. Fiz dois anos de teologia, e lá constantemente ouvia que a religião não é anti-científica, muito pelo contrário, aceita a ciência (a não ser claro, essas ciências que vão querer explicar o que leva as pessoas a crerem, ou então, neutoteologias da vida que procuram no cérebro humano uma pré-disposição para um algo além, isso é ridículo).

Eu particularmente acho esse debate muito tosco, entre criacionistas e evolucionistas, mesmo porque é sempre possível dizer que Deus criou tudo, Deus deu início a tudo, ou que Deus é o sentido da evolução, ou que Deus criou o caldo primordial que permitiu que os elementos básicos se reunissem e formassem o que se chama de vida (a religião pode também dizer que a vida não deve ser entendida do ponto de vista apenas material). E a ciência não trata do sentido da vida, nem de como devemos viver entre os outros (considere-se os princípios religiosos na carta dos direitos humanos, nas constituições), sobre isso ela não tem nada a dizer, isso não cabe a ela, e é aí que a religião entra. Não vejo problemas como isso. Eu queria entender por que esse debate entre criacionistas e evolucionistas não cessa? Será que não se percebe a besteira que é continuar essas discussões? O estranho na verdade são os cientistas quererem dizer que explicam a vida em laboratório, aquele biólogo Richard Dawkins é um fanático, diz que está falando da essência do homem quando escreve o livro “O Gene Egoísta”, essas pessoas fazem parte da religião cientificista, mas por que alimentar o debate com fanáticos?

Que vocês acham?

Cordialmente,

Já grato,

Daniel Brisolara

Prezado Daniel, salve Maria!
 
    Logo vejo como seus dois anos de teologia foram perdidos e como seu estudo de filosofia é torto. A teologia lhe conduziu ao ateísmo e a filosofia lhe ofuscou os olhos diante da verdade.
    Pergunto eu: de que adianta estudar filosofia se valem tanto o criacionismo quanto o evolucionismo e se no mesmo barco navegam o ateísmo, o subjetivismo, o deísmo e o radicalismo?
    Não vê que a discussão não vale nada se forem colocadas na arena apenas opiniões? “Que vocês acham?”, pergunta você. É assim que aprendeu a filosofar?
    Não sou filósofo e tampouco domino a terminologia da filosofia, mas é certo que ciência, religião e filosofia abordam a mesma realidade e dizem as mesmas verdades de maneira análoga, com terminologia distinta. Mas nunca pode haver contradição entre elas.
    Portanto, religião explica muita coisa sobre a realidade, mas não trata de átomos e células, a não ser que haja implicações morais ou de fé. A Filosofia, subordinada à religião, auxilia a ciência e a religião, mas não pode se opor a elas.
    Pela metafísica, o evolucionismo é impossível. Pela biologia, continua sendo impossível, embora os cientistas modernos prefiram sustentar princípios falsos e falhos a admitirem a existência de um Deus. E a religião mostra que Deus criou tudo com “peso, número e medida”, com forma que dá prole com a mesma forma, ou seja, “que dão sementes segundo a sua espécie”. Assim, somente no cristianismo, religião, filosofia e ciência se harmonizam e se completam.
    O mundo moderno fala muitas filosofias diferentes, vende ciências de qualquer tipo para todos os gostos e inventa uma religião inédita para cada vício diferente. E você nos pergunta para que discutir?
    Prezado Daniel, se sua opinião é a de que não se deve causar atritos entre criacionistas e evolucionistas, por que nos questiona sobre o assunto?
    Nosso objetivo não é puramente criar polêmica, mas defender a Deus e dar os argumentos àqueles que, com humildade, reconhecem as falhas do evolucionismo e procuram respostas com base na realidade e na verdade. Explicações que dêem um sentido para a vida e, ao mesmo tempo, uma explicação científica e filosófica razoável, ou seja, com base na razão.
    Para completar, você erra em pensar que a Igreja, depois da Idade Média, não procurou mais se intrometer em ciência. Ao contrário, há uma infinidade de padres e monges que se aplicaram a pesquisas científicas. A Igreja fundou as universidades e nunca deixou de ensinar ciência e filosofia. Afastar a Igreja da ciência é como afastar a alma do corpo: é a morte do homem. Por isso, hoje, longe da religião, se faz ciência de morte, como a eugenia e o darwinismo, que prega a sobrevivência do mais apto, em detrimento do menos apto. É o evolucionismo que pretende dar um sentido falso para a vida, por isso havemos de nos intrometer e desmenti-lo. Misturá-lo com catolicismo ou tolerar sua coexistência, nunca!
 
No Coração de Maria Santíssima,
Fábio Vanini

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