Montfort Associação Cultural

1 de fevereiro de 2006

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Poder econômico

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Augusto Cesar Andrade Moura
  • Localizaçao: Rio de Janeiro – RJ – Brasil

Caro Professor,
Tenho lido alguns de seus escritos e confesso ter por eles muita admiração. Isso se deve a visível cultura e fé que o Sr. demonstra nelas.
Entretanto, eu não consigo identificar exatamente quais interesses são defendidos nesses textos.
Percebo que o Sr. é contra:
1) O comunismo;
2) O lieberalismo;
3) O filósofo Olavo de Carvalho;
4) A Renovação Carismática e seus segudores como Pe. Jonas;
5) O racismo;
6) A Teologia da Libertação, Frei Betto, Leonardo Boff, D. Pedro Casaldaliga e D. Paulo E. Arns etc.
Eu gostaria de saber exatamente qual a sua posição política. Sei que é CONSERVADORA, pois é contra a MODERNIDADE.
Desculpe a confusão, pois não sou filósfo nem teólogo, sou advogado.
Tento situar suas idéias entre os que protegem a Famíla, a Propriedade e a Fé.
O senhor sabe que o bom nível de seus escritos acaba servindo para formar a opinião de muita gente.
Vejo em revistas e jornais opinões que parecem ter saída de uma forma forjada em sua Associação Cultural.
O Sr. crê na exitência de pessoas superiores? Que no determinismo? Crê que existem pessoas que nasceram para ser pobres e não devem questionar e outras que nasceram pra ser ricas e devem ali permanecer?
O Sr. pode nos dizer se é finaciando pelo Poder Econômico para defender suas teses?
O inididualismo e o anticomunismo praticados e pregados pelo Pe. Jonas e pelo Olavo de Carvalho não são plenamente compatíveis com suas idéias?
Será que a Herança Divina da propriedade privada não é tão herética quanto o fascismo do RCC e a violência do neoliberalismo?
Obrigado.

Muito prezado Dr. Augusto,
salve Maria!
 
    Muito lhe agradeço suas palavras de elogio e de tanta consideração. Deus lhe pague. 
    O senhor viu alguns dos erros que combato, por serem contrários à doutrina da Igreja Católica.
    De fato, comunismo — e socialismo –, liberalismo, carismatismo de Padre Jonas Abib (assim como o de outros padres), a marxista Teologia da Libertação de bettos e boffes, o racismo, o nazismo, o fascismo, o espiritismo, a Gnose de Olavo de Carvalho, são alguns dos erros que a Montfort tem atacado. E haveria que citar outros, como os erros modernistas e liberais do Concílio Vaticano II, o liturgicismo, o evolucionismo, a arte moderna e o romantismo, a TFP, a banda dos arautos, etc.e etc. Muitos etc.
     Inimigos da Fé não nos faltam a combater. E se mais os houvera, mais combateríamos. Deus permitindo. 
    O senhor me pergunta muito diretamente — e faz bem em me perguntar isso: 

O Sr. pode nos dizer se é finaciando pelo Poder Econômico para defender suas teses?”

    Nunca fui finaciado por ninguém.
    Luto por Deus, não por dinheiro.
    Yo pelo por mi cuenta.
    Respondo-lhe diretamente: estou em vermelho no banco.
    Sou professor aposentado e meu salário me é pago em irreais, que é a moeda nacional para o salário de professores secundários, no Brasil.
    Sou filho de operário, e nunca tive nada.
    Jamais recebi nada do Poder Econômico.
    O Poder Econômico dá mensalão para o PT dizer que defende os pobres.
    Sou contra o PT.
    Que é da CNBB e do Poder Econômico. E do poder mediático Castrista Soviético.
    Como as FARC.
    Defendo a Igreja e não o poder econômico.
    Se defendo o direito de propriedade, é porque ele é um direito natural estabelecido por Deus através da lei natural. E há dois mandamentos da lei de Deus que proibem violar a propriedade: 7o Não roubar, e 10o Não cobiçar as coisas alheias. Mandamentos esses que a Pastoral da Terra da CNBB não respeita, e que o MST viola.
    Quanto à pobreza, a Sagrada Escritura nos ensina que são os maus que a consideram péssima: 

A pobreza é péssima no dizer do ímpio” (Eccli. XIII, 30).

    O ex Frei Boff, por exemplo, afirma que é pelos pobres e contra a pobreza.
    Nosso Senhor foi bem pobre, e nunca combateu a pobreza. E a Igreja fez os monges renunciarem às riquezas por amor de Deus, através do voto de pobreza. A pobreza pode ser virtude. Não há voto de riqueza na Igreja. E nunca ouvi falar de virtude da riqueza.
    Não é verdade que Deus determina que alguém seja pobre e outrem rico. Mas Deus sabe o que é melhor para cada um. E dou graças a Deus por ter me mantido na pobreza, e por não me ter dado riquezas, que me seriam tentação de gozar a vida passeando, ao invés de ficar escrevendo dias inteiros em meu computador. De graça. Só para alcançar a graça de Deus que, essa sim, é suprema riqueza (o céu).

“O sanza brama sicura richezza! (Dante, Divina Commedia, Paradiso, XXVII, 9). (“Ó sem desejos, segura riqueza”).

    Claro que cada um tem a obrigação de trabalhar e de dar aos seus o conforto material que lhe for possível, através do trabalho. Mas, a ambição que faz da riqueza o fim da vida é idéia péssima. “Life is money”, nos diz o capitalismo liberal. A vida é para Deus, nos ensina o catecismo católico.
    O individualismo é erro pregado e difundido pelo liberalismo, baseado no subjetivismo e na filosofia idealista alemã. O individualismo é fruto do livre exame de Lutero e do liberalismo da Revolução Francesa. A Igreja Católica sempre condenou o individualismo.
    O indivíduo isolado não existe, e é mentira liberal que a sociedade seja formada por indivíduos. A sociedade é formada por famílias. Todo indivíduo nasce numa família. Foi o louco Rousseau que, delirando, imaginou que o homem vivia isolado nas florestas como o Tarzan ou o Pery –  (que pertencia a uma tribo) – do José de Alencar.
    Há anti comunismos e anti comunismos. A TFP sempre combateu o comunismo. Mas defendia o capitalismo liberal que gera o comunismo. O Olavo de Carvalho, agora, ataca o comunismo, ma non troppo, como dizem os italianos
    Não conheço o anticomunismo do Padre Jonas. Nada li sobre isso nos seus livrecos pentecostais. Mas sei que a Canção Nova tem muito dinheiro. Muito dinheiro. E não confio no Padre Jonas, porque, quem erra na Fé, pode muito bem errar também ao defender algo bom.
    Gostaria de ler algo anti comunista do Padre Jonas para ver o que ele diz.
    Mas desconfio que diz mal.
    Vindo o senhor a São Paulo, avise-me, que o convido para comer uma pizza comigo (Em delivery que sai mais barato, já que o Poder Econômico não me permite cortesia mais rica). Mas teríamos uma conversa bem “rica”, como os simpáticos lusitanos qualificam um bom bate papo.
    Esperando ter satifeito sua curiosidade intelectual e política, me despeço, atenciosamente, com meu abraço muito amigo in Corde Jesu, semper, 

Orlando Fedeli

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